E contudo ela une-se

Ontem foi o Cunha, que é Vítor. Hoje foi a Helena Matos a atirar-se ao 5 Dias. A provação é grande, mas isto dá-me alguma satisfação: quando organizei, com outros, a manifestação da Geração à Rasca no Porto, guardei no coração as declarações da Helena Matos sobre aqueles que (como eu, necessariamente) promoviam a manifestação «agarrados ao canudo como os aristocratas caquéticos se agarravam aos quartéis de nobreza». É pois chegado o tempo em que poderei falar com tão eloquente figura e dar-lhe a saber, pelo que abaixo vai escrito, algo do que penso dela.

Eu compreendo a Helena Matos e reconheço que o lugar dela é significativamente mais confortável do que o meu. Ser de direita é o refúgio natural das mentes preguiçosas. À direita não se discute, não se teoriza, não se reflecte, não se elabora pensamento. Isso das teorias, das doutrinas, das ideologias, é tudo uma grande treta com que só a esquerda perde tempo. A direita é pragmática: os factos estão à vista, o diagnóstico está feito, discutir não passa de conversa fiada. O que é preciso é fazer, seja o que for, em regime de meia bola e força, da forma que seja mais fácil e, já agora, que seja também baratinha, ou torne tudo mais baratinho para todos. Naturalmente, os factos apurados por esta política do barato são-no sempre de forma técnica e asséptica, redutível a gráficos simplistas à la Medina Carreira, sem que qualquer «preconceito ideológico» turve a visão ao analista; evidentemente, o diagnóstico que a política barata extrai dos dados que mobiliza é ele também tudo menos uma interpretação em que participem categorias valorativas de quem analisa, mas antes a própria expressão do bom senso, a constatação do óbvio, a reconstituição de uma linha lógica que se mete pelos olhos dentro; indiscutivelmente, as soluções apontadas são inevitáveis, as que têm de ser, não há alternativas, e quem diz o contrário ou mente com despudor ou não percebe que «o mundo» funciona «assim».

É escusado dizer-se que, por inexplicável coincidência, a aplicação prática deste pragmatismo todo, recai sempre sobre os mesmos. Por estranha maquinação do destino, quando a direita é pragmática, nunca os banqueiros empobrecem, nem o patronato perde lucros, nem os salários aumentam, nem – supremo objectivo – os impostos chegam a descer. O pragmatismo, filho de uma visão asséptica e neutra e isenta e imparcial, tem sempre a malvadez de ir ao bolso de quem trabalha, de fazer falir micro-empresas, de encurtar pensões e reformas, de gerar desempregados e – ó surpresa das surpresas! – beneficiar milionários, seja criando novos, seja aumentando os proventos dos que já existiam. Para coisa que não foi premeditada para beneficiar uns contra outros, para coisa que não é pensada contra uns em favor de outros, a coisa não está mal. O que me faz dizer, a mim que nem sou religioso, que Deus me livre de viver num sítio em que esta gente realmente se meta a discutir e a delinear planificadamente uma forma de beneficiar os ricos, deixando de lado a isenta seriedade que a caracteriza!

Com efeito, bem sei, a repercussão que as ideias da Helena, e das demais Helenas que por aí andam, possa ter sobre quem menos tem, é a última coisa a preocupar os blasfemos. Merece-lhes um encolher de ombros, um «é a vida». Aos mais dados a empregar palavreado da moda, julgando com isso dizer coisa que expresse a sua sofisticação e sapiência, ouviríamos talvez um «é o mercado a funcionar». Já dos ainda assim dados, mau grado tudo, a sensibilidades serôdias ou hipocrisias de deputados em funções nas bancadas da direita ou a elas candidatos mais cedo ou mais tarde, talvez escutássemos um «são sacrifícios no presente para garantir melhorias no futuro». Mudam os termos, não mudam os conteúdos: a direita que há 40 anos encolhia os ombros porque a pobreza «é a vontade de Deus» ou quando muito a classificava como o caminho para um lugar no Céu, encontrou na linguagem da economia mainstream (aquela que já não se chama economia política mas que o é como provavelmente nunca o foi) a nova vulgata para um credo com funções idênticas. Ao povo já não se dá ópio, dá-se-lhe o «Negócios da Semana».

