«Estou aqui para vender não para comprar»

Na privatização da PT os trabalhadores também foram chamados a comprar acções que depois vieram por aí abaixo. Na da EDP os Bancos até abriram balcões dentro das empresas para os trabalhadores pedirem empréstimos e compararem acções, que depois vieram por aí abaixo. Ainda hoje muitos destes trabalhadores estão a pagar dívidas ao Banco de acções que perderam o valor. Foi uma forma de endividar os trabalhadores. Estas privatizações em Portugal são um casamento perfeito entre o Plano Khrushchoviano e o liberalismo de Ronald Reagen. Primeiro capitaliza-se tudo centralmente pela mão do Estado, constrói-se a estrutura da empresa – comboios, linhas, centrais, barragens, postes e redes eléctricas; depois o Estado paga, muitas vezes através do fundo da Segurança Social, indemnizações nas rescisões «voluntárias», pré-reformas, reformas. Assim que só há trabalhadores precários ou em outsourcing, privatiza a empresa que como não paga investimentos (já pagos pelo Estado) e tem trabalhadores precários, é altamente lucrativa. Os trabalhadores dos CTT têm toda e qualquer legitimidade para impedir esta venda de património público a preço de saldo. Porque como diz um amigo no facebook – João Pedro Ernesto – «estamos aqui para vender não para comprar», ou, os CTT são nossos, se vendem em alguma coisa, paguem-nos!

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