Pobres dos Ricos

Esta semana a EDP apresentou lucros na ordem dos 800 milhões de euros. Curiosamente, esta semana também, a EDP decidiu desencadear uma mega-operação de corte de electricidade a um sector de privilegiados que vive à grande e à francesa nos “luxuosos” bairros sociais de Lisboa e Porto. E se aqui se usa de uma certa ironia, veja-se como, na idiossincrasia de João Miranda, se desenha uma vida faustosa das gentes de um desses bairros, no caso o do Lagarteiro, caracterizada por ele como gente que recebe – e coloca tudo ao molho para engrandecer ainda mais a coisa… – “uma data de pensões”. Aquilo é um fartote! É uma data de euros e de euros valentes! Aquilo é que é “mamar”! João Miranda fala de “complemento solidário para idosos, subsídio social de desemprego, abono de família e pensão social de invalidez” como se estivesse a falar de mais-valias bolsistas, salários milionários de gestores, motoristas particulares, jactos privados, benesses e luxos que auferem e de que beneficiam certamente os Mexias desta louvada terra. “Pobres dos ricos”, faltou dizer taxativamente na curta prosa, onde o autor, para espalhanço geral, traz à liça o “favor” da EDP em conceder “obrigatoriamente” (diz ele) uma “tarifa social de electricidade” aos moradores, caindo na clamorosa contradição que constitui não poder usufruir desse tal “luxo” quem, como ele diz, “rouba” ou “não paga” a electricidade. Enfim, é meter ao barulho e pode ser que cole. E não cola.

Só que o que é curioso aqui sobretudo é verificar como a direita pugna de forma acérrima pelo cumprimento de “contratos” e de “obrigações”. Espantoso zelo este pela fórmula incontestável dos “deveres contratuais”. Curiosamente, não se lembram desses tais deveres contratuais quando toca a falar de cumprimento do “contrato” estabelecido, por exemplo, entre Estado e trabalhadores contribuintes, entre Estado e reformados ou entre Estado e pensionistas. Não se importam nada, até aplaudem vigorosamente, que o governo saque às pessoas aquilo que por “contrato” lhes pertence. Em nome de políticas de favorecimento do sistema financeiro, vislumbrando contraditoriamente no lamaçal e na podridão da banca, da especulação, dos “mercados” a solução para todos os nossos males, aí, tendo em vista tais objectivos, já se pode conspurcar a sacrossanta obrigação de cumprir o que se deve, de se pagar a quem se deve e tudo o que se deve.

Se há dias se lia na imprensa que em todo o país havia um total de 100 mil (!) pessoas a receber RSI – uma multidão de privilegiados… -, é provável que haja aí uns 100 “ricaços” no Lagarteiro a gozar à grande e à francesa os seus 180 ou 190 euros de rendimento mensal. São uns ingratos, que ainda por cima não respeitam os valorosos “favores” da empresa dos 800 milhões de lucro. É coisa verdadeiramente inadmissível, uma blasfémia. Pobres dos ricos. Malditos sejam os pobres. Amén.

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Sobre Ivo Rafael Silva

Mestre em Tradução e Interpretação Especializadas; Licenciado em Assessoria e Tradução; Investigador de História e Etnografia; Investigador do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP; Tradutor freelance; Secretário administrativo; Militante do PCP desde os 18; Membro da JCP desde os 16.
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28 respostas a Pobres dos Ricos

  1. m. diz:

    Deve haver um engano nos valores. Com é hábito, os jornais, as televisões e as rádios, detidos pelos amigos dos administradores da EDP, só dizem MENTIRAS. Isto é tudo para enganar. Não acredito que a Administração tenha ganho só 6 milhões de euros.

    O melhor é o pessoal que tem dinheiro no banco, os que ainda tiverem algum, tirarem todo de lá. Um dia destes acontece o que que aconteceu em Chipre. Roubam não acima dos €100.000.00, mas acima dos €100.00. É que nós não temos as jazidas de gás que tem Chipre. Certificados de Aforro agora com um juro alto, dizem eles que é bom investir.Para mim, é uma armadilha. Nem Certificados de Aforro, nem bancos. O melhor é não ir em conversas e guardar o dinheiro num sítio secreto. A inflação está baixa. Não há o perigo de perder. Mas é preferível ter o dinheiro fora dos bancos, porque está mais bem guardado. Estou a avisar.

    O que tenho ouvido no que se passa nos bancos é que o pessoal quem tem dinheiro anda a tirá-lo do país.

    • A notícia acima já é antiga. Entretanto o valor deve ter aumentado e ser muito superior.

