celebrar o 14 de novembro:

Agarrar-se ao que se sente ser a verdade. Partir daí.

<<Um encontro, uma descoberta, um vasto movimento de greve, um tremor de terra: todo o acontecimento produz uma verdade, ao alterar a nossa maneira de estar no mundo. Inversamente, uma constatção à qual ficamos indiferentes, que não nos modifica, que não nos compromete, ainda não merece o nome de verdade. Existe em cada gesto, em cada prática, em cada relação, em cada situação, uma verdade subjacente. O hábito é o de iludir, de gerir, o que produz a desorientação característica de grande parte das pessoas desta época. Na realidade, tudo se relaciona com tudo. A impressão de viver numa mentira ainda é uma verdade. Trata-se de não a largar, de partir daí mesmo. Uma verdade não é uma visão do mundo mas o que nos mantém ligados a ele de forma irredutiível. Uma verdade não é algo que se detenha mas algo que nos move. Ela faz-me e desfaz-me, ela constitui-me e destitui-me como indivíduo, ela afastea-me de muita coisa e torna-me parecido com aqueles que a experimentam.

O ser isolado que a ela se agarra encontra fatalmente alguns dos seus semelhantes. Na realidade, todo o processo insurreccional parte duma verdade relativamente à qual não se cede. Viu-se em Hamburgo, no decorrer dos anos 80, que uma mão cheia de habitantes duma casa ocupada decidiu que daí por diante seria preciso passar sobre os seus cadáveres para os expulsar. Houve um bairro cercado de tanques e e helicópteros, dias de luta de rua, manifestações gigantescas – e no final, uma autarquia que capitulou. Georges Guingouin, o “primeiro masquisard de França”, só tinha, em 1940, como ponto de partida, a certeza da sua recusa da ocupação. Para o partido comunista não era mais do que um louco que vive nos bosques; até que passaram a ser 20 000 loucos a viverem nos bosques e a libertar Limoges.>>

A insurreição que vem, Comité Invisível.

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