Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros

O momento em que a Polícia é Vanguarda do Povo… e Soares incendeia a pradaria.

Tochas, petardos, caras tapadas, palavras de ordem combativas e anti-governo (“passos escuta és um filho da puta”, “Demissão, Demissão”, “In, In, Invasão”),  direcções ultrapassadas e invasão das escadarias até às portas do parlamento. Momentos de alta tensão, que dão ao combate social e às manifestações um carácter que esteve perdido desde o 14 de Novembro … Descrição ao minuto aqui. Uma excelente reportagem sobre o sucedido encontra-se no 1001 noites, “Estamos a lutar por todos, por todos!”.

… quase em simultâneo o “pai” da democracia avisava o governo que se não se demitir vai ser atingido por uma “onda de violência”, Helena Roseta parafraseia a declaração de independência dos EUA  adaptando-a ao portugal deste início de século, Quando um povo é privado dos seus direitos e de uma forma violenta se vê privado dos seus meios de subsistência (…), quando isso acontece toda a doutrina, incluindo a doutrina social da igreja, diz que nesses casos a violência é legítima para pôr cobro à violência (aqui). Logo à entrada o Vasco Lourenço dava o mote, Eles ou saem enquanto têm tempo ou qualquer dia, como dizia há uns dias em Alcaçovas, vão ser corridos à paulada, se não for pior.

pol3

Pela conjunção de vários factores – conteúdo, combatividade, a natureza da classe em protesto, o seu impacto no social e político – a manifestação da polícia de passado dia 21 de Novembro é de enorme relevância.

  • Invasão, petardos, o inesperado e o que não foi feito mas poderia ter sido. Esta manifestação marca uma viragem qualitativa nos protestos que andaram muito domesticados no pós 14 de Novembro. É um sinal e exemplo poderoso para o movimento popular que combate o governo, a troika e a política de empobrecimento forçado da população. A invasão das escadarias vai para lá da rotina, foi uma acto de desobediência civil. Os manifestantes confrontaram as barreiras estabelecidas e ultrapassaram-nas. Só não foram mais longe porque não quiseram, fica dado um sério aviso. Já era tempo de uma manifestação de rua que fosse para lá do mero desfile com comício-concerto no fim, uma manifestação onde houvesse espaço e capacidade para o inesperado.  Mais do que um precedente, isto é o reacender com mais vigor da chama que por momentos esteve à solta no “Outono quente de 2012“. 
  •  Marx dizia que na sua essência o estado é um grupo de ordens armados, quando o governo começa a perder a confiança de uma das instituições armadas do estado, fica numa posição fragilizada. Este post trás uma visão muito lúcida sobre o significado desta manifestação. Nas palavras de um manifestante, fica demonstrado que o governo perdeu a confiança dos polícias e só tem de se demitir (ver fim do vídeo). O facto de serem as próprias forças de segurança, os supostos garantes da “ordem”, a quebrarem com a rotina das “manifestações ordeiras”, só contribuí ainda mais para desmistificar esse tabu.
  • A 15 de Outubro de 2011 também se ocupou as escadarias. Para além da cumplicidade entre agentes da mesma classe profissional há a relação de forças. Convém lembrar que a 15 de Outubro de 2011 os manifestantes também ocuparam as escadarias e não eram polícias. Não nego que possa ter existido alguma cumplicidade entre polícias de um lado e de outro, alguma hesitação em usar o cassetete. Mas mais do que isso, o que possibilitou o avanço sobre o parlamento foi o facto dos manifestantes serem numerosos, bem preparados, de existir um núcleo duro “irredutível” e alguns deles estarem armados. Pura e simplesmente não havia relação de forças para impedir o avanço, a não ser que se quisesse um banho de sangue (como parece ser o caso deste “pseudo” da tanga).
  • Um protesto contra o governo e pela sua demissão. As palavras de ordem gritadas na manifestação e as entrevistas dadas são reveladoras. O alvo principal era o governo no seu conjunto, os insultos eram dirigidos à sua cabeça “Passos escuta és um filho da puta”. Uma das exigências centrais foi a demissão do governo. Esta luta sectorial, tem obviamente reivindicações sectoriais, mas é também uma luta por todos aqueles que lutam contra este governo e esta política de empobrecimento forçado. Os últimos parágrafos deste texto são falaciosos e reveladores de um pensamento unidimensional anti-dialéctico. O último parágrafo não se aplica à realidade Portuguesa, por essa ordem de raciocínio o 25 de Abril nunca teria acontecido,  Diogo se tás com medo compra um cão.
  • Polícia amigo, o Povo está contigo. Pelo que é perceptível de várias sondagens on-line e fóruns a maioria da população apoiou a acção dos manifestantes. Apesar de ultrapassadas, as direcções para-sindicais não se desmarcaram do sucedido (aqui e aqui), estiveram bem. Também esteve bem a Esquerda institucional (PCP e BE). Há poucas coisas mais mobilizadoras e polarizadoras que uma acção com algum significado e bem sucedida. Estão equivocados os lacaios do governo que dizem que o povo reprova acções mais radicais.
  • E o Governo e seus lacaios? Muita miáufa… Perante o sucedido o Cavaco apela à serenidade, a reformada Esteves faz figura de pateta alegre e o Macedo saí se com o ridículo “a ver se isto não se repete”. A ultra-direita reaccionária entra em delírio histérico e faz ataques miseráveis aos polícias. Mas a cagunfa atinge também sectores “esquerda-pseudo” de matriz reformista pró-sistema (aqui, aqui ou aqui).
  • Unidade. Mais uma vez a unidade foi um factor chave. Esta foi a primeira manifestação de sempre que uniu todas as forças de segurança, a participação e entusiasmo revelado na manifestação foi muito resultado disso. Seria interessante ver uma manifestação conjunta das forças de segurança e militares com apelo à participação da população, esta parece-me uma das saídas possíveis para derrubar este governo ilegítimo e anti-constitucional.