      • m. diz:

        Muito obrigada pela informação. Bem me pareceu que era muito pouco. Obrigada de qualquer das maneiras. Estas informações são sempre úteis para nos lembrar quem nos rouba e quem devemos prender quando tivermos a oportunidade.

        Vivo no centro de Lisboa. As puxadas de electricidade, água, gás, cabo, internet na minha zona são o «prato do dia». Não é preciso viver em Bairros Sociais. Nós, no centro da cidade de Lisboa, transformámo-nos num Bairro Social. Lisboa, o Bairro Social de António Costa.

        Mas atenção: o dinheiro que anda a sair para o estrangeiro também não é de agora, que continua a sair desde príncípios de 2011. Mas agora já é para fora da zona euro e da UE.

    • Carlos Gois diz:

      “Electricity is really just organized lightning.” SUCKERS!!!!

  2. De diz:

    Um excelente texto!
    E sublinho o já sublinhado:”Curiosamente, não se lembram desses tais deveres contratuais quando toca a falar de cumprimento do “contrato” estabelecido, por exemplo, entre Estado e trabalhadores contribuintes, entre Estado e reformados ou entre Estado e pensionistas”

    Aqui vão mais duas informações objectivas:
    -“EDP pagou 3,1 milhões de euros em remunerações e prémios a António Mexia” .Só no ano de 2012.
    http://www.publico.pt/economia/noticia/edp-pagou-31-milhoes-de-euros-em-remuneracoes-e-premios-a-antonio-mexia-1590365

    -“De acordo com o relatório da eléctrica, o montante global bruto das remunerações pagas aos membros dos órgãos de administração e fiscalização da EDP, no exercício de 2012, rondou os 18 milhões de euros.”
    http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=72464

    • m. diz:

      Caro De,

      Para mim, os contratos que o Estado (leia-se vários governos que estiveram a gerir os nossos recursos) foram rasgados por sua própria iniciativa (a dos «agentes» dos banqueiros encapotados pela nomenclatura de Partidos). Entendo que se o rasgaram para favorecer os amigos, eu também rasguei o meu contrato com eles.

      O que é que isto quer dizer? Quer dizer que não me sinto obrigada a nenhum contrato até que a Justiça (se houver um pingo de vergonha e não me interessa que se não houver, esta seja passada para as mãos do Povo que é mais honesto porque na larga sua maioria tentou manter as suas obrigações contratuais) repuser tudo o que foi roubado à conta da liberalização dos recursos para haver competitividade e produtividade.

      Enquanto não repuserem a Educação, a Ciência e o Ensino Superior para todos e não só para os que podem pagar, a Saúde para todos e não só para os que podem pagar, as Reformas aos aposentados, reformados e deficientes e não só para os que podem «aguentar», enfim, o que se designa por apoios sociais (Subsídio de Desemprego, Subsídio Social de Desemprego, RSI e mais alguns que me estou a esquecer) não cumpro com as minhas obrigações com os vários governos que venham impingir-nos que gastámos demais e vivemos acima das nossas possibilidades.

  3. imbondeiro diz:

    Quem tem precisão, esses vendem. Quem tem dinheiro, esses compram. Quem não tem tomates, esses assiste ao espectáculo do compra e do vende.

  4. JgMenos diz:

    Horror dos horrores!
    Quem lida com mil de milhões vai ganhar 1 milhão?
    Acontece que os privados pagam o suficiente para se livrarem da corrupção que sempre sai mais cara, porque estraga milhões para sacar tostões como é repetido exemplo no público.
    Dai advém o quanto valem os contratos do Estado:
    – os administradores do Estado prometem e distribuem dividendos antecipados aos accionistas com mais votos para que estes os mantenham nos cargos; os accionistas nem querem saber de contas; a seguir exigem à Administração da massa falida que continue a pagar o mesmo por ser um direito adquirido!
    Não dá…

    • De diz:

      Não dá mesmo esta espécie de hino à corrupção dos administradores do estado que são nomeados pelo mesmo poder político que posteriormente privatiza as empresas em causa.
      A dança de cadeiras entre as administrações das empresas públicas e das empresas privatizadas é apenas isso: uma dança de cadeiras.Os rabos lá sentados são quase sempre os mesmos.

      Parece que Menos mais uma vez chora pelos milhões que a cúpula da gestão ganha.
      Parte-se-lhe a corda sensível só de pensar no horror que seria se tais gigantescas remunerações fossem postas em causa.A justificação é o de lidarem com milhões…e assim não poderem ser corrompidos.
      Pedindo desculpa ao Ivo, tal história fede. A contrariar esta ode temos a realidade. Venal,boçal e ao serviço do capital.
      O problema com Oliveira e Costa foi mesmo esse: o de ter fraca remuneração para tão fraca gente.

