Numa pequena achega ao excelente texto do Luís Bernardo que antecede este “post”, eu acrescentaria apenas que é chegado o momento de começarmos a estudar a estratégia de institucionalização dos nossos liberalóides de serviço, começando por detectar as redes institucionais onde eles se inserem, as suas ligações aos partidos no poder bem como à blogosfera e à fabricação da opinião dominante pelos meios de comunicação social. Há aqui todo um programa hegemónico (olá Gramsci) de conquista do espaço público, de transferência de certos meios académicos para organismos do Estado com enorme influência no desenho das políticas públicas. Não tenhamos dúvidas de que aquilo que estamos agora a assistir em matéria de destruição do ensino superior e da investigação científica em Portugal, mormente da que transporta consigo a construção de um pensamento crítico, assenta essencialmente nesta impregnação das instituições do Estado central por indivíduos que medram em determinados espaços académicos e que, mercê de inconfessadas cumplicidades, conseguem ocupar nichos de poder em órgãos governamentais ou muito próximos do governo. Identificá-los e identificar as tácticas de cooptação que fornecem poleiro a estas aves trepadoras não significa incorrer em teorias da conspiração. Significa, tão-só, perceber como actua o inimigo, de que armas dispõe para nos tramar e que instrumentos de resistência e de combate podemos desenvolver para abatê-los – antes que eles consigam fazer ainda pior a nós todos e a este país. É disto que se trata e escusamos de estar com meias-cantigas.
A institucionalização dos neo-liberalóides de serviço
Anúncios
Anúncios