Resultados parciais surpreendentes

autárquicas 2013 Maputo

Os resultados eleitorais em Maputo que vão sendo divulgados são muitíssimo surpreendentes.

A votação na Frelimo surge muito abaixo dos níveis habituais, com o candidato do MDM (Venâncio Mondlane*) a receber votações muito próximas das do actual presidente do município (David Simango**), vencendo-o mesmo em várias mesas.

Se os candidatos e os seus estilos de campanha são sempre relevantes em eleições autárquicas, mesmo numa cidade capital, esta brusca mudança de tendência de voto, a confirmar-se nos resultados finais, adquire necessariamente um sentido muito mais vasto.

Representará um veemente cartão vermelho à recente deriva belicista do estado e da Frelimo, no mais importante dos seus baluartes urbanos.

Tal como as indicações de elevada ida às urnas por todo o país constituirão, a confirmarem-se nos resultados finais, um também veemente cartão vermelho à postura belicista e ameaçadora que tem vindo a ser mantida pela Renamo (que boicotou estas eleições).

autárquicas 2013 Maputo 2

* Embora familiar, não confundir com o fundador e primeiro presidente da Frelimo.

** Embora familiar, não confundir com Daviz Simango, presidente do MDM e do município da Beira.

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10 respostas a Resultados parciais surpreendentes

  1. Manuel Cabinda diz:

    É sabido por quase todo o mundo que a Renamo (Resistência Nacional de Moçambique) foi um movimento facínora, terrorista e sem definição política. É sabido ainda que a Renamo, fundada nos anos setenta pelo Sr. Ken Flowers e pelos serviços secretos da então Rodésia do Sul (hoje Zimbabwe), na altura designado Movimento África Livre e depois MNR, tinha como objectivo principal desestabilizar a República (Popular) de Moçambique e debilitar a sua base económica e infra-estrutural, a área política, social, e cultural.
    Ao fazê-lo, estaria o MNR não só a prestar serviços ao regime de Ian Smith visando fazer com que Moçambique e o seu governo não prestassem apoio ao irmãos Comrades da ZANU-PF, que lutavam pela independência total e completa do seu país, mas principalmente para criar uma base de rejeição à independência e à Frelimo pelo povo e restituir o poder aos colonialistas portugueses que reclamavam os seus prédios, as suas fábricas e demais infra-estruturas nacionalizadas –o Cristina e Co foram os percussores dos contactos com o Sr. Ken Flowers para a formação do Movimento África Livre. E mais ainda, ao desestabilizar Moçambique o Movimento África Livre, aliás o MNR, iria propiciar um clima de dependência quase que total de Moçambique ao regime do “apartheid” da África do Sul e da Rodésia do Sul, e para muitos colonialistas portugueses e assimilados moçambicanos que se haviam refugiado nestes países.
    No seu modus faciendi e operandi, o MNR, definido, estruturado e apoiado logisticamente pelo regime da Rodésia do Sul, e de tanto instrumentalizado, visava a destruição de infra-estruturas tais como pontes, estradas, oleodutos, escolas, lojas, cantinas, hospitais, mutilando cidadãos indefesos, queimando camiões com mercadorias, pessoas, que incluíam crianças indefesas, semeando terror e luto, comparado apenas com os Khemer Rouge, movimento que aterrorizou e perpetrou uma das maiores carnificinas na Ásia a que o mundo testemunhou e equiparada apenas ao holocausto dos nazis.

    • paulogranjo diz:

      Viva “Corvo”. Então hoje é “Cabinda”?

      Sim, tudo isso se sabe. Embora isso não seja tudo.
      Mas… o que é que isso tem a ver com o post? A Renamo nem concorreu.

      Ah! É verdade. Já cá afixou este comentário noutro post, e sob outro nome.
      Suponho que é o que tem aí escrito, e o que tem para dizer, sobre Moçambique em 2013.
      Já agora, se quiser, eu faço copy/paste do comentário sempre que fizer um post sobre Moçambique, e sempre lhe poupo o trabalho.

      Bom descanso.

