Porque é que “Bons Pais de Família” não têm direito à palavra?

Bons Pais de Família

Esta é uma das maiores boçalidades alguma vez escrita contra os estivadores. Foi assinada pela directora do Público, Bárbara Reis, e até hoje ainda estamos a lutar para ter o direito à palavra para defender o nosso nome. O artigo foi publicado na revista de domingo, na edição de 04-12-2012 e vamos continuar a lutar pelo direito à resposta.

Publicado originalmente no blogue O Estivador. 

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5 respostas a Porque é que “Bons Pais de Família” não têm direito à palavra?

  1. José Manuel diz:

    Antonio Gramsci escreveu sobre isto “Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores.
    O governo aprova uma lei? É sempre boa, útil e justa, mesmo se não é verdade. Desenvolve-se uma campanha eleitoral, política ou administrativa? Os candidatos e os programas melhores são sempre os dos partidos burgueses. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador”
    texto integral aqui: http://www.marxists.org/portugues/gramsci/1916/mes/jornais.htm

  2. Antónimo diz:

    Mas lutar porquê, não há direito de reposta?

  3. CausasPerdidas diz:

    Peço desculpa aos Estivadores, mas apetece-me cumprimentar a Sra. Bárbara Reis com o despido de machismo “Vai mas é trabalhar para a estiva!”.
    É frase que oiço desde miúdo. Eu sei, é discriminatória e reveladora da baixa conta em que se tinha (tem) o trabalho da estiva mas, desculpem-me lá os estivadores outra vez, pelo menos tem o condão não negligenciável de ser o sítio certo para se mandar alguém quando se quer que esse alguém vá para um sítio fodido.
    Tendo em consideração os “a priori” da Sra. Bárbara em relação aos estivadores, que aqui se retribuem, é uma frase que preenche todos os requisitos exigíveis: o trabalho como castigo e, porque não dizê-lo?, também “libertador” de outras ocupações mal dirigidas, como essa coisa de se querer-se trabalhar e ter direitos. (Se não enxergaram nenhuma conotação do “libertadores” com uma frase escrita em Auschwitz, não passais de uma consequência cultural da repetida leitura dos produtos com que a classe profissional da Sra. Bárbara enche os jornais).
    As Bárbaras deste mundo têm uma visão particular da malta da ganga, da gente que lhes coloca o pão sobre a mesa, através da tal “mão invisível”, pensam, mágica, acreditam porque nunca se preocuparam em saber do corpo que a comanda. Coisas de andarem demasiado entretidas a olhar para os seus próprios umbigos, a única dúvida que as atormenta é a de se um “piercing” não lhes daria mais classe.
    Por isso comem com muito gosto e sem lhes “saber a merda” o que o Poder lhes põe à frente. (Outra vez: se não repararam no subentendido do pão a saber a merda é porque andais a ler demasiados jornais)
    Oh estivadores! Não preocupeis as Bárbaras com miudezas tais como quererem ser tratados como gente. Isso só lhes atrapalha a vidinha mágica feita de mãos invisíveis e de merda que lhes sabe a pão. Ponham-se na bicha depois dos Ronaldos! Ser tratados como gente é coisa que só compete decidir às Bárbaras, e às restantes “majorettes” do sistema no seu “cancan” diário nos jornais. Portai-vos bem, porque sois escrutinados lá de cima por uma profissão que gosta de se chamar de “jornalista” e que pode ser mas odeia ser confundida com “jornaleiro”, uma ocupação que só tem dias. Desqualificada até nas redacções onde só as Bárbaras têm o prestígio de Poder escrever considerações ignorantes sobre a dignidade alheia – invejada, afirme-se: as Bárbaras e as restantes “majorettes” do sistema que escrevem nos jornais sabem que têm as suas canetas domesticadas. (Negar-lhes essa consciência é que se seria, de facto, ofendê-las, mas isto só as torna piores.)

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