Para lá desta manifestação, as forças de segurança têm estado em luta. Guardas prisionais estiveram em greve por vários dias há pouco tempo, o SEF tem feito greves e fala-se de uma greve às multas… Outros sectores têm vindo a protagonizar protestos, os transportes, estudantes, reitores, professores, desempregados A verdade é que não passa um dia em que não ocorra uma greve ou um protesto de algum tipo.

pol2

O encontro da aula magna juntou uma frente anti-governo e anti-ultraliberal. Desse encontro saíram algumas tiradas incendiárias que ainda ecoam no espaço mediático. Ora, essas tiradas são necessárias para se gerar um ambiente favorável à ocorrência de acções de protesto mais consequentes e radicais. A existência de uma frente táctica informal anti-governo de matiz pró constitucional, que em certos momentos consiga pressionar quer o Cavaco, quer o Governo, quer a própria direcção do PS é positiva. Sobretudo, quando também serve de megafone para um agit prop que a Esquerda institucional não quer fazer e que a Esquerda extra parlamentar não tem capacidade. No dia seguinte à queda deste governo essa frente desfaz-se e o agit prop é “metido na gaveta” pelos que fazem agora os apelos mais lancinantes. Mas até lá é aproveitar o espaço que se abre.

Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão o os primeiros. (Mateus 19:30)

Tal como os “trabalhadores da vinha” em Mateus 20:1-16 ou o filho mais velho em Lucas:11-32, alguma gente de esquerda, às vezes activista há alguns anos, fica muito incomodada quando surgem novos fenómenos e actores. Sobretudo se esses novos movimentos causam um impacto acima do que é usual.

Ora, tal como no ponto 10 deste texto tinha dito, a enorme pressão a que a sociedade portuguesa está sujeita terá consequências no plano político e da luta social. É inevitável que este seja um tempo de reconfiguração, em que surgem novos sujeitos e outros se dissolvam. Para além de inevitável, diria que é necessário. As rotinas, métodos e organizações que vêm do passado, por uma série de razões, por si só, não têm capacidade de dar resposta aos desafios do presente. Se o governo for derrubado pela luta social, isso não acontecerá por iniciativa das organizações e movimentos semi-institucionais existentes, eu espero que venham a ajudar e tenham algum papel nisso, mas não serão eles a iniciar o processo.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

33 respostas a Muitos dos primeiros serão os últimos, e muitos dos últimos serão os primeiros

  1. Argala diz:

    Agora é a Helena Roseta a porta-voz da insurreição? E uma classe profissional cuja função é defender o estado burguês? São estes os “novos sujeitos”? Os últimos feitos primeiros?

    É óbvio que o aumento da conflitualidade, mesmo dentro da classe dominante, ajuda sempre, mas como é possível que a esquerda institucional se preste a este espetáculo?! A retaguarda dos trabalhadores deixa que seja a Helena Roseta, a primeira figura pública com responsabilidades políticas a ir aos microfones dizer alto e bom som: é aceitável a violência para pôr cobro à violência. Pois é sim senhoras. Mas esta mulher ainda há pouco tempo desalojou ilegalemente uma ocupação na R. de S. Lázaro, onde também se devia ter posto cobro à violência e confrontado a polícia.

    • Francisco diz:

      E qual era a função dos militares que fizeram o 25 de Abril? Sobre a Roseta, sei bem quem é, se leres o texto está lá tudo explicado… De facto, estes são tempos muito interessantes

      • Argala diz:

        “E qual era a função dos militares que fizeram o 25 de Abril?”

        A mesma. Os militares e a polícia escolherão um dos lados da barricada. Não devem pôr em causa a hegemonia da classe operária sobre esse processo, mesmo que escolham estar ao lado dela. Quando vejo que o rastilho da insurreição vem da Helena Roseta, do Mário Soares e da PSP, não posso deixar de ficar um pouco preocupado. Mas claro, a culpa disso é nossa.

