Em ebulição…

Crónicas  da luta social que fui recolhendo, 25 a 28 de Novembro

————Dia 25————

Sargentos, oficiais e praças assistiram ao arriar da bandeira nacional em todo o país contra a austeridade 

Maria Cavaco Silva recebida com apupos e assobios na Moita

Passos Coelho recebido com protesto em Borba

Greve total dos magistrados do MP em Faro

Greve da Transtejo está com adesão de 70% a 80%

Professores protestam no Porto contra “cortes sucessivos”

Sargentos aconselham Governo a «mudar de rumo»

————Dia 26————

Dia Nacional de Indignação Protesto e Luta (relatos de um activista)

Manifestantes protestam em frente à casa de Passos Coelho (you can run but you can´t hide, grande exemplo)

CGTP invade balcão dos CTT (contra o crime que é a privatização)

Cerca de 100 manifestantes “queimam” Orçamento do Estado no Funchal (também aconteceu em Braga, Évora e noutros locais)

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Taxistas em protesto contra Orçamento do Estado 2014

Condutores buzinam no IC19 contra cortes do Governo

Greve e ‘Manif’ de trabalhadores dos Call Centers, trabalhadores de empresa “prestadora de serviços” alocados à EDP exigem ser integrados na empresa

Greve dos trabalhadores da STCP com adesão total

Gritos de “demissão!” interrompem debate do Orçamento

Esta manhã todos os caminhos do protesto foram dar ao Parlamento (o mais incrível é que não, como se viu, para lá de Lisboa e do Parlamento houve muito combate)

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Vários ministérios de Lisboa invadidos por sindicalistas em dia de protesto

‘Capitães de Abril’ alertam para perigo de violência

O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social “geram violência”

————Dia 27————

Concentração de professores avançou de forma expontânea, polícias impedem invasão do ministério da Educação 

Passos Coelho alvo de protestos em Londres (ver minuto 1)

Trabalhadores dos impostos convocam três dias de greve para Dezembro

Estado vai despedir os 620 trabalhadores dos Estaleiros de Viana (paga 30 milhões em indemnizações e vende por 7,5 à Martifer, mais um ganda negócio pós amigos)

Trabalhadores dos estaleiros de Viana apelam à «revolta»  Não vamos permitir que os estaleiros sejam aniquilados, vamos lutar até às últimas consequências para que esta empresa continue a ser um pilar do desenvolvimento social e económico em Viana do Castelo, que sempre o foi e poderá continuar a ser. Apelamos à revolta de todos os trabalhadores e de toda a população portuguesa contra este crime económico e social, que nada mais é do que um ajuste de contas com a classe trabalhadora.”

Fenprof apela a greve de docentes dos quadros em dia de provas de avaliação dos contratados

————Dia 28————

Greve parcial do Metro de Lisboa

Greve CTT, sindicato prevê uma adesão à paralisação entre os 70% e os 75%

Bélgica dá exemplo “inaceitável” de portugueses mal pagos

Autarca de Viana quer inquérito sobre os estaleiros

Parar Viana em defesa dos Estaleiros Navais

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Alguns apontamentos

No texto sobre a manifestação da polícia e o encontro da aula magna escrevi: A verdade é que não passa um dia em que não ocorra uma greve ou um protesto de algum tipo. A economia e sociedade portuguesas estão sobre enorme pressão, é impossível a curto-médio prazo não haver um recrudescer da contestação de uma forma ou outra. Para já, o calendário de Dezembro está repleto de convocações de manifestações, protestos e greves de vários sectores (desde a requisição/confisco do saco de arroz no pingo doce, até à vigília em Belém).

Se existisse uma franca melhoria na situação económica, ou este governo se demitisse por sua iniciativa, a situação tenderia a pacificar-se, mas não. Este governo não se irá demitir por sua livre iniciativa e os pífios sinais de retoma são um sol enganador. Um novo programa/memorando é inevitável e já se discute. A classe dominante Alemã já chegou a acordo e a política europeia é para manter, não há mutualização da dívida ou eurobonds para ninguém. A política de engorda dos amigos e empobrecimento forçado da população é para prosseguir.

O “Dia Nacional de Indignação Protesto e Luta”  promovido pela CGTP foi muitíssimo relevante, pela extensão dos protestos, mas sobretudo pelo salto qualitativo. A invasão dos ministérios, ocupação dos CTT em Coimbra ou a concentração à porta de casa do Passos Coelho vão para além dos “desfiles com comício no fim” do costume. É preciso ir mais além? Sim. Existem sinais contraditórios vindos das cúpulas (cuja triste intervenção de Nogueira é o caso mais flagrante)? Sim. Mas o dia 26 foi um passo importante no bom sentido, há que saudar esse exemplo e incentivá-lo.

