Fascismo na Escola, Praxe na Vida

Se continuarmos a admitir as praxes – na Escola e na Vida – não me admira que, muito em breve, um novo Hitler seja eleito democraticamente, em Portugal.

Em 1967, um aluno de Ron Jones (jovem professor de História californiano) perguntou como era possível que @s alemãxs tivessem elegido e seguido Adolph Hitler. O professor respondeu criando um estado fascista virtual dentro do seu instituto (ver documentário em baixo). O seu objectivo era afastar alunxs dos atractivos do totalitarismo-aliado-à-necessidade-de-sentimento-de-pertença-a-um-grupo. Desta forma, pôs em funcionamento uma audaz experiência social que superou as suas melhores expectativas, ou melhor, os seus piores pesadelos.

Xs estudantes envolvidxs, 30 no princípio, passaram a ser 200 – fervorosxs seguidorxs do “movimento”! Entre elxs cumprimentavam-se de uma forma específica e havia uma série de informadorxs que agiam como membros da Gestapo… Era, em suma, uma fiel recriação das raízes do Terceiro Reich. Esta experiência, denominada “Terceira Onda”, foi um simples episódio na história de uma escola mas serve como um alerta permanente.

Em Portugal esta experiência ocorre todos os dias, de Norte a Sul, mas não é virtual e ninguém lhe põem um fim (por enquanto): chama-se Praxe!

O meu conselho é: na praxe e na vida, sê a pessoa destacada na foto. Porque umx a umx, em breve, seremos muit@s!

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* Este artigo foi escrito utilizando o Acordo Queerográfico

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Sobre João Labrincha

Agora escrevo no Botequim.info em http://botequim.info/author/jl4br1nch4/
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23 respostas a Fascismo na Escola, Praxe na Vida

  1. JP diz:

    Epah deixa-te de parvoíces e escreve em português!

    Quanto ao resto, de acordo.
    Aliás, gostava de salientar que me parece que esta coisa das praxes (sobretudo as violentas) só parece acontecer em universidades de segunda. É raro ouvir falar disto nas universidades mais conceituadas (e que terão menos que provar) e parece-me que talvez seja uma forma (parva) de afirmação de quem – por ser medíocre – não tem mais nenhuma forma de o fazer.

    • João Labrincha diz:

      “O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra decidiu, sexta-feira, suspender a praxe académica naquela instituição de ensino após duas alunas do curso de Psicologia terem sido agredidas, violentamente, durante mais uma atividade de praxe, realizada a semana passada.
      O caso foi denunciado às autoridades policiais e ambas as alunas – “caloiras” do curso de Psicologia – tiveram de receber tratamento hospitalar pelo simples facto de se terem recusado a participar nas atividades da praxe.(…)” Publicado em 2012-03-31 no Jornal de Notícias

    • Cenas diz:

      Lamento informá-lo que a praxe ocorre em todas as universidades (ou quase). não sei o que entende por universidade conceituada, mas universidades como a do porto, a nova de lisboa, do minho, a universidade católica portuguesa, etc. se pratica praxe… Está-me a parecer que a mediocridade calha a mais do que você pensa…

    • Miguel Cabrita diz:

      Excelente parafrase de Vasco Pulido Valente. É bom desvalorizar as Universidades “menos conceituadas”, isso garante o privilégio dos alunos das Universidades “mais conceituadas”, bora lá embarcar na onda.

  2. Mário diz:

    “e havia uma série de informadores ”

    os informadores são sempre homens ????

    “Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. O preconceito pode acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo: que feio, que gorda, que magro, como é burro este negrão. “

    • João Labrincha diz:

      por acaso no documentário fala-se em 3 homens informadores, os que foram designados pelo professor. mas também se diz que a maioria das informações (bufaria) acabou por vir de pessoas que não se encontravam nesse grupo designado. por isso, é bem provável que também tenham sido mulheres. na dúvida, vou colocar “x” 😉

  3. JgMenos diz:

    Muito interessante filme.
    Mas a lição é inaplicável à geração dos morangos com açucar, do telemóvel, nascida com a vaga noção de uma pátria a quem roubaram a memória!

    • De diz:

      O anquilosamento ideológico de Menos redu-lo a frase feitas.Deste género, convertida em morangos com açucar e telemóvel

      Entretanto Menos, que fala aqui de pátria e de memória, quer que nós não façamos uso desta última para nos lembrarmos que Menos é precisamente um dos defensores da submissão aos interesses germânicos e aos do grande capital
      Um vende-pátrias vulgar ansioso pelo domínio da pata de merkel.Um vulgar membro da classe dominante,que acena com a cabeça a fazer sim-sim a tudo o que lhe cheire a negócio rentável.E que pugna claro, pelo domínio de cada vez menos a cada vez mais.
      Ou não fosse um defensor da direita dos interesses, com saudades salazarentas do estado-novo e da germanofilia do século passado

      • JgMenos diz:

        Responso muito correcto segundo a regra canónica geral: ao argumento dá a invectiva por resposta.