        • Victor Nogueira diz:

          Mário Soares, Helena Roseta, Pacheco Pereira e outros pretendem ser “lúcidos” e avisar que é preciso evitar as “descontroladas” convulsões sociais que ponham em causa a des/ordem estabelecida, de que beneficiam. Enquanto uns querem o retorno do “25 de Abril”, desconhecendo ou escamoteando que houve vários 25 de Abril que desembocaram no 25 de Novembro, um deles vencedor na altura e arredado do “palco” hoje por aqueles que, tal como então, com outros actores, pontificam nos partidos da burguesia do “socialismo em liberdade” ou do “capitalismo regulado ou de “rosto humano”, tentando dissolver a água no azeite – um apaga, o outro atiça o fogo.

          Desaparecerão ou abandonarão o barco da “revolução” nas suas tentativas de evitar o naufrágio no tumulto das tempestades.

        • um anarco-ciclista diz:

          pois, classe operária, vanguarda e blá, blá, blá!

          Se o Mário Soares, a Helena Roleta e a bófia resolvem fazer estrilho… que venha esse estrilho, foda-se! E se ao invés de darem sistematicamente uma de marretas sempre a criticar tudo e todos… fizessem vocês qualquer coisa para além das postadas na net?

          É como tu dizes, Xico! A bófia foi vanguarda e o Soares incendiou a pradaria…. o resto é conversa ressabiada

          • Argala diz:

            Ó Anarco-ciclista,

            Venha o estrilho todo, quanto mais melhor. Mas este desejo não me impede de ler um pouco melhor os discursos inflamados desta gente e de não querer que os trabalhadores se ponham atrás deles.

            E sim, fazer qualquer coisa para além de postadas na net é o que lhes vai retirar a tropa de choque – que eles julgam que têm -, evitando que esta defenda os seus interesses e não os interesses dos outros.

            Não estamos aqui a dar o corpo às balas pela “pátria amada” do Pacheco Pereira ou pela CRP e a “democracia” (burguesa) do Soares.

            Cumprimentos

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Se fosse eu a escrever isso – e já escrevi algumas coisas que vão nesse sentido – seria acusado de reacionário, compagnon de route da burguesia, mal intencionado… Basta ver o que o De por aqui escreve a meu respeito. Ainda bem que há camaradas com bons pergaminhos marxistas-leninistas, que vêem o mesmo que eu, ou pelo menos uma coisa muito parecida.

      • De diz:

        Uma informação para o Cardoso da silva mais os seus álibis para o que escreveu, que foi preciosamente repescado pelo insurgente:
        – ficam todos bem juntinhos numa redoma.
        O insurgente, o cardoso da silva e mais quem os acompanhar

        O texto em questão do Cardoso da Silva/Insurgente foi denunciado aqui:

        Sair do sofá
        Posted on Novembro 22, 2013 por Tiago Mota Saraiva

        Nem uma vírgula a menos.Talvez até alguns pontos de exclamação a acompanhar o cardoso da silva mais os seus companheiros de jornada
        Aí também expressei o meu acordo na generalidade com o post de Francisco Furtado

  2. despresível diz:

    repugnante

    • Francisco diz:

      Ò Jose maria, roberto desleal, anarca básico ou lá o que te quiseres chamar, afinal o que é que é repugnante no que escrevi? O outro dia até partilhei a cena que sugeris-te e que até tem alguns pontos válidos… Agora mandas uma barda “repugnante”, isto a malta tem muitos “reflexos pavlovianos”…

      • repugnante diz:

        há um vídeo chamado “the truth lies in rostock”, sobre uma revolta popular em rostock, na Alemanha, em 1992.
        a revolta envolveu centenas de lumpen, destruição de propriedade, confrontos, aplausos, bloqueios e barricadas.
        o alvo físico da revolta foi um prédio que servia de álbergue/refúgio de imigrantes, foram atacados imigrantes e anti-fascistas que estavam lá dentro e os protagonistas dos ataques foram fascistas assumidos apoiados por parte da população da zona.
        o quero dizer quando o meu reflexo condicionado é escrever “repugnante” é que, para mim, será sempre repugnante a ideia de que lá porque polícias e guardas prisionais derrubam barreiras, rebentam petardos e sobem as escadarias do parlamento isso significa que eles são companheiros de revolta. não me surpreende contudo que essa ideia seja defendida aqui; afinal, classe trabalhadora é classe trabalhadora. o pormenor de que são os responsáveis directos por meter e manter dentro grande parte de todos os outros não interessa. uma revolta protagonizada por eles poderá ser na mesma uma revolta com os seus contornos aparentes, mas não será a minha e não me parece que vá ser muito libertadora.

