Crimeia junta-se à Rússia… e agora?

Actualização dos eventos mais relevantes. Balanço da situação e tendências no terreno. Confederação… a única forma de evitar a guerra civil? Vivemos a maior crise do capitalismo desde os anos 30, este é o pano de fundo para o conflito na Ucrânia que representa a segunda grande crise inter-imperialista em menos de seis meses (lembram-se das ameaças de guerra à Síria?).

Actualização dos eventos

A Crimeia junta-se à Rússia numa imensa festa que foi o referendo de Domingo passado, mesmo os repórteres ao serviço do Império não conseguem disfarçar a alegria sentida pela maioria da população da Crimeia neste momento (aqui). Foi o referendo “legal”? Deixarei essa discussão para os Fariseus… O que é certo é que o referendo foi muito participado e tudo decorreu num ambiente bastante festivo. Com todas as suas limitações, o processo de reunificação da Crimeia à Rússia correu de forma bem mais legítima e pacífica do que o golpe fascista apoiado pela UE+NATO em Kiev. Mas tudo isto já se sabia, o mais interessante (como tenho vindo a dizer) passou-se no sudeste da Ucrânia.

Quinta e sexta feira, 13-14 de Março

Nikolaev, sexta-feira 14, activistas que estavam a organizar o “referendo popular” de 16 de Março são espancados por nazis (aqui).

Kharkov, sexta-feira 14, dois activistas anti-junta de Kiev mortos a tiro por nazis do “sector de direita” (aquiaqui, aquiaquiaquiaquiaquiaquiaqui e aqui). Os media “Ocidentais” deram muito menos cobertura a este incidente do que ao da noite anterior em Donetsk onde um nazi foi morto…

Kharkov, sexta-feira 14, polícia prende vários nazis envolvidos no tiroteio, alguns polícias também tinham sido atingidos pelos Nazis e parece que a medida também foi tomada para impedir que a escumalha nazi fosse linchada ali mesmo (aquiaquiaquiaqui e aqui).

Tropas Russas tomam estação de gás na fronteira entre a Crimeia e a região da Ucrânia de Kherson, Russos alegam que foi para impedir tentativa de sabotagem, junta fascista diz que foi tentativa de invasão… (aquiaquiaqui e aqui). Na Crimeia foi negociado um cessar-fogo (aqui).

Fim de semana, 15 e 16 de Março

Kharkov, sábado 15 de Março, apesar da intimidação milhares protestam contra a junta de Kiev, o presidente da Câmara é denunciado como “vendido” e “traidor” (aquiaqui e aqui).

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Donetsk 15 de Março

Donetsk, Sábado 15 de Março, grande manifestação anti-junta fascista de Kiev. Manifestantes cercam sede dos serviços de segurança e exigem libertação de vários presos políticos (aquiaqui aqui).

Moscovo, sábado 15 de Março, manifestações quer a favor da junta fascista, quer em apoio a Putin (aqui e aqui)… para “ditador totalitário” o Putin até é bastante manso…

Nikolave, domingo 16 de Março, manifestação e “Referendo popular” contra a junta fascista de Kiev (aqui, aqui aqui).

Kharkov 16 de Março (assalto à sede dos Nazis do sector de Direita)

Kharkov 16 de Março (assalto à sede dos Nazis do sector de Direita)

Kharkov, domingo 16 de Março, manifestação anti-junta de Kiev, os escritórios da milícia nazi “sector de direita” foram incendiados e  o consulado da Polónia também foi atacado (aqui, aqui e aquiA reuters chama “centro cultural” à sede do sector de direita onde partiram os tiros que assassinaram dois activistas, muito elucidativo… Colecção de fotos no NYT que incluí vários momentos da luta na cidade de Kharkov (aqui).

Donetsk, domingo 16 de Março, grande manifestação contra a junta fascista de Kiev. Depois de chegar à praça onde a manifestação deveria ter terminado, milhares continuaram o protesto e “deambularam” pela cidade invadindo e atacando vários edifícios do governo (procuradoria e sede dos serviços de segurança) e a “União dos Industriais do Donbass” que é uma instituição dirigida pelo oligarca que foi nomeado governador de Donetsk (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Lugansk, domingo 16 de Março, manifestação e “referendo popular” contra a junta fascista (aqui, aqui, aqui e aqui).

Odessa, domigo 16 de Março, grande manifestação anti-fascista, recolhidas 20.000 assinaturas a favor de referendo por maior autonomia (aquiaqui, aquiaqui).

Mariupol, domingo 16 de Março , grande manifestação anti-fascista e exigência de referendo (aqui).

Milícias populares anti-fascistas, nas regiões de Donetsk e Lugansk, bloqueiam comboio de transporte de material bélico e coluna de camiões de transporte militar que movimentavam armamento pesado para a fronteira com a Rússia (aquiaquiaquiaquiaqui e aqui). Muito significativo, as massas anti-fascistas no sudeste demonstram que têm organização e poder de mobilização suficiente para responder rapidamente a uma agressão e parar uma coluna militar.

Kiev, domingo dia 16 de Março, o pseudo-Primeiro Ministro da junta fascista profere um duro e inflamado discurso contra os “líderes separatistas” e lança várias ameaças.  “Yats” diz que “o chão irá arder debaixo dos seus pés” e que a Ucrânia os irá perseguir, encontrar e julgar nem que dure “um ou dois anos” (aquiaqui e aqui). O agente da FMI e do imperialismo deve estar a sentir-se acossado pelos nazis à sua volta (aqui aqui). A Junta continua a tentar fortalecer a nova “Guarda Nacional” que terá como “coluna vertebral” os gangs neo-nazis (aqui, aquiaqui e aqui) e principal objectivo a “pacificação” do sudeste do país (aqui).

