Ideias recessivas

Mais uma ideia recessiva – a hipótese deste Governo taxar produtos “nocivos para a saúde”. O IVA é um imposto que não devia existir – é um imposto regressivo, paga mais quem ganha menos. Mas é um imposto intolerável quando diz respeito a comida. Prejudicial para a saúde dos portugueses é deixarem de comer peixe grelhado com arroz de grelos e comerem pão com alface e atum. A base da alimentação de quem trabalha é cada vez mais trigo, leite e açucar e não é porque os portugueses são ignorantes. É porque a relação tempo/energia/preço nesses alimentos faz com que sejam mais baratos. Mesmo que depois se gaste 12% dos custos do Estado com saúde a tratar diabéticos. 23% de Iva para se sentar à mesa e almoçar é nocivo. Nocivo para a saúde, nocivo para o emprego, arrasando com pequenos negócios de família e nocivo para o prazer de viver. Como os lugares de trabalho, com o desemprego galopante, se tornaram espaços de exaustão, medo e competição (conhecidos popularmente por cansaço, stress e inveja), a mesa com os amigos era para muitos o momento melhor do dia. Um Governo que fecha restaurantes à mesma velocidade com que regressa a marmita, é nocivo, claro.

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Morreu ex-pugilista “Hurricane”

Rubin “Hurricane” Carter, o ex-pugilista norte-americano que passou 20 anos preso depois de um julgamento considerado racista, e inspirou o músico Bob Dylan a escrever a canção “Hurricane” morreu hoje em Toronto, no Canadá.

“Repousa em Paz Rubin, a tua luta está terminada, mas não será esquecida”, pode ler-se na página Internet da associação de defesa das vítimas de erros judiciários (AIDWYC), da qual “Hurricane” Carter foi director executivo entre 1993 e 2005.

Apesar de se ter declarado sempre inocente, Rubin Carter, afro-americano, foi condenado duas vezes, em 1967 e 1976, pela morte de três brancos num bar de New Jersey em 1966.

A canção Hurricane na versão da brasileira Cida Moreira:

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O “monstro” da deflação

Generalizaram-se os comentários na imprensa liberal sobre o risco de deflação na Europa. Este risco de “deflação” traduzido signfica que vem aí uma nova crise, em termos muito simples, não compensa colocar os produtos no mercado à venda porque o seu lucro médio cai. Andamos há 1 ano e meio a escrevê-lo. Da última crise foi assim: deflação na produção (e não necessiramente no preço), queda da taxa média de lucro, propriedade desvalorizada, Banca em pré falência, Estado imprime dinheiro para salvar estes capitais, a dívida passa de 70% para 130% do PIB. Primeiro o Estado tinha que salvar a Banca porque “sim”, 6 meses depois, no início de 2009 o discurso mudava: “os portugueses viveram acima das possibilidades”. A taxa média de lucro já foi recuperada (os afogados de 2008 há muito saíram da crise, são agora parte dos 870 milionários), a Banca está a abarrotar de capitais que não investe, coloca-os na dívida, que é sustentada pelos cortes de pensões e salários. Empurrar um morto vivo – o pujante capitalismo português – só é possível matando as pessoas de exaustão ou salários abaixos da sobrevivência. Mas é possível. A regressão histórica é sempre possível e não depende só de quem quer ver os seus capitais protegidos da temida deflação, depende da resistência de quem não aceita os cortes nos salários e pensões. São dois lados em conflito e na luta, literalmente, por ver quem vai ganhar. Porque é óbvio que o pacto keynesiano, em que ambos se mantinham a crescer – salários e lucros – morreu. Tão óbvio quanto escrevemos e dissémos há 1 ano e meio que 1 ano e meio depois a Europa ia enfrentar o “monstro” da deflação…

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António Araújo, crítico de livros

Renato Teixeira: “O debate de ideias não é compatível com a trapaça. Depois de ler a “crítica” do António Araújo ao último livro da Raquel Varela – História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-1975 – não ficamos a saber muito do livro mas ficamos a saber tudo o que precisamos sobre o agora famoso assessor de Cavaco Silva. A mentira, a trapaça, a falsificação, não abrem nenhum caminho na luta política e lamentavelmente apenas deixam transpirar o indisfarçável pavor a tudo o que conteste a tese oficial sobre a história – do povo e não só – do 25 de Abril de 1974″.

O que escreve António Araújo:

“Com escassas páginas sobre a Reforma Agrária”

O que está no livro:

Um capitulo inteiro dedicado à reforma agrária, intitulado “A terra a quem a trabalha. A reforma agrária na Revolução”.

O que escreve António Araújo:

“Raquel Varela defende o «pacto social» e as marcas que dele ficaram inscritas na Constituição da República”.

O que está no livro:

O livro termina com uma critica ao Pacto Social. É, de resto, uma das teses centrais o livro.

