‘o que é pessoal é político’

Em dez anos, a aceitação do casamento homossexual por parte do povo estado-unidense passou de entre 15% a 20% para entre 50% a 60%. Uma transformação brutal; porquê? Indicam os inquéritos “porque conheci alguém LG ou B”. Já Harvey Milk, no seu famoso discurso em Washington, dizia que estava ali para recrutar aquele público: “saiam do armário para os vossos pais e mães, para os vossos colegas de trabalho, para xs vossxs amigxs, se de facto o são”.
É possível que tenhamos um referendo pela frente; e não vamos baixar os braços.

Ontem deparei-me com (mais) um comentário homofóbico, desta vez por parte de uma familiar. Fica a resposta.

“A tia provavelmente não sabe, mas eu não sou heterossexual. Gay, paneleiro, queer, já me classificaram de muitas formas. Eu só sei que me posso apaixonar por homens, e que um dos meus sonhos é ter filhos. Agora eu gostava de saber que autoridade é que a tia julga que tem para decidir se eu sou ou não uma pessoa com direito a educar e amar uma criança! Quero que a tia pense nos casais heterossexuais que conheceu e que me diga se acha sinceramente que haver uma vagina e um pénis envolvidos no processo foi de alguma utilidade para a criança. Quero que a tia me diga que acredita mesmo que aquilo que é importante para uma criança vem agarrado aos genitais. Quero que a tia me diga sinceramente que não conhece pessoas que tiveram crianças e as educaram sozinhas, sem pareceirx, e que as crianças cresceram e estiveram bem. Quero que me diga que não conhece casais em que o pai é mais “mãe”, ou que a mãe é mais “pai”, e que ainda acha realmente que as funções parentais, também essas, vêm agarradas à genitália.
Acima de tudo quero deixar uma coisa muito clara: qualquer pessoa que, indo este referendo para a frente, vote ‘não’ está a dar-se ao direito de me impedir de ter filhxs, de me impedir, em parte, de ser feliz. E por isso fica explícita uma consequência clara: a qualquer pessoa que vote ‘não’ neste plausível referendo eu não tenciono dirigir mais a palavra. Não é coacção, é que simplesmente não tenho interesse em relacionar-me com pessoas que não têm o mínimo respeito por mim.
Agora faça-nos um favor, a mim, a si, e a uma multidão de gente que não é de segunda e de crianças que precisam de carinho: pense nisto. E depois diga-me o que decidiu.
Desejos de que fique bem.

PS: Se calhar é melhor avisar também a avó.”

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias com as etiquetas , , . ligação permanente.

46 respostas a ‘o que é pessoal é político’

  1. Quinta coluna diz:

    cumpre-me informá-lo que foi com o uso de um pénis e de uma vagina que sua Excia. teve origem, contra todas as leis do progresso.

    Subscrevo-me,
    Um obscurantista medievo.

    • De diz:

      Algum desnorte cabe entre a rapaziada bovina da JSD que bovinamente cumpriram as ordens dos seus amos e senhores.
      Salta o “quinta coluna” lá do quintal mal afamado que frequenta.
      Agora quer a biologia em confronto com aquilo que classifica como “leis do progresso”, o que atesta bem que a manada está um pouco desesperada.

      O espectáculo triste dado na assembleia da república é só mais um a juntar a outros que a canalha teima em patentear.
      Agora até vozes saídas da própria manada interrogam a comédia vil a que assistimos.
      É assim pois natural que saídos lá do fundo do quintal, uma quinta qualquer (“coluna” assume-se ela) brame e queira invocar o pénis do seu papá e a vagina da sua mamã como argumentário para a subscrição pública dos seus chefes.
      A denúncia do que sucedeu não cabe nos órgãos sexuais dos progenitores da quinta coluna.
      Sorry.
      Ele/ela que fique abraçado/a a ambos e lhes faça aquilo que ache por bem fazer.

    • alice tentilhao diz:

      mais um anónimo com a mania que é inteligente…..