E afinal de contas – e deixo isto à consideração dos demais autores deste blogue -, para quê a preocupação com o povo? A Helena Matos acusa-nos de «comunismo de sociedade recreativa» e consigo vê-la, vê-la literalmente, à porta da sede de uma sociedade desse tipo, vendo os homens lá dentro a jogar às cartas, a beber finos, a vozear, a dizer palavrões, com uns dentes muito sujos, umas panças muito salientes, alguns mesmo de fato de treino, as mulheres naturalmente de bata e a discutir a novela de ontem. Que lugar horrível aquele! A frágil Helena estremece no alto do seu stiletto, sente-se mareada, cambaleia, enfia-se no carrinho, e acelera a toda a brida para bem longe de lugar tão feio! Quereremos nós, confrades do 5 Dias, realmente defender gente de tão baixa extracção, que não lê livros nem vai ao teatro, que come com as mãos, gente que se coça?

Aparentemente, queremos. Aparentemente, não dizemos «é a vida» quando sabemos que esta gente é despedida. Não dizemos «é o mercado» quando esta gente fica sem casa. Não dizemos «saiam da vossa zona de conforto» aos filhos deles que não têm emprego. Não consideramos «reduzir o peso do Estado» privá-los de centros de saúde, escolas, repartições, subsídio de desemprego, baixa médica, trabalho com direitos. Vamos – pasme-se! – ao ponto de defender que alguns tenham RSI. Vamos – imagine-se! – ao ponto de considerar que devem ser a classe dominante. Vamos – mas seremos bons da cabeça?! – ao ponto de não engolir a conversa «pragmática», o «diagnóstico» escorreito, as «soluções inevitáveis» que esta gente nos tenta impingir, matraqueadamente, todos os dias. E discutimos como isso se faz, sim. Mas acima de tudo unimo-nos para o fazer. E a mesma Helena que procura, em vão, ver nas discussões que por aqui nasceram a prova de que não o faremos com a mesma força, é a Helena que nos verá, na luta concreta por cada uma destas coisas, unidos como os dedos da mão.

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42 respostas a E contudo ela une-se

  1. JP diz:

    Este post devia ser leitura obrigatória.
    Dá-lhes Vilela!

    • m. diz:

      (1) Peço desculpa, vou usar o seu comentário que achei incontornável porque já não tenho espaço para escrever na caixa de comentário lá em baixo para dizer umas coisas mais.

      Relativamente ao seu comentário: Deviam todos ler e com «olhos» de «ver» é que os «olhos» tal como a «memória» também podem «trair». Desculpem os que se sentem atingidos, eu não percebo de que Partido são os que escrevem aqui, autores e comentadores, só os que se identificaram. Podem editar os meus comentários ou cortá-los à vontade. Não conheço as tendências políticas aqui de ninguém, nem andei a observar ninguém antes. Acho que chega. E muito obrigada por me deixar escrever no seu comentário.

      (2). IMPORTANTE: Não conheço os autores do blogue, nem comentadores das caixas, ninguém do PCP, PEV. BE. Conheci profissionalmente outras pessoas que são militantes do PS e PSD (mas isso nunca foi falado entre nós).

      Não gosto de dizer mal sobre isso porque se tratam de pessoas com quem trabalhei. Mas há aí uma ou duas que quando foi oportuno já lhes «serrei» em cima. E quando fôr oportuno também outras levam a bastonada devida.

      (3) Os autores do blogue sabem o meu nome porque eu uso o meu nome completo no meu e-mail, mas eu não os conheço, tal como aos comentadores. Como sei que o meu nome não será tornado público confiei. E espero que no meio desta «confusãozinha» não saltem nomes para «fora» e me «traiam». É que já não me sinto tão «confiante» assim. Eu sou uma pessoa directa; quem não gostar, pois, muita pena. Mandem-me embora e eu vou. Prefiro assim. Com coisas sérias não se brinca.

      (4) João Vilela, se me permite, se entender corte o meu comentário. Os meus comentários não são assim tão importantes para editar. A sério. Repito: quando alguém achar que não deve editar, pois bem, eu agradeço que não o editem. Trabalho numa base de confiança. Percebo o sinal. Quando entenderem, corram comigo daqui para fora.

