cinco dias

Dia Insubmisso

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Hoje é dia de abundância. As festas de junho, como em todo o lado, são as festas do solstício, pagãs. E aqui, as festas das primeiras colheitas, depois do jejum (ritualização da escassez durante a primavera). São por isso festas de explosão sexual (abundância alimentar), que, com o tempo, foram ritualizadas pela Igreja como festas de Santos. Do seu início – acasalamento e reprodução da espécie – ao hoje, com a benção da Igreja e do Estado nos famosos casamentos de Santo António. Todas as sociedades têm rituais em que as pessoas se juntam, se cheiram, se conhecem, se olham, e se gostam ou não. Às vezes isso acaba na tradição do baile (que junta os corpos, e olhares e sorrisos) outras num santo padroeiro. Toda a tradição começou porém em algum momento fundador. Nostalgia: nenhum chat no facebook jamais substituirá o baile, mesmo quando inventarem uma aplicação em que com o sorriso vem o cheiro do homem ou mulher amados Esta imensa festa pagã vale também porque as pessoas invadem as ruas, enchem-nas, fora do controlo do Estado, que não consegue colocar um fiscal de impostos em cada esquina onde se assam sardinhas. Contínua por isso a ser a festa mais insubmissa do país. Viva o Solstício! Ou o Santo António!
A pintura é de Camilo Tavares.

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