O “monstro” da deflação

Generalizaram-se os comentários na imprensa liberal sobre o risco de deflação na Europa. Este risco de “deflação” traduzido signfica que vem aí uma nova crise, em termos muito simples, não compensa colocar os produtos no mercado à venda porque o seu lucro médio cai. Andamos há 1 ano e meio a escrevê-lo. Da última crise foi assim: deflação na produção (e não necessiramente no preço), queda da taxa média de lucro, propriedade desvalorizada, Banca em pré falência, Estado imprime dinheiro para salvar estes capitais, a dívida passa de 70% para 130% do PIB. Primeiro o Estado tinha que salvar a Banca porque “sim”, 6 meses depois, no início de 2009 o discurso mudava: “os portugueses viveram acima das possibilidades”. A taxa média de lucro já foi recuperada (os afogados de 2008 há muito saíram da crise, são agora parte dos 870 milionários), a Banca está a abarrotar de capitais que não investe, coloca-os na dívida, que é sustentada pelos cortes de pensões e salários. Empurrar um morto vivo – o pujante capitalismo português – só é possível matando as pessoas de exaustão ou salários abaixos da sobrevivência. Mas é possível. A regressão histórica é sempre possível e não depende só de quem quer ver os seus capitais protegidos da temida deflação, depende da resistência de quem não aceita os cortes nos salários e pensões. São dois lados em conflito e na luta, literalmente, por ver quem vai ganhar. Porque é óbvio que o pacto keynesiano, em que ambos se mantinham a crescer – salários e lucros – morreu. Tão óbvio quanto escrevemos e dissémos há 1 ano e meio que 1 ano e meio depois a Europa ia enfrentar o “monstro” da deflação…

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3 respostas a O “monstro” da deflação

  1. Excelente apontamento a somar a muitos outros a que a Raquel nos tem habituado. É mesmo assim, Raquel, malhar sempre no inimigo e cada vez com mais força!
    Não esbanjámos…….Não pagamos!!!
    Zé Manel

  2. “a Banca está a abarrotar de capitais que não investe” e “A taxa média de lucro já foi recuperada” no mesmo post? Hummm.

  3. Luis Moreira diz:

    Não havendo deflação ( não há inflação o que é uma coisa diferente) todo este texto não passa de um desejo. Não é verdade srª investigadora?

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