Violência armada? Para Cavaco só se for para defender o imperialismo e o capital…

Entre ontem e hoje veio a público a notícia que Cavaco deu ordens para votar-se contra a libertação de Mandela na ONU. Entretanto o regime tenta desculpar-se No mesmo dia, na Assembleia Geral da ONU, Portugal votou a favor e contra a libertação de Nelson Mandela, porque não querer associar-se à defesa da luta armada.

O quê? Cavaco não se quer associar à defesa da luta armada??? Mas Cavaco, o PSD e o regime não apoiaram na ONU várias acções armadas? A primeira guerra do golfo, bombardeamento da Sérvia, invasão do Afeganistão. Não foram tudo isso acções armadas?

E já agora, isso significa que Cavaco está contra a resistência armada que foi feita ao Nazismo? A resistência armada da Inglaterra,  da URSS e dos movimentos partisans contra o nazismo não conta com o voto de apoio de Cavaco e seus apaniguados? E o 25 de Abril, não foi também uma acção armada? E mesmo no caso da queda do Apartheid a luta armada foi fundamental. Não tivesse a África do Sul sido derrotada em Cuíto Cuanavale o Apartheid ainda existiria, ou a transição teria sido muito mais lenta e incompleta.

O nível de hipocrisia, mentira e dissimulação atinge novas alturas. Cavaco não é, nem nunca foi, contra acções armadas, ele próprio esteve na Guerra colonial (confortavelmente atrás das linhas, em tarefas administrativas) e o seu governo apoiou várias acções armadas. Cavaco não é contra a acção armada, Cavaco é contra a luta anti-colonial e anti-imperialista. Porque quando a acção armada é para defender o império e o capital Cavaco sempre a apoiou.

Mandela

 

During the lifetime of great revolutionaries, the oppressing classes constantly hounded them, received their theories with the most savage malice, the most furious hatred and the most unscrupulous campaigns of lies and slander. After their death, attempts are made to convert them into harmless icons, to canonize them, so to say, and to hallow their names to a certain extent for the “consolation” of the oppressed classes and with the object of duping the latter, while at the same time robbing the revolutionary theory of its substance, blunting its revolutionary edge and vulgarizing it.

Vladimir Lenin, ‘The State and Revolution’, 1917

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16 respostas a Violência armada? Para Cavaco só se for para defender o imperialismo e o capital…

  1. antónimo diz:

    O tipo é um imprestável, Chico, mas dares o exemplo da nossa guerra colonial é um bocado forçar a barra.

    Quantos e mais quantos opositores à guerra colonial e pacifistas não terão ido malhar com os ossos a África e ao serviço Militar? O regime não dava grande escolha e nem todos tinham condições de fuga.

    O mesmo quando aos moldes em que Cavaco cumpriu o serviço militar. Não era ele quem escolhia e se foi burocrata, foi pq teve sorte na colocação que lhe atribuíram.

    • Francisco diz:

      “O regime não dava grande escolha e nem todos tinham condições de fuga.” É verdade, talvez nesse ponto tenha forçado um bocado. Mas quantos haverá que digam que são contra a “violência armada” no geral? Para justificar votos e atitudes como as do Cavaco?

    • Victor Nogueira diz:

      É possível que sem “cunhas” oficiais milicianos ficassem na rectaguarda, por causa da “licenciatura”. Mas não fosse o bom comportamento devidamente atestado “a bem da Nação” e não escapariam à frente de combate, quanto mais infernal melhor, se não optassem pela deserção.

      Mas nos testemunhos dados por Cavaco e seus “companheiros” de Laurentinas ou superiores que dele se lembram, “aprumado” e “profissional”, ressalta a ideia duma “pacífica” temporada, tão pacífica que apesar da guerra ali tão perto, apesar do anglófilo apartheid, mesmo em Moçambique, teriam conseguido a proeza de nunca terem discutido política, “comme il faut” para memória futura.

      Um tempo tão descontraído que deu para duas longas viagens com a família, presume-se que à África do Sul, tão pacífico que deu para filmagens para passarem no futuro e em família. Que teria ficado registado em filme dessas filmagens ? O paraíso ou o “inferno” ? De que dão testemunho essas fitas de “montagem semi-profissional”, para “memória futura ?

