Pelo PRT é que vamos!

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A direita e a esquerda institucional estão exultantes com a possibilidade do 5dias fechar as portas, ideia que alimentam a cada discussão desassombrada que volta e meia se vai tendo por aqui. Do ciclista anarquista à banqueira Matos, uma grande frente aguarda na chaise longue da unidade sem princípiosDividem uvas, a seminudez, e já com alguma impaciência vão balbuciando provocações inconsequentes. Frígidos de argumentos, alguns aguardam sentados com os olhos postos no frigorífico onde deixaram a refrescar o melhor champanhe que têm na adega. Blasfemam contra a perda de tempo, mas é na perda de tempo dos outros que empenham o seu. Insurgem-se contra a falta de unidade, mas anima-lhes sempre que alguém aposta, com arrojo, na divergência. Mas como salta à vista a crise é fecunda, e desengane-se quem dúvida de um dos maiores postulados de Karl Marx. Deste recanto, para lá de agradecer a publicidade, apenas desejar que a espera seja proveitosa e o debate longo, sobretudo agora que não há nenhuma regra a limitar as asas da nossa fantasia e até o Tiago Mota Saraiva, regra geral algo enfadonho, apresenta avanços significativos ao nível do humor e da criatividade. A esquerda passou 30 anos no armário, calada ou barroca, a culpar a divergência. O resultado está à vista. Se é para tentar outra vez que seja de outra maneira.  A coisa vai!

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Mais um contributo para o debate:

http://politicaoperaria.no.sapo.pt/cadernos/caderno7.htm

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19 respostas a Pelo PRT é que vamos!

  1. Rocha diz:

    Abaixo o Barreirinhas Cunhal! Abaixo o Barreirinhas! Fora com os revisionistas do Bairreirinhas Cunhal!
    Viva o grande camarada Chico Martins Rodrigues!
    Viva o marxismo-leninismo-maoísmo-enverhoxismo!

    É verdade grande camarada Renato, com o nosso farol socialista da Albânia a coisa vai!

    Ah que saudades que eu tinha deste folclore…

    • Renato diz:

      Credo. Nem Washington, nem Moscovo, nem Tirana.

    • Argala diz:

      Folclore por folclore.. este consegue ser melhor.

    • Augusto diz:

      Rocha anda um bocado esquecido, nunca o Francisco Martins Rodrigues ou as organizações em que ele militou no pós 25 de Abril, alguma vês utilizaram frases do tipo “Barreirinhas Cunhal” , isso eram termos do MRPP, que como deve saber nada tinha a ver com o Chico.

      E é verdade que a China a Albania, a União Soviética a Coreia do Norte foram desilusões, só que alguns já o reconheceram há muito, e outros continuam a ir visitar os “camaradas chineses,” a a elogiarem as grandes vitorias do “socialismo” na China ….POIS….

      Folclore por Folclore qual prefere?

      • Argala diz:

        É pior. O Partido do Trabalho da Albânia, da Coreia e o Partido Comunista Chinês, tomam uma posição que é inteiramente justa, política e revolucionária. Tomam uma posição contra o liquidacionismo e a traição do PCUS saído do XX Congresso. O PCP não só apoia a traição e o liquidacionismo, como só quer saber da China quando ela restaura o capitalismo.

        Se afirmar que o Cunhal é reformista e social-democrata, quando efectivamente o é, então eu sou folclórico.

  2. Enfadonhamente só acho que quem escreve que a «esquerda passou 30 anos no armário» deve ter caído em pequenino no caldeirão da arrogância intelectual. E, a propósito, essa coisa do «armário» não costumava ser usada para outra coisa?

  3. PDuarte diz:

    Era peso a mais na cabeça do martelo… e os bíceps do rapaz cederam.

  4. Pingback: Rui Tavares: a última moda no pronto a vestir das inutilidades | Colectivo Libertario Évora

  5. JgMenos diz:

    Mexer no Cunhal é quase tão sacrílego como chingar a NªSª de Fátima!
    Os devotos estão em estado de suprema intolerância!
    Oremos!