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Já pensou que uma solução para esse seu problema podia ser induzir um dos seus espermatozóides a encontrar o óvulo de uma fêmea da sua espécie? A criança que daí resultasse seria sua filha, para amar e criar como bem entendesse. Ou será que a sua opção sexual o impede de considerar a via que milhares de milhões de anos de evolução nos proporcionam? Veja que a procriação não tem de estar associada a nenhum afecto pelo(a) parceiro(a) sexual. E estou certo que conhece mulheres com quem gosta de conviver e que seriam óptimas mães para o seu filho. Porquê complicar as coisas e insistir no processo adoptivo que envolve crianças que talvez prefiram um outro futuro? Uma criança não é um animal de estimação e merece ter o direito de optar. Optar, por exemplo, por ter um pai e uma mãe. Por isso não misture alhos com bogalhos. Ninguém o impede de ter filhos e só não os tem se não quiser ou for infértil. E, para esclarecer, não tenho qualquer crítica a fazer às opções sexuais de quem quer que seja. Mas como sou pai – biológico e adoptivo – vejo as crianças com outros olhos.

    • João Fraga diz:

      Eu como pai, sinto-me enojado com o seu comentário! Então a concepção de uma criança, sem afecto, e a criação de uma criança por pai e mãe que não se amam, que nem sequer estão juntos, e que nem sequer têm a mesma orientação sexual será mais vantajosa para a criança do que ter 2 pais ou 2 mães? É isso que você sustenta? Se é com esses “outros olhos” que olha para as crianças, faça-lhes um favor, e imite o Édipo! Obrigado

    • alice tentilhao diz:

      As crianças precisam, como futuro, ser amadas. Quantas crianças vivem com casais disfuncionais (onde se bate e se briga constantemente…..)? Que opções tiveram? E as crianças que vivem já com 2 pais ou 2 mães, no caso de morte do progenitor, não podem optar por viver com o outro? e as que vivem em famílias monoparentais porque um dos progenitores “deu à sola”? Que opção tiveram?
      Tudo isto existe.. mas a preocupação só vem quando se fala da adopção por casais homossexuais……..
      Ser pai não lhe dá o direito a falar em nome das crianças. Nem dos seus próprios filhos. Se ainda não o percebeu, talvez o perceba em breve. E se um dos seus filhos for homossexual? A sua opinião será a mesma?
      E quanto a reduzir a educação de uma criança a um mero ato sexual…. nem comento. espero que com os seus filhos não tenha sido só isso… em nome de um crescimento harmonioso ……
      Fica-me a curiosidade de saber com que olhos vê as crianças…..

    • NT diz:

      O assunto em questão é a co-adopção. A criança já tem um “guardião”, não tem é enquadramento legal que reconheça a sua estrutura familiar.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        O pai ou mãe de uma criança menor pode nomear um tutor para essa criança, no caso de óbito do progenitor. Não é preciso a coadopção para nada. Podem dizer-me: “E se a pessoa se “esquecer” de nomear um tutor?” E eu respondo: “E se uma pessoa se “esquecer” de fazer o seguro do seu carro?” É que contra a estupidez não há lei que nos valha…

      • De diz:

        “Contra a estupidez”?
        Como é possível alguém com um mínimo de escolaridade ou de senso dizer tal barbaridade?

        Uma questão de estupidez é o que se resume a iniciativa legislativa que, por não ser do agrado de Cardoso da Silva é, assim classificada.

        No seu melhor Cardoso da Silva.

        “O projecto de lei que visa consagrar a possibilidade de co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo. Trata-se afinal de fazer corresponder a uma relação afectiva e familiar real, e consistente a sua consagração jurídica plena, correspondendo aos anseios de muitas famílias que, estando nesta situação, temem pelas consequências de uma qualquer situação de infortúnio daquele que já tem responsabilidades parentais sobre a criança. Trata-se, como justamente afirma o preâmbulo deste projecto, de “prevenir um colapso injusto, emocionalmente irreparável e insustentável do ponto de vista do superior interesse da criança.”.

        O projecto formula correctamente os parâmetros desta co-adoção, designadamente quanto à sua irrevogabilidade e à condição de inexistência de um segundo vínculo de filiação.”

        Para Cardoso da Silva é tudo uma questão de estupidez.
        A pedantice e o vazio argumentativo elevado à sua verdadeira potência.

        E não,não classifiquemos de “estupidez” tal demonstração cívica de tal personagem queiroziano.

  3. Pingback: Eu quero ter o “direito” a ser louro e a ter olhos azuis | perspectivas

  4. És um paneleiro de merda.

    • João Fraga diz:

      Isto quando se trata com gente inteligente, é um luxo! Tens a classe de um bidé numa sala de estar e a densidade argumentativa de um macaco bêbado!