      • Poderá consultar o artigo na integra em Jornal de Notícia de Maputo assinado por Manuel Cabinda aqui;
        http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/politica/6637-afonso-dhlakama-e-a-derrocada-final-da-renamo
        E compreenderá a natureza terrifica dos movimentos que anda por aqui apoiando já que como explica manuel Cabinda ao MDM nasceu de uma costela da Renamo.
        Cumprimentos

        • paulogranjo diz:

          Confesso que você escrevia lá dos lados do SISE; afinal, é da sede do Notícias. Isso deve estar complicado por aí, se até o Sérgio Vieira deixa de escrever no Domingo, em ruptura pública com a linha editorial do jornal, não?

          A história terrífica da Renamo é bem conhecida. Tal como, relativamente à Frelimo, são bem conhecidas a gloriosa luta e vitória anti-colonial, os campos de reeducação, a introdução da pena de morte e do chicoteamento público entre as sentenças possíveis dos tribunais, a Operação Produção, ou a introdução acelerada de um capitalismo selvagem, mas em que a apropriação da riqueza se concentra nas elites politico-governativas e em quem esteja com elas estreitamente relacionado.

          Os horrores do passado são, quer legal e contratualmente (com a amnistia mútua acordada há 21 anos), quer pela evidente vontade da população e pelas formas culturalmente autóctones de lidar com eles (https://www.academia.edu/3576324/Limpeza_Ritual_e_Reintegracao_Pos-Guerra_em_Mocambique), para ficar encerrados no passado. Ou nunca, por exemplo, o Ministro do Interior da mais repressiva fase do regime pós-independência poderia ser Presidente da República.
          Cabe às pessoas, conhecendo o mau e o bom do passado e interpretando o presente, escolher em quem confiam (ou em quem menos desconfiam) para gerir o futuro.

          Quanto a isso, o progressivo esvaziamento de apoio popular à Renamo, à medida que esta eternizava o seu discurso castrense, e o rápido crescimento do MDM (desde o início feito maioritáriamente à custa da votação na Renamo, mas também da votação na Frelimo – http://antropocoiso.blogspot.pt/2008/11/o-desengarrafamento-da-beira.html – e com base num discurso anti-belicista, anti-revanchista e de justiça social e geográfica no desenvolvimento) são claros exemplos disso.

          Entretanto, sejam quais forem as simpatias partidárias de cada moçambicano, reduzir um fenómeno com a relevância do MDM (que, entre outras coisas, veio revolucionar a lógica do quadro partidário que existia e em que Dlhakama insiste em imaginar como ainda actual – http://antropocoiso.blogspot.pt/2009/10/entre-esperanca-e-incredulidade-back-up.html ; http://antropocoiso.blogspot.pt/2009/10/as-extraordinarias-eleicoes-em.html) a “uma costela da Renamo”, a mais do mesmo, como se se tratasse de um Raul Domingos II, é uma clara miopia e autismo político, em que até duvido que você acredite.

          Um dos problemas do lambe-botismo de que falava o velho Rebelo em entrevista recente é que o afã de ser mais papista que o papa acaba por desvalorizar os próprios lambe-botas aos olhos dos chefes a quem querem agradar. Porque estes, conforme tive muitas vezes ocasião de reconfirmar, em conversas com os altos quadros da Frelimo que fui tendo o prazer de conhecer, nada têm de estúpidos nem de simplistas. Podem, pela cultura política que partilham, gostar de ter cães-de-fila e de os ver morder à bruta; mas desprezam-os.

  2. douglas diz:

    Claramente que MDM ganhou. Mas freli não vai permitir

    • paulogranjo diz:

      Peço-lhe que evite adoptar raciocínios semelhantes aos do Dlhakama, no fim da cada eleição. Já basta o mal que essa postura dele faz ao país, não é preciso mais.

      O MDM ganhou (ao que tudo indica, para já) em 4 municípios importantes e teve resultados extraordinários e politicamente muito significativos em muito lado, com destaque para os grandes centros urbanos. É extremamente relevante em si mesmo e como indicação de desenvolvimentos futuros, é o grande acontecimento do dia, mas não quer dizer que tivesse ganho em todo o lado, perdendo por aldrabice.