        • Francisco diz:

          Epá José Maria ou lá o que és… O 25 de Abril de 74 foi n vezes mais libertador e emancipador do que o lumpén de rostok em 92…
          mas se queres ter orgasmos com meia dúzia de merdas completamente MARGINAIS na história (e n só), vai em frente.
          Para mim alguém que fala do lúmpen de rostock de 92 como se isso fosse um grande exemplo e prefere esquecer-se do que foi o 25 de Abril de 74 em Portugal (e poderia dar muitos outros exemplos noutros lados), é porque anda a navegar completamente na maionese…
          Vamos lá ver:
          1 – Para mim a polícia não é apenas mais um elemento da classe trabalhadora só que fardada, mas também não são demónios malévolos a abater só porque sim. A realidade é muito mais fluída e multifacetada do que aquilo que fazes transparecer no teu comentário.
          2 – Da mesma forma que denuncio e combato a violência policial e acho que não podemos hesitar em atacar, se necessário for, os agentes da exploração e opressão, também reconheço que para qualquer Revolta/revolução bem sucedida um dos elementos fundamentais é que partes dos corpos armados do estado passem para o outro lado da barricada, ou que essas instituições se dissolvam (se te deres ao trabalho de leres os meus textos vais entender melhor a minha posição)
          3 – Como variados exemplos históricos demonstram, por várias vezes, a mudança de campos de partes das forças de segurança/armadas do estado é fundamental para o sucesso de quLAQUER REVOLTA. O 25 de Abril é apenas um exemplo entre muitos. Ou seja, a história demonstra que é possível secções dessas instituições terem um papel progressivo e emancipatório e mais, que isso é absolutamente fundamental para qualquer insurreição bem sucedida
          4 – Apesar da função que desempenham, os polícias não deixam de ser um elemento da classe trabalhadora, não deixam de ter problemas sociais gravíssimos e não deixam de actuar enquanto trabalhadores. Foi isso que se passou a 21 de Novembro e esse foi um momento em que, de facto, foram vanguarda. Noutros momentos e noutras circunstâncias não, mas naquele momento foram e espero que continuem a ser.
          5 – Não conheço a revolta do lumpen de rostok e o que ela atingiu. Mas sei o que o 25 de Abril atingiu e sei que elementos das forças armadas foram absolutamente decisivos nisso.
          6 – Todos nós temos os nossos preconceitos e ideias feitas que nos levam a ter “reflexos pavlovianos” perante certas afirmações. Foi o que aqui fizes-te exibindo os teus preconceitos “anti-bófia primário”. Temos que olhar para a realidade da forma mais objectiva possível, olhando para exemplos históricos e entendendo que em momentos excepcionais coisas excepcionais acontecem. Devemos tentar ao máximo que os nossos preconceitos não nos ceguem na avaliação crítica dos eventos, sobretudo em momentos como aquele que vivemos que são de profunda crise e reconfiguração.
          7 – Esta última semana, em muitos aspectos, teve eventos que são uma chapada de luva branca sobre as ideias feitas que todos temos, desde a direita ultra-reaccionária, até reformistas pseudo-coll, passando por malta meio anarquizante…

          • unm anarco-ciclista diz:

            o repugnante devia estudar uma beca + a história. Assim talvez compreendesse que a desagregação do aparelho repressivo do Estado é sempre uma condição para as revolução sonhadas….

  3. repugnante diz:

    relativamente a rostock, o artigo do wikipedia referente ao que chamas de merdas completamente marginais começa assim: “From August 22–24, 1992 violent xenophobic riots took place in the Lichtenhagen district of Rostock, Germany; these were the worst mob attacks against migrants in postwar Germany.” é engraçado como as coisas ou as pessoas são “completamente marginais” quando há discordância.
    por motivos entediantes deixo o 25 de abril de 74 de lado.
    em relação ao conteúdo do teu texto inicial, volto a dizer que falar da polícia, dos guardas prisionais e do sef como “vanguarda revolucionária” (assumindo que isso é um elogio) e prefere esquecer as prisões, as cargas, os espancamentos, as humilhações, as perseguições, os despejos, os assassinatos, as deportações e afins é porque anda a navegar noutras águas que não as minhas.

    • Francisco diz:

      Actualizei o meu comentário e a minha resposta já está dada. Só acrescento o seguinte… Todas as revoluções e revoltas realmente significativas são de massas, como tal envolvem muita gente diferente. Tem mesmo de ser assim. É normal E DESEJÁVEL que muita gente que anteriormente fez coisas terríveis e que esteve com o poder tenha de se passar para o outro lado… O que é que muitos dos militares que fizeram o 25 de Abril tinham anteriormente feito em África??? Aquilo que anteriormente fizeram impediu que desempenhassem o papel que depois desempenharam? Achas que a revolução vai ser feita pelo lumpen??? Eu espero que também… mas não só, ou tamos bem fodidos…

    • Francisco diz:

      Pá confesso que percebi mal a tua referência a rostok, estavas a dar um exemplo de um movimento de massas violento e reaccionário… não precisavas de dar um exemplo tão rebuscado, há milhentos exemplos desses, basta pensar nos protestos contra o casamento gay em França… A questão é que isso não tem nada a ver com o que se passou dia 21 de Novembro… Tal como disse ao Nuno Cardoso da Silva, aconselho-te a ler este meu texto, aí dou a resposta a esses anseios, é no ponto “Das derrotas e dos movimentos de massas reaccionários. Menos medo e mais audácia” embora todo o texto seja sobre estas questões.