      Não sou daquelas pessoas que se gostam de ver ao «espelho», normalmente não tenho esse hábito mas conheço muitas pessoas que têm essa necessidade. Eu não gosto muito da dimensão da auto-imagem e da dita auto-estima. Não sei bem porquê … mas fazer «psico-drama» (teatro), oh!, isso faço na boa! Todos os dias! E sou uma ganda artista!!!!

      Claro que tenho uma identidade. É a sociedade em que vivemos. Mas gosto mais da minha pertença identitária (Portuguesa).

      Fiz um esforço enorme para não fazer erros nas frases e nas palavras, como, aliás, é meu hábito. . É que eu tive mesmo um curto-circuito brutal «cerebral». Não queiram ter nunca na vida: somatizações. Sabem do que se trata? Não me estou a lamentar. Chamou-me a atenção para coisas bem mais importantes na minha vida.

      Tenho muitas saudades da Lúcia, do Bruno e do Ivo também.

      • m. diz:

        Há umas coisas repetidas neste comentário com os de abaixo. Justifico: o meu computador não aceita e rejeita TECNOCRACIAS, ou seja, NÃO GOSTA DE BOTAS PRETAS ensebadas com Banha da Cobra. Ele ontem não editou o meu comentário para eu ver: simplesmente recusou-se. Ele é mesmo um Trabalhador como eu, pertence às MASSAS, mas como não é explorado por mim, já se está a preparar para uma VALENTE LUTA DE CLASSES porque também anda bastante chateado e Indignado com VÁRIAS COISAS… nem queiram saber … nem a vós vos digo porque coravam de vergonha, se tivessem, é claro…

        Abri-o agora e vi que então, ele, coitadinho, que já muito «velhinho», tem 10 anos, devidamente bem tratado e recauchutado, me aceitou por esta vez a dita TECNOCRACIA na edição virtual de comentários. Mas ele conhece-me bem e sabe que me esforço bastante. Tenho um telemóvel Nokia made in Finland que tem quase 9 anos. Também não uso muito (não gosto) e aceitei uma vez o Facebook porque não queria ser mal educada nos convites. Mas depois de uma semana fechei.

        • m. diz:

          Também não conheço os autores do blogue. Mas passei a votar na (CDU) por minha conta e risco. Ninguém me convenceu. São mais fiáveis e não é por serem mais morais porque ainda não estiveram no Poder conforme dizem as televisões, rádios e jornais.

          Nem falo sobre o que tenho ouvido na sobre o Sr. Dr. Álvaro Cunhal: autênticas BLASFÉMIAS, MENTIROSOS!!! O Sr. Dr. Álvaro Cunhal sempre teve SENTIDO DE ESTADO, o que falta esta CAMBADA da DIREITA. O PS, infelizmente, traiu-me. E quando me traem, seja no que: «a porta da rua é a serventia da casa». «Relações cortadas».

  2. Muito bom post …com tudo …

  3. Dezperado diz:

    ” À direita não se discute, não se teoriza, não se reflecte, não se elabora pensamento”

    Este blog é um bom exemplo que à esquerda se discute…..mas quando um diz X e o outro Y, fazem birra e abandonam a discussão.

    Nas esquerda a discussão é muito rica….ou se concorda com tudo o que o outro disse, ou então acaba-se o debate.

    • João Vilela diz:

      O conceito de «discussão» é uma coisa tão longínqua para as mentezinhas da direita que se lhe torna simplesmente impossível distingui-lo do de ofensa. Imagino que seja da falta de prática. Ou isso, ou devem ser velhas pulsões, do tempo em que a discussão era reprimida pela polícia, a vir à tona: agora, à falta de bastão, há a ofensa, e a direita pela-se, quando percebe que tem de discutir com a esquerda, por se abalançar para a ofensa. Percebo. Está explicada a postura do Nuno Melo quando debate com alguém.

