Forças militares de Kiev sofrem derrotas em todas as frentes. Partisans da República Popular somam vitórias e consolidam o controlo sob a região leste.

Recentemente Kiev anunciou o início da “última fase” da operação “anti-terrorista” contra as Repúblicas Populares do Leste (aqui e aqui). Pela primeira vez houve importantes confrontos em Lugansk e em Donetsk os combates foram de uma violência sem precedentes (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Lugansk declarou estado de emergência e mobilização total (aqui, aqui e aqui), em Donetsk a reacção é semelhante (aqui e aqui).

Em ambas as frentes as forças das Repúblicas Populares infligiram pesadas derrotas às hordas da Junta. A dois dias das putativas eleições, as tropas e milícias de Kiev são rechaçadas e perdem ainda mais território. Abaixo coloco um breve resumo dos combates.

Retirado do site "Frente Sul"

Retirado do site “Frente Sul”

Lugansk

Os combates em Lugansk travaram-se quando as forças leais à Junta tentaram avançar sobre a  cidade de Lugansk propriamente dita e alargar a zona sob seu controlo (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).  Os combates centram-se nas cidades de Lisichansk e Rubezhnoye onde há uma importante ponte que dá acesso à cidade de Lugansk (aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aquiaquiaquiaqui, aqui, aqui, aqui  e aqui). Uma combinação de duros combates e manifestações de populares desarmados conseguiu travar a ofensiva da junta. Alguns militares ao serviço de Kiev desertaram e juntaram-se aos rebeldes (aqui e aqui). Vários veículos blindados foram capturados e estão agora a ser usados pelas milícias da República.

"Donbass, não é a grande guerra patriótica, é agora"

“Donbass: não é a grande guerra patriótica, é agora”

Donetsk

O esquadrão da morte “Donbass”, financiado pela Oligarquia e composto por neo-nazis (aquiaqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui), foi cercado e esmagado sem dó nem piedade em Karlovka (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Isto é da máxima importância, este grupo para-militar era das forças pró-Kiev mais activas. Controlavam algumas aldeias na região e dispararam sobre civis desarmados aquando do referendo de 11 de Maio (aqui). No mínimo, vão ficar a lamber as feridas por algum tempo, ou seja, antes das eleições de dia 25 não irão conseguir aterrorizar muita gente, antes pelo contrário.

Entre Volnovakha-Olhinka, sul de Donetsk, e Blahodatne, mais  junto à fronteira com a Rússia, teve lugar uma emboscada que deixou cerca de 15 guardas nacionais de Kiev mortos e mais de 40 feridos, vários veículos blindados e outros equipamentos foram destruídos (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Existe uma intensa polémica em torno desta emboscada. Representantes da República Popular e vários meios de comunicação anti-Kiev alegam que esta foi uma acção punitiva, executada por milícias nazis contra os soldados Ucranianos por estes se terem recusado a atacar uma aldeia (aqui,  aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Existem relatos contraditórios e todo o evento é algo confuso (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). A população local, os soldados atacados e os médicos que assistiram os feridos afirmam que milícias nazis é que foram responsáveis pelo ataque às tropas Ucranianas (aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Há teorias a circular para todos os gostos (aqui, aquiaqui, aqui e aqui).

Como em qualquer guerra civil e conflito revolucionário, este é um teatro de operações em que intervêm múltiplos actores com múltiplas agendas. Ou seja, não estamos num cenário simples e esquemático estilo “de um lado os azuis, do outro os vermelhos”. Não, a situação é muito mais volátil. Do campo da Junta de Kiev existe o exército regular, a força aérea, guarda nacional, várias milícias nazis e possivelmente mercenários (aqui e aqui). Do lado da insurreição existem também diferentes grupos. Provavelmente, a esta mistura ainda teremos de acrescentar gangs puramente criminais. Ou seja, numa situação destas é muito difícil (quer de um lado, quer de outro) ter um controlo centralizado total sobre as acções das forças em confronto. É mais que normal ocorrerem incidentes de “fogo amigo”, operações “punitivas”, confrontos dentro do mesmo campo e pura e simplesmente muita confusão… Uma guerra é sempre dura e confusa, uma guerra com estas característica ainda mais o é!

Slavyansk continua sob bombardeamento e cerco parcial (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), mas as forças nazi-fascistas estão bem longe do centro e não tentaram nenhum assalto directo à cidade.

Milícias da República Popular defendendo Slaviansk. Em primeiro plano uma lendária espingarda anti-tanque da "Grande Guerra Patriótica" em acção.

Milícias da República Popular defendendo Slaviansk. Em primeiro plano uma lendária espingarda anti-tanque da “Grande Guerra Patriótica” em acção.

