A Troika não erra, Keynes sim

A Troika erra nas previsões não porque são estúpidos ou malvados, como tantos escrevem. Mas porque o custo unitário do trabalho (entenda-se massa salarial) caiu como nunca e mesmo assim a taxa média de lucro na produção contínua pífia. Se lessem Marx em vez de Stiglitz já tinham compreendido porquê e deixariam de andar espantados com este facto «incrível» de não ser possível produzir dinheiro sem limites!

Não vivemos uma «era financeira» nem temos uma economia paralisada no sector produtivo. Não temos, como diz o PCP e o BE, um país esmagado pela dívida pública – há um sector importante do país que vive dessa renda (dívida pública) e outro sector do país – o da «burguesia nacional», que vive feliz à sombra das exportações feitas com baixos salários. Produzimos muito, temos na indústria a mesma população activa de há 40 anos atrás, sensivelmente, e exporta-se como nunca. E mesmo assim a taxa média de lucro não sobe e por isso a Troika e o Governo baixam ainda mais o “custo” unitário do trabalho, desempregando ainda mais pessoas, prolongando ainda mais o horário de trabalho, cortando ainda mais nos salários. E no entanto a valorização da propriedade (títulos de empresas produtivas!) é limitadíssima, e as bolsas oscilam entre o negativo e mínimo.

Estamos em cima de um vulcão e os programas de esquerda que surgem – perdoem-me, os da velha, da nova, da do meio e da do lado -, são uma espécie de linha Maginot. Uma linha de fortificações francesas construídas depois da I Guerra sobretudo para evitar uma invasão alemã. Sabem os caros leitores que foi totalmente inútil, tendo as tropas alemãs invadido a França como um passeio suave no campo. Uma das razões porque a  linha falhou foi porque uma parte dos franceses estava comprometida com aquela política expansionista e nazi – o que é Vichy? Mas a outra razão porque falhou, a mais importante porventura, deve-se ao facto dos empresários alemães estarem dispostos a tudo, incluindo erguer a mais tenebrosa máquina de guerra de sempre, o nazismo, para conservar a sua propriedade. Não seriam derrotados com castelos, nem os de pedra nem os «castelos no ar» das políticas apaziguadoras de acordos de boas intenções, como aqueles que levou Estaline a fazer um Pacto criminoso com a Alemanha Hitleriana.

A derrota da revolução alemã, em banho Maria durante uma década de políticas keynesianas, até 1929, não evitou o nazismo. O nazismo só existiu porque a revolução alemã foi derrotada.

Por isso, quando vejo estes programas dos partidos de esquerda em Portugal com “renegociação da dívida”, “eurobonds”, “produção nacional”, e sobretudo muitas esperanças eleitorais que afastam as pessoas da democracia directa (controlo da produção) e canalizam a sua ansiedade para jogos de poder e comunicação de 4 em 4 anos, até tremo. Se o conjunto dos trabalhadores portugueses – manuais, intelectuais, formados ou não, no activo e reformados – não arranjarem coragem para romper com este modelo de acumulação, podem fechar os olhos durante uma geração, porque isto vai ser um país de feios, porcos e maus. Como todos os lugares onde a luta pela sobrevivência se instala.

A Troika não erra, mas Keynes errou. A política keynesiana que inverteu a crise de 1929 chama-se economia-estatal-a intervir-ao-máximo – guerra. Foi em 1941 – os manuais escolares de História (em geral acho-os bons) sobre isto mentem – , que os EUA voltaram à taxa de desemprego de 1929. O que é natural: tinham transformado os desempregados em soldados…

De tantas palavras a reconstruir no nosso significado a mais importante contínua a ser Revolução – retirá-la da bagagem de quem construiu o horror estalinista, devolver-lhe o sentido de utopia de solidariedade.

