É a política, estúpido!

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Ninguém melhor do que os militantes do PCP deveria estar familiarizado com o significado de purga, embora se compreenda terem menor entendimento sobre o que é uma cisão. Espero que a dialéctica melhore. Bem como o materialismo. Quanto ao providencialismo, ninguém o tem pelo que não há imprescindíveis, nem aqui nem em lado nenhum.

Que o Futuro do 5dias seja discutido e decidido sem a coação sentimental em curso e, sobretudo, seja feito pelos autores que aqui chegaram há pouco e estão mais livres de decisões centralizadas pelo Comité.

Percebo, porém, a tentativa de homenagem. Se o Senhor virou as costas à revolução, faz sentido que virem também as costas ao debate. Agora não têm é como vender a ideia de que lhes está a ser retirada a palavra. Como Cunhal não tinha como vender a ideia de que não havia condições objectivas para consolidar os avanços do PREC. Naquele tempo como agora, são as decisões superiores a travar o processo, e não o processo a determinar as decisões superiores.

Quem prefere o silêncio está no seu direito, com muita pena minha, mas não está no direito de dizer que a sua escolha pelo fim das palavras é resultado de uma mordaça que ninguém por aqui impôs a ninguém. A escolha é simples. Ou o 5dias permanece como um espaço plural, entre pessoas que querem e sabem debater política sem religiosidade, ou o 5dias se transforma num blogue onde o Partido Comunista é o único a salvo da crítica.

pur·gar

 – Conjugar
(latim purgo, -are)

verbo transitivo

1. Limpar, purificar pela eliminação das impurezas ou matérias estranhas.

2. Livrar de obstipação intestinal ou de impurezas interiores por meio
de purgantes ou outros medicamentos.

3. Administrar uma purga.

4. [Figurado]  Livrar.

5. Tornar puro, desembaraçar.

6. Expiar.

verbo intransitivo

7. Evacuar; deitar de si; lançar pus, humores, etc.

verbo pronominal

8. Tomar um purgante.

ci·são

(latim scissio, -onis, racha, fenda, lasca, divisão)

substantivo feminino

1. Acto ou efeito de cindir. = CORTE, DIVISÃO

2. Diferença entre opiniões ou pontos de vista.

   DESARMONIA, DESINTELIGÊNCIA, DISSIDÊNCIA, DIVERGÊNCIA

3. [<dominio_ext_aao>Física nuclear]  O mesmo que fissão.

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13 respostas a É a política, estúpido!

  1. JP diz:

    O que você e a Raquel andam a fazer não tem nada de debate.

    É apenas o destilar de um anticomunismo primário, já antes tentado, mas nunca bem sucedido. Para tal não olham a meios e inventam factos, deturpam citações e fazem leituras parcelares da história.
    Têm azar porque muitos destes acontecimentos ainda são do conhecimento dos que aqui vêm.
    Em relação ao seu post da delação na PIDE já lhe foi explicado que o partido não teve nada que ver com esse acontecimento. O Renato insiste (porquê?) em bater nessa tecla e não sai dali.

    A Raquel então ainda é pior. Lança os raciocínos mais retorcidos e recusa aprovar os comentários subsequentes que mostram a fragilidade (para não dizer outra coisa) da sua “história”…

  2. Fuas Rouquinho diz:

    O inimigo real, concreto, feroz, a tentar „purgar“-nos à bruta e nós a celebrar as purgas de outros tempos, fazendo da história uma coisa limpinha, higiénica, talhada à medida de qualquer ideal estético renascentista. Como há-de a dialéctica melhorar se nem sabemos o que queremos? E que materialismo é esse se nem sequer admitimos que caia uma poeira insignificante na pureza virginal da nossa revolução ideal? Te digo, Renato, a revolução é uma coisa muito suja e só pelo simples facto de os seus protagonistas terem de abrir caminho pelo mar imenso de merda acumulado pelas classes destronadas. Porque sapiscas, Renato, os teus companheiros de luta, com a merda ideológica em grande parte espalhada pelos teus inimigos de classe?

    • Renato diz:

      Uma desgraça existir contraditório. Um dia resolve-se numa purga a sério. Como é que se faz mesmo?

      • Fuas Rouquinho diz:

        o contraditório não é desgraça nenhuma. Temos que o assumir. Ele é a fonte do movimento, do desenvolvimento, do avanço. O que temos é de saber de que lado estamos no momento do contraditório. Ou acertamos o passo pela História e participamos do seu movimento ou somos arrastados por ela. Os erros e desvios atrazam-na e distorcem a sua percepção mas não a param, nunca a pararão. Os Estalines, as Coreias do Norte, são pedras nos sapatos da grande caminhada mas se queremos avançar não podemos ficar a lamentar as pedras nos sapatos. O capitalismo é uma das criações mais lindas da sociedade humana mas também ele terá de arrumar as botas. Foi ele que criou, educou, engrandeceu a classe que o irá enterrar. Não há aqui nada de mal, é a vida no seu movimento. Cunhal foi um homem na melhor acepção da palavra e como homem, sem dúvida que cometeu erros e em alguns momentos não tomou a decisão mais acertada, e por isso devo ficar a recriminá-lo, esquecendo todo o seu grande contributo para a melhoria de condições de vida dos trabalhadores?

      • Ivan Panfilov diz:

        A que purgas te está a referir Renato?

        Tem cuidado não brinques com o fogo que te podes queimar!

  3. Victor Nogueira diz:

    E pk não: “Ninguém melhor que os militantes do PS para saberem o significado de purga” ? Ou para saberem o significado das purgas, muitas vezes radicalmente radicais e erradicadoras ninguém melhor que os mexicanos e outros latino-americanos que passam o muro na fronteira (Gatekeeper) com os EUA ou os cidadãos dos EUA para saberem de ouvido ou de facto o que são as purgas, desde McCarthy ao Patriotic Act ou os “deserdados” que ousam atravessar o muro de Schengen e morrem afogados ou os ciganos por essa Europa fora ! ?

  4. João. diz:

    “Se o Senhor virou as costas à revolução, faz sentido que virem também as costas ao debate.”

    Você pensa como um liberal ao equiparar revolução e debate.

    Porque é que faz sentido? Não faz sentido nenhum já que, que eu saiba, uma revolução nunca se fez a partir do debate infinito de todo e qualquer tema, ou seja, para manter alguma sanidade revolucionária é preciso por vezes virar costas ao debate.

  5. Ivan Panfilov diz:

    G´anda Koba Renato.

    Ivan Panfilov

    Cumprimentos desde Volokolamsky.

  6. Pingback: Auto da Autocrítica | cinco dias

  7. Surprese diz:

    Engraçado, só agora é que algumas pessoas descobriram que o PCP não defendeu, não defende, e nunca defenderá a Democracia.

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