      • Manuel Costa Guimarães diz:

        Tem piada que não respondeu ao que o Dezperado disse.
        Quanto ao seu texto, que poderia ter sido reduzido a “a esquerda é boa e preocupada com o próximo e a direita é a encarnação do demónio”, creio que continua a cometer os mesmos erros que o resto da sua seita: achar-se melhor do que os outros.
        Dizer que “ser de direita é o refúgio natural das mentes preguiçosas. À direita não se discute, não se teoriza, não se reflecte, não se elabora pensamento.” é de quem acha que tudo sabe, mas no fundo, não sabe patavina. As pessoas discutem, não as ideologias e chamar aos outros preguiçosos, mais não é do que a confirmação de que a preguiça está do seu lado, porque nem se dá ao trabalho de discutir as suas próprias convicções com quem é realmente diferente de si na forma de pensar. Simplesmente, insulta e atira uns lugares comuns a ver se cola. Deixe-se de demagogias e populismos e pode ser que consiga sair do seu pedestal sem cair.

        • João Vilela diz:

          Respondi, pois. Nem isso conseguiu ler?

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Não, não respondeu, a não ser que ache que atirar umas palermices para o ar como “as mentezinhas da direita” ou meter a repressão do Estado Novo ao barulho são respostas para alguma coisa. Enquanto que se achar moralmente superior a quem pensa diferente de si, vai continuar a ser “isto”.
            O que se esqueceu, convenientemente, de responder, foi ao repto lançado pelo Dezperado: “Nas esquerda a discussão é muito rica….ou se concorda com tudo o que o outro disse, ou então acaba-se o debate.” como tem acontecido tão bem aqui neste blog, em que uns saiem por birra infantil e outras que nem sequer deixam os outros opinar se, claro, a opinião for fora da linha da esquerda.

          • João Vilela diz:

            «Isto» é significativamente mais do que pode almejar. A resposta ao Dezperado consta do texto. Quem a quiser encontrar, que vá ler (coisa que a direita tampouco gosta de fazer). Não vou dar-me ao trabalho de fazer um copy/paste para vos apascentar a preguiça.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Obrigado por me dar razão. Continue a achar que é mais do que eu ou qualquer outra pessoa e a fazer esses comentários jocosamente arrogantes, que só demonstra o quão frustrado é.
            Se não se dá ao trabalho de pensar, o que seria de fazer um copy/paste? O horror que seria ver alguém como você a ser produtivo. Era o fim do mundo.

          • João Vilela diz:

            Já disse que a resposta foi dada. Não se queixe de improdutividade logo você que é tão madraço, tão madraço, que o post que comenta quer reler.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Lá porque você não sabe dar respostas contundentes, não é preciso chamar-me preguiçoso ou tentar virar o bico ao prego. Não me queixei de nada, simplesmente sugeri uma hipótese a raiar o impossível.

          • João Vilela diz:

            Homem, leia o último parágrafo do texto. Vá. Já ajudei. Não pode é pedir tudo tudo!

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Obrigado, mas a única coisa que li e reli foi uma não resposta. Dizer que se unem para discutir, depois de toda a discussão amuada? A única altura em que se unem é para “demagorgitar” a vossa lengalenga do costume onde vocês são os paladinos dos pobres e oprimidos contra o grande capital. Unem-se contra o “pacto de agressão”. Unem-se para se queixarem de tudo e mais alguma coisa que vocês, na vossa infinita fantasia e delírio, acham que têm direito, porque esse é o caminho mais fácil. Trabalhar por um futuro sustentável é que é mais complicado para vocês, porque só existem enquanto que houver dinheiro dos outros. A partir daí, vão ter que produzir e ganhar capital. Vai ser bonito e memorável quando vos virmos a sair da saia do Estado. Até lá, unam-se como os dedos da mão, que nós vamos continuar a pagar a vossa manicure.

          • João Vilela diz:

            Não é bem bem só para discutir. É mesmo para vos impor aquilo que não gostam. Ah, e já agora, quem trabalha não ganha capital. Quem capital é quem explora.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Ahhh! Estava a demorar a parte da imposição! É a única forma que vocês conhecem.
            Já agora, quem trabalha ganha dinheiro. Dinheiro = capital. Portanto, o trabalhador auto-explora-se?
            Dantes essa conversa fiada ainda resultava, porque era necessária. Hoje em dia, é pura e simplesmente patética.

