Mandela, mais dois artigos que valem a pena ser lidos

tumblr_mkyl6tFNdV1qm4we9o10_r1_400Depois do texto do Frederico Aleixo – Honestamente, Mandela – vale a pena ler o do Nuno Ramos de Almeida – A segunda morte de Nelson Mandela – e o do Slavoj Žižek – If Nelson Mandela really had won, he wouldn’t be seen as a universal hero.

Todos eles, à sua maneira, revelam que é possível falar de Mandela, todo o Mandela, sem ceder à idolatria ou a mistificações que nada interessam à memória das coisas. Mandela foi um marco na luta contra o (primeiro) Apartheid, mas foi também um homem do liberalismo. Que a direita o cante não me espanta, que a esquerda o esqueça, assusta-me. Bem haja quem o conseguiu dizer sem papas na língua.

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7 respostas a Mandela, mais dois artigos que valem a pena ser lidos

  1. Carlos Pratas diz:

    Conjunto de textos com posições e interpelações, sérias e relevantes. Um post dissonante do tom geral, e por isso necessário e exemplar. Abraço. Carlos Pratas

  2. anonimo diz:

    “… que a esquerda o esqueça, assusta-me.”
    Quem era o Presidente da República quando Cavaco “definiu” (sozinho certamente) o sentido de voto na ONU? De certeza que tal humanista não deixaria passar em branco tamanho atentado aos princípios na nossa Constituição, algo que era sua função defender.

  3. Luis Moreira diz:

    A não ser que fosse comunista. Aí, sim, estava justificada toda a idolatria como se viu (vê) com Cunhal.

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Um grande artigo de Slavoj Žižek. Carregado de razão. É pelas razões por ele apontadas que defendo, cada vez com mais convicção, a substituição do sistema capitalista de produção por um sistema cooperativo e de auto-gestão em que os factores capital e trabalho se confundem nas mesmas pessoas, acabando assim, de vez, com a exploração do trabalho e a acumulação pornográfica de riqueza. Não há outra saída para o dilema, pois não se pode pactuar com o capitalismo, seja ele privado ou de estado, como era na União Soviética. Mandela era um homem bom cuja bondade e decência foram usadas pela oligarquia sul-africana – branca e negra – para preservar posições e privilégios. Não tinha ele provavelmente alternativa senão ceder, pois cinco milhões de brancos, bem organizados e bem armados, destruiriam qualquer veleidade de alterar o status quo económico. A comunidade branca cedeu no acessório – cooptando uma minoria negra – para preservar o essencial. E Mandela foi um agente e vítima desse processo. Se não nos afastarmos dos delírios marxistas-leninistas, nunca conseguiremos dar a resposta ao totalitarismo capitalista, pelo que aqueles que teimam em lutar por ideologias decrépitas acabam não só por nos condenar a este capitalismo como se tornam em seus aliados objectivos. Façam eles os discursos balofos que quiserem, como se fossem os detentores de uma fórmula mágica que só eles sabem utilizar. Os comunistas da velha escola são um verdadeiro obstáculo a que evoluemos do pseudo-socialismo fantasioso para um socialismo possível, verdadeiro e eficaz. Infelizmente eles nunca perceberão isto por viverem a política como se de religião se tratasse.

    • Carlos Carapeto diz:

      Mas Zizek é Marxista/leninista!
      Como é também um critico do sistema de auto-gestão. Ao menos é contra o modelo Jugoslavo.

      Ou o NCS já anda à deriva?

      “como era na União Soviética”

      E hoje como é ? O capitalismo resolveu algum dos problemas deixados por os “incompetentes e traidores” marxistas-leninistas?

      Se resolveu diga quais. Agradeço que me indique um apenas.

      O seu grande azar é tropeçar em alguém que conheceu aquele “inferno” e sabe muito bem no “paraiso” que se transformou.

      Esse alguem, que sou eu, tem conhecimentos de lhe enfiar por os olhos dentro o trambolhão que aquela coisa deu.

      Vc não está minimamente interessado defender os direitos dos oprimidos em particular dos trabalhadores. Vc é um artista em fazer demagogia , é um farsante.

      Quem está a delirar fazendo discursos balofos é precisamente o NCS.

      Vive alcandorado em metáforas sebosas bramindo fetiches copiados de livros negros, para aspargir sobre tudo quanto lhe cheire a ideologias de esquerda.

      Balbuceia uns bê á bás do anarquismo mas de certeza que não leu nenhum dos grandes teoricos dessa maravilhosa ideologia.
      Arranca informação da Wiquipedia depois esganiça-se por converte-las em “virtudes” que ele próprio não deseja que se concretizem.

      Ainda há poucos dias mencionei aqui A Gonçalves Correia, passou por o assunto como cão por vinha vindimada.
      Tergiversou o assunto, foi estatelar-se no muro de Berlim fazer companhia ao Menos.
      Ideologicamente até formam uma parelha excelente. .
      .

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        O Carlos tem dificuldade em fixar-se sobre um qualquer tema, não tem? Que me interessa a mim que Slavoj Žižek seja marxista-leninista e não goste de sistemas auto-gestonários? O que eu disse foi que gostei do artigo dele. É essa a nossa diferença. Vocês têm inimigos e amigos, e os textos dos amigos são sempre bons e os dos inimigos são sempre maus. Eu gostei do artigo do Slavoj Žižek, não vejo que isso me obrigue a gostar de tudo o que ele diz ou escreve.

        Depois tenho afirmado aqui, vezes sem conta, que não faço concessões quanto à libedade e que defendo o cooperativismo e a auto-gestão como forma de destruir o capitalismo. Têm problemas com alguma destas coisas? Então digam-no e demonstrem porquê.

        A actual Rússia é pior do que a antiga URSS? Talvez. Mas como eu não defendo nem o sistema concentracionário soviético nem o capitalismo oligárquico russo, não vejo qual seja a relevância da Rússia para esta discussão.

        Quanto ao Gonçalves Correia interessa-me pouco mais do que o Lenine. Respeito os princípios que ele perfilhava, mas a minha visão socialista libertária não tem de ser – e não é – coincidente com a dele ou de qualquer anarquista histórico. Eu não tenho heróis, ou ídolos, ou profetas. Tenho valores e princípios, e um deles é a defesa intransigente da liberdade de cada um, num contexto social e portanto responsável. Nunca advogarei a violência senão quando ela é condição necessária da sobrevivência. Nunca aceitarei polícias políticas, campos de concentração, censura e o encarceramento dos que não concordam comigo. Não aceito ditaduras, sejam elas do “proletariado” ou de qualquer outra espécie. É isto tudo que vos chateia, porque eu não embarco nos vossos delírios.

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