Balanço da situação e tendências no terreno

Alguns representantes da junta fascista (aqui, entrada às 19:46) dizem que os eventos do fim de semana no sudeste da Ucrânia constituem um falhanço, que o plano dos insurrectos era declarar a independência e assumir o controlo em 8 regiões do sudeste (Odessa, Lugansk, Donetsk, Kharkov…)… Estas afirmações são bem reveladoras de onde está a fasquia posta… A própria junta fascista assume que o sudeste está em rebelião aberta e contenta-se com o facto dos “rebeldes” no sudeste não terem tomado o controlo total

A situação tem vindo a escalar, mas encontra-se num impasse.

A junta fascista nomeou oligarcas e mudou as chefias da polícia local, com isso conseguiu evitar que a sua legitimidade e controlo fosse questionado a partir de órgãos legais e/ou institucionais no sudeste. No entanto, existe um forte movimento de base com capacidade de convocar grandes manifestações, ocupar edifícios públicos e defender-se de provocações nazis. O controlo institucional que a junta fascista tem sobre o sudeste existe, mas é precário, como é demonstrado pela actuação da polícia local. Quanto à Rua, tanto em Donetsk como em Kharkov as tentativas de convocar grandes manifestações a favor da junta falharam, mesmo quando defendidas por milícias nazis. A verdade é que as manifestações previstas para o fim de semana tinham sido ilegalizadas, mas mesmo assim tiveram lugar. Mais, neste fim de semana não houve notícias de manifestações a favor da junta fascista em qualquer cidade do sudeste.

Em resumo… A junta fascista primeiro mandou os Oligarcas, que conseguiram segurar as instituições, mas não acalmar a rua. Depois enviou políticos soft (tipo o Klitschko) que foi corrido de Donetsk e Kharkov. Em seguida chegaram os Nazis que foram corridos quer de Donetsk, quer de Kharkov… Esta sequência de acções não foi decidida a “régua e esquadro”, nem as decisões vieram de um mesmo “centro de comando”…. A ida dos Oligarcas, a tour de “simpatia” do Klitschko e as provocações Nazis são jogadas de diferentes facções do regime de Kiev, mas acabam por encaixar todas na estratégia de “pacificação do leste”… no entanto, demonstram também uma escalada no conflito e, em certa medida, o falhanço do regime em controlar a situação a leste.

O movimento popular anti-fascista/pró-russo no sudeste tem demonstrado ser persistente, ter grande poder de mobilização e capacidade de se defender das agressões nazi-fascistas e medidas coercivas “para-legais”. Tem também demonstrado que dispõe da capacidade de influenciar as decisões das instituições locais (polícia, parlamentos locais, presidentes de câmara e governadores). Mas, em local algum, conseguiu substituir essas instituições por outras geradas a partir do próprio movimento ou tomar o controlo através das instituições existentes. Os “governadores do povo” eleitos por assembleias em Lugansk e em Donetsk tiveram “magistraturas” de curta duração, ambos os dirigentes foram presos por agentes especiais enviados de Kiev. As autoridades “legais/institucionais” mais hostis à junta fascista, foram demitidas/substituídas por Kiev e alguns governadores chegaram a ser presos (como foi o caso de Kharkov).

O movimento das populações do sudeste aparenta ser algo fragmentado. O Partido Comunista Ucraniano parece ter um importante papel, mas o partido das regiões e movimentos nacionalistas russos também estão no terreno. Aquilo que tem unificado o “movimento” é a recusa da legitimidade da junta fascista, a recusa das autoridades locais nomeadas pela junta, a recusa do pacto de austeridade do FMI, da subjugação económica à UE e da subjugação geo-política à NATO. Mas como efectivar essa recusa é algo bem mais complexo… parece-me que, de momento, a grande reivindicação política é de uma nova constituição que garanta um muito maior grau de autonomia às regiões e não tanto a independência pura e simples, ou reunificação com a Rússia. Ou seja, a grande proposta política (que está longe de ser a única) é a de transformar a Ucrânia numa espécie de confederação. Isto é o que é defendido pelo Partido Comunista da Ucrânia e pela Federação Russa (Putin). Portanto, embora existam elementos e sectores dispostos a acções mais radicais, independentemente daquilo que digam no palanque, as forças mais preponderantes no movimento estão a adoptar uma  estratégia de pressão política sobre as autoridades de Kiev e seus patronos imperiais, não uma estratégia insurreccional contra a junta… O que pretendem é uma saída negociada para a crise. Portanto, pretendem mostrar a força que têm e impedir excessos Nazis no leste, mas não estão empenhadas num assalto ao poder, nem tão pouco (para já) na secessão. É ilustrativo que em Donetsk o “governador do povo” era um desconhecido vagamente ligado a movimentos nacionalistas e em Lugansk era um activista ligado a um movimento dissidente do  Partido Comunista. Ou seja, onde o movimento ousou ir mais longe a direcção que emergiu não era de nenhum partido com grande presença institucional, nem tão pouco associada a “agentes provocadores” da FSB (que obviamente também devem estar no terreno, nem que seja a monitorizar a situação. Mas ao contrário do que diz a propaganda da Junta, provavelmente esses agentes do FSB têm estado mais a acalmar a situação do que a agitar os ânimos…).

Tudo isto é uma análise em traços muito gerais e das grandes dinâmicas, claro que no terreno há inúmeras nuances e a dialéctica está sempre em acção. Ou seja, mesmo que os objectivos actuais dos grandes actores sejam limitados, estes podem e são arrastados pelas dinâmicas de acção-reacção geradas pelas forças no terreno.  Por mais que o PCU seja hostil a acções insurreccionais e queira evitar uma guerra civil, por mais que a Rússia queira evitar uma guerra na Ucrânia, ambos estes actores não podem aceitar uma Ucrânia submetida à UE, FMI e NATO. Nem tão pouco, mesmo que quisessem, me parece que consigam acalmar a população do leste ad eternum perante um cenário desses.