          • João Vilela diz:

            Dinheiro e capital são a mesma coisa? Mas de que cova saiu você com essa sua «economia»?! E sim, impomo-vos concessões do mesmíssimo modo que vocês impõem miséria e desemprego. Cada um impõe o interesse da classe que defende. Deixe-se de fingimentos imbecis.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Eu não vos imponho absolutamente nada. Vocês é que querem o meu dinheiro, não o contrário. Vocês é que querem impor a vossa forma de pensar. Eu quero exactamente o contrário: liberdade.
            Vou pôr melhor: Dinheiro = Capital financeiro.
            O “seu” capital não explora coisa alguma, quanto muito o capital consiste fundamentalmente em qualquer coisa produzida que pode aumentar o poder de uma pessoa para executar um trabalho economicamente útil. No marxismo o “capital é usado para comprar alguma coisa só para vendê-la novamente a fim de realizar um lucro financeiro. Para Marx, o capital só existe dentro do processo de troca económica – é a riqueza que cresce do processo de circulação em si e constitui a base do sistema económico do capitalismo.”
            Se quiser entrar pela economia clássica, então tem toda a razão.
            Há muitas formas de ver o capital. A verdade é que nós somos o nosso próprio capital humano e sempre que alguém tentou impor o que quer que seja em nome de uma classe que acha que representa, deu barraca. Só quando somos individualmente livres para sermos nós próprios é que conseguimos ser mais fortes juntos. Não é com imposições demagógicas que lá vão. É por exemplo.

          • João Vilela diz:

            Não existem «indivíduos». A individualidade é construída num contexto social, numa classe. A defesa do individualismo é o erro metodológico mais infantil na apreciação de uma sociedade que fazer se pode. Considerando que esse individualismo sustenta tudo no pensamento da direita, não admira o Estado do país.

            PS: Eu não quero o seu dinheiro mais do que você quer o meu: saído de impostos, progressivos, e de descontos para a Segurança Social. Quem quer o seu dinheiro a troco de nada são os rendeiros da EDP, os trafulhas das PPPs, os ladrões dos swaps, os usurários da dívida. Esses é que lhe levam o essencial do que paga, e desses não recebe você, muitas das vezes, nem um cêntimo em impostos. E ainda assim defende-os.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Não existem indivíduos?! Voltamos ao mesmo: a sociedade é feita de indivíduos, que são mais ou menos livres para expressarem a sua individualidade. Eu acho que devem expressar mais; você acha que se devem expressar menos ou nada. São opiniões. Refute-as com argumentos válidos, não com “é um erro metodológico infantil”, sem suporte.
            Quanto ao estado do país, visto que foi comandado e arruinado maioritariamente por governos de esquerda, não percebo o seu comentário.
            P.S.: Eu não quero o seu dinheiro. Nem via impostos, nem SS. Quero poder usar o meu dinheiro no que bem me apetecer e não no que você acha que ele deve ser usado.
            Se não me engano, não me viu escrever uma única palavra a favor de absurdos como PPPs, monopólios como a EDP, negócios de swaps, etc. Esses negócios só existem porque o seu tão amado Estado Forte quer meter as mãos sebosas em tudo. Depois quem paga as contas somos nós. Continuem a querer um Estado omnipotente, porque tem funcionado mesmo bem, não tem?

          • João Vilela diz:

            A individualidade é inata ou construída socialmente? Se é construída socialmente, é-o em que âmbito? O erro metodológico infantil é ignorar as respostas a estas perguntas e fazer assentar numa insustentável noção de individualismo toda a concepção da sociedade. Ah, e já agora, eu não me recordo, desde o tempo de Vasco Gonçalves, de nem um só Governo de esquerda neste país. Mas querendo, indique-me qual foi e quem o presidiu.

