Força de trabalho em Portugal, 2008-2012

“Concluiremos que há indícios para afirmar que está em curso uma
tendência no mercado laboral português, que designamos de “eugenização da força de trabalho”, em que o Estado define políticas globais que apontam para a) a redução drástica das pensões e dos direitos dos reformados; b) para o afastamento da força de trabalho menos qualificada, com mais direitos, do mercado de trabalho, para substituir por força de trabalho precária, mais formada, mais produtiva, mas que em geral ocupa ou executa tarefas abaixo da sua qualificação.
As políticas em curso sugerem que esta mudança é e continuará a ser
realizada não só de forma paulatina, recorrendo ao expediente das reformas antecipadas, mas diretamente com despedimentos massivos tanto no setor público como no privado. ”

Força de trabalho em Portugal, 2008-2012, Revista Diálogos, Diálogos (Maringá. Online), v. 17, n.3, p. 947-976, set.-dez./2013.

Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

3 respostas a Força de trabalho em Portugal, 2008-2012

  1. JgMenos diz:

    Chame-lhe eugenização ou outra coisa qualquer; o tema é produtividade e concorrência.
    Uma proposta dos sindicatos nas negociações do CCT da indústria de vestuário em 1975 era a ‘proibição de prémios de produtividade’.
    Convocados os representantes das empresas de capital estrangeiro à mesa das negociações – que empregavam largos milhares de trabalhadores – deram como resposta, ouvidos os tradutores que os acompanhavam, ‘vamos para outros lugares’. Os sindicatos desistiram.
    Nesse tempo não havia em Portugal um único lugar onde fosse formado um agente de métodos e tempos ou um simples cronometrista,
    Até hoje, não conheço um único CCT em que se regulem prémios de produção, não conheço um único sindicato que tenha técnicos capazes de intervir na formulação e validação de critérios de produtividade.
    Somos todos iguais, muito irmãos e muito idiotas – e o mundo quer pouco saber disso, e ou nos derrota nos mercados, ou nos deixa livres para viver na miséria!

  2. Cara Raquel. Gostaria de expressar a minha admiração e satisfação pelo seu excelente trabalho e pelas suas corajosas posições na desmontagem permanente dos cenários com que o poder pretende fazer passar o novo paradigma de governação. Apenas gostaria de acentuar que tal não se deve a nenhuma especificidade aqui do rectângulo, antes é caraterístico da própria política global (porque existe uma plítica global da qual a portuguesa é subsidiária). Por esse motivo, podemos constatar factos semelhantes aos que apresenta, um pouco por toda a parte, nomeadamente nos EUA, área onde as linhas de força da política citada surgem mais evidentes. Isto para acentuar que a crise e as suas sequelas que estamos a sofrer integram-se num todo mais vasto e mais abrangente, quero dizer, são de facto planeadas e construídas pelas elites financeiras que governam o globo, fazem parte de planos de mais longo alcance e integram outras medidas de que não se fala habitualmente como, por exemplo os tratados internacionais TPP e TAFTA que, quando aprovados, abrirão uma nova era de muito mais vasta submissão dos interesses públicos aos privados. Concerteza que compreendo que a sua especialidade é o estudo das relações laborais portuguesas, mas parece-me difícil entendê-las nos seus fundamentos sem as integrarmos nos contextos internacionais de que fazem parte. Espero que me desculpe o atrevimento, mas considero-o apenas uma sugestão no sentido de valorizar o seu óptimo trabalho.
    Abraço
    Zé Manel

  3. Carlos Gois diz:

    Gabo-lhe a paciência Raquel Varela, só isto.
    Mas continue, por favor. Não se pode desistir.
    Cumprimentos

Os comentários estão fechados.