Foi esta, há dias, a expressão utilizada pela coordenadora central da campanha eleitoral da Frelimo na província da Zambézia, Verónica Macamo.
Infelizmente, não foi só uma força de expressão, mesmo após a derrota.
Depois de uma carga policial sobre eleitores que aguardavam os resultados da sua mesa eleitoral ter, ontem, causado mortos em Quelimane, chegam notícias de um novo assassinato estatal, ainda mais chocante e gratuito.
As forças policiais de elite afectas à guarda do palácio do Governador Provincial (Júlio Veríssimo) abriram fogo sobre o desfile comemorativo da vitória do candidato do MDM, Manuel Araújo. Foi ferido mortalmente na cabeça o músico Ed Azevedo, que se encontrava ao lado do agora re-eleito Presidente do Conselho Municipal (o equivalente, em Portugal, a Presidente da Câmara).
Perante este bárbaro e gratuito homicídio, é caso para perguntar se os membros do aparelhe de estado moçambicano perderam completamente a cabeça, ou foram repetidamente estimulados a fazê-lo.
E se a nível superior, de decisão política, perderam a mão nas forças policiais que mandara, para o terreno, ou se existe um plano deliberado para causar tumultos, mortes, ou mesmo (os pormenores deste caso tornam legítimo que se pergunte) para assassinar candidatos eleitos pela oposição.
Seja como for, este é um episódio inaceitável e que, como seres humanos, justifica que, mais do que picar o ponto das expressões de repúdio, exijamos internacionalmente «BASTA!» a esta escalada e atitude belicista em todos os azimutes, impensável há poucos meses atrás.