O Crime e a Praxe, em imagens

Hoje acordei e li o relato de uma amiga cujo filho de 12 anos tinha acabado de ser praxado numa escola básica. Escreveram-lhe na cara e, durante um dia inteiro, teve que fazer tudo o que lhe mandavam xs alunxs mais velhxs.

Ao ler isto lembrei-me das várias cenas revoltantes a que assisti mas principalmente de uma, no Porto, há cerca de 10 anos, onde numa noite à chuva e ao frio, na Praça da Cordoaria, assistí a um grupo de “caloiros” que foi obrigado a despir-se integralmente. Dois recusaram-se e levaram colheradas de pau na cabeça. Os outros foram obrigados a rebolar na lama (a praça estava em obras) e depois a roçar-se uns nos outros. Eu e amigxs tentámos intervir, fomos ameaçadxs e o espectáculo só parou quando dissemos que iríamos chamar a polícia.

Recentemente chegaram ao público as famosas fotos da prisão americana de Abu Ghraib, no Iraque. Quando as vi pela primeira vez a história que vos contei veio-me à cabeça, bem como as várias a que assisti em Aveiro, por exemplo, ou em Coimbra. E, por isso, partilho convosco a experiência sensorial que tive, em imagens. Porque o que assistimos no século XXI em Portugal é incomportável com uma sociedade dita democrática e que se pretende respeitadora dos Direitos Humanos. A impunidade não pode continuar, e muito menos pode ser aplaudida. Abaixo a praxe!

E porque acredito que a sociedade também avança pelo método do choque – usemo-lo no bom sentido:

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Finalmente, encontrei esta notícia do DN, de Maio de 2013:

«Supremo condena universidade pela morte de um aluno de Arquitectura em 2001. Ninguém assumiu espancamento durante uma “praxe” mas o jovem acabou por morrer após sete dias em coma. Lusíada vai pagar mais de 91 mil euros à família da vítima.

O “Jornal de Notícias” escreve hoje que “doze anos depois da morte de um estudante, a Universidade Lusíada vai ter de indemnizar a família da vítima em mais de 91 mil euros. O pecado da instituição foi não controlar as atividades da tuna em Famalicão. Diogo Marcelo frequentava, em 2001, o quarto ano da licenciatura em Arquitectura. Na noite de 8 de outubro daquele ano estava nas instalações da Universidade Lusíada de Famalicão para mais um ensaio da Tuna Académica, de onde era “tuninho” (o grau mais baixo) e tocava pandeireta. Antes de entrar no espaço da Tuna foi por três vezes submetido a práticas de “praxe”. “Flexões”, admitiram os membros do grupo e a própria Universidade. Mas, por aquilo que ficou provado em tribunal, na sequência do relatório da autópsia feito pelo Instituto de Medicina Legal, aconteceu algo bem mais grave: Diogo foi vítima de espancamento ao ponto de ficar com “lesões traumáticas” crânio-encefálicas e na coluna cervical. Faleceu, aos 22 anos, a 15 de outubro de 2001, após sete dias em coma”.»

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Eu não compactuo com crimes, por isso sou anti-praxe!

* Este artigo foi escrito utilizando o Acordo Queerográfico

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Sobre João Labrincha

Agora escrevo no Botequim.info em http://botequim.info/author/jl4br1nch4/
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40 respostas a O Crime e a Praxe, em imagens

  1. Pedro Pinto diz:

    Também não gosto de praxes – recusei-me a ser praxado, usando os 110 quilos que tinha na altura – mas não comparemos a praxe com a tortura perpetrada pelos americanos por esse mundo fora… Nem se combate bem a praxe, pelo exagero da comparação, e atenua-se o peso da tortura…

  2. Luis Silva diz:

    É do conhecimento público que isto acontece todos os anos. Já no meu tempo protestei e nunca aceitei essas “palhaçadas” porque não ia para isso que ía para a escola. Responsabilizo as autoridades escolares e civis porque nunca fizeram nada para EVITAR que tal fosse praticado ou considerado crime contra a “Liberdade Individual”(?). Nunca deveriam sequer ter existido. Punam-se os criminosos!