Forças de Kiev travadas em toda a linha

Independentemente dos detalhes tácticos, o que é certo é que as forças de Kiev foram rechaçadas em toda a linha e todas as frentes. O avanço sob Lugansk foi travado e a tentativa de recuperar território em Donetsk foi derrotada! As percas do exército regular e das milícias nazis foram relativamente pesadas. Mais, parece que se está a gerar um clima de grande desconfiança entre as milícias nazis e o exército regular Ucraniano (aqui e aqui). A República Popular (e muitíssimo bem) tem tentado explorar essa divisão e apelar às tropas regulares para desertarem (aqui), vários elementos da República têm afirmado que o seu inimigo são as forças para-militares nazis e não o exército.

Um facto não muito divulgado é que junto a Kramatorsk (perto de Slaviansk) encontra-se o maior depósito de armas da Europa! Esse depósito está sob controlo dos rebeldes (aqui). Como já antes tinha dito, os grandes desafios com que as Repúblicas Populares se confrontam são mais do foro político do que militar.

Voluntários da Ossétia do Sul em Donetsk a lutar pela República Popular

Voluntários da Ossétia do Sul em Donetsk a lutar pela República Popular

No campo político parece que este fim de semana as Repúblicas conseguirão atingir mais uma importante vitória. O mais provável é que as eleições fantoches não se realizem no leste. Aliás, já estão marcadas manifestações em protesto contra esse ritual de legitimação da junta (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Para além disso, parece que cerca de 60% da população no leste e no sul da Ucrânia ainda controlado pela junta irá abster-se (aqui, o artigo em si é um nojo, mas pelo meio dão essa informação). Há ainda relatos de que as duas Repúblicas (Donetsk e Lugansk) irão este fim de semana unir-se e fundar a “República da Nova Rússia”, que tem como objectivo abarcar toda a região leste e sul da actual Ucrânia (aqui e aqui).

Nunca é de mais lembrar que estas eleições são uma fantochada e serão realizadas num clima de terror. A imprensa anti-junta é amordaçada por Kiev (aqui e aqui) e todos os opositores à Junta estão a ser perseguidos (aqui e aqui).

Está em curso por toda a Ucrânia (não só em Donetsk e Lugansk) uma campanha pelo boicote às eleições Presidenciais

Está em curso por toda a Ucrânia (não só em Donetsk e Lugansk) uma campanha pelo boicote às eleições Presidenciais. O candidato Comunista desistiu da corrida, assim como todos aqueles que poderiam representar as populações do sudeste.

O Putin está num tom crescentemente conciliador, mas o que é facto é que existe um importante fluxo de armas e voluntários a dirigirem-se da Rússia para as Repúblicas Populares. Também há relatos de campos de treino dos rebeldes na zona junto à fronteira.

Para terminar recomendo duas reportagens, que embora sendo feitas por jornalistas pró-Kiev, dão um vislumbre dos dois lados barricadas. A Vicenews descreve a linha da frente em Sloviansk do lado da Guarda Nacional (aqui), fica bem claro que a maior parte dos cães de fila de Kiev são “activistas em Maidan”… Quanto à “New Republic”, uma revista ferozmente anti-comunista e Russófoba, apesar to seu tom jocoso-insultuoso, a seguinte peça (aqui) dá um retrato de parte da base de apoio da República Popular.

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7 respostas a Forças militares de Kiev sofrem derrotas em todas as frentes. Partisans da República Popular somam vitórias e consolidam o controlo sob a região leste.

  1. João diz:

    Talvez fosse oportuno, fazer agora uma actualização dos prognósticos perante os factos.

    • Carlos Carapeto diz:

      Os factos são coisas teimosas, como tal ninguém os pode alterar, subverter, adulterar, negar e se atrever fazê-lo falta à verdade.

      Prognósticos ? Nem precisa ser-se profeta, bruxo ou adivinho para se saber que a junta fascista e quem a apoio e patrociona estão decididos a cometer um genocidio na Ucrânia, aliás começou logo a ser alinhavado na MaidaNATO.

      As punições coletivas que estão a ser levadas a cabo provam isso mesmo.

      Destruir infraestruturas civis não deixam quaisquer dúvidas quais são os objetivos pretendidos.

      Tais como sitiar cidades, destruindo centrais de abastecimento de água, estações de tratamento de esgotos, redes eléctricas e de gás, bombardeamentos ininterruptos de aglomerados urbanos, bombardear hospitais psiquiátricos, escolas, ambulancias, usar as siglas da ONU e de outras instituições internacionais em meios militares prova bem o carater criminoso daquilo que estão fazendo.

      E o mundo vai assistindo calma e silenciosamente a este drama.

      Sobre a catastrofe que está em marcha faço minhas as palavras corajosas de uma SENHORA que se encontra cercada em Slaviansk. ” COM FASCISTAS NÂO SE DIALÓGA NEM SE NEGOCEIA, DESTROEM-SE, ELiMINAM-SE .