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Mesmo que a individualidade seja construída socialmente (primordialmente a nível familiar), assenta numa construção individual do eu, não do nós, principalmente pelas opções individuais que tomamos, nomeadamente as morais/éticas, que nos vão formando/moldando. O nosso pensamento não funciona em colmeia com a restante sociedade! Pensamos individualmente, respiramos individualmente e morremos individualmente. No entretanto, optamos por viver em conjunto, porque temos essa necessidade e porque somos mais fortes juntos, mas isso não retira um centímetro à nossa individualidade, a não ser que viva em Cuba ou Coreia do Norte, onde não tem a possibilidade de optar.
            A sua noção de esquerda é um pouco diferente da minha! Digamos que a sua é um bocado extrema (Vasco Gonçalves), mas eu indicar-lhe-ia os governos de Soares, Cavaco, Guterres, Sócrates, etc. Foram governos que se pautaram por aumentar substancialmente o Estado e todo o poder açambarcador do mesmo. Na verdadeira concepção ideológica, nunca tivemos um único governo de direita e muito menos liberal, mas isso é outra conversa.

          • João Vilela diz:

            E já agora, caro amigo, o texto não diz que nos unimos para discutir, mas para agir. «E discutimos como isso se faz, sim. Mas acima de tudo unimo-nos para o fazer. E a mesma Helena que procura, em vão, ver nas discussões que por aqui nasceram a prova de que não o faremos com a mesma força, é a Helena que nos verá, na luta concreta por cada uma destas coisas, unidos como os dedos da mão.». É incrível como é possível ler e reler as coisas sem as entender em momento nenhum. Chiça!

          • Manuel Costa Guimarães diz:

            Diz as duas coisas ou a ler e a reler o que escreveu não se apercebeu? Acho fantástico que não se tenha apercebido.

          • De diz:

            Embora me custe intervir, sou obrigado a fazê-lo perante esta espécie de credo sobre a´”estória” da “liberdade” a que se segue a missa habitual dentro do género.
            Socorrendo-me dum texto do Mário Moura:
            http://ressabiator.wordpress.com/2013/11/13/nas-fronteiras-da-pachorra/

            Já não há mesmo pachorra para estes peralvilhos a gemerem que “só queremos o dinheiro deles ” e coisas do mesmo género.Uma outra espécie de insulto e lugar-comum com que a seita do género avança , a coberto das “boas maneiras e bons costumes”.
            Demargogitam afinal o mesmo paleio sebento que nos habituaram.
            Também os tiques a respeito das “manicures” desmascaram-lhes os fundilhos

      • Realista diz:

        Curiosa hipocrisia quando todos os dias ouvimos peças como a resposta de Bruno Nogueira quando critica, do ponto de vista da esquerda, as declarações Margarida Rebelo Pinto, como sucedeu à dias.

        • De diz:

          A rebelo pinto fez declarações?
          Essa coisa declara alguma coisa que não seja o verniz da manicure que também preocupa por aí um tal Guimarães?

          Ou a manicure é o elo que liga o realista, o guimarães e a rebelo pinto?
          Uma ode à liberdade de terem uma manicure….é isso aí!

      • Dezperado diz:

        “e a direita pela-se, quando percebe que tem de discutir com a esquerda, por se abalançar para a ofensa”

        Uiiiiii…..pela-se porque a direita nem deveria ter a ousadia e o desplante de discutir com a esquerda, com os donos da razão, com seres superiores, que abraçam a ideologia perfeita.

        É esse super ego que por vezes nem deixa a esquerda discutir com a própria esquerda.

  4. JgMenos diz:

    Dizendo uns tantos disparates, tem o mérito de estar bem escrito.
    Do que diz da Direita, nada a dizer, pois cumpre os costumes.
    Quanto à Esquerda, apreciei particularmente a cínica devoção pelo mais básico basismo «Vamos – imagine-se! – ao ponto de considerar que devem ser a classe dominante.»
    Imagino de facto o que se segue ao «unidos como os dedos da mão» para dar o domínio a essa classe: um saco de gatos a lutar pelo pote!

    • João Vilela diz:

      Quem classificou o poder como «o pote» foi o seu bom amigo Passos…

      • JgMenos diz:

        Talvez a mais bem conseguida das suas criações.