  6. Rocha diz:

    O novo partido do Rui Tavares vai se chamar LIVRA. Liga dos Independentes da Vanguarda Reformista Anarquista.

    O lema vai ser: votar no Rui Tavares? LIVRA!

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Em breve veremos se se conseguem “livrar” de nós… Mas percebo que o conceito de liberdade vos incomode, como vos incomoda há bem mais de cem anos…

  7. demitos se faz a vida diz:

    O Cunhal tinha muitas qualidades, a maior delas foi a longevidade, e o pcp presta-lhe homenagens merecidas. Sem ele, o pcp teria sido, muito provavelmente, uma merda ainda pior do que foi e é ou nem existiria já. Daí a merecida homenagem que lhe faz.
    Mas há uma qualidade que o Cunhal nunca teve: a de ser um revolucionário comunista marxista-leninista. Foi um antifascista, sim, senhor, um democrata radical também, e, vá lá, um comunista idealista. Mas revolução socialista proletária, isso não era com ele. A matriz pequeno burguesa não lhe permitia tanto. E como o dono nunca foi, o clube também não. Nem será, mesmo quando comemorar o centenário (longa vida ao pcp).
    Era esta merda que deverias ter abordado nos teus escritos, e não a bacorada de que o Cunhal delatara o Chico Martins. Embora a denúncia no Avante tenha sido desprezível, não teve consequências para os visados, nem para os denunciados (felizmente), nem para os denunciantes (infelizmente). O Cunhal é apenas culpado de não ter ido além do raspanete a gente desprezível e da autocrítica para a história, para salvar a face do pcp.
    Já agora, aqui fica um link interessante sobre as posições políticas do Cunhal no que respeita à revolução em Portugal: http://aparenciasdoreal.blogspot.pt/2008/08/pcp-o-drama-que-calhou-em-sorte-classe.html
    Se esta maltosa do clube já achou demasiado extensos os cadernos do Chico Martins, decerto não gostará de cansar a vista com mais este. Eles julgam que a política se faz com paixão clubística, com fanatismo, e por isso não passam do folclore, mesmo agora, que se trata apenas de resistir; mas para fazer política não basta o “ideal comunista” ou o ideal de pertencer a um partido de resistência. Para se chegar ao socialismo e ao comunismo, que dizem ser o seu ideal, é necessário fazer a revolução socialista, e isso nunca esteve nos propósitos do Cunhal, nem do pcp, nem dos “comunistas de cartão”.
    O que por aqui vi, nos comentários a vários posts, foi a comparação do pcp com os grupos esquerdistas, como se o facto do pcp existir e aqueles já não fosse atestado de grande mérito para um partido com mais de noventa anos de existência. Mas, de facto, não têm grande coisa a mostrar, para além do sacrifício dos mortos, dos perseguidos e dos encarcerados, como se isso fosse pergaminho revolucionário.
    O que deveriam questionar, e não o fazem, é porquê durante todo esse tempo o comunismo foi sempre apontado apenas como ideal e não como objectivo de luta, e por que carga de água num país capitalista o Cunhal e o pcp nunca definiram como objectivo da luta partidária a revolução socialista proletária. Já não digo antes, que as condições de existência eram difíceis e os membros escassos, mas depois do 25 de Abril, quando o pessoal não se contentou apenas com a liberdade e os comunistas de cartão eram já em grande número.
    O que os comunistas de cartão parece não saberem é que em Outubro de 74 a revolução democrática e nacional, a própria, foi congelada, substituída por uma plataforma de emergência ainda mais recuada. E enquanto os comunistas de cartão entregavam a condução do “processo revolucionário em curso” ao MFA, a reacção foi-se armando, passou à acção em diversas ocasiões, com destaque para o Verão quente de 75, culminando no golpe de 25 de Novembro.
    E fico-me por aqui.

    • Carlos Carapeto diz:

      Tanto paleio para nada dizer.

      As nacionalizações e outras medidas para retirar poder ao capital tomadas após a tentativa do golpe falhado de 11 de Março foram da iniciativa de Mário Soares?