A função pública, nomeadamente o sector dos transportes e professores são os mais activos. Este orçamento de estado obriga ao encerramento de vários serviços (fala-se de metade das repartições de finanças por esse país fora) e a muitos despedimentos. Para além do encerramento puro e simples, vários departamentos são estrangulados financeiramente e a sua operacionalidade é posta em causa. Por um lado há um degradar das condições de vida dos trabalhadores e por outro é posto em causa o desempenho das suas funções. Tem de haver uma resposta firme, não é por acaso que vemos as forças de segurança e os próprios militares a protestar.

Estas políticas põe em causa a prestação de serviços públicos a toda a população (segurança, justiça, saúde, educação, etc…), mesmo quem não é funcionário público vai sentir isso na pele. Isto também provocará uma contracção da procura interna, que afectará sobretudo muito pequeno comércio. É previsível que por este andar, para o ano, de forma mais ou menos encapotada, ocorram novos aumentos de impostos que afectarão toda a população. Neste momento, para além da função pública, embora em menor grau, existem outros sectores em luta. É provável e há espaço para essa tendência se reforçar. Na pior das hipóteses, mesmo que não sejam muito mobilizáveis, os sectores mais passivos não irão activamente defender este governo que também odeiam. Mas pode-se fazer muito mais, começa-se a sentir falta de quem mobilize esses sectores, um pouco como fez a “geração à rasca”, ou o 15 de Outubro e o qslt nas suas primeiras manifestações.

Veremos o que acontece em Viana do Castelo, este despedimento em massa e oferta dos estaleiros aos amigos do governo é um crime contra o povo e contra a pátria. A condução da luta a travar cabe, acima de tudo, aos trabalhadores dos estaleiros e em seguida ao povo de Viana. Estou certo que a grande maioria do povo Português estará do seu lado. Daqui estendo-lhes a minha total solidariedade. Direi que esta é uma luta que poderá vir a ser muito importante, se for travada para VENCER.

Miguel, espero que tenhas razão quando dizes “Não há futuro para traidores“. Lúcia gostei muito de ler “Cem metros e uma escadaria“, um melhores textos que li acerca da manifestação da polícia. O parágrafo final está muito bom,

Macedo e o gangue têm medo. Perceberam que é possível serem derrubados. E que este é um objectivo que une trabalhadores e populações. E que há quem esteja a perder o medo. E que a luta não vai parar. E que a lei não está do lado do governo. E que o povo também não. E quando o povo acorda, «é sempre cedo». 

Derrubar o Governo, expulsar a Troika. Esses devem ser os nossos objectivos principais neste momento. Os métodos e ritmos da luta devem estar subordinados a esses objectivos e  às condições objectivas. Não devem estar subordinados a quaisquer outras considerações. “Quem sabe faz a hora. Não espera acontecer.” Há que atravessar pontes, subir escadarias, ocupar ministérios e tudo o mais que for necessário para correr com o governo de inimigos do povo e traidores à pátria!

Dia 4 de Dezembro a Troika regressa a Portugal…

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5 respostas a Em ebulição…

  1. um anarco-ciclista diz:

    Este apanhado de conflitos dos últimos dias, põe em causa aquela tua ideia de débacle por causa das jornadas de outubro… 😛

    • Francisco diz:

      Imagina onde não estaríamos se não tivesse havido essa débacle! Felizmente, quer eu quer tu, estávamos demasiado pessimistas e parece que o movimento de resistência popular vai recuperar bem mais depressa do que prevíamos. De facto, há importantes sinais de que apesar dessa débacle as coisas estão a mexer. Apesar dos erros e más decisões da liderança (falha do factor subjectivo), os factores objectivos impõe-se. É tal como havia dito (e já discutimos os dois) no ponto 11 deste meu balanço da situação social no pós autárquicas: Para lá dos factores subjectivos/lideranças, a magnitude da resposta social dependerá da vontade das massas.
      De forma mais ou menos explícita, dá me a entender que a ressaca da capitulação na ponte também pressionou a CGTP a “vitaminar” a luta. Para além, é claro da própria dinâmica social e o sentir da sua base. Seja como for, como digo neste post, espero que isso seja para continuar e aprofundar e que mais sectores se juntem.
      Diria mais (e isto não é tanto para ti… é uma chamada de atenção geral), vivemos tempos novos, de transição, onde existe um enorme grau de incerteza. A história está a “acelerar” (e n é só em Portugal) em momentos tão dinâmicos como este é FUNDAMENTAL estar atento à realidade que nos circunda pois ela está em constante mutação.

  2. Pingback: Manif Contra a Privatização dos CTT – Hoje às 14h30 Restauradores -> 15h30 Terreiro do Paço em frente ao ministério das finanças | cinco dias

  3. Vasco diz:

    Ainda falta aparecer a RV a dizer «ah e tal, a CGTP, ah e tal o PCP, ah e tal os sindicatos». Isto é obra do sindicalismo de classe!!!!! Grande luta! Que continue! Que cresça!

  4. Pingback: 2013, um ano de luta social em análise | cinco dias

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