      • Censurado diz:

        A eventual ascensão de um regime fascista na Ucrânia é um cenário realmente preocupante. Salientemos algumas potenciais consequências:

        – Supressão do sufrágio universal
        – Limitação do direito de reunião e associação
        – Limitação da liberdade de imprensa
        – Limitação do acesso a informação
        – Presos políticos
        – Campos de trabalhos forçados
        – Anti-semitismo

        Mas, esperem lá, não era isso tudo que havia na URSS?…

        • Carlos Carapeto diz:

          “Censurado diz:

          Mas, esperem lá, não era isso tudo que havia na URSS?…”

          Tem a bússola avariada. E o contador de verdades a zero.

          Isso e muito pior aconteceu nos EUA até ao ano de 1968 . E só acabou à porrada.

          Por muito elevadas que sejam as cifras de presos politicos que os inimigos da URSS fabriquem nunca superam os numeros da população negra e India a quem eram negados os direitos mais elementares. Nasciam sem quaisquer direitos e da mesma forma morriam.

          Porque nenhum cidadão da URSS era obrigado a ceder o lugar a outro num transporte publico ou em quaqluer outro sitio, por razões de raça, crença religiosa ou nacionalidade.

          Ninguém era descriminado nas escolas, hospitais, locais de trabalho, casas de espetaculos, recintos desportivos, sanitários , restaurantes, transportes, quarteis etc…

          Todos usufruiam dos mesmos direitos.

          E como também ninguém foi linchado em rituais macabros na via publica, por ter a cor da pele diferente (queimados vivos e enforcados em árvores com multidões eufóricas a assistir).

          E sabe qual era a população negra e India dos EUA que viveu submetida a esta crueldade vergonhosa até 1968? MAIS DE TRINTA MILHÕES !

          Vá digerir esta hostia .

          Já que pretendeu tergiversar malaciosamente do assunto em discussão “Ucrânia” . Pelos vistos assusta-o a verdade?

          “Brindo-o” com este video para ver qual o tipo de bombas que os seus amigos nazis estão a usar contra civis em zonas urbanas. Cidade de Slaviansk .

          Bombas de fragmentação, proibidas por todas as convenções internacionais.

          Isto já não lhe interessa? São perigosos “terroristas” !

  2. Carlos Carapeto diz:

  3. Carlos Carapeto diz:

    A situação está a tornar-se muito favorável às forças populares.

    Hoje abateram dois helicopteros próximo de Slaviansk, um deles com 16 oficiais de alta patente (um general).

    Uma coluna militar que regressava a Kakhov vinda de Kramatrosk foi emboscada, foram destruidas várias viaturas sofreram uma quantidade indeterminada de mortos e feridos , também foram feitos alguns prisioneiros.

    Esta tarde (29) foi atacado um paiol das forças fascistas próximo de Lugansk era noite ainda continuavam a ouvir-se explosões.

    Próximo de Donetsk o batalhão Donbass (setor de direita) caiu numa emboscada foram feitos vinte prisioneiros.

    Slaviansk continua a ser fustigada por bombardeamentos aleatórios ininterruptos. As forças fascistas não se atrevem a entrar nas zonas urbanas sabem que vão meter-se numa armadilha. Se o fizerem os blindados são chacinados impiedosamente.

    Também em Slaviansk hoje conseguiram retirar 200 crianças e envia-las para a Crimeia .

    Os golpistas de Kiev não podem aguentar a situação por muito mais tempo, porque não têm mais forças de reserva e nem tão pouco disponibilidades financeiras, a Inglaterra já veio dizer que não pode dar mais dinheiro á Ucrânia.. Estão 40 000 efetivos envolvidos nesta operação, 10 000 a participar diretamente.

    Depois cometeram a asneira de afastar todos os militares de origem Russa da zona do conflito. Anteriormente por represália tinham extinto a policia anti motins Berkut (Águia) .
    Isso deu como resultado em sabotagens e desorganização generalizada, e fugas maciças para o outro lado, inclusivê generais. O comandante da policia de Slaviansk é um general que pertencia às tropas do Ministério do Interior

    Portanto a brutalidade que já estão a fazer uso contra as populações confirma o acto de desespero que os golpistas se encontram.

    E aprova disso, ainda hoje (29) a aviação bombardeou várias viaturas civis que se dirigiam para o aeroporto de Donetsk provocando dezenas de mortos e feridos.

    A NATO criou um Afeganistão na Líbia e parece que está a criar um Vietname na Europa.

    Donbass é a região mais rica e produtiva da Ucrânia, se for destruida quem a vai recuperar ? A Europa tem capacidade para isso ?

    Parece que deram o nó na corda com que irão ser enforcados!

    Este video mostra o bombardeamento a um hospital psiquiatrico em Slaviansk, a partir dos 5 minutos vê-se a quem é dirigida a operação punitiva e quem são os tais “terroristas” e separatistas pró-Russos que os orgãos de informação cá do burgo falam.

  4. António José Fernandes diz:

    O NAZI-FASCISMO NÃO PASSARÁ! POR UMA FEDERAÇÃO UCRANIA LIVRE E INDEPENDENTE.

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