Se a junta fascista se abstiver de provocações a situação poderá acalmar, mas surpreendentemente (ou talvez não) os discursos de fim de semana vindos de Kiev não apontam nesse sentido… antes pelo contrário, a junta fascista parece estar a ganhar balanço para novas agressões… e com isso provocar uma resposta ainda mais forte e radical das populações do sudeste contra o regime nazi-fascista.

Confederação… a única forma de evitar a guerra civil?

A actual Ucrânia confronta-se com profundas contradições:

  • políticas – fascistas a ocidente vs comunistas saudosistas da URSS a leste.
  • sociais – camponeses a ocidente vs operariado a leste.
  • económicas – reformulação/saque e integração do sector produtivo da Ucrânia na UE vs defesa da Indústria a leste que faz parte de cadeias logísticas com importantes componentes na Rússia.
  • culturais – fala-se Ucraniano a oeste e Russo a leste.
  • históricas – ligação com a Polónia e o Império Austro-Hungaro a Ocidente, com a Rússia a leste (mapas interessantes aqui e aqui).
  • geo-políticas – fronteira leste da NATO e da UE, se estes blocos se querem expandir a Ucrânia é o próximo passo (e uma regra básica de qualquer “sistema” é que se não está em expansão, então está em contracção…). Último buffer de protecção do “core” da Rússia, localização de importante base naval e relevante fornecedor e mercado para a economia Russa.

A longo prazo estas contradições devem ser superadas por uma luta contra a oligarquia cleptocráctica que domina tanto o ocidente, como o oriente da Ucrânia. Os fantásticos recursos naturais e a indústria e infra-estrutura da Ucrânia devem ser colocados ao serviço do povo e sob o controlo dos trabalhadores. Um novo regime verdadeiramente democrático deve seguir uma política de paz, independente de qualquer bloco militar imperialista. Mas, sem abandonar este “programa”, o curto prazo exige respostas mais urgentes, consentâneas com a relação de forças no terreno e capazes de dar uma resposta rápida às contradições que ameaçam fazer explodir o país.

A divisão/guerra civil só poderá ser evitada, parece-me, se a Ucrânia se transformar numa confederação. Se tiver um governo central fraco e pouco mais do que simbólico, com o poder de decisão concentrado nas regiões. Claro que num modelo desses não é possível a integração tout court da Ucrânia na NATO, UE ou na União Aduaneira da Rússia. É esta a opinião também de alguns “experts” (aqui), da Rússia (aqui) e do PCU.

A maioria da população do sudeste, a curto prazo, ficaria satisfeita com uma solução destas. A população a ocidente também acho que aceitaria bem uma Ucrânia confederal, sobretudo quando a alternativa é a divisão do país e a guerra civil. Mas aceitará a UE um plano destes? E a  NATO e os EUA? Ainda para mais depois do chapadão que levaram agora na Crimeia? A Crimeia na Rússia e uma Ucrânia garantidamente fora da UE e da NATO seria, objectivamente, uma grandiosa vitória do renascido “Império Russo” face às potências ocidentais… Dificilmente o imperialismo Yankee-Europeu irá aceitar isso, mesmo que o preço a pagar seja a guerra e mesmo que seja essa a vontade do povo Ucraniano. Como se a UE ou a NATO façam o que quer que seja pela “democracia” e liberdade” LOL LOL LOL

Ainda para mais, parece-me que os líderes (ou os “decision makers”) das potências ocidentais não têm noção nenhuma das consequências das suas acções… nunca nos esqueçamos da catástrofe que foi a invasão do Iraque, do Afeganistão e recentemente da Líbia (inclusive para o próprio Império!)… apesar de ser bastante óbvio que qualquer destas intervenções seriam um salto para  o abismo, as elites ocidentais atiraram-se de cabeça para todas estas aventuras (um pouco maior resistência do eixo franco-alemão no caso do Iraque, mas nada de muito significativo)…

Além disso, isto é mesmo gente com muito pouca profundidade. Quando a Merkel diz “O Putin não está neste mundo”, está a demonstrar toda a sua impotência e ignorância. Claro que Putin não está no mundo da Merkel, não está subjugado à burocracia de Bruxelas ou aos ditames da Alemanha, qual Grécia ou Portugal… Claro que Putin se for preciso manda avançar os tanques e ponto final, qual regulamentação da Comissão Europeia, qual ameaça do Banco Central Europeu… Este é outro jogo e outro mundo, muito diferente das disputas domésticas da UE a que a Merkel está habituada… Quando o Kerry diz “não estamos no século XIX”, esquece-se que também já não estamos nos anos 90 do século XX. Muita gente tem falado que já não estamos num mundo unipolar, mas num mundo multipolar… que os  EUA continuam a ser a única super potência, mas que o seu poder é contestada, em certas zonas, por potências regionais… ora aí está. É mesmo isso. A crise na Ucrânia é a praxis que se ajusta perfeitamente a essa teoria.

A histeria e o desespero deste fariseu ao serviço da UE (Europe’s Five Deadly Sins on Ukraine) dá uma fantástica e reconfortante leitura. Aqui está uma citação: The Ukraine disaster must also be considered a momentous failure of the transatlantic relationship. eheheehehe pois é!

Em português, encontra-se aqui uma interessante entrevista acerca da crise Ucraniana, nomeadamente acerca da luta inter-imperialista que aí se trava.

Mais revelador das fraquezas da UE do que das forças da Rússia...

Muito bom…

Sob o pano de fundo da maior crise económica-financeira desde os anos 30… assiste-se à segunda grande crise inter-imperialista no prazo de seis meses…

Apesar de todos os anúncios de retomas, a verdade é que o mundo ainda está imerso na maior crise financeira e económica desde os anos 30 do século XX. Nos EUA o crescimento nunca disparou como os mais optimistas previam, esta ano até vai abrandar. O mesmo se passa com a China e os BRIC. A Europa não caiu no abismo, ainda, mas isso é mesmo o máximo que conseguiu… ou seja, a economia mundial ainda não recuperou da grande crise de 2008-2009 e já lá vão 6 anos.