    • alice tentilhao diz:

      e você, com tão brilhante argumentação, é mais um dos que anda por aí com a sua homossexulalidade muito mal assumida. … e anónimo, como convém

    • pfjo diz:

      Mas Anti-Fanchonas, está absoluamente certo. Aliás, era precisamente esse o tópico da publicação. 🙂

  5. JgMenos diz:

    Não conheço o seu problema nem me parece que se possa conhecer sem o viver.Acho que do mesmo modo não posso conhecer a vida de um cego ou de um paraplégico.
    Mas acredito que teve uma mãe e um pai, e pelo que me diz isso apresenta-se-lhe como algo de que esse filho que ambiciona pode prescindir. Isso é que precisa de explicar, não os seus desejos!

    • De diz:

      O desnorte continua entre a bufaria dos menores.
      Problema?
      Desejos?
      Menos não diga asneiras. Vossemecê passa aqui os dias a namorar o cadáver do salazar e a exprimir os seus múltiplos desejos pelo dito.
      Agora quer explicar o seu problema enquanto tenta esconder os seus desejos?
      Olhe que se tentar sempre pode prescindir dos ditos cujos.
      🙂

      • JgMenos diz:

        Não percebi!
        Afinal qual é o problema?
        Ou pelo menos qual é o responso que se aplica ao caso?

        • De diz:

          Não percebeu ?
          Hum.
          O desnorte contínua talvez mais acentuado pelo facto do verme do boss hoje ter tdio uma recepção adequada em Coimbra
          Porque o desnorte menor tem destas coisas.Por vezes torna-se em maior. E teima em explicar os seus problemas em jeito de responso(?) ,enquanto tenta que lhe escondam os desejos.

          Por exemplo onde estaria a consciência de Menos,quando as tropas coloniais (de que ele era um veemente defensor) massacravam populações e deixavam as crianças sem mãe e sem pai?
          “Prescinda-se” diria no seu peculiar jeito histriónico
          E depois iria comungar de olhos postos em alvo, qual hipócrita beato a cheirar a naftalina

          • JgMenos diz:

            Não me fales da guerra colonial!!!!
            Ainda não recuperei do horror da conquista de Lisboa! E afinal para quê?
            Para a ver povoada de ímpios …(segue-se o sermão de Stº António aos peixes).

          • De diz:

            Outra forma de Menos disfarçar o “prescinda-se”.
            Enquanto foge ( mais uma vez) perante o desmascarar de um xenófobo machista cobarde, escondido atrás de quotas como justificação para a sua raiva ao princípio constitucional da igualdade

    • alice tentilhao diz:

      pois é JgMenos ( mais um anónimo) um pouco mais de cultura convinha-lhe. Se se quiser dar ao trabalho vá ler a Constituição da República Portuguesa ( o artigo 13º caia-lhe a matar). Ou então, se não se quiser dar ao trabalho, que tal uns comprimidinhos para acalmar….. E não reduza assuntos sérios a problemas pessoais…..

      • JgMenos diz:

        Está a falar daquele artigo que permite que haja quotas para as tentilhonas porque as coitadinhas não são bem iguais e precisam de ser ajudadas?
        E não me venha com a história da compensaçpão da maternidade que isso é treta que qualquer gay pode desempnhar, segundo as últimas notícias!

        • De diz:

          Ora bem
          Eis o mister dum bafiento crápula.

          O que diz o artigo 13 da Constituição da República Portuguesa:
          Artigo 13.º
          Princípio da igualdade

          1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

          2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

          Como o interpreta este miserável?
          Como um artigo que permite que “haja quotas para as tentilhonas”.

          Numa única frase Menos mostra ao que vem e o que é.
          Quem são as tentilhonas que menos cita? A quem se referirá neste babar nojento de racista germanófilo?
          Quotas?
          Qual porco chauvinista Menos revela de uma assentada os seus problemas.E mostra à evidência os seus desejos

          De facto a mãe desta coisa não merece que se lhe chame tentilhona.Deixa-se esse “trabalho” para o crápula do filho

        • alice tentilhao diz:

          pois… como vê a sua ignorância é grande…. para além de homofóbico é machista…. para mim virou sub humano. fim de papo

          • JgMenos diz:

            Oh! Tentilhona!
            Como me podes chamar de machista se a minha ambição é que sejamos tão iguais que não tenhas quotas só por causa daquela coisa de os sexos serem diferentes?
            Como se fosses indigente mental por natureza e não incidentalmente!

          • De diz:

            Indigente mental por natureza será concerteza Menos
            Mas mais alguma coisa com aquele bolsar contra o preceito constitucional.
            Um racista machista dá nisto.Veja-se como ele perante o texto constitucional reage da forma como reage.
            Preferiria que rezasse no documento a possibilidade de discriminação de acordo com a raça,sexo ou religião.