      Quando de Cavaco for escrita a necrologia, talvez dele se recorde o veto “ao evangelho segundo Jesus Cristo”, por sousa lara, “zagalo” do “conde de abranhos”, considerando que “O livro não representa Portugal nem os portugueses”, e ofende os sentimentos religiosos do povo português (http://www.tsf.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=768316). Ou a célebre cena do bolo-rei. Ou as democráticas diatribes contra as “forças do bloqueio” e as certezas de quem nunca se engana” nem “lê” os jornais.

      Mas seria duma profunda injustiça que a gente maneirinha e videirinha que enxameia o ppd-psd desde a ala liberal da assembleia nacional-marcelista, da “evolução na continuidade” do fascismo, cujo líder actual é Cavaco, o reformado, seria duma profunda injustiça que as notícias necrológicas o não “andorassem” no panteão dos “illuminatti” como homem de fortes convicções, que não enaltecessem a sua “coerência”, a de “quem nunca se engana”, que não referissem a sua fidelidade aos amigos, como Dias Loureiro, Duarte Lima ou os do BPN, para além dos grados das comissões de honra das suas várias candidaturas, ungidos pela santíssima trindade sem esquecer o espírito santo. Apesar dos dislates a um tal “senhor silva”, proferidos por um jardineiro todo poderoso, candidato a bater o guiness da assentadura no cadeirão, pois não é nem presidente de câmara nem de junta de freguesia.

      Só os maldizentes o compararão ao pedro santana dos concertos para violino, aos turbo doutorados da escola de relvas ou aos pedro coelho que vetaram Maria Teresa Horta, que não é Maria Cavaco.

  2. Antónimo diz:

    «É possível que sem “cunhas” oficiais milicianos ficassem na rectaguarda, por causa da “licenciatura”. Mas não fosse o bom comportamento devidamente atestado “a bem da Nação” e não escapariam à frente de combate, quanto mais infernal melhor, se não optassem pela deserção.»

    Wrong.

    Tantos mal-comportados que ficaram na rectaguarda, até integrados em cenas como doutrinadoras unidades de acção psicológica – onde estiveram tipos tipos como o Mário Viegas e outros rufias bem conhecidos das autoridades da ditadura.

    Cavaco é demasiado bera, e está há demasiado tempo entre nós, fazendo mal e caramunha por sua própria conta, para se perder tempo com lateralidades que não lhe são atribuíveis. Quantos capitães de Abril não juraram o regime e a sua plena integração nele? Salgueiro Maia não garante num dos trabalhos que publicou que chegou a Moçambique prontíssimo a defender as colónias e o regime? Quantos funcionários públicos em tudo respeitáveis, democratas, lutadores, mas com carta de bom comportamento passada?

    Onde é que a participação na guerra colonial – fosse em unidade logística ou combatente – impedia alguém de visitar os países em redor? Quantos o não fizeram? As consequências e pontos de vista com que cada um o fez é que fazem diferença. Quantos militares, e também milicianos, não tiveram as famílias com eles?

    Os milicianos eram mais velhos que as praças, tendencialmente, e também pela idade, com maior prevalência de gente casada, devido à falta de quadros, eram, muitos deles sucessivamente reconduzidos em novas comissões de serviço. Fenómeno curioso foi o da existência de capitães milicianos – quando a regra é a existência de oficiais milicianos apenas nos postos subalternos – que acabou por resultar no famoso decreto 353/73.

    Mas o exagero ia mais longe. Tive em tempos um médico civil que tivera de regressar ao serviço militar como tenente-coronel “miliciano”, pois embora já andasse pelos quarenta e tal anos, mesmo assim foi convocado. E graduaram-no no posto que tinham os oficiais médicos do quadro com a sua idade.

    Ou seja, entre os oficiais havia famílias constituídas, normal era que as trouxessem para o mais perto possível criando fenómenos sociológico curiosos, até pq como se sabe, em Angola e Moçambique a guerra era um fenómeno relativamente distante das grandes capitais e os laurentinos tinham até muitas semelhanças no modo de vida (e racismo) com as cidades da África do Sul. As férias eram passadas com a família, bem como folgas, licenças e fins-de-semana quando possível.

    Lidia Jorge, embora fale mais das famílias dos militares do quadro, que conheceu (o primeiro marido será hoje coronel pára-quedista reformado), e embora não tenha razão no que afirma, pois exagera, e houve outros povos, referiu não sei onde que apenas os portugueses e os cartagineses levaram as famílias para a guerra.