Relembro que a crise dos anos 30 só foi superada com a II guerra mundial. Situações de grave e prolongada crise económica geram condições propícias ao intensificar da competição e conflito inter-imperialista. É a versão geo-política do “casa em que não há pão todos ralham e ninguém tem razão”. Ora, ainda em Setembro de 2013 o mundo assistiu à ameaça de invasão e bombardeamento da Síria, por quase um mês esteve em aberto a hipótese real de se iniciar uma III guerra mundial… Agora em Fevereiro-Março de 2014 assistimos à crise Ucraniana e ao “caso Crimeia”, volta-se a falar em III guerra mundial… São vários aqueles que vão buscar paralelismos à situação pré I guerra mundial (aqui) ou que falam numa nova guerra fria (aqui).  Exageros? Hipérboles? Talvez em parte… O que é certo é que as contradições intensificam-se, as crises sucedem-se e a tendência parece ser para que se repitam mais e com maior intensidade.

A verdade é que sem contradições inter-imperialistas não há revoluções e sem I Guerra Mundial nunca teria havido uma Revolução Russa. Abracemos portanto a tempestade e as oportunidades que ela trás…

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63 respostas a Crimeia junta-se à Rússia… e agora?

  1. imbondeiro diz:

    E agora?… Agora o Obama, a Merkel e o Cameron vão fingir que falam grosso, ao mesmo tempo que vão dando palmadinhas nas costas do Boris, dizendo-lhe ao ouvido que as momices fanfarronas para a pantalha são na reinação e não passam de expedientes para não sofrerem públicos enxovalhos nos respectivos países. É que, desta vez, essas alminhas meteram-se com alguém que sabe mais da poda a dormir do que eles todos juntos cada um com os seus três olhinhos bem abertos. É claro que a forma de eles engolirem o sapo vai ser diversa: o Obama, para torná-lo menos amargoso, pode barrá-lo com ketchup; a boa da Merkel, para lavar a gosma do batráquio, pode virar uma quantas “schnaps”; o inefável Cameron, para as longas perninhas do bichito se não prenderem no estreito, pode envolvê-lo em “pudding” e carregar-lhe umas quantas aguardentes escocesas (é aproveitar enquanto há…) por cima. Mas lá que vão ter que papá-lo, lá isso vão!

  2. Joao Pereira diz:

    “Abracemos portanto a tempestade e as oportunidades que ela trás…” Não há comentários possíveis. O Francisco é um louco.

    • Argala diz:

      Antes louco que estúpido.

      O Francisco sabe muito bem que as contradições inter-imperialistas abrem enormes possibilidades revolucionárias. O espectro polariza-se, abrem-se os campos, o confronto. E era precisamente neste ponto que ‘nós’ devíamos entrar, mas não entramos.

      O movimento operário chega à segunda grande crise do capitalismo em absoluto estado cadavérico, sem uma vanguarda e sem um projecto claro de poder. O movimento operário está doente e deprimido, cheio de dúvidas existenciais e macaquinhos no sotão, fechado em anfiteatros a discutir o sexo dos anjos, a escrever petições, a passear ou a sonhar com as próximas legislativas – e é aí que eles nos querem.

      E creio que o capitalismo entrará num novo ciclo, recuperando as taxas de lucro em cima de mais uma destruição em massa. Esse período já começou, e depois dele chegarão as nossas três décadas de ouro, como no pós-segunda guerra mundial, se ainda estivermos vivos para as viver. Ganha o mais forte, e nós não contamos para nada. Preparem-se para levar mais no trombil.

      • Francisco diz:

        À poix é… na mouche Argala

      • Carlos Carapeto diz:

        Argala podes fazer uma confissão antecipada.

        Quando começar a fuzilaria qual a trincheira que pensas saltar?

        • Argala diz:

          Gostei do comentário.

          Faz bem em pôr em causa a coragem física e a militância de um comentador de blogue, que assina com pseudónimo. É que se o faz numa caixa de comentários a uma pessoa que não conhece de lado nenhum, o que não fará com os seus camaradas?

          Não me faça essa pergunta só a mim, faça-a também aos seus.. e estaremos no bom caminho.

          Cumprimentos

    • Francisco diz:

      Fui eu que invadi, bombardeie e torturei no Iraque? Fui eu que invadi o Afeganistão e lancei o terror sobre esse país e o Paquistão? Fui eu que bombardeie a Líbia, apoiei milícias extremistas e deixei o país na mão de “senhores da guerra”? Fui eu que incentivei e apoiei a Al QUaeda na Síria? Fui eu que inventei produtos financeiros marados, chamados “exóticos”, para sacar dinheiro e provoquei uma crise financeira? Fui eu que perante uma monumental crise financeira e económica, apoiei os bancos e especuladores e saqueie o povo? Fui eu que estou a implementar uma austeridade que conduz à barbárie?
      Não, não fui… foi o sistema e os líderes que comandam este sistema a quem os Jooes Pereira deste mundo limpam o rabinho. Não sou eu o responsável pela profunda crise em que está o mundo e que ainda se vai agravar mais. Tento apenas olhar para os factos com olhos de ver e propor a melhor alternativa possível perante a realidade.

      Perante a catástrofe podemos tentar dar o rabinho aos tiranos (opção do João), ficar a chorar a um canto ou tentar aproveitar a crise como uma oportunidade para sanear o mal e dar espaço a uma sociedade mais justa, fraterna e desenvolvida…. é tão simples quanto isto.

      • Joao Pereira diz:

        Propõe, sem qualquer pejo, uma guerra mundial pois ela trará oportunidades ao “movimento operário” (seja lá o que isso for .. mas não deixa de ter graça achar que há um movimento operário numa europa sem industria). Propõe o caos, sob a capa que dele virá a bonança. Nunca tal aconteceu. Depois de ambas as grandes guerras imperou o capitalismo, tendo no caso da 2ª guerra, conduzido a 50 anos de grande prosperidade. Apenas no leste, permaneceu o chamado “movimento operário”, nada mais do que uma ditadura sanguinária que fez com que países como a Checoslováquia, Roménia, Bulgária, Polónia e outros que tal .. tenham vivido na mais abjecta miséria durante as décadas de ouro europeias. Por antecipação, escusa de falar no caso português … quando me refiro a prosperidade europeia falo de países com democracias maduras e não de países com ditadores de aldeia como Portugal teve até 74.