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32 respostas a A Troika não erra, Keynes sim

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Raquel,
    Construir uma revolução sobre uma utopia seria uma ilusão que garantiria o descalabro de tudo o que se quisesse fazer. Uma revolução – no sentido de uma ruptura com a ordem existente – terá de ser profundamente realista. Terá de ser radical nos valores e nos princípios, e muito flexível nas políticas. O que, obviamente, não pode significar qualquer compromisso com esses valores e princípios, mas apenas muita flexibilidade e imaginação na maneira de os pôr em prática. Por isso é que me arrepio quando oiço referências a Marx, a Engels, a Lenine, a Trotsky ou a Rosa Luxemburgo, como se as suas reflexões fossem receitas, e não apenas reflexões críticas sobre o capitalismo. As reflexões críticas de Marx ao capitalismo interessam-me muito, as suas alternativas ao capitalismo interessam-me muito pouco…

    • Carlos Carapeto diz:

      NCS acredita que se consegue fazer uma revolução sem mobilizar o povo, as massas?

      Diga quem tem hoje aqui na Europa e na atual conjuntura capacidade de fazer um levantamento popular?

      Foi talvez esse o erro de Rosa Luxemburgo, quiz fazer a revolução “sozinha”.

      A utopia é isso mesmo. Pensar-se que as revoluções aparecem numa esplendorosa manhã de primavera sem nada ter-mos feito para tal.

      António Gonçalves Correia (que conheci e muito admiro) também era um Anarquista sonhador, só que teve a coragem mais que uma vez transformar os sonhos em realidades.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Já não sei quantas são as vezes que leio que o poder não se conquista em eleições mas na rua. E para isso seria obviamente necessário um movimento de massas onde a acção substituisse a reflexão, ficando esta reservada para uma qualquer auto-proclamada vanguarda…

        Mas eu acho que o poder tem de se conquistar eleitoralmente, a não ser que se ache que qualquer construção terá de passar por uma destruição total do que existe. Não é que o que existe seja muito aproveitável, mas convém evitar deitar a criança pela janela, juntamente com a água do banho…

        Por isso a revolução que interessa, em primeiro lugar, é a revolução dos espíritos, para que a maioria das pessoas perceba porque se está mal e como se poderia estar melhor. Feita essa revolução nas ideias já se pode mudar por via eleitoral o que está mal. Só quem está convencido que o povo é irremediavelmente burro e nunca será capaz de fazer escolhas adequadas é que recusa a via eleitoral. Ou então quem acha que o povo será sempre enganado, o que é a mesma coisa dito de outra maneira. Pois eu acho que o povo pode fazer escolhas adequadas e que conduzam a alterações radicais na maneira como nos organizamos económica e politicamente. Mas isso obriga-nos a fazer propostas convincentes, coisa em que a esquerda não tem sido muito eficaz. E porque não somos convincentes – e não porque o povo é burro – o povo não vota em nós e nas nossas propostas da maneira que seria necessária para conquistar o poder e obter o mandato para alterar o que tem de ser alterado. Quando reclamamos a revolução na rua estamos no fundo a reconhecer a nossa incompetência para convencer o povo da bondade das nossas propostas.

        Assim, eu prefiro esforçar-me por construir uma alternativa credível e aliciante e arriscar-me a ir a votos, do que reclamar pela força o que não consigo obter pela razão… É que eu nunca gostei de obrigar ninguém a fazer fosse o que fosse, mesmo quando se trata de fazer o bem…

  2. Bom texto.
    Só fiquei confuso com o facto da burguesia andar toda contente pese à baixa taxa média de lucro. Agradeço de antemão quaisquer esclarecimentos.
    Abraço

    • Raquel Varela diz:

      É verdade, anda contente com os salários baixos não anda contente que mesmo assim as taxas de lucro são baixas.

  3. Policarpo Nóbrega diz:

    Ok Raquel, mas onde está a solução? Não basta dizer revolução e muito menos criticar sem apontar soluções concretas.

  4. Joao Pereira diz:

    O que é isso da democracia directa que não consigo perceber? É ter 10 gatos pingados no Rossio a votar de mão no ar em nome de 9 milhões? ou ter 9 milhões reunidos mensalmente em assembleia a votar de mão no ar? Ajude-me, que honestamente vi e revi os videos das acampadas e não consigo perceber o alcance.