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Os marxistas-leninistas têm uma ideia interessante de revolução. Pega-se em tudo que cheira mal numa sociedade, espicaçam-se todos os marginais, mexe-se o máximo que se pode na merda, e fica-se à espera que essa mistura repugnante derrube o poder estabelecido. Depois vêm os puros, as virgens ideologicamente bem formadas, que afastam a merda e assumem as rédeas do poder em nome do proletariado. E se o processo causar a morte de inocentes e a negação de direitos básicos a muitos, “tant pis”, pois não se fazem omeletes sem ovos e o que é preciso é derrubar a burguesia. Mesmo com recurso ao que de pior houver na sociedade. É claro que no processo de limpeza da merda ficam pelo caminho muitos dos direitos que se dizia querer defender, e a vanguarda iluminada e virginal não se incomoda de aceitar – e continuar – a herança dos repugnantes.

    Também eu quero derrubar o capitalismo e a oligarquia que dele se serve. Também eu não me importo de usar da força para derrubar a tirania. Mas não me peçam para ir remexer nas latrinas e de encorajar o que há de pior na nossa sociedade, para lá chegar. Sensibilizar a maioria de um povo para poder tomar o poder de forma legítima, ainda que violenta, é não só aceitável como desejável. Ainda que demore algum tempo. Pôr à solta o que de pior há entre nós para lá chegar, NÃO!

    • Francisco diz:

      Cardoso, primeiro diz que concorda e depois já não, veja se se decide.
      Pelo que disse no comentário acima, voçê é daqueles que são a favor da revolução no abstracto, mas depois no concreto há sempre uma desculpa pa fugir com o rabo à seringa. Neste caso não se quer misturar com “o pior da nossa sociedade”. Mas que pior é esse? Quem o define? Voçê? É o lumpen que o repugnante glorifica? È a polícia que o repugnante odeia? É quem voçê não gosta?
      Numa revolução ou conflito social intenso de massas os piores de hoje são os melhores de amanhã, num local um sector pode ser vanguarda e noutro ser baluarte da reacção. Muito depende do contexto e processo histórico. O sua visão egoísta-moralista da história não nos leva a lado nenhum… Sobre estas questões vale a pena ler o que disse aqui e sobretudo aqui.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Para mim os processos revolucionários têm limites, que lhes são impostos pela ética. Por outras palavras, há coisas que não se fazem, nem mesmo para tornar uma revolução vitoriosa. Ora o que eu constato – pela leitura de inúmeros posts do lado marxista-leninista – é que, para eles, não há limites ao que é legítimo fazer quando se está num processo revolucionário. O delicioso termo “colateral damage” inventado pelos americanos para justificarem a morte de mulheres ou crianças, parece ter sido tacitamente adoptado pelos marxistas-leninistas dentro do processo revolucionário. E de ética então nem é bom falar. Que eu saiba Marx ignorava o conceito, que lhe devia parecer pura lamechice burguesa. É claro que está aí subjacente uma incomensurável arrogância, da parte de quem acha que é dono da razão, e não olha a meios para a impor, mesmo àqueles que diz representar. Pois caro Francisco, há coisas que eu nunca farei, mesmo em nome da revolução, e mais, há coisas que tudo farei para impedir que sejam feitas por quem ignora o valor da ética. Para mim nunca haverá desculpas para os Gulag, para as Tcheka, para a tortura e execução sumária de aversários políticos. O bem não pode nunca ser construído sobre o mal, por mais voltas que lhe queiram dar.

        • Victor Nogueira diz:

          Naturalmente que não são as forças de segurança ou as impropriamente chamadas “classes médias” ou a “pequena burguesia” – que não passam de oscilantes camadas intermédias – que farão a revolução e o derrube do capitalismo. Umas e outras pk fazem parte das forças repressivas ou de reprodução da ideologia dominante, independentemente das pessoas em si, outras pk têm horror à “violência” – bombas, tumultos, sangue, depredações – “esquecendo” a violência oculta e quotidiana de não ter trabalho, salário “justo”, habitação, educação, saúde, velhice condigna. “Esquecem-na” até que lhes tocam na sua “vidinha”, que muitos pretendem de volta e nada mais que isso?