        • De diz:

          Hum.
          Acha mesmo?
          Atiro-lhe à cara a sua posição de cócoras perante merkel e acha mesmo que é apenas uma invectiva?
          Atiro-lhe à cara o seu rastejar perante a troika e os credores e acha mesmo que é apenas uma invectiva?
          Chamo-lhe com todas as letras hipócrita cobarde por vir com a história da pátria e continua a achar que é apenas uma invectiva?
          A classe dominante sempre zelou pelos seus interesses.Na crise de 1383-85, na de 1580-1640.Menos é apenas um vulgar estereotipo dum servo do capital, a ruminar patriotismos de opereta como os sebentos e salazarentos personagens do fascismo.

          De facto esta é uma resposta com argumento.Se se afronta Menos desta forma é porque este tipo de coisas deve mesmo ser denunciado.Os trejeitos germanófilos de Menos não podem passar impunes.Nem a canalhice hipócrita

          • JgMenos diz:

            O português é uma língua pouco conhecida:
            Invectiva= expressão injuriosa e violenta; diatribe; discurso vibrante contra alguém
            Sirva-se à vontade, que pequenos egos querem muito alimento|

          • De diz:

            O português é o que é.
            Ora bem:
            A questão não é a “invectiva”. Ou melhor a questão não é “apenas” a invectiva.Disse-o com todas as letras.Eu vou repetir:
            “acha (Menos) mesmo que é APENAS uma invectiva?

            Eu vou tentar explicar num português que até mesmo Menos consiga perceber

            O que que eu escrevi foi um “discurso vibrante contra alguém”.Uma invectiva!
            Menos dirá que, e vou citar:”ao argumento dá a invectiva por resposta.”
            Ora bem eu vou repetir:
            Não foi apenas uma invectiva.O “argumento de Menos ( aquilo não o era; mas enfim) teve uma resposta vibrante .Mas não teve apenas isso.
            Foi uma resposta vibrante contra Menos,sim,concordo, mas fundamentada.
            A espécie de argumento de Menos não teve assim APENAS uma invectiva como resposta.Teve uma resposta sustentada e com argumentação. De forma vibrante é certo,mas , para azar de Menos, fundamentada
            Está lá tudo escarrapachado.TEXTUALMENTE.

            Bastava ler. e não confiar em excesso na sua prosápia e no seu (enorme?) ego)
            🙂

  4. Rui Frias diz:

    A história tem tendência a repetir-se. Há um filme alemão muito bom que se chama “Die Welle” (A onda) e mostra como esse movimento pode crescer, para quem não viu recomendo…

  5. Filipe Santos diz:

    Caríssimo João Labrincha
    Discordo totalmente da sua associação.
    Indecisão
    Acabe-se com a Praxe? Ou Acabe-se com a Maçonaria?
    Afinal, se falamos de actos que após serem superados conduzem a uma estrutura hierarquica onde a fraternidade é grande e que no seio da qual pode surgir fascismo num país, acho que estamos no sentido correcto em abolir as praxes. Visto que os membros da hierarquia a que a praxe “permite a entrada” desenvolvem conflitos de interesses em demasia, corrupção e os seus interesses mexem com a vida de milhões de pessoas!

    Se as praxes permitem o uso do traje académico
    Na Maçonaria os seus rituais levam ao uso do avental

    E sinceramente tenho mais medo de um avental usado na sombra do que uma capa usada na mesma circunstância.

  6. Esse tal Hitler português não foi eleito já?

  7. A Praxe é uma Brincadeira diz:

    acho um abuso dizer-se que a Praxe que ocorre em Portugal é o equivalente a esta experiência.
    alguns pontos saltam imediatamente à vista, como a ausência de agenda política (e com esta palavra quero dizer com intenção de influenciar realmente os destinos do país e do povo) na Praxe, a inexistência real de consequências na vida académica para quem não se quer juntar á praxe (repare como a questão de ter uma boa nota foi fundamental para a experiência) ou a proibição de contactar com elementos exteriores ao movimento, só para dar alguns exemplos.
    em suma, este foi um excelente exercício de demagogia e desinformação, do qual o próprio Goebbels ficaria orgulhoso.
    para acabar, duas perguntas: reparou quantos dos entrevistados estavam agradecidos por terem feito parte da experiência e assim aprendido coisas sobre a natureza humana que acham não terem sido possíveis de aprender de oura forma? Acha que a Praxe enquanto experiência vivida em contexto de “brincadeira” pode afinal ensinar aos que passam por ela a evitar precisamente este tipo de manipulações e dinâmicas de grupo na política REAL?

  8. Olifante diz:

    Acordo Queerográfico? Excelente maneira de não ser levado a sério e de garantir que ninguém lê os teus textos até ao fim.

    • João Labrincha diz:

      Como homem, branco e burguês compreendo que estejas mais habituado a que xs outrxs se adequem à tua vontade do que a ter que fazer o esforço empático de te colocar ao nivel dxs outrxs. Mas deixa, assim como assim, não deves ter tido destreza mental para acabar de ler a frase anterior 😉

      • Olifante diz:

        Ah, porque tu não és nem homem nem burguês? E essa da “destreza mental” é um toque simpático. Nada como um insulto gratuito meter as pessoas no seu lugar de opressores heteronormativos trogloditas.

    • Está muito enganado.

  9. Pingback: O meu testemunho pessoal: fui praxado, praxei. Hoje sou anti-praxe. | cinco dias

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