  3. von diz:

    Acho desadequado, para não dizer idiota (ok, já disse), documentar o post com as fotos em causa. Transforma uma opinião justificada e civilizada acerca das praxes académicas, numa salada de frutas macabra, onde vale tudo para justificar o que se opina.

  4. Pimba diz:

    Eu näo concordava com praxes, näo apareci na faculdade durante a 1.a semana. E pronto.
    Depois pensei que era melhor ter uma atitude construtiva.
    E anos depois, pertenci à Comissäo de Praxe, para evitar abusos. E pronto.

    A praxe pode ser gira, e pode integrar. Basta ser feita por gente inteligente.

    Os criminosos que cometeram os crimes acima näo os cometeram por ser da praxe, cometeram porque säo umas bestas assassinas que usaram a praxe como desculpa para cometer crimes.
    E como cometeram crimes merecem puniçäo, praxe ou näo. E pronto.

    • Ima Pimba diz:

      Boas curiosamente, chamou-me a atenção o nome do usuário pois todos me conhecem pelo mesma alcunha.
      Felizmente concordo com o que foi dito por ti, realmente ia as praxes quando me apetecia, nunca faltando as mais emblemáticas, Baptismo, julgamento, praxe 24 etc… não vamos julgar o jogo mas quem o joga, estudei e fui praxado na academia minhota (Universidade do Minho), e adorei, realmente há muito espírito académico e entre o meu grupo de amigos fomos todos praxados, coincidência ou não as amizades mais fortes que fiz foram os colegas do meu curso, em que todos fomos praxados e fomos sempre muito unidos, no nosso ano de praxistas tentamos sempre incutir os valores da união e do respeito, sem uso da força, obviamente. Não quero dizer que foi a praxe que nos uniu pois tinhamos relação fora da praxe, desde noitadas, jantaradas ferias em grupo etc…e ainda hoje que já não estudamos juntos mantemos uma ligação forte, e estamos todos espalhados pela região norte.Gostei de ser praxado, mais do que praxar! mas respeito a opinião dos que não ligam a praxe… agora não se desculpem pelos estereótipos que surgem de quem nunca foi praxado que a praxe é humilhação, e um insulto aos direitos humanos. Discordo piamente! Muitas praxes por vezes eram de cariz solidária fazendo recolhas e angariação de bens, assim como dadívas de sangue… sendo a UM um dos principais dadores entre as universidades nacionais.
      De notar que os nossos caloiros e os caloiros dos nossos caloiros assim o fizeram e incutiram esses mesmos valores. talvez tenha entrado num ano praxisticamente bom…

      Saudações Académicas

  5. sp diz:

    concordo com toda a apreciação sobre a praxe – já basta de instituições bacocas que servem para perpetuar diferenças e hierarquias ridículas sob a grande balela da integração – fomentando uma pressão de pares inaceitável. a ilustração e as fotografias é que acho desadequadas ao texto e à sua opinião e não percebo qual o sentido para a escolha.

  6. Maria diz:

    Vão praxar livros e começem mas é a estudar. Queixam se que não tem dinheiro para as porpinas mas paras os copos e outras coisas mais já tem.

  7. HB diz:

    as praxes são uma forma organizada de bullying, assédio, violência e deve exigir-se responsabilidades da direcção da escola que não tome medidas preventivas ou correctivas – para isso é importante que os pais e alunos e professores façam ouvir os seus protesto e que divulguem o NOME DA ESCOLA onde isso acontece, para que eles se envergonhem e tomem medidas

  8. Praxista diz:

    Todos os anos é sempre a mesma coisa. Casos isolados ou tirados do contexto para tentar criar a imagem da praxe como algo malévolo.

