As verdades que Nuno Crato não diz na televisão

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As verdades que Nuno Crato não diz na televisão:

  1. Que no início deste ano lectivo pretendia que a PACC tivesse duas componentes: geral e outra mais específica/científica (dependendo da área de cada professor);
  2. Que no início também pretendia aplicar a PACC a cerca de 46 000 professores contratados;
  3. Após fortes demonstrações de protesto dos professores (por fora das tradicionais formas de luta), a partir de 2 Dezembro o governo afinal “já só considera fundamental” aplicar aos contratados com menos de 5 anos (cerca de 13 000 professores) para tentar “dividir para reinar”. Estes contratados que devido às suas políticas (des)educativas se encontram no desemprego (em 97%);
  4. Na véspera de 18 de Dezembro, o Ministério disse que a maioria dos professores concorda com a prova e garantia que tudo vai correr na normalidade;
  5. A 18 de Dezembro a união entre uma forte greve (cerca 95% de adesão) e um forte boicote sobretudo dos professores contratados leva a que apenas cerca de metade (6000 professores) realizasse a prova;
  6. Crato promete nova PACC em Janeiro mas tribunais suspendem-na até à Primavera;
  7. Crato tenta “jogar tudo” para ter a submissão total da classe docente a esta nova prova a 22 Julho já sem componente específica/científica (marcação com apenas 3 dias úteis de antecedência em período de férias, proibição de direitos cívicos mínimos como por exemplo reuniões sindicais nas escolas, coloca polícias em todas as escolas, tenta ameaçar e intimidar professores vigilantes e contratados, não se cumprem os requisitos mínimos de números de vigilantes por sala,etc) mas mesmo assim dos 4 000 professores contratados chamados a realizar a prova, cerca de 1400 não compareceram, dos que comparecerem muitos entregaram em branco ou anularam a prova como forma de protesto e mais de 95% dos vigilantes, pelo menos nas escolas onde se permitiu reuniões sindicais, se recusou a vigiar outros colegas…Concluindo (por muito que lhe custe) dos 46 000 professores a quem pretendia submeter esta prova no início deste ano lectivo apenas conseguiu “aplicar” a cerca de 8 000 (aproximadamente 15%). No entanto destes 8 000, muitos compareceram nos dias da prova mas dentro da sala não a realizaram em protesto e a ultra minoria  (menos de 10%) que a realizou foi sem condições de equidade. Porque o Nuno Crato não divulgou o número de provas anuladas ou zeros da 1ª chamada? De referir também que cerca de 95% dos professores chamados a vigiar outros colegas recusaram-se a fazê-lo por 2 vezes…;
  8. O mesmo argumento que o levou a fazer esta nova PACC (alegadamente garantir que todos os professores contratados que não tinham feito a prova em Dezembro por motivos alheios à sua vontade) terá que o levar a fazer uma nova prova para pelo menos os mais de 100 professores contratados que, mais uma vez, não puderam realizar a prova por motivos alheios à sua vontade (pelo menos nas 2 ou 3 escolas (e não apenas 1 como afirmou) onde não se realizaram provas por falta de vigilantes (Escola Secundária Oliveira do Douro, Escola de Sto André e Escola de Sto António as duas Escolas no Barreiro);
  9. Nas outras escolas ocorreram as provas mas sempre com graves irregularidades (prova a circular na net durante a sua realização, provas a começarem às 11h30 em vez das 10h30 estipuladas para todo o país, barulho nas salas, número insuficiente de vigilantes, directores que vigiaram em refeitórios, polícias nas escolas e nas salas, professores contratados que nem sequer lhes explicaram porque não foram chamados para esta prova, etc);
  10. Assumir que é um Ministro sem educação (apenas ao serviço de interesses privados) e mentiroso compulsivo (recordam-se quando também mentiu em inícios de Setembro quando afirmou que os contratados estavam desempregados porque não tinham concorrido aos 2 000 horários disponíveis…). Neste momento continua a mentir quando tenta cantar vitória precisamente agora quando ficou evidente que a esmagadora maioria dos professores não concorda com esta ignóbil prova e que toda a sociedade já percebeu que está envolta em graves trapalhadas e ilegalidades (apenas alguns comentadores “pagos a peso de ouro” pelo Poder tentam defender o indefensável).

André Pestana

(membro do Movimento Nacional de Professores Boicote&Cerco: https://www.facebook.com/groups/464249357012999/)

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2 respostas a As verdades que Nuno Crato não diz na televisão