        • Francisco diz:

          Mas onde é que eu propus uma III Guerra Mundial??? Não propus nada disso, o que digo é que devido à lógica do sistema e estupidez das lideranças actuais esse é um cenário que se está a tornar mais provável. Se isso de facto acontecer, em vez de ficar a tremer de medo, chorar ou a limpar o cú às classes dominantes, o que se deve fazer é aproveitar a oportunidade para uma profunda revolução.
          GOT IT????

          • Joao Pereira diz:

            Não, claro não “Got It”. Precisamente o que contrapus foi que sempre que houve uma guerra a opção nunca foi de “uma profunda revolução”. As populações mundiais sempre optaram por regimes capitalistas. Não percebo como se pode negar a história e achar que as coisas vão acontecer de outra forma.

          • Francisco diz:

            A Revolução Russa ocorreu quando e em que contexto? 1917 e I Guerra Mundial
            O triunfo da Revoluções CHinesa, e todo o movimento de descolonização liderado pelos Comunistas aconteceu quando e em que contexto? Para o triunfo da revolução Chinesa, a invasão da China pelo Japão foi FUNDAMENTAL. A descolonização e emergência de movimentos de libertação vitoriosos são consequência directa do resultado da II Guerra Mundial.

            Aprende ignorante!

        • Argala diz:

          “Propõe, sem qualquer pejo, uma guerra mundial pois ela trará oportunidades ao “movimento operário”

          Não pá! O objectivo do movimento operário é transformar a guerra mundial em guerra civil. Pegar nas armas e virá-las contra os nossos inimigos de classe. Quem propõe a guerra entra os povos é o império. Nós propomos a guerra entre classes.

          • Joao Pereira diz:

            vamos pensar um bocado sobre o resultado dos movimentos de descolonização patrocinados pelo comunismo, sobre a Russia e sobre a China pré-capitalismo de Jiang Zemin … já pensamos? Já reflectimos sobre a miséria e morte? Já demos paz às almas dos que viveram e vivem na mais miserável das pobrezas? Optimo.

          • Francisco diz:

            Então para o Joao a Àfrica deveria continuar a ser uma colónia e a China uma casa de putas do ocidente, é isso? Assim se descobre a careca a esta gente. Um defensor dos antigos impérios coloniais. Caro João, os movimentos de libertação decisivos eram comunistas porque só assim poderiam triunfar, só os comunistas na China e no resto do chamado 3º mundo tinham as armas políticas, intelectuais e sociais capazes de derrotar os impérios! Mais, enquanto a França a Inglaterra e toda a Europa “civilizada” estava empenhada, em guerra ou a patrocinar guerras para impedir a libertação desses povos, os únicos que de forma consistente apoiaram os movimentos de libertação foram os comunistas.

        • AosAbortosSociais diz:

          Estás alucinado-na abjeta miséria intelectual estás tu,psicopata mentiroso de merda.Na abjeta miséria estão agora com o0 Capitalismo dos amanhãs que cantam, como na Ucrânia. Palhaço,pq não vais à Libia passar férias para veres a democracia e a felicidade do povo?
          Podes crer que vai haver uma guerra à pála da esquizófrenia das ‘elites’ cleptocratas tanto do ocidente como do oriente-só não vê quem é cretino,como tu.Vai cantar laudas aos merceeiros e banksters, os oligarcas deste país de boçais.Mais,vai pata Kiyv e podes ir para o caralho que te foda,fascista de merda.

          • Joao Pereira diz:

            Lá se vai a teoria de que o Comunismo acarreta uma boa educação …

          • Francisco diz:

            Se “boa educação” é ser conivente com o Nazismo então pode a enfiar num sítio que eu cá sei…

          • Carlos diz:

            Bem dito, Francisco. Ser conivente com nazis para se conquistar poder, isso já está tudo bem para certa gentalha. Os direitos das pessoas como ter uma eleição em vez da junta imposta por Kiev, isso não.

        • ASD diz:

          O João Pereira mente.

          É o desespero dos derrotados capitalistas.

          Os países da Europa de Leste provam claramente que o socialismo promove um nível de vida superior ao do capitalismo.

          Como vê, mais uma vez você foi derrotado pelos factos.

          Abaixo a miséria do capitalismo que só traz carestia às populações.

        • Sem querer parecer arrogante ou pretencioso, partilho convosco que o único país que estava por trás da cortina de ferro que ainda não conheci foi a Moldávia (a ver se será este ano, e se possível queria ir dar um salto à Transnístria) e digo com prazer que tenho bons amigos em todos eles. É o bom de termos uma Europa com fronteiras abertas e onde se promove o bem estar entre culturas. Além disso, e como já disse, vivi na Ucrânia e Rússia, e tenho alguma noção da realidade de ambos os países.
          Pois bem, ninguém – reforço o ninguém – da ex união soviética recorda com prazer os tempos em que esteve sob o jugo da Rússia (excepto, claro está, alguns russos – por falar nisso, acho engraçado o Carlos vir dizer que a Rússia prosperou sem nenhum imperalismo… suponho que não considere a ocupação russa de tantos países europeus dessa forma). Mais ainda: o tema é sensível: muitos tiveram familiares torturados ou mesmo mortos pelas forças russas, foram obrigados a renunciar à sua cultura e em alguns casos à língua, e muitos viveram em condições terríveis. Numa das viagens que fiz, andava a ler O Capital do Marx, e só esse facto era suficiente para levantar muitas sombrancelhas.