  5. P. diz:

    http://www.rtp.pt/programa/tv/p30667

    Gostava de ler um comentário seu (estou a escrever a sério) a este ‘documentário’ que ontem passou na RTP, da autoria da ‘brilhante’ Fátima Campos Ferreira. Era importante que alguém o fizesse, aquilo é uma nódoa.

  6. Alfredo Barroso diz:

    Ó Raquel, o seu texto é muito interessante, mas olhe que, na realidade dos factos, a «linha Maginot» falhou porque era uma defesa estática, característica da guerra de trincheiras, e os alemães contornaram-na, com flexibilidade e rapidez («blitzkrieg») através da ofensiva das Ardenas. Em França, só De Gaulle compreendeu, com antecedência, o erro estratégico e conceptual implícito na construção da linhe Maginot, defendendo a guerra de movimento.

    • Raquel Varela diz:

      Caro Alfredo, não concordo. Claro que militarmente estava frágil a norte, na Bélgica, mas uma guerra e um país não se invadem só nem principalmente com tanques. A França foi socialmente derrotada com a Espanha em 36 com a política de frente popular, ou seja, as políticas social democratas que só funcionam enquanto não há crise. Cump.

  7. José Luís Moreira dos Santos diz:

    Raquel, a estima intelectual que lhe devoto não me permite, nunca permitirá, que eu cale a angustia que me causam as suas reações políticas, que não cientificas, repito, pois mais uma vez lhe peço: quando falar em revolução, por mil favores, NUNCA SE ESQUEÇA DE INVOCAR CIRCUNSTÂNCIAS NEM O LADO OPOSTO AO PRETENDIDO: A CONTRA-REVOLUÇÃO,por ora tão internacional como local, depois sim, vamos a palpites, joguemos a imaginação para cima de todas as folhas de papel em branco.Até para tentarmos perceber como é que, sendo tantos os revolucionários em Portugal, 85% dos votantes escolhem a direita multicolor para os governar? Sim, porque quando Cunhal falava de uma maioria de esquerda, sabia que estava a mangar a respeito.
    José Luís Moreira dos Santos

  8. Carlos Machado diz:

    “democracia directa (controlo da produção)” parece-me ser de traduzir por (re)nacionalização dos principais, i.e. monopolizados, meios de produção, incluindo a grande finança. Feliz ou infelizmente parece ser para aqui que o actual sistema capitalista nos está objectivamente a empurrar.

  9. António Freixo diz:

    “Produzimos muito, temos na indústria a mesma população activa de há 40 anos atrás, sensivelmente, e exporta-se como nunca.” Onde posso encontrar estes dados comparativos?

    Esta frase omite de forma clara a quebra da produção industrial em Portugal ( omite o facto essencial para a luta dos trabalhadores de a produção ser agora muito mais dispersa e não existirem grandes concentrações de operários na mesma unidade de produção ) e continua a propaganda do capital sobre o aumento das exportações (leiam por favor o estudo do Eugénio Rosa sobre o que são estas exportações sff).

    Suscito esta questão, uma vez que é referida esta premissa sem qualquer referência a dados objectivos. Nem percebo porque se compara a produção com o tempo do fascismo, que apenas concetrou e pouco desenvolveu.

    Do que conheço anda longe da verdade porque a produção industrial está em queda há muito tempo, e mais importante que tudo, as grandes concentrações de trabalhadores operários foram à vida. Bem, falo do que sei na zona industrial Lisboa norte, eixo da linha de comboio, sacavém-azambuja está “tudo” destruído. Se tiver dados objectivos gostava de saber onde os posso encontrar.

    “Não temos, como diz o PCP e o BE, um país esmagado pela dívida pública”… esta frase é falsa (não vale a pena fazer rodriguinhos), em primeiro porque omite que esses partidos afirmam que houve divida privada assumida como publica procurando mistificar esta posição. A segunda é que a divida publica esmaga de facto o orçamento de estado (isso é claro – basta ver os valores da rubrica de pagamento de juros e amortização da dívida que são superiores às verbas destinas ao SNS – omitir este facto é escandaloso) e daí a necessidade de cortar a parte ilegítima da divida e renegociar a restante (que é o que, pelo menos sei que o PCP defende).

