Nelson Arraiolos, o soldado de classe

Vivemos num país com uma taxa de desemprego virtual de 15,6%. Não fosse suficientemente esclarecedora, tínhamos a taxa real de desemprego aliada ao trabalho precário para concluir que mais de metade da população trabalhadora residente em Portugal é alvo de uma ofensiva sem precedentes por parte deste governo e dos interesses que defende.

O aparelho ideológico vende-nos a ideia de uma crise passageira mas profunda que necessita do sacríficio de todos e todas para ser ultrapassada. Um género de culto pagão para pagar a dívida pública, saciar bancos e devolver lucros ao grande capital através de parcerias público-privadas, recapitalizações, flexibilização laboral e reduções de impostos (IRC). Por isso, e segundo os veículos propagandísticos sob a forma de comentadores ou jornalistas, cabe aos trabalhadores fazerem esforços sobre-humanos para dar cobro a esta enorme factura. Se não conseguirem arranjar mais que um emprego e trabalhar 12 horas de modo a obter rendimentos para manterem a sua subsistência, então que sejam empreendedores e vejam o desemprego como oportunidade para mudar de vida e deixarem de ser piegas. É esta a lógica da ideologia dominante.

Para aqueles e aquelas que, como eu, procuram construir uma contra-hegemonia contra esta falácia, o exemplo de Nelson Arraiolos é motivador. Um cidadão que resolveu combater o estigma do desempregado para encará-lo como condição de luta contra a realidade económica vigente. Afirmou o seu direito à resistência e recusa a carga fiscal iníqua que se abate sobre quem é alvo da austeridade selectiva do governo troikista.

Perante tamanha cruzada, toda a solidariedade é pouca para quem se consciencializou politicamente da sua situação e não virou as costas ao seu papel histórico. Um dever que deve ser assumido por todos os soldados de classe: tomar partido e agir no decorrer de uma grande crise.

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2 respostas a Nelson Arraiolos, o soldado de classe

  1. m. diz:

    Aqui temos um exemplo colossal, de um Soldado de Classe, injustamente tratado pelos nossos governantes a manifestar-se de forma pacífica a sua indignidade. Temos que o aplaudir e seguir-lhe o exemplo. Seres Humanos como Nelson Arraiolos fazem-nos tornar pequeninos. Mas nós, juntos, seremos demasiado grandes.

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