    Pessoalmente, sou a favor da praxe. Como uma pessoa introvertida e que dificilmente se relaciona com novas pessoas, a praxe ajudou-me realmente a relacionar-me melhor muitos dos meus colegas, duma forma que nunca seria capaz de me relacionar. A praxe tem os seus defeitos? Sim, como tudo, sendo o maior a facilidade de possíveis abusos de um “poder” que o caloiro pode acabar simplesmente dizendo “sou anti-praxe” mas que pode não o fazer, com medo de represálias. E o exemplo que deu dos praxistas a obrigarem os caloiros a despirem-se é um deles. Como praxista posso dizer: Isso não é praxe. Isso não ajuda os caloiros a integrarem-se no mundo académico e a conhecerem-se melhor. Isso é abuso, um crime que infelizmente também ajuda a reforçar o estereotipo de “a praxe é maligna”. O mesmo caso para as praxes que acabam em mortes: situações perigosas não ajudam em nada o caloiro, apenas ajuda a satizfazer os desejos sádicos de alguém que se diz praxista e que realmente não o deveria ser.

    Agora, pegar em imagens da praxe e tirá-las fora do contexto, para vender essa ideia negativa em relação à praxe e compará-la a casos de abuso em prisões, é simplesmente mau jornalismo.
    Não consigo encontrar relação entre as duas primeiras imagens. as pessoas estão tapadas em ambas as imagens sim, mas não vejo nenhuma tentativa de abuso físico na imagem de praxe, que deve ser algum ritual de passagem (como existe em muitas religiões ou ordens como a maçonaria). Não encontro nenhuma relação entre as duas imagens seguintes também. Estão ambas sujas ou a sujarem-se sim, mas na da prisão nota-se um abuso físico evidente. Na da praxe vejo um caloiro a chapinhar na lama e a meter a cabeça numa bacia de farinha. Quantos de nós não chapinhou em lama quando crianças nem jogou aqueles jogos em que se vai buscar algo, como rebuçados, a pratos ou bacias de farinha. o objetivo é o mesmo, diversão! Pode parecer nojento (e é) mas posso dizer que eram as minhas praxes preferidas, quando era caloiro, porque realmente me divertia. Na terceira imagem, a venda é apenas para trazer um elemento de surpresa, ou suspanse, não de medo como os prisioneiros vendados. A quarta é mais dificil de explicar, mas eu, quando era caloiro, interpretei como sendo uma hipérbole do mundo do trabalho para o qual estava a estudar: ninguém começa com respeito e poder. Isso ganha-se. E é agradando aos superiores, sem ser demasiado submisso, que se os posso ganhar. Pode custar ás vezes, mas no final são esses superiores que me ajudarão a subir na escala do respeito e poder, e quando subir, outros estarão na minha posição inicial e eu estarei em cima para os ajudar a obter esse mesmo respeito e poder.

    A praxe não é para todos, admito, e admito também que pode ser difícil de perceber para quem está fora. E quem é contra tem todo o direito em dizer os seus porquês. Mas tudo deve ser feito com respeito e com o máximo de veracidade, o que não encontrei aqui neste artigo.

  9. JgMenos diz:

    Nos tempos do obscurantismo fascista só havia capas e batinas e praxe em Coimbra!
    Havia um tipo num liceu do Porto, mas dizia-se que era para romper a farda que o pai usara em Coimbra.
    Agora a juventude esclarecida, evoluída, libertada, reinstaura por todo o lado os ritos de iniciação ancestrais acrescidos de desvairos patéticos!
    Só pode ser culpa do governo!

    • De diz:

      ?
      Ou de como se tenta desta forma tonta e patética ir ilibando os pulhas que nos governam.

      ( por acaso no tempo do fascismo a juventude esclarecida era muito crítica dessas “práticas organizadas de” )

  10. Sílvia diz:

    Nunca escondi que odeio as praxes e as “bestas” humanas que as praticam…e, nunca percebi qual é o interesse de tais práticas e o porquê das Universidades permitirem essas “fantochadas”. A todos os “carrascos” malvados que mataram jovens indefesos que só queriam estudar, destruindo também as suas famílias na dor lancinante de perderem os seus filhos… espero que um dia Deus lhes aplique o lema: “Com ferros matas com ferros morrerás”…

  11. Rafael Ortega diz:

    Todos os anos em Setembro os mesmos personagens ganham vida para vociferar contra a praxe.