    O aumento da produção nacional, em especial industrial, é a única forma de equilibrar a balança comercial portuguesa. O sentido inverso é o do Governo, diminuir o consumo privado através do empobrecimento logo reduzindo as importações, e aumentar a competitividade das exportações à custa dos baixos salários. O texto parece defender esta segunda posição ao valorizar as exportações em vez do investimento na produção nacional. Por exemplo a soberania alimentar resolve-se como?Sem aumento da produção nacional?! Não percebo sinceramente.

    Assumindo que a autora é de esquerda é um pouco incompreensível que não refira estas questões e se limite a replicar argumentário do capital que depois critica mais à frente. Ou seja, analisa a realidade com uma perspectiva burguesa mas critica as suas consequências, apontando como solução o controlo operário (que também defendo).

    Ou seja, advoga o controlo operário das empresas ao mesmo tempo que branqueia a destruição do aparelho produtivo? Omite que o aumento das exportações não se traduz, dados os produtos em questão, em aumento do emprego?

    Omite de forma clara no texto que os grandes grupos económicos aumentaram os seus lucros em 2013 à custa do empobrecimento geral, camuflando a coisa com “taxa média de lucro na produção contínua pífia” quando a concentração de riqueza no nosso país é cada vez mais elevada, como se Portugal fosse um país de elevada produção industrial, e não um país que está a ser condenado ao sector terciário da economia?

    Confunde a análise marxista da diminuição tendencial da taxa de lucro com um desespero burguês? Bem o Belmiro, os Soares dos Santos, os Melos estão desesperados de certeza, ao verem as suas fortunas aumentar de ano para ano. Veja, por essa razão é que abandonaram a produção industrial e se concentraram nos serviços, porque assim continuam a ter rendas garantidas (com margem finita de crescimento é claro, ainda longe de ser alcançada).

    Sobre o facto de achar os manuais escolares bons, refere-se a que anos? Li há pouco tempo o do 9º ano de história e aquilo só pode ser bom para quem por um lado odeia a resistência comunista ao fascismo e tem um ligeirinho sopro de orgulho sobre o que foram esses tempos. Sou sincero, para mim os manuais escolares (pelo menos do 9ºano) são revisionismo puro da burguesia. Claro que batem na URSS, o que pelo vistos parece ultrapassar o facto de omitirem o que foi de facto o fascismo, valorizar o papel de Mário Soares entre outra escumalha. Sinceramente, não compreendo como pode alguém que apresenta uma postura radical perante o sistema capitalista dizer uma coisa destas, com esta leviendade.

    Parece-me um texto que precisa de enormes clarificações, nomedamente comprovando com dados objectivos as premissas que invoca e que prefere infelizmente na minha opinião perder-se em falsos argumentos para bater no PCP e no BE, replicando ideias dominantes que conduzem a falsas soluções.

    Só o controlo operário que parece ser o elemento decisivo do texto na construção da alternativa, sou um grande defensor. Mas considero que defender tal controlo, sem defender o aumento da produção mais do que contraditório, é defender algo que não se quer ver concretizado.

    PS: Não conheço as políticas de publicação de comentários, se houver alguma questão que não esteja de acordo… pedia que me informasse porque gostava de ver o meu comentário publicado.

  10. Discordando de algumas das teses avançadas pela Raquel (por exemplo, a política económica de inspiração keynesiana não tem que ser militarista – Keynes era mesmo contra!!!…) confesso que não percebi mesmo foi esta:
    «A derrota da revolução alemã, em banho Maria durante uma década de políticas keynesianas, até 1929, não evitou o nazismo.».
    Keynes criticou vivamente a politica de indemnizações imposta à Alemanha em 1918/1919 (as quais – segundo o próprio, se bem me lembro) iriam lançar a Alemanha na senda do rearmamento…) e o livro «The General Theory» só veio a ser publicado em 1936.

