Isto não é o da Joana

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Nem do PCP. É da cidadania e vai mesmo acontecer!

Em Portugal acontecem coisas maravilhosas. Foi aqui que se iniciou o movimento europeu de indignação inspirado pelas primaveras árabes e pelos movimentos alter-globalistas. As pessoas mostraram que queriam uma mudança, disseram como a queriam e fizeram-no em números raramente ou nunca vistos noutras partes do mundo (de meio a um milhão de pessoas – 5 a 10% da população – nas ruas).

Tenho orgulho de ter convocado o Protesto da Geração à Rasca, quando toda a gente me dizia que era impossível. Que os portugueses, especialmente os mais jovens, nunca se mobilizariam. Nem fariam nada por uma mudança. E que seria impossível fazê-lo sem figuras públicas, partidos ou sindicatos na organização. No dia 12 de Março de 2011 chamaram-lhe sobressalto cívico!

Agora, algumas dessas pessoas dizem-me que não é possível criar um partido-movimento-eleitoral que transforme essa energia e vontade em mudança concreta, que seja governo para remover a casta corrupta do 1% que explora os 99%.

Não me espantou que se tenham juntado em trupe os derrotistas e pessimistas, os anti-partidários e as pessoas que, já tendo partido, não querem que se forme outro. Nem que a Joana Amaral Dias se tenha conformado com um lugar garantido de deputada de um eventual PCP-I, de Indignados. Não seria uma novidade: os Verdes prestaram-se a fazer o papel de ecologistas de serviço, quando o PCP percebeu que podia controlar e anular o movimento ambientalista de então. Antes que tivessem a aspiração de ir a eleições, o PCP criou o partido-fraude PEV que nunca concorreu a uma eleição sozinho, mas apenas em coligação, na CDU. Agora querem fazer o mesmo com a dinâmica “Podemos”. Ou isso, ou esmagá-la.

O PCP, veterano nestas andanças, recentemente asfixiou o Fórum Social Português e o Que Se Lixe a Troika, como no século passado tinha anulado o movimento anarco-sindicalista e boicotado várias dinâmicas de correntes trotskistas e maoistas. A voragem autoritária do estalinismo é o motor deste partido que não come criancinhas ao pequeno-almoço mas tenta comer todos os movimentos sociais e novos partidos anti ou para-sistémicos que não controla. Nomeadamente, ludibriando pessoas bem-intencionadas e arranjando bodes expiatórios, como explico aqui.

E gasta toda a sua energia nessa demanda em vez de se concentrar na remoção da casta corrupta que, da boca para fora, diz ser o seu desígnio. Porquê?

Porque o PCP é parte da casta! Vive às custas do regime que ajudou a criar depois da contra-revolução de 25 de Novembro, aliando-se ao PS de Soares que meteu o socialismo na gaveta e trouxe o primeiro FMI, com o Eanes que confirmou a contra-revolução neo-fascista-democraticazinha-mas-pouco e, recorrentemente, com o PSD nas autarquias. Luta afincadamente para não perder as suas subvenções estatais, as suas mordomias pós-eleitorais e tudo fará para eliminar os grupos que coloquem isso em causa. Ou seja, não afronta os partidos com os quais partilha o poder parlamentar mas sim as outras formações partidárias que já existem ou se querem formar e lhe podem tirar lugares. E muito menos quer ser governo, cruzes credo! Que lá se ia o eleitorado!

Actualmente conseguiu encontrar peões (e espiões?) que, se não fazem parte do PCP, tomaram partido pela tentativa de dissolução de um movimento de cidadãos – o Movimento Juntos Podemos. Este inspira-se no Podemos espanhol, no Syriza grego, no Sinn Féin irlandês, na revolução cidadã islandesa e, acima de tudo, no movimento social e associativo português – nas pessoas deste país que não se revêem nas tricas políticas falaciosas entre esquerda e direita, e querem um partido dos de baixo!

Dando razão a quem quer a verdadeira mudança cidadã, estão a fazer de tudo para boicotar o movimento que já está a recolher assinaturas para se poder candidatar a eleições. Começaram (Joana Amaral Dias, Nuno Ramos de Almeida e PCP) por se entrincheirar numa Comissão Dinamizadora que recusou fazer aquilo que a 1ª Assembleia Cidadã, de 14 de Dezembro, votou favoravelmente. Quando, pressionados pelos restantes membros do movimento, perceberam que não tinham outra alternativa senão cumprir o mandato da Assembleia Cidadã, decidiram auto-dissolver a Comissão Dinamizadora e tentaram, com isso, dissolver também o movimento. Saiu-lhes o tiro pela culatra.

Os restantes membros querem cumprir o que ficou decidido na 1ª Assembleia, vão reunir-se em plenário aberto já no próximo domingo, na Livraria Ler Devagar, Lisboa, para preparar a 2ª Assembleia Cidadã, que virá depois a realizar-se no Porto, no dia 24 de Janeiro, quer o PCP / Nuno / Joana queiram, quer não queiram.

Pelo meio fizeram – e acredito que ainda farão mais – algumas tropelias desesperadas para descredibilizar o movimento, já que deixaram de o controlar, apesar das várias entrevistas que a Joana deu “dizendo” que o partido era dela. As últimas saíram, hoje, no jornal de extrema-direita e neo-liberal Observador e no diário espanhol El Mundo, já depois de a Comissão Dinamizadora de que fazia parte se ter auto-dissolvido. A troika PCP / Nuno / Joana afirma-se ainda controleira do movimento. Mas é mentira: aos membros disseram que não contássemos mais com eles e que iriam criar “uma coisa à parte”. Logo a seguir, dizem-nos que não podemos usar mais o nome do movimento nem o logótipo porque, tendo 8 pessoas abortado a Comissão Dinamizadora, as quase 200 que estiveram na Assembleia Cidadã não poderão continuar o seu caminho. Dá vontade de rir? A mim, sim. E um pouco de pena, pelo desespero.

Tudo isto denota desnorte e ganância mas, acima de tudo, faz-me crer que estamos no bom caminho! Se uma iniciativa como o Movimento Juntos Podemos, que está no seu começo, já tem tantas tentativas de controlo e bloqueio, é porque há quem acredite que existe perigo de nos tornarmos numa força que desequilibrará o tabuleiro do jogo.

Por isso, é tão importante que as pessoas que não estão para aturar estes joguinhos baixos estejam em grande número nas duas próximas iniciativas públicas: a Reunião Aberta plenária, de 18 de Janeiro, em Lisboa, e a 2ª Assembleia Cidadã, de 24 de Janeiro, no Porto, onde se definirão estratégias, programa e formas de interacção certamente democráticas, participativas e inclusivas. Além disso, neste sábado (17 de Janeiro), mais dois círculos regionais terão lugar, em Santarém e em Barcelos. É fundamental que recolham assinaturas para a legalização do partido e que ajudem a divulgar e a avisar a malta para os desafios, mas também para as janelas que se abrem de um futuro melhor.

Se as pessoas genuínas e bem-intencionadas não o fizerem, outras o farão, pelo pior, como têm vindo a fazer, no movimento e no país.

Mas se estivermos Juntos Podemos muito mais do que imaginamos!

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Sobre João Labrincha

Agora escrevo no Botequim.info em http://botequim.info/author/jl4br1nch4/
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