A Guerra dos Portos | The War of Ports

Apresento aqui “A Guerra dos Portos”, um conjunto de entrevistas a dez estivadores, sindicalistas, de vários países da Europa. Todos estiveram envolvidos no movimento internacional em defesa da reintegração dos trabalhadores despedidos no porto de Lisboa e na luta contra a institucionalização da precariedade.

Ao contrário do que é habitual em quase todas as reportagens sobre os portos, desta vez quem faz uso da palavra são mesmo aqueles que estão envolvidos directamente no trabalho portuário e não qualquer comentador de serviço que sempre aparece na hora de mistificar as nossas reivindicações e lutas aos olhos da opinião pública.

Estes são alguns dos muitos dirigentes sindicais europeus que, de Norte a Sul, pararam os seus portos durante duas horas, fizeram manifestações de protesto diante das Embaixadas de Portugal espalhadas pela Europa, pressionaram os armadores de navios com dimensão mundial para, neste processo de solidariedade internacional à escala europeia, conseguirmos travar as intenções dos patrões e do governo português.

Hoje, os trabalhadores despedidos em 2013 no porto de Lisboa continuam a ser reintegrados e o contrato colectivo de trabalho está em vias de ser negociado, mas sabemos bem que há mais batalhas a travar, não só na garantia de que o acordo assinado é mesmo para cumprir mas também na abertura de frentes de combate noutros portos do país e da Europa.

O porto de Aveiro, que sofre actualmente de um processo semelhante de despedimento colectivo de estivadores profissionais, será o próximo alvo da solidariedade internacional a nível interno. Lá fora, Grécia, Noruega, Bélgica, Espanha, Reino Unido serão certamente os palcos prioritários da intervenção do movimento internacional de estivadores.

O que aqui contamos é o nosso ponto de vista sobre a guerra que tem marcado o quotidiano dos portos europeus. Uma guerra que teve, para já, uma batalha ganha no porto de Lisboa, mas muitas outras continuam por travar nos próximos tempos. Uma disputa entre aqueles que olham para o trabalho como um custo a abater e aqueles que não abrem mão de lutar por aquilo a que têm direito, um trabalho com dignidade.

Publicado originalmente no blogue O Estivador

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