    • Raquel Varela diz:

      Bom dia Guilherme, a década de 20 na Alemanha não é só nem principalmente marcada pelas indemnizações mas pela gestão social democrata alemã – Weimar – erguida depois da derrota da revolução 19-23. Não sei se Keynes era ou não a favor da guerra e de que guerra (e onde, nas colónias o que pensava ele?) mas sei que o único keynesianismo bem sucedido é a guerra, o militarismo, aplicado por Stalin, Hitler e Roosevelt. A menos que se considere que existiram de facto 30 anos dourados na Europa que foram fruto de outra coisa que não a II Guerra e as guerras coloniais. É natural que Keynes tenha criticado as indemnizações, ele não acreditava que o dinheiro fazia dinheiro mas que o melhor para a crise alemã era imprimir dinheiro porque no “futuro estamos todos mortos”. Mais ou menos o mesmo que os defensores da taxa Tobin hoje ou dos eurobons, imprimir dinheiro. 🙂 Estou mesmo convencida que esta solução é a política para o desastre total. Feliz Ano Novo 🙂

      • Boas tardes Raquel,
        Em primerio lugar esclraeço que não tenho propriamente a ideia de «defender Keynes»… Mas factos são factos e a história das ideias é a que é.
        Keynes «limitou-se» a fazer uma síntese de muitas ideias que já andavam no ar. Kalecki elaborou antes dele uma teoria em tudo similar, mas como era Polaco, não teve a repercussão que teve Keynes. Hitler fez de facto uma política «keynesiana» “avant la lettre” e isso terá contribuído para atribuir ao «keynesianismo» a ideia de de que o «militarismo» (a produção e as dessas de um complexo militar-industrial) s~´ao uma aplicação das ideias de Keynes. Não são.
        Keynes era simpatizante dos Fabianos e adepto de uma evolução “pacifica” para o socialismo, através de uma espécie de “friendly persuasion”. A esse respeito, ainda em muito jovem, lembro-me de um livro norte-americano que tinha como subtítulo «A Royal Road do Socialism»…
        Resumindo «até à quinta casa», a política keynesiana consistirá em pòr o Estado a tomar a iniciativa de se subsistuir aos “privados” na função de investimento produtivo. Isso só deverá ter que acontecer (Keynes, dixit…) quando e se os “privados” não estiverem para aí virados. Isso – de os “privados” não estarem para a´«i virados – acontece por causa do «esgotamento progressivo (e relativamente ao anterior) de oportunidades de investimento» (tese pessoal deste seu correspondente…) em resultado de uma famigerada queda tendencial da taxa de lucro; a qual tem vindo “ao de cima” de forma recorrente ao longo dos três ou quatro séculos que levamos de capitalismo.
        As saídas – para esse esgotamento progressivo das oportunidades de investimento – têm sido a expansão colonial (e o imperialismo) e as guerras de destruição. E também, coisa “desleixada” por muitos analistas, a especulação financeira.
        Hoje somos chegados a uma espécie de beco sem saída.
        Não há mais «expansão colonial» (com a guerra dos boeres o sistema-mundo passou de “sistema aberto” a “sistema fechado”), e as guerras deixaram de “dar vazão” aos milhões de desempregados. Embora continuem a ser de destruição.
        Estamos em plena especulaçãoi financeira!!!
        Finalmente, na minha opinião, as políticas de Keynes – nos anos “gloriosos” da reconstrução até 1973/1974?…) – falharam porque “eles” (os adeptos de Hayek & Cª – e seus mandatários, Tatcher, Reagan e etc…) perceberam perfeitamente qual o rumo que o sistema estava a seguir… É ler o livro de Keynes «Economic Possibilities for Our Grandchildren»…
        Um colega meu na IBM Zâmbia – jovem conservador britânico – referiu-se um dia a Keynes como «esse marxista encapotado»… Eu não iria tão longe, mas havia alguma razão para isso.
        Aproveito para retribuir os desejos sinceros de um Feliz Ano Novo.
        Em todos os sentidos!!! 😎