          Bem, não precisamos de trazer à colação o marxismo-leninismo para “defender” transições pacíficas, não violentas, posteriores ao nascimento de Marx e Engels. A história está cheia de movimentos milenaristas ou messiânicos afogados em sangue, como nas revoltas camponesas por toda a Europa. Feitas pelo “lumpen”, com “éticas” diferentes da dos senhores feudais. Ou a Revolução Francesa, que teve o apoio do “lumpen” “sans-culottes” e da burguesia, esta aqui tão “revolucionária” que até guilhotinou o rei e os nobres, tal como anteriormente sucedera na Inglaterra no tempo de Crommwel e da sua efémera república.

          É uma visão comovente essa dos senhores feudais a darem – “Livres”, com infinda “Liberdade” – as suas terras aos camponeses revoltados, na Europa ou nos primórdios do capitalismo na Inglaterra, Ou a burguesia por entre cantos celestiais a satisfazer as reivindicações dos revoltosos da Comuna de Paris. Ou os banqueiros e grandes accionistas dos grandes grupos económico-financeiros como Ulrich, Soares dos Santos, Espírito Santo, Belmiro ou Américo Amorim e companhia, com a sua vida bem organizada – que em si até podem ser boas pessoas, maridos amorosos, pais extremosos ou avós babosos – acordarem um dia, lerem os posts “não-violentos” e “acordarem” entre si, num livre acordo, pacífico: “vamos lá satisfazer os anseios do povo, dos trabalhadores, dos … perdão, do “lumpen”.

          Será bom que os polícias, os trabalhadores da Administração Pública, incluindo professores e juízes, e tantos outros se revoltem e “livres” saltem a barricada. Mas o que é importante é que fiquem do lado da barricada da revolução, do impropriamente chamado lumpen, isto é, dos sans-culottes, do pé descalço, dos sem-terra, dos deserdados da sorte, dos que ainda conseguem ter um naco do pão que o diabo amassou, não só em Portugal mas por esse mundo fora.

          O que o punhado dos senhores da terra neste momento fazem é retirar as “regalias” dos que na Europa beneficiaram do esmifrar dos povos dos impérios coloniais.

          Quanto à ética, ela não existe em si. Cada classe, camada ou grupo social tem a sua, tal como os assassinos, os carteiristas, os proxenetas ou os salteadores.

          Da intervenção do Nuno cito:

          «Para mim os processos revolucionários têm limites, que lhes são impostos pela ética. Por outras palavras, há coisas que não se fazem, nem mesmo para tornar uma revolução vitoriosa. Ora o que eu constato – pela leitura de inúmeros posts do lado marxista-leninista – é que, para eles, não há limites ao que é legítimo fazer quando se está num processo revolucionário. […] E de ética então nem é bom falar. Que eu saiba Marx ignorava o conceito, que lhe devia parecer pura lamechice burguesa. É claro que está aí subjacente uma incomensurável arrogância, da parte de quem acha que é dono da razão, e não olha a meios para a impor, mesmo àqueles que diz representar. Pois caro Francisco, há coisas que eu nunca farei, mesmo em nome da revolução, e mais, há coisas que tudo farei para impedir que sejam feitas por quem ignora o valor da ética. Para mim nunca haverá desculpas para os Gulag, para as Tcheka, para a tortura e execução sumária de adversários políticos.»

          Será a ética “algo” etéreo, um “ideal” válido para todos os tempos e todos os lugares?, Foram Marx e Lenine e outros na sua esteira que acabaram com o “cavalheirismo” entre oficiais em campos opostos nos campos de batalha, ou com as “boas-maneiras” entre camponeses e terra-tenentes, entre operários, proletários ou não, e os capitães da indústria, entre escravos e escravocratas ? É.por culpa” dos contestatários, revoltosos e, sobretudo, dos revolucionários – anteriores ou posteriores a Marx e Lenine – embora a galeria seja longa – que os senhores da terra não são mais generosos, antes defendendo a sua Vida contra a “vidinha” dos que a contestam e fazem perigar, defendendo com unhas e dentes e com violência – a anestesiante e a sangrenta, se esta não for suficiente – por “culpa” de quem não entende a sua ética e os seus princípios morais ?
          Mas que ética é esta, que fala de gulags e da Sibéria, mas não da Sibéria (do Czar de Todas as Rússias), de Guantánamo, Auschwitz, S. Nicolau (Angola) ou dos massacres em Wiriamo ou na Baixa do Cassange, de Dresden, de Hiroshima e de Nagasaki ? Mas que ética é esta tão atenta ao Muro de Berlim e às “cortinas” de Ferro ou de Bambu mas silenciosa quanto ao Gatekeeper, a Israel ou Schengen ? Que ética esta que é contra Tchekas mas não fala na CIA. FBI, Mossad. Getapo, PIDE ou NSA’s ? Que é visceralmente contra a “tortura e execução sumária de adversários políticos» deixando na sombra os “Einsatzgruppen”, as SA, Guernica e a repressão da efémera Comuna de Paris? Tanta sombra no meio da Claridade e da Racionalidade!
          Ou a “Ética” o que é? De que ética falamos? A do capitalismo, conhecemo-la bem: o individualismo, a da lei do mais forte (isto é, rico e poderoso), do egoísmo, do salve-se quem puder! A dos valores abstractos que escondem a barbárie. Esta já a conhecemos e a quem a defende! Não há lugar a ilusões! Cristo se viesse hoje à terra teria não Golgota à sua espera mas Bergen-Belsen ou Guantánamo!