        • De diz:

          ?
          O pote pelo qual anseia passos, a mais conseguida das suas criações?
          Não está bom da cabeça.
          Um seu (dele,passos) companheiro de partido e de negócios, um personagem venal e sem escrúpulos de nome catroga arriscar-se-ia a dizer que isso era um pentelho.
          Por acaso Menos já usou tal linguagem pelo menos uma vez.
          Num outro contexto mas com o mesmo claro intuito de.

        • m. diz:

          Desculpe a classificação de Passos é deveras mauzinha para não dizer pior.

          (1) A classificação do PODER como «Pote», remete, em última análise, para o «Cofre do Tio Patinhas», furreta, ganancioso, «explorador do trabalho dos que trabalham (classe trabalhadora» e só pensava em «OURO» que é amarelo.

          Pois bem, aconselharia a Passos que lesse rapidamente a obra de Shakespeare “The Merchant of Venice”, e estudasse o personagem Shylock. Posso adiantar com esta classificação: «the worst stereotype of a stingy, stubborn, cruel, unfeeling money-lending Jew». Tem companhia à farta bruta aí, na Europa e em Portugal. Portanto, está tudo dito.

          (2) Um último reparo, não me parece admissível que Mui Iustres Representantes do POVO PORTUGUÊS, utilizem expressões que remetem para dimensões muito ambíguas e falseadoras da verdade. Mas os Assessores de Passos estudaram onde? Também na Lusíada, Privada? Hum…O amarelo «a cor do pote»/ouro em termos simbólicos significa a COMUNICAÇÃO. Portanto, se ele porventura fosse uma pessoa SÉRIAS, usaria o fato e gravata e sapatos, (incluindo meias, camisas e casacos). Porque se ele brinca com coisas sérias, eu também o posso fazer aqui no blogue. Diria mais sobre simbologia, mas não se aprende nas universiades. Isto chega.

          P.S. Francamente, estas linguagens de atirar «porcaria para a ventoinha», vão de volta para ele porque de «merda» deve saber ele. «Mal y soit qui mal y pense». Os comentaristas assessores colaboradores deste triste espectáculo do dito fraquinho Poder em Cena, não percebem nada disto. De «Poder em Cena» que contém uma carga simbóllica densa, quem percebe disso é o POVO PORTUGUÊS. Porque de poderezinhos em cenaças degrandantes e mesmo «feias, porcas e más» sabemos identificar nós, POVO PORTUGUÊS. Já agora, para adiantar, também lhe poderei dizer que o «Puro» e o «Impuro», tem muito que se lhe diga. Ele que peça ajuda ao PAPA FRANCISCO porque, decidamente, ele saberá «castigá-lo». O PAPA FRANCISCO já chamou a atenção aos Dirigentes dos Países envolvidos e conviventes com escandalerias e corrupção que isso não se pode fazer é PECADO. Não se deve ir à MISSA sem se ser PURO. Não se trata de TURISMO RELIGIOSO. Ele que o entenda bem. Está a ofender os Católicos e outros que professam outras religiões seriamente.

          Eu não tenho religião, como já aqui disse anteriormente, mas sou CRENTE.
          E ser CRENTE implica, para mim, ter o devido RESPEITO por uma DIMENSÃO SUPERIOR INVISÍVEL que realizou a CRIAÇÃO do MUNDO. Não costumo nomear dimensões INVISÍVEIS, nem tão pouco as classifico. Sinto-as, o que é diferente.

          Não fomos nós, Seres Humanos(o Povo Português, por exemplo), Passos não o será certamente, tenho um problema com ele, mas ele merece-o, faço dele uma projecção sujeito/objecto, ou seja, ele torna-se num OBJECTO, mas isso é CULPA dele, em linguagem Cristã.

          Isto é Revoltante e se ele não mudar de atitude, pelo menos, enquanto no seu posto «inclinado» à espera de uma razão para se «auto-chutar», eu faço queixa ao PAPA FRANCISCO. E que ele esteja seguro que o PAPA FRANCISCO entrará em CONTACTO comigo.

          NÃO SE BRINCA COM COISAS SÉRIAS.

          E isto vai para todos os políticos, banqueiros e empresários corruptos. E a Santa Madre Igreja Portuguesa. Tenho imenso respeito por Padres Sérios que não manipulam o OUTRO.