      Houve muitas tentativas de fraude (e, provavelmente, outras que não foram detectadas e acabaram bem-sucedidas) e de intimidação policial, mas não é por isso que a Frelimo ganhou nos sítios onde onde costumava fazê-lo com mais de 80%. Que agora gnhe nesses sítios por 51 ou 55%, frente a um partido com 3 anos e um discurso baseado no anti-belicismo e no “trabalho, honestidade, competência” e distribuição mais justa das riquezas é ainda mais significativo que os municípios que ganhou pela primeira vez.

      O MDM foi o vencedor político de ontem. Não limitemos isso e as potenciais boas consequências desse facto, para o futuro do país e para a resolução pacífica dos graves problems politico-militares actuais, com exageros de tudo-ou nada.

  3. wilson castigo fumo diz:

    vamos deixar que os outros mostrem a sua capacidade na gerencia dos municipios. mas refeiçào todos os dias satura.

  4. Vasco diz:

    Não me surpreendem os resultados do MDM em Quelimane, Beira e Gurué.
    Este ano estive por 2 vezes (em Março e Agosto) em Quelimane e no Gurué.
    Da Beira li em jornais locais o apoio que a Rio Tinto estava a dar para infra-estuturas locais ao Município, daí que me parecia “natural” que o MDM que já dispunha do município o mantivesse.
    Em Quelimane vi a cidade toda revirada na instalação de saneamento e colocação de alcatrão em todas as tuas. Ainda existia muito lixo e ratos enormes pela rua, mas todo aquele investimento (desconheço a origem do financiamento) teria de dar resultados. Também me apercebi que as autoridades locais estavam em viagem para Índia…
    No Gurué vi também as ruas do centro da cidade em obras. E vi, num fim de semana, camionetas de caixa aberta carregadas de apoiantes do MDM com bandeiras a percorrerem o mercado e a cidade. É um facto que nalgumas aldeias e localidades do Gurué se viam bandeiras do MDM em postes e casas…
    Portanto não me admirou.
    Gostei do País e das suas gentes. Senti um povo afável. Nunca me senti inseguro e percorri muitas das aldeias e localidades do Gurué, de Nicoadala, de Namacurra, do Chimoio…
    Acho mesmo que é um País com futuro, não me preocupam os episódios, são naturais em qualquer processo! Espero que Moçambique, uma jovem Nação, tenha sucesso e o seu povo seja feliz!
    E será bom que se abandonem de vez os preconceitos colonais ou neo-coloniais e senti que alguns estrangeiros que lá estavam ainda não tinham perdido o preconceito e a arrogância.
    É o meu contributo.

  5. Verónica Macamo diz:

    A chefe da brigada central da Frelimo para a província central da Zambézia, Verónica Macamo, desmentiu esta sexta-feira informações postas a circular em Moçambique alegando que ela teria dito que o seu partido haveria de recuperar os municípios da Beira e Quelimane, ora nas mãos da oposição, “nem que para isso fosse necessário derramar sangue”.

    Essas afirmações circulam em alguns órgãos de comunicação social e no Facebook desde a semana passada, indicando que Verónica Macamo, que é também presidente da Assembleia da República, o parlamento moçambicano, teria proferido estas declarações durante um evento partidário em Quelimane.

    “Meus amigos, cidadãos moçambicanos, eu nunca disse que haveríamos de recuperar a cidade de Quelimane à custa de sangue, nem à custa de qualquer coisa. Nem seria capaz de dizer uma monstruosidade dessas”, disse Macamo, falando em conferência de imprensa.

    “Não sou irresponsável, não sou capaz de educar mal uma sociedade.”

    • paulogranjo diz:

      É a glória! Estamos definitivamente internacionalizados.
      As notas de imprensa do Gabinete de Informação da Frelimo já nos são afixadas nas caixas de comentários.
      Vindas do mesmo IP que os “comentários” de um tal “José Corvo”.

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