          • Victor Nogueira diz:

            Em tempo – O esclarecedor texto do Nuno inicia-se deste modo;

            «Os marxistas-leninistas têm uma ideia interessante de revolução. Pega-se em tudo que cheira mal numa sociedade, espicaçam-se todos os marginais, mexe-se o máximo que se pode na merda, e fica-se à espera que essa mistura repugnante derrube o poder estabelecido.»

            Estamos pois e em liberdade livremente esclarecidos sobre quem o Nuno considera “marginais”, “lumpen”, “merdosos” (não confundir com “medrosos”). Para além dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, dos desempregados, dos esfomeados ou sem-abrigo, graças ao Nuno e a outros como ele, médicos, juízes, professores, trabalhadores da Administração Pública, agradecerão o alto conceito em que o Nuno, sem arrogância, racionalmente os coloca e “considera” – marginais, mera carneirada a caminho do matadouro, não- “pessoas” mas gente mergulhada na merda, repugnante, dançando ao som do Flautista de Hamlim.

          • De diz:

            Clap!Clap!Clap!

  5. Rui diz:

    Achei o texto interessante…quanto às respostas que por aqui li, apenas vos digo…com policia ou militares o importante é que quem governa para para reflectir e que de repente as armas que o defendem podem virar-se contra eles. Quando se atinge o limite a policia e ou os militares não vão estar do lado do governo mas sim do povo…disso não tenho duvidas nenhumas…

  6. um anarco-ciclista diz:

    já Napoleão dizia: “podes fazer muita coisa com a baioneta, menos sentar-te nela.”

    Que a bófia racista faça estrilho contra o governo é um óptimo sinal…

  7. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Escrito por um marxista dos nossos dias (Lawrence Wilde -1998):

    “Marx disdained ethical discourse and consistently opposed moralistic interventions in the social and political issues of his day, once proclaiming that ‘communists do not preach morality at all’. [The German Ideology, MECW 5, p247] He showed no interest in abstract discussions about how and why individuals ought to act towards each other in a morally defensible way, and he argued that capitalism had either destroyed morality or turned it into a palpable lie. [The German Ideology, MECW 5, p73] Attempts to build support for socialist ideas on moral precepts were viewed as distractions from the priority of confronting the underlying causes of social misery in the processes of material production. [Communist Manifesto, Chapter 3] For the most part the followers of Marx refused to take the question of ethics seriously, and even when Kari Kautsky wrote a book on the subject he concluded that progress flowed from historical necessity rather than moral ideals such as freedom, equality, fraternity, justice and humanity. [Kautsky, Ethics and the Materialist Conception of History] In the early part of the twentieth century the German theorists of the Marburg School and the Austrians Max Adler and Otto Bauer attempted to supplement Marx’s work with neo-Kantian moral theory, but such a move stands in flat contradiction to Marx’s stated position. It has been claimed that the legacy of Marxian and Marxist incoherence on morality has encouraged a crude consequentialism which may justify any means of action by reference to their necessity for the achievement of an end which is only vaguely stated. The horrors perpetrated by regimes claiming allegiance to Marxism, such as those of Stalin and Pol Pot, demand that we take this criticism seriously.”

    Parece afinal que vale a pena reflectir sobre a ideia de que os fins justificam os meios…

    • Francisco diz:

      Caríssimo Nuno, a sua visão tem vários problemas e inconsistências,
      Esta é uma longa discussão que não começou hoje, aconselho a todos quantos estão interessados neste tema a leitura deste texto, foi escrito em resposta a críticas como a sua A nossa moral e a deles, Leon Trotsky