      • Deixe-me só acrescentar duas outras reflexões:
        Joan Robinson. amiga e “aluna” de Keynes, sendo uma «keynesiana de esquerda» é também usualmente considerada uma das maiores economistas do século XX.
        Alguns dos seus biógrafos atribuem parte da «revolução chinesa» de Deng Xiaoping à influência das visitas à China por parte de Joan Robinson e suas reuniões com os dirigentes chineses de então. A esse respeito veja-se o livro de 1975 «Economic Management in China».
        Não creio que Keynes achasse «que o melhor para a crise alemã era imprimir dinheiro».
        O que ele achava era que o montante das indemnizações – para ele exorbitante e desproporcionado – iria forçar os governantes alemães a desvalorizar a sua própria moeda.
        De resto a Raquel tem razão na sua opinião de que «isto não vai com euro bonds”…
        Já a «Taxa Tobin» (ou algo assim…) seria uma forma de REDUZIR a massa monetária que por aí anda em busca de aplicações financeiras (a especulação, sempre a especulação). Ou seja, uma «taxa Tobin» seria um passo certo na direcção certa. E quanto mais “radical” mais efeitos positivos poderia ter.

  11. António diz:

    Raquel, é possível concordar ou discordar com a sua exposição mas há que olhar para ela sem qualquer preconceito ou repugnância. É o seu ponto de vista e eu gostei de ler.

  12. Manuel Sousa diz:

    Para quem não sabe, democracia directa é votar nos deputados que queremos que nos represente e não votar nos que não queremos. Quem estiver interessado que aprofunde noutro sítio, há diversas variantes e quase nenhuma extingue os partidos (pode continuar a clubite). cumprimentos a todos

  13. xatoo diz:

    curioso como já existia Keynes em 1929

    • Raquel Varela diz:

      Existia antes. E as política keynesianas não têm o seu primeiro teste em 45 mas em 33-34 e são um falhanço rotundo.

      • Carlos Carapeto diz:

        Neste ponto e estou de acordo. A economia Americana pouco melhorou na década de 30, embora na criação de emprego tivesse existido algum progresso.

        Paul Mattick explica isso em pormenor.
        E vai mais longe, demonstra que a solução Keynisiana para os problemas que afetam o mundo capitalista proporcionam apenas beneficios temporários.

        Não sei é assim mesmo, nunca li Keynes.

        Sobre a evolução da economia Americana durante esse perído também tirei algumas conclusões daqui.

        http://rationalrevolution.net/articles/capitalism_evolution.htm

        Mas como o meu Inglês é muito rudimentar não deu para compreender muito, mas foi o essencial para concordar com aquilo que Mattick defende.

        Quanto à linha Maginot, concordo com a opinião do participante Alfreddo Barroso ” se é a pessoa que estou a pensar tenho alguns livros dele que considero de muito interesse “.

        Se a Raquel estiver interessada em aprofundar o assunto leia de Paul-Marie de la Gorce “1939-1945 Uma Guerra Desconhecida”.

        Explica os erros estrategicos cometidos por os Franceses desde o inicio da guerra (Setembro 1939) que levou os Alemães com forças menos numerosas a esmagarem os exercitos aliados com mais efetivos e melhor equipados.

  14. Carlos Carapeto diz:

    Eu tinha umas questões muito pertinentes e acertivas para colocar à Raquel acerca da opinião que expressa sobre a crise.
    Mas por ter quase a certeza (como é habito) que vai censurar o meu comentário. transcrevo apenas as três formulas que René Passet diz terem sido usadas em toda a história da humanidade para se sair duma crise.

    Revolução, ditadura ou a guerra.

    De revolução não se perspetivam quaisquer indicios, restam-nos a ditadura e a guerra.

    Pairam nuvens no horizonte proximo carregadas com estes sinais.

  15. JgMenos diz:

    Quanto à política da esquerda, resgatando a noção de Revolução, percebi.
    Como o ‘controlo da produção’ vai resolver o problema económico de falta de capital (investimento) e falta de competitividade (custos, eficiência, inovação) vai ser compatível com todas as ‘legítimas reinvidicações’ e ‘justas lutas’ que vejo sempre tão louvadas, não percebi.
    Não seria preciso um Estaline para assegurar que as segundas não arruinassem a primeira?

    • Carlos Carapeto diz:

      Revolução é muito mais que andar aos tiros . Têm sido feitas muitas Revoluções sem tiros.
      Correto; o Estado só deve intervir na economia quando se trata de salvar empresas e bancos falidos com dinheiros públicos?

