“Havemos de ganhar, nem que corra sangue”

assassinato policial em celebração eleitoral Quelimane 2013

Foi esta, há dias, a expressão utilizada pela coordenadora central da campanha eleitoral da Frelimo na província da Zambézia, Verónica Macamo.

Infelizmente, não foi só uma força de expressão, mesmo após a derrota.

Depois de uma carga policial sobre eleitores que aguardavam os resultados da sua mesa eleitoral ter, ontem, causado mortos em Quelimane, chegam notícias de um novo assassinato estatal, ainda mais chocante e gratuito.

As forças policiais de elite afectas à guarda do palácio do Governador Provincial (Júlio Veríssimo) abriram fogo sobre o desfile comemorativo da vitória do candidato do MDM, Manuel Araújo. Foi ferido mortalmente na cabeça o músico Ed Azevedo, que se encontrava ao lado do agora re-eleito Presidente do Conselho Municipal (o equivalente, em Portugal, a Presidente da Câmara).

Perante este bárbaro e gratuito homicídio, é caso para perguntar se os membros do aparelhe de estado moçambicano perderam completamente a cabeça, ou foram repetidamente estimulados a fazê-lo.

E se a nível superior, de decisão política, perderam a mão nas forças policiais que mandara, para o terreno, ou se existe um plano deliberado para causar tumultos, mortes, ou mesmo (os pormenores deste caso tornam legítimo que se pergunte) para assassinar candidatos eleitos pela oposição.

Seja como for, este é um episódio inaceitável e que, como seres humanos, justifica que, mais do que picar o ponto das expressões de repúdio, exijamos internacionalmente «BASTA!» a esta escalada e atitude belicista em todos os azimutes, impensável há poucos meses atrás.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

8 respostas a “Havemos de ganhar, nem que corra sangue”

  1. alamo diz:

    Só uma bicha bichona como tu podia fazer publicidade à Renamo. Palhaço!

    • paulogranjo diz:

      O mais impressionante do seu comentário nem sequer é o grau patológico de imbecilidade que você demonstra ter – já que a Renamo nem concorre a estas eleições, sendo o homem que foi baleado na cabeça, mesmo ao lado do re-eleito presidente do município, apoiante de um outro partido, o MDM.

      O mais impressionante é que, perante um revanchista ataque e homicídio policial a um desfile que celebra uma vitória eleitoral, você se abespinhe com a divulgação do criminoso e escandaloso caso, quando o Tico e o Teco (aqueles seus dois neurónios) o fazem pensar que a vítima é simpatizante de um partido de que você não gosta.
      A homofobia que faz questão de exibir (quiçá por desconhecimento de outro vocabulário), faz suspeitar que parte da motivação da sua reacção será o racismo. «Os gajos são pretos, são mesmo assim, e que se matem à vontade desde que não sejam os meus pretos!» Mas, a ser como suspeito esse o caso, essa sua nova obscena imbecilidade em nada desculpa a obscenidade da sua reacção.

      Isso desqualifica-o desde logo do grau mínimo de decência humana e (podendo você grunhir o que quiser, já que nem o ladrar de um cão-de-fila é capaz de imitar), não voltará a ter, deste lado, ninguém para o ouvir grunhir.

      • paulogranjo diz:

        A mesma avaliação, decisão e razão para ela aplica-se desde já aos comentários enviados por “JosÉ Corvo” e seus heterónimos, designadamente (hoje) “José Bispo”.

        • JG diz:

          Paulo Granjo, outra solução é poupar-nos à leitura de comentários escritos por essas bestas. Assim não se chateava nem nos alterava a tensão. Penso eu de que.

  2. Pingback: .Teatro das operações – autárquicas em Moçambique. | Sentidos Distintos

  3. JgMenos diz:

    Está a chegar dinheiro a Moçambique.
    Acelera-se o batuque plutocrático.
    Toda a força e acção em defesa do povo de Moçambique. Boa sorte!

  4. Don Luka diz:

    A afirmação Havemos de ganhar, nem que corra sangue, é redondamente nojenta. Mas mais do que qualificar quem a profere, ela é uma das marcas da política, enquanto maquinaria de acção e demarcação de território.

    Não difere muito de Patria o muerte, Contra os canhões marchar, marchar, e outras igualmente bem valorizadas. Todas alimentam o conflito, a confrontação, ao mesmo tempo que desmobilizam qualquer possibilidade de cooperação.

    Tudo parece uma canção em que a razão é a eterna derrotada. Um disco riscado, um som horrível, vendido e recebido como um canto de sereia.

  5. Surprese diz:

    O Vasco Lourenço e o Mário Soares não disseram o mesmo, ainda ontem?

Os comentários estão fechados.