          P.S. Este meu comentário também é só para ser entendido por SERES HUMANOS com capacidade cognitiva de ALCANCE do que aqui está escrito, de preferência, com o dito inteligência grau -1.

          «PÉROLAS A PORCOS», eu nunca dou.

          • m. diz:

            Correcção: Portanto, se ele porventura fosse uma pessoa SÉRIA, usaria o fato e gravata e sapatos, incluindo meias, camisas e casacos AMARELOS.

            Acrescento, dos pés à cabeça e,já agora, que pintasse o que lhe «resta» de cabelo de amarelo, baton amarelo, pestanas, incluídas.

            Aconselharia ainda uns Brincos, umas argolas quadradas DOURADAS: ficar-lhe-iam muitíssimo bem, não tenho dúvidas nenhumas

          • m. diz:

            Correcção do que escrevi numa frase aqui não sei se é o lugar certo porque não sei escrever bem em blogues: Tenho imenso respeito por Padres Sérios e – Madres
            Sérias – que não manipulam o OUTRO.

            DECLARAÇÃO: Declaro a terceiros, que não aos autores do blogue, que não conheço ninguém neste blogue; porventura devem saber quem o meu nome completo porque eu não ando aqui com códigos marados. Não ando aqui a brincar. Também não conheço nenhum dos comentadores das caixas de comentários.

            Peço desculpa por lerem tanto. Mas desta vez, a meu ver, era mesmo preciso.

  5. Pingback: Coisas que importam (este texto não é sobre Cunhal) | cinco dias

  6. m. diz:

    Pois, isto de rituais «virtuais» de entronização do Capital, via «Roubos através de Negócios à conta da exploração da Classe Trabalhadora da Semana à la Gomes Ferreira» torna-se, de facto, algo maçador, mas que os Povo Português gosta muitíssimo mais dos seus queridos «Rituais de Subversão», por exemplo o dos «Caretas»; não estão para aturar esta gente tão inteligente e aquelas técnicas de focagem da imagem via televisão, é uma coisa de miúdos um bocado «quacriculados». Eu lembro-me do papel «quadriculado», mas agora há erros no Excel destas contas maradas e de que ninguém fala na rádio, jornais e televisão e por aí fora. Porque será?

    (2) O Povo Português gosta mais de trabalhar o «barro» e a «Ordem e a Desordem» sabem eles, elas e eu colocar na devida «Casa». Mas nunca fiando os «rituais de subversão» à la Gomes Ferreira NÃO servem, neste caso, para reforçar o Poder, quero aqui deixar nota. O Poder tente o que quiser mas o Simbólico nas Tradições parece-me um «dado universal» … e é uma chatisse para a gente do Capital mas eles com as mentes mesquinhas não chegam lá … É por isso que certos «Contos e Mitos» são «guardados a sete chaves» porque o Poder das Tradições dá uma visão do mundo universal a 360º … não é para todos … só para Sábios Sérios.

    Eu não conheço os segredos, mas tenho como livro de cabeceira o conto «Branca de Neve e os Sete Anões», cá para nós.

    P.S. Este comentário é porventura para ser lido e entendido só por gente com um grau de coeficiente de inteligência -1.

    • m. diz:

      Correcção ortográfica: « Caretos»

      P. S. Sofro de uma amnésia mental já há muitos como, de resto, já aqui deixei escrito no blogue …Já nem sei escrever … mas pensar sim, acho que sei, pelo menos faço enorme titânico para não ser pensada, isso é que era bom e os meus Sonhos andam tratar de mim…

      Vejam lá ao que fizeram à nossa Língua… uma maçada… então para os míudos na Escola deve ser um «quebra-cabeças».

      A propósito vou ver se arranjo um «QUEBRA-CABEÇAS» apropriado ao Nuno Crato. Talvez ele aguente o desafio, a luta e o combate…duvido…parece que ele é um «crânio» deve ser só osso, portanto, está tudo dito…

      • m. diz:

        Mais umas correcçõezinhas peço desculpa:

        (1)«já há muitos anos» (é verdade, isto mesmo a sério, já escrevi no blogue)
        (2)«um enorme esforço titânico»
        (3)«andam a tratar de mim»

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