O Desemprego estratégico é o centro da austeridade

Os cortes anunciados são, numa palavra, desemprego. Mais desempregados, os que ficam a trabalhar trabalham por 2 ou 3, os serviços públicos serão cada vez de pior qualidade. A segurança social receberá assim cada vez menos contribuições. O governo anunciou um gigante pacote de criação de novos desempregados, na esperança de que os que ficam empregados se sintam cada vez mais ameaçados e aceitem trabalhar mais ou trabalhar por menos. Isto num quadro, como demonstra este levantamento da investigadora Ana Rajado, do projecto que coordenamos de relações laborais, em que 70% dos trabalhadores já trabalham 40 ou mais horas semanais. Trata-se de um regime concentracionário que atira para situações limite os mais velhos e leva à exaustão os que se mantêm a produzir, que deixam de ter vida própria. É, em plena democracia em matéria de direitos políticos, um regime de expropriação da humanidade em matéria de condições laborais, que será acompanhado de uma produtividade cada vez mais baixa porque os trabalhadores estão no limite das suas forças físicas e mentais. Duplicaram em Portugal os esgotamentos por razões laborais e há um aumento relativo dos acidentes de trabalho. Generalização dos salários mínimos e reformas mínimas e manutenção de uma taxa elevada de desemprego, o clássico exército industrial de reserva. Eis o pacote anunciado.

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Uma resposta a O Desemprego estratégico é o centro da austeridade

  1. A questão que se levanta é como delinear estratégias de luta – que será sempre longa e cansativa – para se conseguir uma redução drástica dos tempos de trabalho… Sem redução «equi-proporcional» dos rendimentos LIQUIDOS, dos trabalhadores…
    Incentivos fiscais à requalificação profissional?…
    Aqui há dias um antigo colega das ciências da complexidade, a propósito disto, enviou-me uma metáfora muito interessante a respeito da estória de «dividir-o-trabalho-que-há-para-fazer, por todos os trabalhadores disponíveis».
    Era um gráfico ilustrativo do desempenho de atletas na corrida de 400 metros (um corredor individual) e 400 metros estafetas. Passo a transcrever a mensagem recebida:
    «quote»
    «Com a minha tendência para comparações, imaginei que o post do Statter podia muito bem estar a falar de uma prova de atletismo de 400m versus uma estafeta de 4x100m. Até aqui não há nada de muito especial, tirando que, em vez de “empregar” um atleta, podemos “empregar” 4.
    Mas depois lembrei-me que, para além da muito possível necessidade de intervençao estatal, talvez também se possam interessar os capitalistas e/ou entrepreneurs através dos resultados..
    E aqui estão os resultados das duas provas, tanto quando pude ver agora mesmo
    http://en.wikipedia.org/wiki/Men's_400_metres_world_record_progression
    http://en.wikipedia.org/wiki/Men's_4_%C3%97_100_metres_relay_world_record_progression
    Como vê, a prova de 4x100m apresenta os melhores resultados.»
    «unquote».
    A brincar, a brincar… digo eu agora (GFStatter)
    Sobre tudo isto da redução dos tempos de trabalho há certamente muita coisa a discutir e, sobretudo, a fazer!…

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