«Álvaro Cunhal», «O Cunhal», «O Álvaro»

Multiplicam-se por estes dias os lançamentos de livros sobre o militante e dirigente comunista Álvaro Cunhal. Alguns são conjuntos de estudos sobre textos da sua autoria, outros são análises da sua vida privada, outros análises sobre o seu percurso político, outros são textos do Pacheco Pereira. Todos têm uma coisa em comum: quem os escreve não é militante do PCP (talvez tenha sido e isso dá-lhes um je ne sais quoi de superioridade moral e científica sobre tantos outros) com excepção de um texto de Arsénio Nunes num livro de José Neves, quem os apresenta não é militante do PCP (lá está, preserva a sua eterna qualidade de ex-militante) e as apresentações servem para a criação de um mito ou mesmo um monstro.

Cheguei mesmo a ouvir, da boca de Pacheco Pereira, não existirem textos de Álvaro Cunhal disponíveis (e o que dizer dos 4 Tomos das Obras Escolhidas?) ou que teria escrito um texto sobre a arte. Verdade, não deixa de ser um texto,recorrentemente deixado de lado talvez por ser uma das obras mais interessantes sobre a Arte, o Artista e a Sociedade, provavelmente uma reflexão única e ímpar sobre o tema.

Adiante.

Pois que se multiplicam as apresentações, muitas delas centradas na crítica às comemorações do centenário de nascimento de AC, na atitude fechada do PCP sobre si mesmo, à personalidade de Álvaro Cunhal (coisa que me intriga particularmente dado que a maioria conversou uma ou duas vezes com ele) e à suposta autobiografia que é feita nos seus romances (ou, para quem não percebeu, obras de ficção…) com relambórios de considerações dificilmente consideradas científicas.

O facto dos seus camaradas não serem chamados a falar sobre eles e sobre a sua obra é facilmente perceptível. É que, se forem convidados, provavelmente, em dez minutos, reduzirão as ditas «obras» a pó. Como este singelo exemplo.

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