O Direito ao Trabalho é o Direito à Vida

Conheço o trabalho e as lutas na indústria naval em 30 países do mundo, da Argentina à Coreia do Sul. Com 40 investigadores do mundo inteiro estudamos, entre outras coisas, formas de conflito na indústria naval. Há lugares onde o encerramento dos estaleiros era «inevitável». Um desses lugares era Rio Santiago em Buenos Aires, outro, Naval Gijón, nas Astúrias. Foi o historiador espanhol Rubén Vega que um dia, em Oviedo, me apresentou estes operários navais, cuja luta inspirou o filme Los Lunes al Sol, encarnado por Javier Bardem. Em 1984 foi a primeira ameaça de encerramento do estaleiro. Em vão. Ofereceram-lhes rescisões voluntárias, com indemnizações, programas assistencialistas e eles, de cada vez que eram ameaçados de despedimento, organizavam uma batalha campal na cidade: rodas de fogo com pneus que cortavam as estradas, especializaram-se na fisga contra as balas de borracha da polícia, usaram a grua para bloquear a estrada. A cada radicalismo mais gente da cidade – juízes, jornalistas, professores -, se juntavam a eles em manifestações, diurnas e nocturnas. O grito era só um: o direito ao trabalho é o direito à vida. Um dia quiseram prender os líderes sindicais desta luta – Cândido y Morala, cujo documentário vos deixo em link. A cidade saiu à rua gritando «Cândido y Morala, somos todos!» (aos 4m e 40s).Os estaleiros de Viana do Castelo somos todos nós.

A foto é de um operário naval do estaleiro Riera e foi tirada pelo fotógrafo Juan Carlos Tuero.

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6 respostas a O Direito ao Trabalho é o Direito à Vida

  1. anon diz:

    Não esquecer o “astillero” Euskalduna‎ de Bilbao onde em 95 a policia provocou a morte a um trabalhador! http://www.youtube.com/watch?v=txeCkWhQuNA

  2. CiberPress diz:

    Reblogged this on Abril de Novo.

  3. JgMenos diz:

    Reduzir o problema dos ENVC à questão laboral é ignorar dezenas de anos de administração pública, ora permissiva, ora inactiva, ora inconclusiva, sempre inadequada.
    Era o que mais faltava continuar com semelhante idiotice.
    São 600? Os contribuintes são todos os outros!

  4. Rafael Ortega diz:

    Os Estaleiros de Viana somos todos nós?
    Pois somos. Há 24 anos que pagamos os prejuízos anuais, claro que somos todos nós.

    Eu preferia deixar de ser, mas isso já é outra conversa.

  5. Joao Pereira diz:

    Que parte é que não percebe na frase “Os estaleiros não têm receita (NÃO TÊM NEGÓCIO) e eu não quero subsidiar o ordenado de terceiros com os meus impostos” ? Apre …. que gente …

  6. mariaau56 diz:

    Infelizmente, não temos a fibra dos nossos vizinhos.Por cá, cada uma trata da sua vidinha.

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