    Nasci e cresci em meio militar, entre combatentes e familiares de combatentes, já ouvi demasiadas histórias e pontos de vista para achar que a situação de Cavaco na guerra tivesse tido algo de excepcional.

  3. Victor Nogueira diz:

    O cerne do meu comentário não é se Cavaco “cunhou” ou não para ficar em Lourenço Marques. Até se admite que não tenha beneficiado de qualquer favor pessoal, se bem ler o que escrevi. O ponto de partida foi a argumentação para que Portugal não tivesse votado a moção para a libertação de Mandela – “ser Portugal contra a luta armada e a violência” Também o regime fascista era contra a luta armada e contra a violência” (a esta associada como causa e como consequência)

    Mas cerne do meu comentário tem como base esta “peça do “insuspeito” semanário Expresso http://expresso.sapo.pt/mocambique-cavaco-silva-foi-oficial-cavalheiro-e-cineasta-c-foto=f272023

    E com base na informação de que era “cineasta” amador – em Moçambique, África do Sul e Rodésia do Sul – interrogo-me sobre o que terá “amadoristicamente” filmado para memória futura da família.

    Reportando-me à notícia destaco dela;

    «José Macedo e Cunha recorda-se de que viver na época em Lourenço Marques “era muito agradável”. “Era uma vida muito agradável. Juntávamo-nos por vezes num café. Cada um de nós tinha os seus ‘hobbies’, como o cinema ou a música. Estávamos a começar e cada um de nós fazia filmes da vida diária”, continuou.

    Nas tertúlias que alimentavam não havia grande espaço para a política. “Eram conversas sobre o dia-a-dia, sobre os nossos afazeres, sobre automóveis. Não me recordo de termos grandes conversas sobre política”, vincou José Macedo e Cunha, que apontou as viagens como outra forma de ocupar o tempo livre.» [fim de citação]

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/mocambique-cavaco-silva-foi-oficial-cavalheiro-e-cineasta-c-foto=f272023#ixzz2mou3rMoH ou em
    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/oficial-cineasta-e-cavalheiro

    A minha nota tem tb como fundamento uma notícia acerca da integração de Cavaco na ordem social estabelecida, publicada em 2010.11.30 pela Revista Sábado com a reprodução da ficha da PIDE que voluntariamente preencheu http://www.sabado.pt/Multimedia/FOTOS/Social.aspx?year=2010&month=11 tb referido em artigo de opinião no DN http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1726140&seccao=Fernanda%20C%E2ncio&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

    Uma súmula da “coerência” de Cavaco, para além do que a imprensa tem publicado desde há anos, encontra-se aqui http://www.tretas.org/CavacoSilva

    Isto é que é o cerne da minha nota e não se Cavaco se mexeu ou não para ir para a frente de combate. Não me perdi em lateralidades.

    • Antónimo diz:

      Não fui eu que escrevi isto: “Mas não fosse o bom comportamento devidamente atestado “a bem da Nação” e não escapariam à frente de combate, quanto mais infernal melhor, se não optassem pela deserção.”

      Fiz um breve comentário inicial onde afirmava a necessidade de não valer a pena ir buscar culpas não atribuíveis ao Cavaco (nem fui por aí, mas por acaso também acho que generalizam culpas e responsabilidades a milhares e milhares de portugueses, por culpas e responsabilidades que não tiveram). O resto foi resposta à insistência nesse caminho.

  4. Antónimo
    Não vou discutir se O cavaco teve cunha ou não para ficar na retaguarda. Sei que de cunhas para o efeito, conheces pouco.Conheci muitos “cunhados”.E já agora
    nomeia os nomes de jogadores de futebol de 1°plano que foram mobilizados?

    • Antónimo diz:

      Sei perfeitamente que havia cunhas, como sempre existem e existiram. E por maioria de razão ainda mais nessa ocasião em que se o reisco de morte era uma realidade.

      Mas nada disso contraria uma linha do escrito. Não fazem a mínima ideia se Cavaco as teve, que por acaso até foi o que o biltre sugeriu quando o assunto SMO se discutiu a propósito da inaptidão de Jorge Sampaio nas presidenciais. Que Sampaio lucrou com cunha do pai médico.