            Depois volta-se para as “quotas” naquela forma manhosa tão habitual nos treteiros (como é de seu hábito dizer) ,para ver se passa enquanto reza as ladainhas de sempre( agora está um pouco fora de si, porque um bispo disse que coisas como estas não deveriam comungar
            🙂

            Agora ide…mas por favor não insulte a sua maezinha, que isso faz lembrar os franquistas em Espanha que denunciavam a própria mãe aos verdugos, quando esta não compartilhava a sua odienta ideologia

          • De diz:

            Mas sublinhe-se uma coisa:
            A cobardia de Menos.
            Perante um texto límpido, eis como ele encontra no dito as”quotas” para justificar o seu bolsar.Este era o mesmo que louvava, apadrinhava,repetia, vomitava de tão venerada a Constituição fascista.
            Adivinha-se, ainda escondido ,o levantar da mão na saudação típica.Aguarda apenas a oportunidade para o fazer às claras

          • Inês Oliveira diz:

            JgMenos faça um favor à sociedade e mate-se porque de pessoas, pessoa não, molusco como você o mundo está cheio, o inferno também. Em suma, o senhor não faz rigorosamente cá falta nenhuma.

  6. Rafael Ortega diz:

    e falou com a sua tia com tantos x pelo meio?

    será que ela percebeu ou achou que está a ficar sopinha de massa?

  7. Mário diz:

    “Quero que a tia me diga que acredita mesmo que aquilo que é importante para uma criança vem agarrado aos genitais”

    Não vem agarrado aos genitais, mas ao crânio mais acima. A influencia de um homem e de uma mulher é importantíssimo para o desenvolvimento de uma criança. Ignorar isto ou fingir que se ignora é ser-se burro ou fingir que se é.

    Dito isto, eu voto a favor porque prefiro uma criança com dois homossexuais do que num lar sem qualquer amor, carinho e conforto.

    E dito isto, o referendo é rídiculo. O país tem mil um problemas mais importantes para tratar. Acredito que este problema seja importante para si mas não o é para a maioria dos portugueses.

    Mário

    • Inês Oliveira diz:

      O referendo é uma inconstitucionalidade. Estão a privar as pessoas dos seus direitos constitucionais. Ninguém é autoridade suficiente para me impedir de ser feliz e de viver numa sociedade justa.

  8. alice tentilhao diz:

    O Mário diz que “a influência de um homem e de uma mulher é importantíssima para o desenvolvimento de uma criança”. Mas as crianças vivem em sociedade onde há homens e mulheres por todo o lado…. Então e as famílias monoparentais? Serão todas problemáticas porque só têm em casa um pai ou uma mâe? Trabalho com jovens há 39 anos e não distingo os que têm em casa um pai ou só uma mãe ou dois pais ou duas mâes ou pai e mãe… Têm de mo dizer… E garanto-lhe Mário que existem vários modelos de família. O problema em causa não é autorizar diferentes tipos de família, mas sim dar-lhe iguais direitos perante a lei. Isto sim, é proteger as crianças. E não me faz sentido referendar uma situação em que se trata de dar direitos a minorias……

    Como me parece uma pessoa de bem (que não está aqui para se divertir) sugiro-lhe que veja o testemunho do médico psiquiatra Mário Cordeiro em:

    e que fala dos estudos científicos que têm sido feitos. Inclusivamente com famílias de casais homossexuais ao longo de muitos anos (estudos longitudinais)…. porque como digo, estas famílias já existem há muito tempo. Trata-se tão só de estas crianças serem ou não protegidas pela lei.

    Tenha um dia bom

  9. rui diz:

    Amor é a única resposta!

  10. M. diz:

    Toda esta «malta» que é contra a co-adopção e adopção de crianças por casais do mesmo sexo, nunca leram nem viveram uma linha sobre a sexualidade (devem dormir com bonecos e bonecas de plástico ao mesmo tempo – uns «gandas» bacanais «nojentos» e «amorais»!!!).
    Dormir na mesma cama com essa «malta» é que nunca!!!

  11. M. diz:

    Há quem já tenha dado «respostas» aos preconceitos sobre a Homossexualidade que me parecem estar na base destas «questões»:

    (1) J. Krishnamurti sobre Homossexualidade:

    (2) Sobre J. Krishnamurti:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti

Os comentários estão fechados.