      É do género: Nacionalizam-se (coletivizam-se) os prejuízos e privatizam-se os lucros. Tipo BPN e EDP.

      Onde foi que o capitalismo interveio que não provocasse miséria e subdesenvolvimento? Se cria progresso num lado, gera desolação noutro.

      Sempre houve quem se sentiu melhor próximo de Hitler.

      • Argala diz:

        “Têm sido feitas muitas Revoluções sem tiros.”

        Se me deres um só exemplo, vou imediatamente ao Centro de Trabalho mais próximo preencher a ficha de militante do PCP.

      • JgMenos diz:

        Acho comovente que esquerdalhos sempre invoquem Hitler para injurarem adversários quando só têm razões para lhe chamar, senão irmão, pelo menos primo!
        Segundo um bom autor judeu – Götz Ally, “O Estado popular de Hitler”:
        «Conduzir o saque em benefício da Alemanha onde, até ao final da guerra se viveu em conforto se comparado à miséria que alastrava na Europa, numa política de benefício das massas e de oneração das classes ‘priveligiadas’.» …
        «Hitler, o seu credo era: “É preciso impedir que sejam levantados obstáculos à ascensão permanente.”; “Nesta nova Alemanha, todos os filhos dos operários ou dos camponeses devem poder chegar, se tIverem recebido a graça e a bênção de Deus e graças à ajuda da nossa organização e a uma selecção consciente da elite, até aos cumes mais altos da Nação” ».

        Quanto ao resto, é do género…costumeiro!

      • LGF Lizard diz:

        Como Estaline, quando dividiu a Europa no infame Pacto de Não-Agressão?

        • Carlos Carapeto diz:

          Os factos são factos quando são Vc a dizê-los e manipulações históricas quando não lhes interessa?

          Os acordos de Munique assinados 11 meses antes foram menos ignominiosos?

          Os países Ocidentais com a assinatura da rendição vergonhosa a Hitler em 29 de Setembro de 1938 (ocupação da Checoslovaquia) perderam toda a autoridade moral de criticar o que sucedeu depois. Quem primeiro assinou acordos de partilha com Hitler e Mussolini foi a França e Inglaterra.

          Convém esclarecer ainda que a URSS não ultrapassou os limites da linha Curzon, estabelecidos nos Acordos de Paris de 1919, nem depois de ter saído vencedora.

          Os Soviéticos recuperaram legitimamente os territórios ocupados por a Polónia em 1921, que avançaram mais de 250 Km por a União Soviética dentro.

          Foi Daladier e Chamberlain que negociaram e assinaram acordos com Hitler e Mussolini para a partilha da Checoslovaquia, impedindo os seus dirigentes de participar.

          Esse acto sim, ultrapassou os limites da infamia, foi uma ação criminosa cometida contra os direitos de um país soberano.

  16. Cristiano Bernardo diz:

    Que se passa com o vosso blog? Desaparece segundos depois de abrir

  17. Luis Moreira diz:

    E como é que tudo isto, comentários incluidos, bate certo com isto : nunca tantos viveram tão bem durante tanto tempo

  18. Argala diz:

    “De tantas palavras a reconstruir no nosso significado a mais importante contínua a ser Revolução – retirá-la da bagagem de quem construiu o horror estalinista, devolver-lhe o sentido de utopia de solidariedade.”

    E é aqui que a porca torce o rabo, porque o resto do texto parece-me não conter mácula.

    Raquel,

    Nós não temos que recuperar a palavra Revolução. A palavra ‘Revolução’ passeia por aí, nos estatutos, teses e programas de praticamente todos os partidos de esquerda. O que temos de recuperar é o seu significado.

    Revolução não significa absolutamente nada na boca de quem não esteja activamente a fazê-la, ou a preparar as condições político-militares para a fazer. Ao invés, o PCI (maoista) ou o Partido Comunista das Filipinas são dois partidos que, através da sua prática político-militar, recuperam o significado de Revolução.

    O “horror estalinista” era toda uma nova discussão.

    Boas festas

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