    A pressão de grupo só existe para os fracos de espírito. Quem não quer ser praxado não é, como o primeiro comentador deste post ilustra.

    Eu gosto muito que estas imagens dos abusos pelas tropas americanas sejam equiparadas à praxe. Faz com que o autor passe por um extremista tontinho, e até quem partilha das suas opiniões o alerta para isso.

    Se vamos fazer comparações estúpidas, como de vez em quando há adeptos de clubes desportivos que andam ao soco uns com os outros vamos ser contra todos os campeonatos de todas as modalidades? Não, vamos multar/prender os que fazem crimes e deixar os outros em paz.

    Enquanto estive nas praxes, como praxado e mais tarde como praxista, houve sempre gente que não quis participar e foi deixada em paz.

    • João Santos diz:

      “A pressão de grupo só existe para os fracos de espírito.”

      Interessante como o ónus cai sobre as pessoas que estão a ser importunadas e não sobre quem importuna.

      Primeiro, infelizmente alguém que entra numa universidade longe de casa e/ou não conheça ninguém, à partida não terá a mesma “força de espírito” de quem já tenha referências. Especialmente com a lavagem cerebral do “aqui é que fazes amigos a sério”.

      Segundo, é óbvio que no fim só é praxado quem quer, mas quem lê alguns destes comentários fica com a ideia de que a praxe é do género: “Caloiros, há praxe no jardim em frente ao pavilhão às 14h, quem quiser apareça”. Mas se fosse assim nem se punha a questão da coação, não é?

      • Rafael Ortega diz:

        “Interessante como o ónus cai sobre as pessoas que estão a ser importunadas e não sobre quem importuna. ”

        Se o João tiver 100 pessoas que nunca viu a gritar para que salte de uma ponte vai saltar?

        • João Santos diz:

          Rafael,

          Se tiveres 50 agarrados espalhados pelo campus a pedir-te trocos para o cavalo a cada 5 mins também só dás o dinheiro se quiseres, mas eventualmente alguém vai fazer queixa da situação…

          (se é para fazer analogias ridículas…)

      • Gostei da argumentação.

    • Fraco de espírito diz:

      “A pressão de grupo só existe para os fracos de espírito.”
      LOL, Então quer dizer que quem sente alguma “pressão” quando pessoas mais velhas e que estão naquele local há mais tempo e que usam uma farda e que são “organizados” e que falam autoritariamente e que ameaçam e tentam humilhar e que caluniam são “fracos de espírito”. São, de facto “fracos de espírito”… em não rebentar-vos logo a boca toda. No meu caso, tive duas abordagens dessa “tradição” patética e dei uma certa tolerância aos “doutores” porque, pronto, não vêem mais do que aquilo… a frustração, o fenómeno de “manada” e o sentido de vingança cega-lhes os sentidos e a inteligência, caso ela lá residisse… ri-me e virei costas, com medo de ter que pagar a conta do dentista. Não deveria ter tido esse medo, fui um “fraco de espírito”… LOL, palhaços.

      • Rafael Ortega diz:

        Palhaço é o menino.

        O que não faltou durante os anos que passei na Universidade foi pessoas que não quiseram participar nas praxes.
        Foram à sua vida, ninguém os incomodou.

        Sim, é um fraco de espírito o indivíduo que faz uma coisa que não quer só porque alguém manda fazer.

        Não se trata de um agente da autoridade a mandar encostar o carro, um empregador a mandar o empregado fazer uma tarefa para que está contratado no seu horário de trabalho, nem um pai a mandar o filho arrumar isto ou aquilo.
        Aí pode não querer, mas faz.

        A praxe se não quer não faz. Vai embora. É tão simples como isso.

