Estimado Tiago Mota Saraiva

Não sou candidata a Partido algum, como é do conhecimento público.  Não pertenco aliás a Partido algum, embora não seja em abstracto contra a ideia de Partidos. Há muitos anos que a minha vida cívica, pública, se faz, de forma voluntária, fora dos partidos políticos – há política e intervenção cívica fora destes e, felizmente, com muito orgulho vejo resultados importantes desse esforço, que é colectivo, em muitas áreas e muitos locais.  Não sendo médica já muitas vezes na vida critiquei orientações e prescrições desses – até na verdade já as recusei; não sendo professora primária questiono a educação da escola onde tenho familiares; até questiono a conta da luz e não sei arranjar um fusível. Os teus post sobre mim  – e não sobre o que debato  – são uma forma pública de procurar que eu deixe de escrever neste blogue, o que obviamente terá sucesso a muito curto prazo não porque eu não goste e não assuma um debate mas porque lavagem de roupa suja não é a minha área. Uma manada de fanáticos não me assusta; uma seita de milhares a actuar em conjunto também não; um Governo protegido pelo exército não me mete medo. Mas má educação é terreno onde não tenho qualquer possibilidade de ganhar. Devo aliás dizer que nesse campo serei sempre derrotada, «nem vou a jogo», como se diz – mal uma discussão entra na má educação – como chamar populista a alguém (e é não ter absoluta noção do que essa palavra significa) – eu saio. Saio dessa discussão e dou-me por vencida. Como saio desta agora. Cordialmente.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

4 respostas a Estimado Tiago Mota Saraiva

  1. Luís Marques diz:

    Escreve-se fusível, cumprimentos

    • J Alvarado diz:

      Os pequenos consumidores domésticos já não usam fusíveis, agora é só disjuntores.

      Os fusíveis não se arranjam. Antigamente reparavam-se “havia até quem o fizesse com um arame de fardo de palha” . Hoje os fusíveis APCs é usar e deitar fora. Até porque nem é permitido passar fios por o exterior.

      Exclarecido?

  2. J Alvarado diz:

    Raquel.
    Se existisse um momento propicio para dizer que não vou sentir saudades da sua ausência e muito menos quaisquer magoa por a sua partida era precisamente este ( por as queixas expressas são muitos os participantes deste espaço com a mesma opinião). Por a simples razão da sistemática censura que sempre exerceu , mesmo a comentários inofensivos.
    Raquel, não o faço porque não me guio por sentimentos de rancor . Prefiro enfrentar os meus inimigos de classe através dos factos.
    Apesar de saber que sou um quase analfabeto culturalmente, no entanto as minhas origens , a experiência das minhas vivencias por esse mundo fora a trabalhar, o que aprendi com outras pessoas de culturas diferentes, as conversas que mantive com quem pensava igual ou de forma adversa da minha, os longos diálogos que mantive com quem viveu muitos dos acontecimentos conturbados e empolgantes da história recente, tudo isso serviu para moldar a minha consciência social e saber sem margem para erros o lugar que me pertence na sociedade.

    São estes ensinamentos práticos que obtive ao longo da vida que nunca me privaram discutir igual para igual as teorias académicas da Raquel , que obstinadamente sempre se furtou enfrentar (censurava) em particular quando se tratava de assuntos sobre a União Soviética.

    Raquel neste aspeto (União Soviética) não pretendo alargar-me muito, quero apenas dizer-lhe que conheci esse maravilhoso país.
    Falei com muitas pessoas que viveram os períodos mais difíceis da sua história.
    Tive um familiar que em jovem tinha que fazer botas com casca de árvores (tilia e beriosa) para poder suportar os rigores do inverno. O socialismo esse tenebroso socialismo que a Raquel aqui tanto diaboliza deu-lhe condições para estudar e formar-se em engenharia.
    Começou a guerra em Kolkin Ghol e acabou-a na Áustria, terminou a carreira militar no posto de coronel (palkovnik) como ele milhões de outros filhos dos chamados mujiques e de bábás do tempo do czarismo o regime Soviético deu-lhe as mesmas possibilidades para estudar e se formarem com cursos universitários.

    Portanto sei muito bem o que era aquela sociedade e naquilo que está transformada , é com grande pesar que hoje assisto aos seus detratores não arranjarem uma palavra de solidariedade para o atraso e o desespero que mergulhou aqueles povos.

    Não defendo que se tratou de uma primavera permanente de Kichnev a Providenia, mas também não foi esse inverno sombrio e rigoroso que os seus inimigos querem fazer crer.

    Suponho que vai dispor de mais algum tempo livre a a partir de agora por isso deixo-lhe aqui os links destes historiadores tal como a Raquel, em particular um de um dissidente que foi muito acarinhado no Ocidente A. Zinoviev.

    http://msuweb.montclair.edu/~furrg/
    http://www.amazon.com/Robert-W.-Thurston/e/B001H9Y2U2
    http://www.amazon.com/Geoffrey-Roberts/e/B001H6NEZO
    http://zinoviev.info/wps/archives/199

    Cumprimentos

  3. RD diz:

    Voltando a Lampedusa. A Europa sabe muito bem que não é fechando as fronteiras externas que vai resolver o problema da emigração ilegal. Sabe muito bem que a parceria com os países do norte de África é fundamental para impedir o êxodo dos desesperados, tal como fez a Espanha com Marrocos, reduzindo de forma acentuada este movimento incontrolado de pessoas, que pode pôr em risco o equilíbrio social dos países de destino. http://www.raiadiplomatica.com

Os comentários estão fechados.