Mesmo não tendo feito um trabalho de investigação sobre o PCP, como a Raquel Varela, tenho obviamente a minha visão sobre o assunto. Válida ou não, é a minha.
É com base nessa visão das coisas que te digo, Renato, que não concordo com nada do que escreveste sobre Álvaro Cunhal. Reconheço-lhe o mérito de ter lutado por uma sociedade melhor antes e depois do 25 de Abril. O mérito de ter provado, em plena «democracia parlamentar burguesa», como bem lhe chamas, que o PCP era e é um Partido diferente.
Não me parece que a delação tenha sido por ele «abraçada convictamente», como referes no teu post. Bastaria olhar para as datas: quando Francisco Martins Rodrigues foi preso pela PIDE, Álvaro Cunhal estava no exílio. Quanto ao Avante de Dezembro de 1964, acusar de delação um comunicado que informa que que Francisco Martins e Rodrigues e outros foram expulsos do Partido parece-me muitíssimo exagerado.
Quanto ao facto de Cunhal ter «combatido o esquerdismo» e outras afirmações tuas, sinceramente não sei o que diga. Fico sem palavras.
Não obstante tudo isto, Renato, parece-me que tens todo o direito de exprimir a tua opinião e de achares de Álvaro Cunhal o que muito bem entenderes. De Álvaro Cunhal, de Lenine, de Estaline ou de Trotsky. Da mesma maneira que tens todo o direito de achares o que quiseres dos piropos. Não entendo que haja tabus no 5 Dias. Não entendo que as figuras máximas do comunismo estejam a salvo da crítica apenas porque sim.
Infelizmente, em vez de responderem ao teu post e rebaterem, muito melhor do que eu, todas as críticas que fazes, alguns de nós decidiram ir embora. Tenho muita pena, mas parece que é a sina do 5 Dias.
Em defesa de Álvaro Cunhal
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