        • Fraco de espírito diz:

          Isso é a mesma coisa que dizer: “Se não estás bem em Portugal emigra”, “Se não gostas do teu trabalho, despede-te”, “Se não gostas do teu prato, não comas”, “Se não concordas com a sociedade, torna-te ermita.”… É, basicamente, a forma de pensar de um energúmeno, que não entende que toda a evolução de uma civilização consiste na quebra das tradições que não fazem mais sentido e olha para o futuro de uma forma diferente, mesmo sendo difícil aguentar com a pressão dos grupos que puxam sempre para trás, do grupo vigente, dos retrógrados. Vocês jogam com a moeda de que são um “grupo”, e uma pessoa nessa idade “quer pertencer” a algo, é natural, principalmente quando estão fora de “casa”, não é nenhuma fraqueza “tentar” pertencer. Fraqueza é a forma como vocês exercem esse poder. Trata a caloira como gostarias de ver tratada a tua filha e o caloiro como o teu filho, se é que sabes o que é esse sentimento. Cambada de mentecaptos frustrados vingativos da porcaria.

          • Rafael Ortega diz:

            “Isso é a mesma coisa que dizer”

            Não, não é, e se tivesses meia dúzia de sinapses funcionais percebias porquê

    • Francisco diz:

      E quem te diz que essas pessoas queriam ser deixadas em “paz”? Espero que estes jovens que por aqui comentam fazendo da praxe e dos casos isolados meros acasos sem relevância, nunca tenham um filho que não vá a praxe ou que seja vitima desta. Aí vocês vão ver o que são os casos isolados, e posso-vos garantir que no mesmo dia em que isso acontecer, é o dia em que vocês começam a pensar de forma diferente.

      Não conseguem pensar numa forma moderna para integrar os novos estudantes? Ou se acham que Este método é assim tão bom, e o equiparam imensas vezes ao mercado de trabalho, não acham curioso que todos os métodos de integração de pessoas em empresas ou em equipas novas dentro de grandes empresas é exactamente o oposto deste modelo que vocês defendem?
      Cumprimentos

  12. Honesto diz:

    esta discussão sobre as praxes tem o mesmo nível do piropo… apesar de às praxes ir quem quer, enquanto que piropos infelizmente qualquer pessoa os pode ouvir mesmo que não queira.

  13. Herberto diz:

    As praxes podem ser combatidas com a lei ou com grupos anti-praxe que interrompam as sessões de praxe. O problema das praxes académicas, muitas vezes, não são aqueles que praticam. São os colaboradores que se prestam a qualquer tipo de vexame. São aqueles que não se importam e até acham que têm de levar com a praxe.

    Outra coisa bem diferente é Abu Ghraïb e as torturas e sevícias que se praticaram em prisioneiros, alguns que nada tinham a ver com aquilo. Foi o caso de uma criança de 13 anos que foi violada defronte do pai. Abu Ghraïb não foi nenhuma praxe, até porque os prisioneiros foram forçados e nunca colaboraram com os seus carrascos.

  14. Rocha diz:

    Comparar a praxe às torturas sistemáticas da máquina militarista e securitária dos Estados Unidos causa me profunda repugnância.

    Eu fui praxado apenas um dia, não achei piada nenhuma e nunca mais lá apareci. O caso de homicídio referido no post é um caso isolado que pouco ou nada tem a ver com o que é a praxe de um modo geral. A praxe em geral é completamente voluntária e acaba quando alguém se fartar dela.

    Pode se dizer tudo de mau sobre a praxe, que é estúpida e inútil (isso eu subscrevo) e muitas coisas mais. Mas a praxe não é uma máquina de guerra, a praxe não é terrorismo de Estado, a praxe não é um Estado policial, a praxe não é nem Abu Grahib nem Guantanamo nem Bagram nem prisões secretas ao redor do mundo. É até insultuoso para vítimas de agressão de um exército inavasor imperialista comparar esses sofrimentos com a praxe.

    A praxe é uma brincadeira de meninos. Eu não tenho nenhum argumento a favor da praxe. Acho mal que as pessoas se deixem abusar no contexto da praxe (a praxe é voluntária só por estupidez e masoquismo as pessoas o permitem). Mas qualquer pessoa pode fazer como eu fiz, não participar na praxe e sentir apenas desprezo e indiferença por quem o faz. Ou então andar aí a dizer mal da praxe e a gritar contra a praxe, para mim tanto me faz desde que não se compare a praxe com coisas sérias.