          • Francisco diz:

            “Sem querer parecer arrogante ou pretencioso” Só podes estar a gozar todo o teu tom e posturs tem sido de uma suprema arrogância… que claro está anda sempre a par com uma suprema ignorânica.
            Conheço vários russos e a maioria preferia viver na URSS e acha a queda da URSS uma tragédia. Mas nestas coisas convém sempre ir além do saber empírico e da nossa bolha de conhecidos, convém fazer uma análise minimamente científica… e não é que:

            55% of Russian adults think it’s a “great misfortune” that the Soviet Union no longer exists
            http://www.defenseone.com/threats/2014/05/poll-more-half-russians-want-soviet-union-back/84100/

            POLL: MOST IN EX-SOVIET STATES SAY USSR BREAKUP HARMFUL
            http://america.aljazeera.com/articles/2013/12/19/most-residents-ofexsovietstatessayussrbreakupharmful.html

            Residents more than twice as likely to say collapse hurt their country
            http://www.gallup.com/poll/166538/former-soviet-countries-harm-breakup.aspx

            Russians Miss The Soviet Empire: Poll
            http://www.huffingtonpost.com/2014/05/08/soviet-empire-poll_n_5288261.html

            Polls by reputable institutes confirm this: 57% of Russians want the USSR back (2001); 45% consider the Soviet system better than the current system; 43% actually want a new Bolshevik revolution (2003).
            http://mondediplo.com/2004/03/11russia

            Tiago, talvez se fosses um pouco mais humilde tivesses capacidade de aprender alguma coisa. É muito fácil falar para os convencidos, repetir as banalidades do main stream e pensar que todo o mundo pensa como as pessoas que nos rodeiam. A realidade, o mundo, é muito mais vasto que isso. Mas enfim, a tua arrogânica é de tal ordem que tudo o que não te seja confortável e familiar é logo repelido…

            O universo de pessoas das ex-repúblicas não se reduz a uma quanta “classe média armada ao pingarelho pseudo-intelectual que tem vergonha de não ser Europeia”… Mas enfim, para ti as coisas ou são ou têm de ser como achas, ou então são todos uns nehandertais.

            Mas os factos demonstram que tudo o que tenho vindo a dizer nos meus posts tem-se confirmado, é que ao contrário de ti, eu não me fico pelas banalidades e por mais controverso e incomodativo (ou não) que seja, procuro a verdade dos factos. Daí conseguir prever com rigor o desenvolvimento dos acontecimentos de uma forma que a esmagadora maioria do mainstream e outros peritos do banal (como tu).

  3. Gostava de saudar o Francisco pela sua excelente síntese a que acrescento uma notícia inquietante, silenciada pelos media-mainstream. Segundo um take da agência Iskra com sede em Zaforozihe, leste da Ucrânia, no dia 7 de Março, as reservas de ouro do país foram enviadas à pressa de avião para os EUA. Às 2 da manhã do dia 7/03, camiões e carrinhas sem matrícula chegaram ao aeroporto de Borispol, perto de Kiev e 15 pessoas vestidas de negro, algumas armadas de metrelhadoras, carregaram às pressas o avião com cerca de 40 pesadas caixas. O avião partiu imediatamente. Testemunhas tentaram perguntar ás autoridades aeroportuárias o que se passava, mas não obtiveram resposta. Ainda segundo a mesma agência, um funcionário do Min. das Finanças ucraniano declarou que os EUA tomaram posse das reservas de ouro do país de acordo com as ordens dos novos líderes.
    O sec. Do Tesouro americano Chris Powell solicitou à Reserva Federal informações sobre o caso, mas em resposta, a RF declarou que só os proprietários do metal precioso poderiam prestar informações.
    A agência Shangai-Metals Inc. confirmou também que as reservas de ouro ucraniano voaram para Washington por ordem do PM Arseny Yatsenuk, devido a receios de uma eventual invasão russa. Outras agências como a KingworldNews confirmam os mesmos factos.
    Afinal, o ouro que os EUA recebem, nunca mais volta a ser o que era. Que o diga a Alemanha que solicitou a devolução das suas 300 T de ouro. A RF colocou muitas dificuldades e tenta diferir no tempo, tendo apenas devolvido 5T. Os alemães contataram que aquele pouco não era sequer o seu ouro e decidiram até derretê-lo para averiguar da sua pureza (declarações do Bundesbank). Quem pode confiar no tio Sam??.
    ZM

  4. subcarvalho diz:

    isto de nazis só de um lado da barricada tem muito que se lhe diga…

    (UCRÂNIA) NEO-NAZIS AO LADO DE PUTIN
    http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/03/18/ucrania-neo-nazis-ao-lado-de-putin/

    • Francisco diz:

      Claro, a diferença é que não são hegemónicos no movimento e ministros num governo… GOT IT? Nenhuma revolução e movimento de massas é perfeito e impoluto, mas entre a imperfeição e a hegemonia de nazis vai uma grande diferença

      • subcarvalho diz:

        isso faz-me lembrar a lógica de que o meu nacionalismo é sempre melhor que o dos outros…pessoalmente, não me interessa se são hegemónicos, ou não. basta-me que andem por lá.
        e não é preciso colocar texto em maiúsculas para que possa perceber o que quer que seja. se está nervoso com quem aqui comenta, descarregue no sítio certo.

        • Francisco diz:

          Então para ti se numa manif de milhares está um nazi, a manif já não vale nada, mesmo que seja por uma justa causa? Se os nazis foram contra a invasão do Iraque isso significa que ela foi uma coisa boa? se nas manifes contra a guerra do iraque estavam um ou dois nazis essas manifes não são boas?
          Qualquer movimento de massas tem sempre elementos com vários pre-conceitos, gente com ideias confusas e até nazis… A questão não é se existem esses elementos, a questão é se esses elementos são decisivos e têm hegemonia no movimento ou não.
          Lê os textos todos, esse assunto é discutido em vários deles.