  1. Ricardo Mendonça diz:

    Irá desculpar-me, mas discordo com a oposição à prova. Enquanto acho que o processo foi muito mal e vergonhosamente gerido pelo Ministério ( e aí, as críticas são válidas, como as críticas ao facto da prova ter sido marcada poucos dias antes da data da sua realização ), acho que a prova tem a razão de ser.
    Em primeiro lugar: a prova é básica. Perdoe-me discordar, mas quem a lê, tem consciência que há muitos finalistas do secundário que a conseguiriam fazer. Portanto, não vejo o problema de a fazer. Não a vejo como sendo uma luta Ministério vs. Professores: vejo-a, isso sim, como algo que já devia ter sido feito há muito tempo. Enquanto que há muitos professores bons ( e eu tive a sorte de apanhá-los durante a minha vida pré-universitária), existem também muitos professores maus ( que também apanhei), e esses, que não devem dar aulas,, leccionavam porque durante muito tempo não havia um modelo de avaliação. Este modelo de avaliação ( a prova), não é, na minha óptica, suficiente.
    Os professores que se opõem à realização da prova dizem que já passaram muitos anos a conseguir habilitações para exercer a profissão. Vou contra-argumentar: em muitas profissões, sejam no público ou privado, as pessoas são avaliadas para o resto da vida, como a profissão de médico, na qual passam um duro calvário de 5 ou 6 anos para conseguirem o diploma. Comparando com essas avaliações às quais os médicos são sujeitos, a prova, vão-me perdoar a expressão e não querendo insultar ninguém, é uma brincadeira de crianças. Poderão dizer: “mas um médico trata de vidas”. E um professor, juntamente com os pais, molda o carácter de um cidadão futuro, portanto acho que deve haver um escrutínio exigente e justo das suas acções.
    Evidentemente que a prova não resolve os problemas do ensino por si só, nada disso! Mas penso que, é evidente que falta um modelo de avaliação de professores a todos os níveis: pedagógico, psicológico, etc.
    Segundo ponto, vou fazer agora uma crítica às atitudes vergonhosas que alguns professores que se opunham à prova tiveram nas escolas em que esta se realizou. Que não queiram fazer a prova, ainda que eu não concorde com os motivos apresentados; são livres de o fazer; agora, que tentem impedir colegas de a fazer ; com comportamentos dignos de crianças de jardins-de-infância, isso aí já é inaceitável a todos os níveis e revela, sinceramente, falta de cultura democrática.
    Penso que o que algumas pessoas têm feito, pertencentes aos sindicatos, têm tentado fazer, com as críticas sem fundamento a esta prova, têm desviado a muito necessária discussão de um sistema de avaliação de professores exigente e justo.
    Numa nota final: não sou apoiante do Governo e não tenho qualquer filiação partidária e não sou defensor dos mercados irresponsáveis, assim como não sou defensor dos sindicatos da mesma laia. Sou apenas um cidadão comum , de somente 19 anos, que apresentou aqui a sua visão das coisas.
    Com os melhores cumprimentos e desejando felicidades aos autores do blogue ( preze as nossas discordâncias a nível político):
    Ricardo Mendonça.

    • pestanandre diz:

      Caro Ricardo, obrigado pelo seu comentário. Antes de mais é natural que existam em todas as profissões bons e maus profissionais, ou seja essa questão não se aplica apenas aos professores. No entanto, ao contrário do que escreve, os professores (como os enfermeiros, médicos, etc) já são avaliados (conheço professores que foram avaliados com insuficiente ou que foram mandados embora no 1º mês porque a direcção da Escola não gostou do seu trabalho). Por isso antes de mais é preciso ter isso claro, os professores já são avaliados (de uma forma semelhante aos outros trabalhadores da função pública) e esta prova de facto não prova nada. Não prova nada porque como escreveu ” a prova é básica. Perdoe-me discordar, mas quem a lê, tem consciência que há muitos finalistas do secundário que a conseguiriam fazer. “, então se é básica porque 1) não aplicar uma prova semelhante a outras profissões? 2) Porque o Ministro Crato só a aplicou aos professores contratados com menos de 5 anos (estes que se encontram quase todos no desemprego)? Ricardo, então explique qual sentido de mais esta prova particularmente para os professores contratados quando foram avaliados: 1) durante todo o curso; 2) num intenso estágio educacional; 3) no 1º ano a leccionar existe o ano de probatório onde somos mais uma vez avaliados;4) quando se está a leccionar numa escola existe avaliação todos os anos; 5) sempre que somos colocados podemos ser rejeitados no 1º mês se a avaliação da direcção escolar for negativa. Consegue explicar a lógica de mais esta prova que ainda por cima exige que os professores desempregados paguem para a fazer (sem qualquer garantia de ser colocado no ano seguinte)?!?!? Se quiser saber as possíveis verdadeiras razões desta prova: https://5dias.wordpress.com/2013/12/09/as-razoes-de-uma-prova-sem-razao/ Relativamente à alegada “falta de cultura democrática”, penso que podemos ser considerados “meninos de coro” quando comparados com que o Ministro Crato e este governo fizeram e fazem. Todas as suas políticas de tirar apoios sociais e educacionais a quem mais precisa (por exemplo as crianças com necessidades educativas especiais) e simultaneamente atribuindo muitos milhões de euros aos colégios privados (“amigos” do governo), marcação da prova com poucos dias de antecedência não cumprindo os 20 dias regulamentados para situações semelhantes, a proibição de reuniões sindicais dentro das escolas, etc. Mal de nós quando perante tamanhas injustiças, arbitrariedades e atitudes antidemocráticas nos limitássemos às tradicionais formas de luta. Ricardo, espero que agora compreenda um pouco melhor a atitude dos professores, que TODOS os anos são avaliados nas escolas onde trabalham (de forma semelhante a outras profissões da função pública).

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