Sobre a Ordem dos Arquitectos

Nos últimos tempos tenho vindo a ser contactado por vários arquitectos para saber se estou envolvido ou se tenho conhecimento de alguma candidatura à Ordem dos Arquitectos que possa servir os arquitectos. A minha resposta tem sido sempre negativa.
O manifesto desinteresse (e, tantas vezes, ódio) da maioria dos arquitectos para com a sua organização profissional prende-se, em primeiro lugar, com o facto da maior parte dos seus problemas serem comuns aos da maioria dos cidadãos.
Ainda que a Ordem dos Arquitectos devesse ser uma expressão activa do combate de cidadania que é preciso fazer contra a troika e os seus governos – que não se concretizará sempre que as direcções da OA plasmarem os equilíbrios partidários do bloco central – há neste momento outras organizações e activismos prioritários e em que se vê cada vez mais arquitectos envolvidos. Por outro lado, a práxis de uma minoria dos seus dirigentes que acumula a maioria do poder, tem vindo a transformar a única organização profissional que reúne os arquitectos, numa instituição cada vez mais desinteressante para quem tem (ou quer ter) uma atitude transformadora.
Como é possível a OA continuar a assobiar para o lado perante o inenarrável processo da Parque Escolar? Como é possível não haver uma palavra sobre o direito à habitação, a privatização da água ou a lei das rendas? Como é possível nada dizer quando, com uma alteração do Código de Contratação Público, se retirou a obrigação de realizar concursos públicos para 80% dos projectos públicos?
Nestes últimos seis anos temos visto uma OA parada e ausente dos grandes debates públicos que interessam e particularmente empenhada em dar brilho aos amores e ódios dos poucos dos seus dirigentes, que após a espuma das eleições, acabam por acumular funções e desmandos.
Agora que se avizinha o próximo acto eleitoral não me parece que vá ser possível contrariar a lógica de uma Ordem dos Arquitectos com poucos, para cada vez menos.

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4 respostas a Sobre a Ordem dos Arquitectos

  1. m. diz:

    Tenho andado com televisão desligada.

    (1) Da última vez, ouvi uma reportagem na televisão a dizer que as mães estão a dar leite de vaca dos supermercados aos seus filhos menores de 2 anos por não terem dinheiro para comprar o leite em pó adequado porque custa mais caro. Resultado: os bébés têm ido parar ao hospital e os pediatras avisaram que tratava de um procedimento muito perigoso para a saúde dos bébés.

    (2) Os pais têm andado a entregar os filhos nas IPSSs porque não têm dinheiro para os manter os alimentar. A Segurança Social (Mota Soares) dá €700.00/més por cada criança pago por nós, contribuintes às IPPS para as crianças à sua guarda em vez de os dar aos pais para as manter em casa junto deles.

    (3) Mas para manter ordenados e mordomias as Joãos Belos Rodeias, Presidente do IPPAR desde 2005, actuamente Presidente da Ordem dos Arquitectos há anos com grandes viagens (custa-me seguir o trajecto profissional porque me enjoa) parece que não há bébés que podem morrer por falta de leite adequado ou crianças vão crescer marcadas para a vida toda pelo «abandono» forçado dos pais às IPPSs por falta de dinheiro dos pais, resultado do desemprego.

    Se eu estiver a dizer alguma asneira, peço o favor que alguém me diga.

    • m. diz:

      Correcção: João Belo Rodeia, Presidente do IPPAR em 2005, NÃO é desde, já lá não está. Peço desculpa pelo engano.

      É que me custa escrever sobre estes assuntos, mas faço questão de o fazer, porque se não o faço, me acho conivente e colaboracionista com este Governo e também com os anteriores, desde que tomei a consciência que foram também responsáveis por todo este acto de guerra em curso contra a população portuguesa.

  2. Por isso é que te devias candidatar, para furar, provocar, mexer, agitar. Digo eu.

  3. JF diz:

    É um enorme vazio esta Ordem.
    Dá a impressão que só serve para promoção dos seus dirigentes e amigos que assim consolidam a influência (os mais velhos) e permite ganhar visibildade (os mais novos). Entretanto vamos pagando as cotas para financiar grandes mostras dos “feitos” da arquitectura portugesa lá fora, a maior parte das vezes com projectos de qualidade dúbia e que não reflectem minimamente a actualidade do pouco que se produz cá pela terra.
    Esta Ordem é amorfa, acéfala e acrítica como convém para deixar tudo na mesma e não provocar ondas; sabe-se lá se daqui a meia dúzia de anos não há para aí umas obras públicas e não convém ter mandado uns bitaites.
    A OA sempre serviu para distribuir trabalho pelos amigos, agora que não há, que sirva para tentar vender no Brasil, nos Palop ou onde der…
    É triste, mas não é novidade.

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