    • caxineiro diz:

      Exactamente Rocha! É que só mesmo uma besta é que compara a praxe ao militarismo americano! Não gosto da praxe, mas por cá, ninguém aponta pistolas à mona para obrigar os garotos a irem à praxe.

      De um modo geral, é um post com tiques autoritário por fazer este tipo de comparações e demagogias para fazer valer um ponto de vista.

  15. POKE diz:

    Pensava que o que era fixe era o pessoal sentar-se. agora parece que o melhor é intervir?
    Estou a ficar doida.

  16. Aveiro diz:

    Tive a sorte de ser praxado no curso de Engenharia Electrónica e Telecomunicações na grande Universidade de Aveiro. Aí sim, tive uma praxe que dava vontade de ir ! Mas sei que é caso único ou quase único, pois tenho conhecimento de praxes de diversas universidades. Houve uma situação na minha praxe em que alguém trajado me berrou numa situação em que não devia, pois eu estava a falar com um colega de algo extremamente importante durante a praxe em vez de cantar e curiosamente, quem me berrou é que foi punido. Há bom senso, naquele curso, sabe-se praxar ! Há que saber, mas é difícil saber.

  17. imbondeiro diz:

    Um “post” lamentável: lamentável no seu oportunista modismo sazonal; lamentável na ligeiríssima generalização que faz de comportamentos de uma diminuto bando de imbecis ( eles e elas ) cujo grande problema é a sua tenebrosa falta de formação, de educação e de qualidades humanas; lamentável, sobretudo, na sua inenarrável aproximação imagética da “praxe” aos crimes de guerra de Abu Ghraib ( coisa que está ao nível da prostituição do nome de Mandela no apodar de um cão ).É o triste resultado de, tal como aconteceu no badaladíssimo caso do “piropo”, tentar fazer de uma idiossincrática fobia um problema nacional. Lamentável.

  18. Tiago diz:

    há extremistas para tudo… tanto há extremistas na praxe, que levam o seu “poder” demasiado a serio, e vivem sendo reis da praxe e nada fora dela… e depois há os extremistas anti-praxe, que fazem posts e noticias deste tipo, comparando uma coisa, uma acçao voluntaria, como a praxe, a torturas em plenas prisoes americanas. praxe nao é tortura. so é praxado quem quiser. quem nao quer, vai se embora, vira costas e é passado. sim existem diversos casos de abusos em praxe como o que foi apresentado. como ja foi dito por aqui, esses animais nao sao praxistas, sao sociopatas e covardes por se esconderem atras de praxe, para se imporem na vida. eu sou praxista e com muito orgulho. o tal espirito de manada que muita gente odeia e insulta, ajuda-te quer na tua vida academica coo no futuro. aprendes a saber distinguir com quem podes contar, com quem sabes que nas alturas certas vai estar la para de apoiar e ajudar. o meu circulo de amigos mais unido, todos sao praxistas. todos praxaram e foram praxados comigo. vivem se coisas que nao se consegue esquecer… boas e mas. mas sao aquelas pequenas historias e momentos que se vivem em praxe que nunca has de esquecer, que te fazem crescer, evoluir e principalmente reavaliar a tua propria pessoa. e quem nunca foi praxado, auqeles que ficam a olhar do exterior, que nunca tiveram um pingo de curiosidade, nao tpodem falar sobre praxe, pois dela nao sabem nada. quem sofre de abusos e afins em praxe, tenho vos a dizer, maus doutores que voces têm… maus praxistas, más pessoas. porque praxe nao vive da humilhaçao, mas sim da integração. tenho dito.

  19. z diz:

    Tive acesso aos materiais do processo de responsabilidade que a mãe do Diogo pôs à Universidade Lusíada.

    O Diogo o pandeireta,. Os amiguinhos da praxe ficaram todos caladinhos, todos sem tomates. Uns grandessíssimos cobardes.

    No morgue do Hospital S. João, onde o Diogo esteve, parece que aconteceram para lá umas coisas esquisitas. Houve um médico que se suicidou. Está tudo no processo

    A pobre mãe do Diogo é sofreu, sofre e sofrerá por lhe terem assassinado o filho, sem saber qual foi a razão, simplesmente que era pandeireta.