O que escreve António Araújo:

Escuta-se o depoimento de uma mulher pobre, «de lenço na cabeça», que vivia num bairro da lata e se queixava de, na barraca onde vivia, não ter onde «fazer as suas necessidades», algo que a historiadora interpreta como uma «alusão a sexo» (p. 54).

O que está no livro:

Uma senhora de um bairro de barracas a saudar a revolução porque vivia assim:

«Tenho 5 filhos, todos com grande necessidade, tamos todos juntos a dormir na cama, pais, filhos, não se distinguir, um homem a querer fazer as suas necessidades [alusão a sexo] e ter que se esconder de um filho, uma mulher a querer fazer as suas necessidades e esconder-se de um filho, acho que isso…que já é muito que dizer…».

Interpreta? Será que António Araújo nos quer convencer que a senhora e o marido queriam urinar na cama às escondidas do filho?

O que escreve António Araújo:

“Salgueiro Maia e muitos outros tentaram tirar a população do Quartel do Carmo para a ‘proteger’, temendo confrontos” (p. 122). Não se compreende o alcance das aspas irónicas: efectivamente, Salgueiro Maia, como mandam os manuais de operações e o elementar bom senso, procurava que os civis não se vissem envolvidos num eventual fogo cruzado entre as tropas leais ao regime e os militares do MFA.”

O que está no livro:

A frase completa escrita pela autora, cuja citação é cortada por António Araújo, é: “Salgueiro Maia e muitos outros tentaram tirar a população do Quartel do Carmo para a «proteger», temendo confrontos (ainda não se sabia como terminaria o golpe)”.

As aspas são naturalmente usadas porque são uma citação, a que a autora acrescenta o contrário do que afirma António Araújo, ou seja, que era normal aquele apelo uma vez que desconhecia-se ainda o desfecho do golpe.

O que escreve António Araújo:

Por outro lado, teria sido importante que a autora definisse o objecto e o perímetro da sua investigação, ou seja, que concretizasse o que entende por “povo”. Na ausência dessa caracterização prévia (…)

O que está no livro:

“Porém, dúvida que se ergue de imediato: não é o povo, todo o povo de um país? Não, as people’s histories são a história, se quiserem, do povo revolucionário, rebelde, resistente, dos que desafiam a ordem estabelecida, que em geral é uma desordem de desemprego, subnutrição, analfabetismo e ignorância, repressão aos trabalhadores, conscrição para a guerra…”

Há quem veja no povo uma multidão espontânea e desorganizada e quem olhe para a classe trabalhadora sem se perder em conceitos como “multidão”, privilegiando a história das organizações de base dos trabalhadores, as quais estão intimamente ligadas ao papel dos dirigentes e dos partidos políticos, cuja análise, não sendo neste livro feita de forma exaustiva, é fundamental para explicar a dinâmica de qualquer processo revolucionário.

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MUDANÇA – A menina dança?

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A MENINA DANÇA?

Na Alemanha, Sigmar Gabriel (SPD, sociais-democratas como o PS) e Angela Merkel (CDU, conservadores, como PSD-CDS) dirigem um governo de «grande coligação».

 

 

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MUDANÇA – como em França?

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COMO EM FRANÇA?

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Manuel Valls (primeiro-ministro do PS): «Cura de austeridade»: 50 mil milhões de ‘poupanças’ no Estado social, incluindo o montante das reformas, os complementos de reforma geridos por organismos públicos, os abonos de família ou as ajudas à habitação social que ficam congelados até Outubro de 2015 (até ver).

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O Desemprego estratégico é o centro da austeridade

Os cortes anunciados são, numa palavra, desemprego. Mais desempregados, os que ficam a trabalhar trabalham por 2 ou 3, os serviços públicos serão cada vez de pior qualidade. A segurança social receberá assim cada vez menos contribuições. O governo anunciou um gigante pacote de criação de novos desempregados, na esperança de que os que ficam empregados se sintam cada vez mais ameaçados e aceitem trabalhar mais ou trabalhar por menos. Isto num quadro, como demonstra este levantamento da investigadora Ana Rajado, do projecto que coordenamos de relações laborais, em que 70% dos trabalhadores já trabalham 40 ou mais horas semanais. Trata-se de um regime concentracionário que atira para situações limite os mais velhos e leva à exaustão os que se mantêm a produzir, que deixam de ter vida própria. É, em plena democracia em matéria de direitos políticos, um regime de expropriação da humanidade em matéria de condições laborais, que será acompanhado de uma produtividade cada vez mais baixa porque os trabalhadores estão no limite das suas forças físicas e mentais. Duplicaram em Portugal os esgotamentos por razões laborais e há um aumento relativo dos acidentes de trabalho. Generalização dos salários mínimos e reformas mínimas e manutenção de uma taxa elevada de desemprego, o clássico exército industrial de reserva. Eis o pacote anunciado.

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