Insurreição na Bósnia-Herzegovina, revisitando a “questão nacional” e a discussão em torno da União Europeia

Recentemente, foi aqui discutida a “questão nacional” e a postura a adoptar face à União Europeia e ao euro (sendo o ponto de partida para a análise o referendo sobre a independência da Escócia que terá lugar em Setembro).

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Os motins e amplos protestos em curso na Bósnia e na Ucrânia reforçam as “teses” que expus nesse texto. Uma delas é que a UE, longe de ser um qualquer escudo contra a ameaça fascista, é na verdade a geradora dessa mesma ameaça e, inclusive, chega a ser aliada no terreno de movimentos neo-nazis (aqui, aqui ou aqui).

De naturezas bem diferentes, os protestos na Ucrânia, na Bósnia e na Turquia (tal como no Brasil a onda de protestos do ano passado não se extinguiu) dão a imagem de uma Europa com as periferias em chamas. Este é um sinal de que a expansão geográfica da UE atingiu os seus limites. Quanto aos limites políticos, esses serão ser bem visíveis nas próximas eleições europeias . No plano social, o referendo na Suiça e os movimentos de contestação que irrompem em vários países (da Grécia à Alemanha) dão sinal do profundo mal estar. Até no plano jurídico surgem complicações com o Tribunal Constitucional Alemão. Ao contrário do que afirma a propaganda do regime, a crise da União Europeia irá intensificar-se em 2014. É que a crise não é só económica e financeira, é também politica, social e geo-política, sendo que essas várias componentes se reforçam mutuamente.

Sobre o que se está a passar na Bósnia mais informação e análise pode ser encontrada nos textos abaixo:

Bosnia on fire: a rebellion on Europe’s periphery

Bosnia-Hercegovina: Revolt puts class struggle back on the agenda

Bosnia And Herzegovina: “Against The Economic Model That Favors The Rich”

Bosnia privatization protests reach other cities

Algumas exigências na #Bósnia e #Herzegovina:

– Revisão das privatizações
– Devolver a propriedade roubada ao povo
– Sistema de saúde universal
– Que os salários dos políticos não possa ser mais que duas vezes o salário médio (200€)
– Revogação do sistema de distritos étnicos
– Demissão em massa dos governantes

(daqui)

BosniaFogo

P.S. – É um exercício interessante comparar a foto acima dos recentes protestos na Bósnia, com este projecto artístico.

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3 respostas a Insurreição na Bósnia-Herzegovina, revisitando a “questão nacional” e a discussão em torno da União Europeia

  1. Carlos Carapeto diz:

    A farsa democrática que os dirigentes do capitalismo se têm escudado até aqui, desfez-se completamente de vez com os acontecimentos na Ucrânia.

    Não só prestaram todo o tipo de apoio (financeiro, logistico, treino na preparação de actos de violencia etc. ) a forças declaradamente neozis como ainda foram ao local encorajá-los.

    No entanto esta situação não é nova, e nós também temos muita responsabilidade no evoluir desta situação, na medida em que temos assistido silenciosos ao ressurgimente de movimentos (e governos) neonazis noutros países, em particular nas Republicas Bálticas.

    São desfiles e paradas de veteranos das SS Waffen com a participação de membros dos respetivos governos.

    São a reabilitação e condecorações a antigos colaboradores militares das SS.

    É a autorização e o apoio por parte dos governantes desses países à formação de Associações de antigos combatentes que lutram ao lado das hostes nazis.

    São funerais de Estado realizados em honra dos mesmos integrantes do exercito de ocupação nazi.

    Como aconteceu no dia 2 de Janeiro na Estónia no funeral de Harald Nugeseks. (durante a II Guerra Mundial Nugeseks alistou-se como voluntário 20ª Divisão das SS. Em 1944 foi galardoado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro , a máxima condecoração da Alemanha nazi, “por os méritos de combate contra o exercito Vermelho” só 43 estrangeiros que lutaram ao lado dos nazis receberam esta condecoração).

    E o que têm feito aqueles que tinham o dever de denunciar o alastrar perigoso desta situação? Nada!

    Qual tem sido a atitude dos dirigentes Europeus? Convivem serenamente com os promotores dessa ideologia!

    Tal como advertiu Brecht “o ventre que concebeu o nazismo ainda continua fértil”.

    Daniel Estulin publicou (traduzido da Executive Intelligence Review EIR ) um artigo que
    que espelha a situação na Ucrânia e quais os interesses que ali estão em jogo.

    http://www.danielestulin.com/2014/02/11/potencias-occidentales-respaldan-golpe-neonazi-en-ucrania/#more-7665

    Perante os perigos que espreitam chegou o momento decisivo de pôr cobro às meias palavras.

    Ou se está de um lado ou se está do outro. Acabaram os meios termos.

  2. Carlos Carapeto diz:

    Os fossários de direita que por aqui costumam pontuar nem tugem, nem mugem acerca da situação que o capitalismo está a criar na Ucrânia.

    Eles têm a consciência que os dirigentes da U E e dos EUA ao aliarem-se a forças remanescentes do nazi fascismo na Ucrânia perderam toda a legitimidade moral de se autorgarem donos da liberdade e da dempocracia.

    Tem que se dar a pancada onde mais lhes doi.

  3. Pingback: Crise na Ucrânia. Nada é mais importante que esmagar a ameaça Nazi-fascista. | cinco dias

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