      • Victor Nogueira diz:

        Mas estamos em lateralidades sobre Cavaco ? Não está em causa como foi Cavaco “estacionar” em Lourenço Marques apenas um mês depois de ter casado. A sua desafectação ao regime, a sua “revolta”, resulta apenas de ter sido rejeitado o seu pedido de adiamento da recruta, naõ esclarecendo se era ou não contra a “guerra colonial”, se esta tb o não “revoltava”..

        No artigo da revista Sábado cujo link pus anteriormente, lê-se “No livro Cavaco Silva contou que quando era estudante e passava junto à residência oficial de Salazar, atravessava para o passeio do outro lado da rua porque “os muros altos e os polícias impunham respeito”. E recordou a sua indignação quando rejeitaram o seu pedido de adiamento para cumprir o serviço militar e o convocaram para fazer a recruta em 1962, por causa da guerra colonial: “Fiquei revoltado e acentuou-se em mim a rejeição ao regime de Salazar”. O livro foi lançado 35 anos depois de se ter declarado “integrado” no Estado Novo.» [fim de citação]

        São de antologia as “justificações” de Cavaco, como o “respeito temeroso que lhe impunham os muros altos de S. Bento e os “polícias”, que não refere como agentes da PIDE. Temor de quê, apesar da sua “rejeição ao regime de Salazar” , que não designa como “fascismo” ou numa linguagem mais “soft” – “ditatorial. Como estudante de Economia, sabendo perfeitamente o que era a PIDE, o fascismo, a repressão e a guerra colonial, que combatíamos, eu e muitos outros nunca sentimos necessidade de mudar o trajecto para o passeio fronteiro quando passávamos nas traseiras de S. Bento..

        Mas por mim, nos comentários ao post, o tema Cavaco está esgotado, sem necessidade de mais lateralidades. Pk, repito, o essencial não é discutir se Cavaco “cunhou” ou não, relativamente ao serviço militar obrigatório.

        • Antónimo diz:

          Por mim está fechado, desde o início. Não fui eu que enchi o debate sobre o papel de Cavaco na guerra com lateralidades, tentando atraí-lo para um terreno irrelevante e de achismos. como se a vida do alferes padeiro fosse tão excepcional que riscasse um fósforo no facto de ser ou não um biltre.

  5. Antónimo
    Os sargentos e oficiais do quadro também tinham filhos na tropa e por isso potenciais combatentes. No exército (ramo que conheci melhor) iam quase todos para a CNET.

    • Antónimo diz:

      Quanto a influências, ver acima.

      Há sempre regras e excepções para todos os gostos, o que impede generalizações. Houve pontapés de gajos bem-colocados socialmente a pedirem irem para os comandos, tal como houve quem sem eira, nem beira se safasse por se cruzar ocasionalmente com um conhecimento simpático.

      Mas o que também fico sem perceber da sua conversa é se o pai do Cavaco era oficial ou sargento?

  6. Onde se lê CNET de lêr – se CHERET

  7. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Na guerra em África os oficiais milicianos – de que fui um – iam para África apenas porque eram para lá mandados. Não iam defender a Pátria, íam porque não tinham alternativas, ou não queriam sofrer as consequências dessas alternativas. Quando chegavam lá, e se fossem para zonas operacionais, não íam para matar “turras”, íam porque eram para lá mandados. E quando entravam em operações, não matavam “turras” para salvar a Pátria, mas para salvar a própria vida. Não manifestavam qualquer ódio pelos “turras”, apenas queriam chegar vivos ao fim dos dois anos de comissão. E, para isso, procediam com a eficiência possível para ficar vivos, o que implicava matar “turras”, destruir acampamentos “inimigos”, retirar populações ao controlo dos “turras”. E, curiosamente, os militares portugueses fizeram tudo isso com alguma eficiência e com um mínimo de danos para a população civil, quer “colona”, quer “nativa”. A guerra colonial só era colonial ao nível das chefias políticas. Ao nível operacional era uma guerra pela sobrevivência própria, e para isso era melhor ganhar do que perder. E, repito, fizémo-lo sem ódio e (quase) sem violências gratuitas.

    Qualquer tentativa para trazer essa guerra para a discussão das questões políticas e socias dos nossos dias, é uma pura perda de tempo. Nem a guerra tem significado para os nossos problemas actuais, nem os seus agentes – mais ou menos empenhados – actuam hoje em função dessa sua experiência. Mas há sempre quem goste de fazer figura mesmo à custa de irrelevâncias…

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