    Se eu tivesse filhos certamente que estariam proibidos de ir a praxes.

    Isto de rituais de iniciação ou de ritos de passagem não implicam necessariamente a morte. O melhor é irem todos ler contos de fadas de iniciação. Certamente que aprenderiam mais do que num brutal processo de praxe.

    Só mais uma coisa: a liberdade não se pode sobrepôr à Justiça. O que me parece que aconteceu neste processo.

    Se o Diogo fosse filho de um baqueiro, político conhecido, etc., por aí fora, este caso teria sido tratado com pinças. Não foi.

    Até hoje nunca tive um processo em tribunal, mas neste país

    • Rafael Ortega diz:

      “Se eu tivesse filhos certamente que estariam proibidos de ir a praxes. ”

      esta frase é todo um programa. esperemos que nunca chegue a ter sequer nas mãos a presidencia de uma junta de freguesia.

  20. z20 diz:

    Este post é simplesmente ridículo. Não preciso repetir todas as argumentações já expostas, basta dizer que esta comparação não lembra ao diabo!
    Quanto às praxes, acho sinceramente que a comunidade anti-praxe, por assim dizer, devia aprender, de uma vez por todas, a não generalizar (principalmente no que toca ao discurso de sempre da comunicação social, que teima em apenas mostrar o que de pior (e raro) existe na praxe). E perceber também que não somos todos iguais, e o que para vocês é uma ofensa, para mim pode ser uma brincadeira (e estou a dizer isto na óptica do caloiro, não na de quem praxa).
    Fui praxada. Muito praxada. Adorei. Claro, nem tudo foi doce, há sempre alguma amargura. Mas nunca nada que eu considerasse um abuso porque nesse caso, não ia embora, como muitos por aí dizem. Recusar-me-ia a fazê-lo e reportaria o que aconteceu aos responsáveis e eles tomariam uma atitude em relação à pessoa que ordenou essa praxe. Porque se me divertia tanto, não iria desistir por haver algum anormal lá no meio. Depois, também praxei. E qualquer pessoa que o tenha feito vos pode dizer que não tem metade da piada do que tem ser praxado (o que vai um bocado contra essa ideia dos frustrados e tal, não é?!). E se lá estamos, se aguentamos o calor do traje nos dias quentes, e o frio quando chega o inverno, se aguentamos as dores nos pés, se perdemos tempo a pensar nas praxes que queremos fazer, é para proporcionar aos caloiros momentos tão bons como os que tivemos, e ensinamentos, vivências e experiências tão importantes como as que nos passaram a nós, não para nos vingarmos como alguém por aí diz.
    Por fim, digo-vos, se a praxe é assim tão má como a pintam, como é que há tanto caloiro a querer lá estar? Se fosse assim tão má, a maioria não seriam já os anti-praxes em vez dos praxados? A verdade é que, ano após anos, imensos caloiros aderem à praxe e a grande maioria deles “chora” no cortejo quando sente que acabou o seu primeiro ano. Isso só mostra como as emoções que vivemos são fortes e inesquecíveis. Se fosse um ano de tortura, como muitos querem fazer crer, porque será que tantos guardam tão boas recordações?…

  21. Também eu não gosto das praxes usadas na maioria das zonhas do país, não devemos é ser anti-praxe, pois nem tudo o que se faz numa praxe, é condenável, humilhante e desprezivel. Eu perdi o vídeo, mas sei que há um vídeo que mostra uma praxe boa, que leva os caloiros a um bairro social…

  22. rodrigo diz:

    Sou caloiro este ano e sempre tive alguns receios acerca da praxe. No entanto para eu poder dizer mal decidi aparecer junto dos meus colegas mais velhos para experimentar.
    Não me sujaram com lama, não me mandaram para dentro de um lago nem tive de me despir. Pediram-me sim para jogar à bola com eles, ensinaram-me cantigas e ainda me emprestam fotocópias de material para o meu estudo… Ajudem-me, como é que arranjo forma de dizer mal???

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