História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-1975

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“A história da Revolução Portuguesa, como a história de qualquer revolução, é a história do Estado e da construção de um poder paralelo a esse Estado, dos que já não conseguem governar como governavam e dos que já não aceitam ser governados da mesma forma.
Este livro trata de uma parte da construção desse poder paralelo, dos que já não «querem ser governados» como eram”

Nesta obra, História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75, Raquel Varela, apresenta-nos um retrato fundamentado e estruturado da participação popular na revolução do 25 de Abril. O povo pobre, analfabeto e pouco politizado que acorda para a revolução, para os seus direitos e para uma sociedade sem mais exploração do homem pelo homem; os artistas expressando a sua liberdade nos murais, no teatro, na escrita e nas canções; os que, tendo uma maior consciência política, partiram para o exílio e oposição ao regime e regressam para integrar a vida partidária; o papel da mulher na sociedade; a crescente consciência política da autodeterminação dos povos coloniais; etc. Este era o povo de Abril: o povo que já não tem medo.”

25 de Abril: Livro de Raquel Varela sobre a revolução contraria teses de Rui Ramos

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Uma resposta a História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-1975

  1. Paulo. diz:

    I was there! De 74 a 75 foi o meu “summer of love” – os retornados trouxeram “boi” (cannabis) e adorei os verões algarvios – os retornados tinham meios para ser “fashion victims” e as classes médias baixas também fumavam as passas enquanto que em Portugal eram quase só “meninos bem” que podiam ir a Londres e Amesterdão que se reclamavam do movimento psicadélico.
    É verdade que, até ao 25 do 4, o freak português era o queque/menino bem, de famílias (o mais das vezes) de “esquerda” (Miguel Sousa Tavares (?) e depois Miguel Portas (este segmento andava perto mas era “outra onda”) e os sobrinhos do Cunhal e assim – fumei passas com a filha do Cunhal – presumo que este comentário não seja publicado né? – assim espero) .
    Após o 25 chegou às famílias de direita cujas leituras mais sofisticadas seriam as Selecções do Readers Digest. Não totalmente verdade – alguns (mas poucos) – “direitistas” de origem aristocrática ou terratenente ,contaminados pelo “espírito do tempo”, já liam outras coisas além das Selecções mas, em geral seria assim – e os mais jovens deste segmento ( Miguel Esteves Cardoso) depois deram origem ao jornal Independente e aos bares trendy do BA.
    Enfim seria uma pequena história do movimento psicadélico português que nunca será feita porque os seus protagonistas se envergonham de a ele ter pertencido pois que foi muito depressa adoptado pelos jovens da pequena burguesia e da classe trabalhadora que portanto o contaminaram com a menoridade da sua condição.
    Nos dias de hoje pode-se encontrar o remanescente da pureza original, já expurgados de contaminações populares, no movimento da “permacultura”, no meio do cinema e em alguns membros femininos da família Espírito Santo que pontificam (brincando aos pobrezinhos) na zona da Comporta pois que, ” Less is more!” – E não estou sendo mínimamente irónico pois que eu próprio acredito nesse “statement” (funciona melhor em inglês) – infelizmente é preciso experimentar o “more” para compreender como de facto o “less” é “more”, o que infelizmente não é possível replicar. Nesse sentido o que vale é o conformismo das classes mais desfavorecidas de não pedir demais à vida, o contentar-se com a sorte que serás feliz até à morte. Ou talvez a China, com a sua produção, dê hipótese às classes populares de experimentar do enjôo da posse.
    Este texto sendo discutível tem uma base do que de facto existiu, apesar de menor e breve.
    P.S. Dado nomear algumas pessoas da família Cunhal espero que este comentário não seja publicado.

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