Vamos lá, selecção: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

FBL-WC-2014-MATCH13-GER-POR

Hoje também quero ser treinador de bancada. A selecção ontem levou 4-0 da Alemanha. Merecidamente. A Alemanha tem uma grande equipa e grandes jogadores. Müller, inspirado, fez um hat trick (mas também usou outros truques: fez de palhaço com Pepe e saiu-lhe a sorte grande).

Dito isto, a Alemanha também se podia ter lixado se Portugal tivesse marcado numa das duas oportunidades que teve na fase inicial do jogo. Já vi os alemães com a mesma cara com que nós ficámos ontem, quando lhes espetámos 3-0 no Euro 2000 (e também tinham uma grande selecção, com Oliver Kahn, Mehmet Scholl, Matthäus, Ballack…).

O mais confrangedor ontem foi ver a selecção desmoronar-se face às adversidades. Isso não pode acontecer. Paulo Bento fez acusações ao árbitro. Com razão. Na dúvida, o árbitro sérvio favoreceu sempre a Alemanha. Fez uma arbitragem habilidosa: bolas divididas, sempre a favor da Alemanha. Na primeira parte: jogada duvidosa na área? Na dúvida, penalty para a Alemanha. Na segunda parte: jogada duvidosa na área (derrube de Éder)? Na dúvida, nada de penalty contra a Alemanha. Pepe pôs-se a jeito para ser punido? Pois nem se duvida: vai para rua com vermelho directo. São «contingências do jogo», para usar uma expressão de Paulo Bento. A Alemanha é poderosa, como equipa e como país. Nove em cada dez vezes, esta Fifa eterna suspeita de corrupção vai favorecer os poderosos contra os mais fracos. (E na vez em que favorecer um mais fraco é porque isso interessa a terceiros poderosos.) Temos a obrigação de estar preparados para isso. E não estivemos: a equipa ficou completamente desamparada. O mesmo sucedeu nos jogos de preparação: ganhámos 5-1 aos Camarões e à Irlanda, porque a equipa ganhou élan ao marcar cedo. Mas com a Grécia e o México isso não aconteceu e a equipa foi uma sombra do que pode fazer. Um empate com a Grécia e uma vitória já depois da hora com o México (grande golo de Bruno Alves) foi o saldo. Fraco.

Se há coisa que me irrita tanto como perder é ter de ouvir o coro dos lambe-cus. Grandes ‘patriotas’ quando a selecção ganha, de um ‘patriotismo’ completamente parolo, o vício entranhado de lamber cus vem-lhes logo ao de cima quando perdemos, sobretudo se perdemos com aqueles que eles foram ensinados a identificar como poderosos (parece que já nasceram com um detector para ver quem manda e entram logo em modo de lambe-cu).

Agora a receita para seguir em frente: o Scolari já veio lembrar que no último europeu também começámos com derrota e fomos à final. Eis o que este treinador de bancada faria: na baliza, o Rui Patrício comprometeu. O guarda-redes da selecção não pode comportar-se como uma galinha tonta, a chutar bolas para a frente da baliza quase sem pressão. Também esteve mal no último golo dos alemães. É bom guarda-redes, mas os jogos de preparação mostraram que os outros dois estão à altura. Eu escalava o Eduardo.

Na defesa, o Pepe ter levado o vermelho até pode ser uma bênção. Ele não está bem. Foi claramente batido pelo Hummels no segundo golo. E nunca pareceu à vontade. O disparate que o levou à expulsão é o disparate de um jogador que não se sente à altura. E temos boas alternativas no centro da defesa, como se revelou pelo comportamento das várias duplas ensaiadas nos jogos de preparação. O problema será substituir um grande Fábio Coentrão, que tem estado sempre entre os melhores da selecção nos jogos mais recentes.

No meio campo, se a equipa estiver a perder muitas bolas (como ontem), devia ser dada uma oportunidade ao William Carvalho. O rapaz está demasiado tímido e parece que passa a bola sempre a medo, mas a recuperá-la é outra conversa.

No ataque, por favor dêem a bola ao Éder. Ele tem qualidade e ontem foi quem mostrou mais fibra, o que mais procurou remar contra a maré. Outra coisa: nem sempre a solução pode ser passar a bola ao Ronaldo. Às vezes resulta (como no segundo jogo do play-off contra a Suécia), mas outras (como ontem, ainda na fase inicial do jogo) desperdiçam-se jogadas de golo por isso. De resto, vejo-me obrigado a concordar com o Paulo Bento: mudar tudo agora seria um disparate. A atitude, porém, tem de mudar: jogadores que fazem a diferença em algumas das melhores equipas da Europa (e do Mundo) têm de jogar com garra, confiança e teimosia, aconteça o que acontecer.

Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

3 respostas a Vamos lá, selecção: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

  1. von diz:

    “fez de palhaço com Pepe” … só com a cotovelada, já o vermelho se justificava. Mal é não assumirmos à partida, que os alemães seriam sempre melhores que nós. É suposto no desporto, haver melhores e piores. E nós, não somos dos melhores, essa é a questão.

  2. JTS diz:

    Fico contente por também se falar de futebol no 5dias…🙂 De facto não é por uma derrota que já está tudo mal, mas devemos aproveitar esta ocasião para mudar o que ainda é possível. Portanto, o Rui Patrício, vamos cruzar os dedos e esperar que ele não erre mais, pois nunca na vida um seleccionador muda o guarda-redes durante uma competição destas (a não ser por lesão), um bom exemplo vai ser o caso da Espanha. Depois, a expulsão do Pepe pode ser uma bensão, ele não está bem fisicamente e depois daquela asneira o lugar dele só pode ser… no banco! Quanto a mim o Neto que até joga no Zenit com o Bruno Alves, deve avançar para o 11. Depois o Éder só pode ser titular, infelizmente (para a pessoa) o Hugo Almeida lesionou-se mas ele nunca será o PL que a selecção precisa. O meu receio é com a casmurrice do Paulo Bento o titular seja o… Postiga (outro jogador que fez 1 jogo e meio na Lázio!). Quanto ao Fábio Coentrão, é realmente a grande baixa. Não há ninguém do nível dele para fazer a posição, portanto o Miguel Veloso deverá ser o titular (apesar de nos tempos do SCP com o Paulo Bento a treinador ele ter dito que a posição dele não era a DE) e o William Carvalho passa para titular.

    Quero acreditar que ainda vamos a tempo de recuperar, mas existem coisas que nem com a ajuda do Papa Francisco se podem mudar. Por exemplo, Portugal fez a preparação em Portugal (1 jogo) e nos EUA (2 jogos/2 viagens) será que o clima nos EUA é parecido ao que se encontrou no Brasil? Não me parece… A Alemanha está há praticamente um mês a fazer a preparação no Brasil! Talvez não seja tanta coincidência a frescura física de uma e outra equipa. Para terminar, há excepção do Cristiano Ronaldo que tem obrigatoriamente de jogar sempre, o Meireles e o Pepe estiveram condicionados em TODA a preparação e jogam a titulares? Houveram erros que podiam ter sido evitados…

  3. kur diz:

    Sim,sim …. http://resistir.info/brasil/copa_corrupcao.html

    P.S.:Futebol,lava mais branco

Os comentários estão fechados.