          • absurdo diz:

            Concordando com a sua lógica expendida acima, fica esclarecido a dualidade com que encara a revolução ucraniana.
            Também esta tem uma minoria nazi/nacionalista/fascista, mas nem por isso os seus objetivos eram partilhados pela generalidade da população, farta da corrupção e do domínio escamoteado do vizinho russo.
            Mas, para si, Maidan foi e é hegemonicamente nacionalista/nazi/fascista/imperialista.
            Já a tomada da Crimeia pelos russos terá sido um favor prestado generosamente por um democrata de coração bondoso.

          • Francisco diz:

            Mentiroso, falso e hipócrita. Os nazis não são uma “minoria” em maindan, ou se são, são a minoria que manda. Mandam em 4 ministérios (incluindo defesa e administração interna), procuradoria e serviços de segurança. Ou seja, controlam todo o aparelho repressivo!!! Para além disso controlam as ruas e assembleias. Qualquer pessoa a ocidente que se diga comunista ou contra o golpe é espancada e torturada… Isso não tem nada a ver com o que se passa no movimento a sudeste, onde embora haja uns quantos nacionalistas, não são eles nem as suas organizações que detêm a hegemonia. Mas nem sei porque respondo voçê é um provocador que não quer debater baseado nos factos, mas simplesmente lançar a confusaõ…

        • absurdo diz:

          “Mentiroso, falso e hipócrita”
          Com estes argumentos absolutos dificilmente lhe poderei responder que não na mesma moeda. Mas, isso seria descer ao seu nível, coisa que não farei.

          Francisco, os seus factos são objetos mediáticos que entende relevar sobre outros, segundo as lentes que escolheu para ver a sua realidade.
          As minhas lentes são, claramente, outras e a minha realidade também.
          Não vejo os ucranianos como nazis, da mesma forma que não vejo os russos como o inimigo.
          O Svoboda ocupou demasiado lugares no governo, o que é mau, aliás um já seria demais. Mas daí a chamar nazis a todo o governo é um absurdo de excesso. E, no entanto, você fá-lo.
          Se os espancamentos de russófilos são uma realidade, os de ucrainófilos já o eram e agora ainda continuam a sê-lo. Se os autores dos primeiros são fascistas, o que dizer dos segundos?
          A luta civil existente na Ucrânia não é entre nazis/fascistas e anti-fascistas, como o Francisco pretende a todo o custo fazer passar. É entre duas componentes da população do estado ucraniano, a dos ucranianos étnicos e a dos ucranianos russófilos e dos russos étnicos.
          Representa a emergência dos nacionalismos, sempre abafados nos impérios, mas sempre presente em momentos de crise. E é também nestes momentos que imbecis como os do Svoboda e os parceiros do Nacional Bolchevismo russo têm campo fértil para crescerem.

    • Carlos Carapeto diz:

      (UCRÂNIA) NEO-NAZIS AO LADO DE PUTIN.

      Mentir sim; mas com mais moderação. Assim quem vai acreditar ? Só falta dizer que na Ucrânia os nazis já andam aos tiros uns contra os outros.

      Os “libertários” de Évora à semelhança de muitos outros usam a falsificação e o anti comunismo como padrão ideologico (sabemos perfeitamente que Putin não é comunista no entanto estes sátrapas pretendem convencer que o é) .

      Esta cambada presta-se fazer voluntariamente a propaganda mais suja que a burguesia se recusa.

      Falta-lhes dignidade para merecerem honrar a memória e a obra dos grandes classicos do anarquismo, como o foi António Gonçalves Correia (HOMEM que tive o grande previlégio de conhecer).

      Em tempos já perguntei ao papagaio (com todo o respeito por a graciosa ave) que escreve nos “libertários de Évora” quantas vezes foi ao local onde Gonçalves Correia formou a Comuna da Luz prestar-lhe homenagem.

      Eu poucas vezes passo por aquelas bandas que não me desloco lá .

      O lado que esta trupe defende é fácil de identificar. Só que não se assumem, comportam-se como ratazanas a chafurdar na imundicie dos subterraneos.

      Quantos vezes já eles se pronunciaram contra o apoio que o imperialismo está a prestar aos nazis na Ucrânia?

      Nunca o vão fazer!

      Não passam de uns bandalhos ao serviço dos interesses do capitalismo.

      Portanto o que aqui está escrito deve ser interpretado em sentido contrário ao que os seus autores pretendem.

  5. A malta ainda está em negação, depois virão muitos a dizer estava-se mesmo a ver…

  6. Manuel Duarte diz:

    Este post diverte-me. Já não lia tanta boçalidade e parvoíce juntas há muito tempo (mais ou menos desde o final da década de 70 do século passado). Aliás ver no Putin um defensor da gloriosa classe operária e do grande exército vermelho só mesmo de um gajo completamente passado e com umas grandes palas em frente aos olhos. By the way, sabia que o anchluss em 1939 também teve um referendo com um resultado ainda mais espantoso do que o da Crimeia? É que ver uma anexação de cariz imperialista russo como um acto inserido na lógica da decadência e das contradições do capitalismo, só mesmo de alguém que não sabe sequer as páginas do Avante, quanto mais os livros da teoria marxista.

    • Francisco diz:

      Onde é que neste post, ou em todos outros que escrevi sobre a crise na Ucrânia digo que “O putin é defensor da classe operária…blá blá” ONDE????

      BTW, o anchluss em 1939, independentemente do julgamento político da manobra, objectivamente, sinalizou e significou um agudizar das contradições do capitalismo… agudizar esse que culminou na II GUerra Mundial. Da mesma forma, independentemente do julgamento político que se faça a crise na Síria em Setembro de 2013, a actual crise na Ucrânia (que vai muito além da reunificação da Crimeia com a Rússia) e a disputa das ilhas entre Japão e China, todos esses episódios sinalizam um agudizar das tensões inter-imperialistas numa fase de aguda crise do capitalismo. Essa crise pode vir a ser superada de várias formas como Argala bem disse num comentário anterior. Que parte disto é que não entende?????????

