Ficção e Realidade

Podem voltar a passar o Roque Santeiro, o Bem Amado, a Gabriela, a Tieta, o Amarcord e a Batalha de Argel, o Maigret, o Poirrot e a Miss Marple, o Tom Saywer e o Bel e Sebastião, o BBC vida selvagem e as viagens de Cousteau, e eu volto a ver televisão. Poupam imenso dinheiro em actores bonitos, argumentos para ignorantes, cenários limitados, e muitos gritos e barulhos, que é hoje aquilo em que a televisão se tornou – lixo e barulho. Por mim também podem voltar a passar os telejornais dos anos 80 que aprenderíamos mais sobre a crise do que com o espectáculo de mediocridade a que temos que assitir hoje. Não é saudades do passado: é que começa a ser intolerável o mau gosto, a redução mecânica da realidade, a pobreza de espírito, a falta de liberdade de expressão elementar, o contraditório, a promoção da mediocridade. Começa a não haver qualquer coincidência entre o que passa nas televisões – seja na ficção seja nos noticiários – e a realidade.

https://www.youtube.com/watch?v=VhmxcaxOkqo

 

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7 respostas a Ficção e Realidade

  1. Censurado diz:

    Assino por baixo.
    A manifestação mais saliente da mediocridade reinante é o crescente peso do futebol na televisão portuguesa. Portugal transformou-se numa Futebolândia. E a escalada não parece ter fim.
    No meio deste panorama desolador, o Canal Q acaba por ser um oásis (http://videos.sapo.pt/2OKdznousEOdZ0EyGBOh). Um verdadeiro oásis de criatividade, humor e comentário inteligente. Pena que só este disponível na Meo e Zon.

  2. diz:

    Nem mais…

  3. imbondeiro diz:

    Assim é. Só uma achega com um humilde, mas sintomático, exemplo: fiquei a saber pelos nossos queridos telejornais que o mundo tem um novo marco naquilo que à criação plástica diz respeito, de seu nome George W. Bush. As peças jornalístico-humorísticas das nossas queridas tvs desdobraram-se em entusiasmadíssimos encómios aos “quadros” de mão-cheia da alma sensível que, outrora, ocupou a Casa Branca. Uma prestação de fazer corar de vergonha o mais servil dos rafeiros. Comovi-me até às lágrimas, confesso, e imediatamente esqueci o milhão de iraquianos mortos nas ruínas do que, outrora, foi o seu país, olvidei os cinco milhões de iraquianos que, agora, vivem bem melhor em belíssimas tendas de campos de refugiados, obnubilaram-se-me da memória os mais de cinco mil mortos e as largas dezenas de milhar de estropiados entre os jovens da pátria de Lincoln mandados matar e morrer numa guerra completamente sem sentido, desvaneceram-se-me da vista as atrozes imagens dos massacres de uma guerra civil em curso na pátria das armas de destruição massiva… invisíveis . Coisas, claro está, que só me causavam peso no coração e tormentos de alma e das quais as nossas queridas televisões, numa sábia terapia de alienação que só elas sabem tão bem aplicar, me aliviaram num ápice. Bem hajam!

  4. Carlos Machado diz:

    Mas agora há entrevistas adversariais…com o Sócrates!

  5. Joao Pereira diz:

    Não há nada menos democrático do que achar que a comunicação social serve para educar e que o que nós gostamos é o certo, e o que os outros gostam é o errado.

    O que a Raquel do alto da sua esquerda caviar gosta e considera bom, outros podem considerar mau. É essa a beleza da democracia, a qual em televisão se chama “audiências”. Se não gosta de televisão para burrinhos, como lhe chama, tem bom remédio, veja a RTP Memória.

  6. Natália Santos diz:

    Até alguns canais da cabo de divulgação científica e cultural,começaram a ter uma programação indiferenciada e medíocre, estando o História, o Discovery e o Biography a passar histórias de fantasmas! .Entretanto canais nacionais ditos de referência dedicam-se ao futebol e de madrugada passam programas que explicam tintim por tintim como a banca internacional nos “lixa”, levando um desgraçado a ter pesadelos maiores do que os dos programas sobre fantasmas,

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