      Não! Talvez constassem do testamento de Salazar?

      Qual foi o partido que em Portugal retirou mais poder à burguesia e que mais direitos deu aos trabalhadores?

      • Argala diz:

        As ideias que você e o outro comentador expressam não estão em contradição.
        O PCP pode tirar poder à burguesia, isto é, conseguir posições mais vantajosas para o trabalho no quadro do capitalismo; o PCP pode fazer nacionalizações e expropriar sectores à burguesia.. e mesmo assim ser um partido reformista. Aliás, é isso que é o reformismo: a crença de que é possível superar o capitalismo, dentro do quadro institucional e legal do próprio capitalismo.

        Neste caso haviam possibilidades revolucionárias e Cunhal fez mais que desperdiçar – atacou frontalmente qualquer “aventureirismo”.

        Cumprimentos

  8. demitos se faz a vida diz:

    Carapeta.
    Tarde, mas ainda te respondo.
    No paleio está escarrapachado, com todas as letras, que o Cunhal nunca foi “um revolucionário comunista marxista-leninista. Foi um antifascista, sim, senhor, um democrata radical também, e, vá lá, um comunista idealista. Mas revolução socialista proletária, isso não era com ele. A matriz pequeno burguesa não lhe permitia tanto. E como o dono nunca foi, o clube (leia-se, o pcp) também não”.
    Se chamas a isto não dizer nada, vou ali e já volto. E se achas que é nada desmistificar a aura de revolucionário que os comunistas de cartão atribuem ao Cunhal, então estamos conversados. Podias, sei lá, interrogar-me no que me baseio para afirmar tal, mas nem isso. Mostra que vocês conhecem pouco da faceta contra-revolucionária do vosso ídolo.
    E não é preciso inventar nada, nem supor, como faz a grande doutorada no assunto Raquel Varela, que as posições contra-revolucionárias do Cunhal e do pcp no período do 25 de Abril de 74 ao 25 de Novembro de 75 se ficaram a dever a isto ou àquilo da geo-estratégia e da divisão da Europa acordada pelas duas superpotências EUA e URSS. O golpe de Estado militar de conotação de esquerda também não estava previsto e ele aconteceu. O que mostra que havia pequeno-burgueses fardados que eram mais revolucionários que o pequeno-burguês Cunhal e do que o pequeno-burguês pcp.
    Podias ler o texto para que remetia o link. Mas isso cansar-te-ia os neurónios. Paleio, dizes. Paleio foi o que o Cunhal se fartou de escrever para levar o pessoal a pensar durante mais de 30 anos que Portugal não estava maduro para a revolução socialista proletária. Agora, os textos do Cunhal estão acessíveis. Vai às obras escolhidas e lê os informes ao III, ao IV, ao VI, ao VII e ao VIII congressos; podes ler também o Rumo à vitória e o Radicalismo pequeno-burguês. Estão lá as posições políticas do Cunhal e a linha política do pcp.
    Se lá encontrares algo que não seja o etapismo reformista, pago-te um copo. Ora, o etapismo é o outro nome do reformismo contra-revolucionário. Mas, no fundo, é com este reformismo que os comunistas de cartão se contentam. Estão no seu direito. Mas, então, vão bardamerda, deixem de apelidar-se, e ao seu pcp, de revolucionários. Não tem grande mal; é apenas uma questão de coerência. Porque isto de um gajo, e um partido, terem de comunista apenas nome e o ideal é uma grandessíssima porra para enganar basbaques.
    Admira-me não me teres chamado provocador, ou não teres afirmado que as minhas palavras acerca do Cunhal eram calúnias, como muitas alminhas aqui fizeram ao RT por causa de uma baboseira de garoto mal informado que ele aqui pespegou. Pegaram nessa, mas quanto ao facto dele ter afirmado que o Cunhal fora um contra-revolicionário népia. E isto era o essencial, porque o resto era falta de informação e palermice caturra em não o ter reconhecido.
    Vê lá, se te faltar algum elemento de informação diz, que eu ponho-te aqui as provas.
    Passa bem.

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