      Voçê ao menos leu o texto? é que as adjectivações e insultos que lança é de quem não leu, ou se leu foi com umas gandas palas e muito pouco de inteligência! Homem deixe os seus pre-conceitos e reflexos pavlovianos de lado e leia o que escrevi neste e nos outros posts que escrevi. Pode ser que até aprenda alguma coisa…

      • Carlos Carapeto diz:

        Francisco obrigado por todo o esforço que está a fazer em beneficio da verdade e na mobilização da luta titânica que se avizinha contra o nazi/fascismo.

        Excelente lucidez na apresentação dos factos.

        Obrigado

    • Carlos Carapeto diz:

      Nós os comunistas sabemos melhor que ninguém quem é Putin, como chegou ao poder, para quem tem governado e quais os interesses que defende.

      Por isso mesmo não aceitamos lições daqueles que o idolatravam quando das mãos do Czar Yetsin, de forma fraudulenta assumiu os destinos do país .

      Enquanto Putin permitiu o saque das riquezas da Rússia , autorizando que as receitas desse saque fossem retiradas do país por uns quantos oligarcas e colocadas ao serviço da economia dos países Ocidentais em prejuizo da maioria da população Russa. O mesmo Putin era considerado um grande estadista.

      Agora como deixou de ser subserviente às imposições e aos anseios expansionistas de cariz criminosa do imperialismo da NATO, transformou-se de um momento para o outro num ditador e uma séria ameaça para os seus vizinhos.

      Quanto a legitimidade para governar, Putin foi escrutinado por uma maior percentagem de eleitores que qualquer dos governantes das “democracias” Ocidentais. Se é a legitimidade que pretendem colocar em questão o que têm a fazer é remeter-se ao silêncio.

      Quanto a ameaças. Por favor vejam se conseguem ser honestos. É Putin que numa orgia belicista está a cercar os países da NATO e agredir indiscriminadamente outros Estados, afastando governantes que lhe são favoráveis?

      Nesse aspeto tomem vergonha com aquilo que escrevem. Têm que admitir que os EUA/EU na Ucrânia ressuscitaram o perigo nazi.

      E como dizia o cartaz de um manifestante em Lugansk “Temos que defender a vitória dos nossos país e avós”.

      E nós aqui temos igualmente o dever de não permitir que sejam branqueados os crimes do nazismo/fascismo.

    • NaoHaPachorraParaFilhosDaPuta diz:

      By the way,vai-te foder,oh capacho de drs. migueis vasconcelos,oooops!,relvas, dos gajos q gostam tanto de dinheiro qu’inté matam velhinhas.Já não tenho pachorra para filhos da puta

  7. absurdo diz:

    Um russo lúcido. A ler por portugueses alucinados.

    http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=142501

  8. Carlos Carapeto diz:

    Para recordar

  9. yaya diz:

    Não faz mal,Francisco.Estes palhaços boçais pensam quer vão comer o Putin,só q este não tem só espingardas….De fontes do leste,dizem que se o preto do abama se atrever vai ver o que é o Urso.
    E,os lacaios desta oligarquia vão-se arrepender-o mesmo é dizer ,nós,os q votam nestes lacaios do PSD/PS/CDS e partidos irmãos corruptosna europa.É que se pensam q desta vez é ainda na terra dos outros-é porque são mesmos estúpidos.

    • imbondeiro diz:

      Essa do “preto do Obama” é que não fazia cá falta… Aliás, o problema do Obama não é o de ser negro. O grande problema do Obama é o de ser tão branco na alma (?) quanto o mais branco e loiro dos WASP. Fosse ele tão “negro” quanto Martin Luther King ou Malcolm X, e a sua eleição teria significado alguma coisa para os EUA e para o Mundo. Assim, é mais do mesmo, ainda que com mais melanina, para enganar os papalvos.

  10. Pingback: Entrevista a anti-fascista preso pela Junta de Kiev. Fascistas retiram tropas da Crimeia, não querem a NATO e afundam-se em contradições. | cinco dias

  11. Pode-me explicar qual é o conflito entre os camponeses e o operariado?

    • Francisco diz:

      Isso está numa lista em que de forma muito simplificada enuncio várias clivagens existentes na Ucrânia. Uma dessas clivagens é económica-social. O oeste é mais pobre e agrário, o leste é mais rico e industrial. O leste (junto à russa) tem muita gente que ainda trabalha em fábricas e é operário. O Oeste tem muita gente que vive em pequenas aldeias e dedica-se à agricultura.
      É de esperar, embora não tenha de ser assim automaticamente, que a população mais agrária do oeste e a população mais operária do leste tenham uma mundivisão e interesses algo diferentes.

      • Isso pode ter e tem a ver com €€€ que recebem, logo estão em classes diferentes, mas vivem decerto em dificuldades, e sofrem com as mesmas políticas. Certo?!

        E obrigado.

        • Francisco diz:

          Depende… A população do leste está muito contra o acordo com a UE porque a sua industria seria arrasada com regulamentações e as suas relações estreitas com a Rússia seriam cortadas. A população do ocidente mais pobre, que emigra muito mais tem expectativas que a UE seja uma espécie de “el dorado”. Enquanto que a leste a UE é uma ameaça ao ganha pão do operariado, a oeste a UE é uma promessa de vida melhor para o campesinato…

          • De facto não aprenderam nada com o antes e depois da urss. E obrigado de novo.

          • Francisco diz:

            Podes crer, podemos fazer muitas críticas à URSS, mas as condições de vida para o cidadão comum eram muito melhores do que nos estados que lhe deram lugar…

          • Há um momento com Stalin e sem Stalin, e o sem Stalin já foi o progresso para a destruição da URSS, e isso são já os contactos cianetos a trabalhar. E por isso não concordo que aí haja muitas críticas a fazer-se.

        • absurdo diz:

          http://www.imdb.com/title/tt1422122/

          Acima o link para um excelente filme que desmonta os mitos dos bons velhos tempos…

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