      Sobre aquilo que disse nos seus comentários, no essencial, diria o seguinte:
      “há coisas que tudo farei para impedir que sejam feitas por quem ignora o valor da ética”
      Ou seja, acusa os “marxistas-leninistas” de não terem limites, mas depois é voçê mesmo que admite que está disposto a tudo para os travar. Faz me lembrar aquela malta que diz que é contra a violência e acusa de violentos quem atira meia dúzia de pedras e parte uma ou outra montra, mas depois aplaude cargas da polícia que deixam muita gente com feridas sérias, ou crítica quando essas cargas não acontecem…
      “O bem não pode nunca ser construído sobre o mal, por mais voltas que lhe queiram dar.”
      O que é o bem? o que é o mal? Quem define o que é a ética e os seus limites? Quais os limites éticos do combate ao Nazismo? O que é que seria legítimo fazer para impedir os Nazis de ganhar a II guerra mundial? O que é que Churchil, Roosevelt e Staline (e os seus povos) fizeram para vencer essa guerra? Bombardear as cidades alemãs e populações civis é contra a sua ética? As batalhas onde centenas de milhar de soldados alemães foram mortos estão nos limites da sua ética? Não é isso o que define como mal? Se olharmos para toda a história da humanidade, quantas vezes não foram necessárias guerras e insurreições para se defender, inclusivé, o direito de existência? É isso “mal”? Essa frase é uma abstracção sem sentido.
      “He showed no interest in abstract discussions”
      Há princípios gerais e universais, mas ética e moral só se podem definir no concreto, até o código penal prevê isso!!! Um roubo é igual a qualquer outro? Roubar para enriquecer é igual a roubar para alimentar os filhos? Ferir em auto defesa é o mesmo que assaltar sem provocação? Obviamente que a moral e a ética não se podem desligar do concrecto
      “Para mim os processos revolucionários têm limites, que lhes são impostos pela ética”
      Como acima disse a ética não é desligada do concrecto, não é uma entidade abstracta. Os limites são definidos pela realidade e pelo contexto, esses são os limites. Quais os limites quando a revolução francesa era atacada por todos os lados? Quais os limites para derrotar o Nazismo? Quais os limites do nosso combate actual? Os limites são definidos pela moral também, mas a moral e a ética não se podem separar do contexto.
      “Parece afinal que vale a pena reflectir sobre a ideia de que os fins justificam os meios”
      Os meios existem para quê? Existem meios se não houver fins? Ao contrário de um certo senso comum básico é óbvio que os fins justificam os meios, sem fins nem havia meios por definição. A questão não é essa, a questão é em que medida os meios condicionam os fins, logo há limites, há barreiras, porque a grande questão é que fins e meios não são independentes, são interligados. Mas a sua visão metafísica, não dialéctica é limitada e conduz o seu pensamento a contradições sem fim.

      Mais uma vez peço que leia este meu texto e seja intelectualmente honesto e consequente e não mande bardas abstractas sobre o que lá digo.

      • De diz:

        Com nível sim senhor

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        A ética diz que a força que for necessário usar deve ser proporcional ao mal que se quer corrigir. Usar da força para pôr fim a um sistema opressivo não significa que seja aceitável substituir uma forma de opressão por outra. Uma coisa é libertar um povo, outra coisa é aterrorizar esse povo para que ele nunca se atreva a contrariar os desígnios do “libertador”.

        “Ao contrário de um certo senso comum básico é óbvio que os fins justificam os meios, sem fins nem havia meios por definição.”

        Muito engraçado. Mas a questão não é a da necessidade de meios, é a da natureza desses meios. Há meios legítimos e há meios ilegítimos. E qualquer pessoa minimamente inteligente sabe distinguir entre uns e outros. Matar um adversário político é um meio para impedir que ele contrarie a nossa acção. Mas será esse meio legítimo? Ou é ele a confissão de impotência de quem não confia nos argumentos que tem e sabe que só pode vencer silenciando – para sempre – o adversário?

        Esta discussão é inútil porque o Francisco sabe muito bem o que eu quero dizer, sabe que tenho razão e quer é poluir o ar para que se não enxergue o que é óbvio.

        • Francisco diz:

          Já dei a resposta a tudo o que disses-te, estás a engonhar. Por exemplo, “Matar um adversário político é um meio para impedir que ele contrarie a nossa acção. Mas será esse meio legítimo?”, quantas guerras já foram travadas nessa base, era legítimo matar os soldados que defendiam o Nazismo durante a segunda guerra? Era legítimo matar as forças colonialistas em guerras de libertação? Era legítimo matar soldados castelhanos e a alta nobreza portuguesa em 1383-1385? Foi legítimo matar o conde de Andeiro e atirar da janela o Vasconcelos?

          Como vês nada é tão simples e cristalino como por simplismo básico dás a entender. A legítimidade ou não dos meios está intimamente relacionada com o contexto e circûnstâncias históricas. Como vês a resposta à pergunta que fizes-te pode ter vários significados. Não sejas um básico simplista e tenta ter um pensamento mais sério, fundado e sofisticado.

  8. Pingback: Em ebulição… | cinco dias

  9. Pingback: Da próxima vez que forem inventar uma lei para sacar dinheiro a desgraçados vão pensar duas vezes | cinco dias

  10. Pingback: E paz na terra entre os homens de boa vontade | cinco dias

  11. Pingback: 2013, um ano de luta social em análise | cinco dias

Os comentários estão fechados.