      Mas enquanto Menos se lastima pelo milhão quando comparado com o milhar de milhões vemo-lo a vergastar quem é funcionário público ou quem ousa reivindicar por melhores condições de vida.”Piegas” dirá ele, nesse estilo inconfundível a imitar coelho e relvas..

      Mas veja-se este site e os videos nele contidos para percebermos um pouco melhor a estrumeira do capitalismo. As fontes são insuspeitas:
      http://foicebook.blogspot.pt/2013/07/os-contribuintes-isto-e-os.html

  5. Atenção… É preciso ter em conta que os senhores gestores da EDP (e de outras empresas do mesmo estilo) são extremamente competentes… Direi mesmo mais: são como que insubstituíveis… Do tipo «se eles morrem aquilo vai à falência»…

    • m. diz:

      Desculpe. Não jogo na bolsa. Mas a EDP não está técnicamente não falida? Ou seja, não está sobrevalorizada na bolsa? Parece que as acções da EDP valem mais 4 vezes o seu valor REAL. Se o que acabei de escrever é verdade, então é melhor que os gestores destas empresas todas morram porque a maioria das empresas cotadas no PSI20, ou estão sobrevaloriazadas, logo, na falência, e mal geridas e, portanto, substituíveis. Estou errada?

      • m. diz:

        Correcção: Mas a EDP não está técnicamente falida?

        • «m.»
          Para responder sobre se a EDP está (ou não) técnicamente falida, teria que estudar os seus relatórios de contas, coisa para a qual não tenho tempo.
          O meu comentário acima era apenas sarcástico. Houve um tempo em que o «CEO» da multinacional para a qual eu trabalhava (na altura uma das maiores do mundo) ganhava umas vinte vezes mais do que eu (nominalmente),..
          Mas (em termos de valor actual) esse mesmo «CEO» era capaz de ganhar menos do que o actual «CEO» da EDP.
          A questão é que os «lugares tenentes» daquele «CEO» da tal multinacional ganhavam em média uns 25% menos do que ele e qualquer um seria capaz – como foi – de o substituir em caso de demissão/saída/doença.
          Mas isso era nos tempos da fase ascendente co capitalismo.
          Quando a «coisa» entrou em estagnação e fase descendente, os «CEO’s» de todo o planeta começaram a abotoar-se e a fazer-se pagar pela quantidade do «queijo que repartiam» com os accionistas…
          Quanto à questão das acções «valerem» (ou não) quatro vezes mais do que o seu «valor real», não consigo fazer essas contas por falta de elementos. Em todo o caso aquilo a que «m.» se está referir é a relação entre «preço» e valor», assim como o facto de os «preços» serem um instrumento de colecta de valor. Nesse sentido, como os preços da electricidade estão certamente muito acima do seu valor, os preços particados acabam por ser uma forma de espoliar valor que deveria estar a ser usufruído pelos consumidores/pagadores daqueles preços.
          Como é natural a sobreavaliação dos preços vem a reflectir-se na sobreavaliação das acções… Mas nada disso quer necessariamente dizer que a empresa esteja em situação de falência técnica.
          De resto não tenho elementos que me permitam generalizar este raciocínio ao resto das empresas que constituem o PSI20.

    • JgMenos diz:

      Totalmente de acordo: no modelo ‘propriedade de Estado, economia fechada’, qualquer palerma saído da carreira partidária serve.
      Para o modelo ‘propriedade privada, economia aberta’, até os comunas chineses pagam bem a quem saiba trabalhar nessa onda.

      • De diz:

        Menos a candidatar-se ao lugar.
        🙂
        Com a linguagem peculiar do dito…
        e com o rancor de quem defende o “esbulho” de todos nós em benefício da meia-dúzia que.

      • m. diz:

        Para o Sr. estar de acordo comigo, devo ter dito alguma coisa que o Sr. não entendeu bem. Do meu ponto de vista, a EDP deve ser nacionalizada e os seus gestores e consultores presos por roubos aos contribuintes ao longo de anos. E não só a EDP, todos os sectores que foram privatizados ao longo de anos. Estou-me nas tintas para os privados (sobretudo os bancos que deviam ser nacionalizados) porque já me informei e a dívida que Portugal é constituída por 75% dos privados, só que é contabilizada como dívida pública que estou a pagar e não devo um tostão a ninguém. Não conte comigo para dizer barbaridades em cima dos meus comentários. Já o tinha avisado e desta vez digo-lhe uma maneira evidente: vá passear e fora dos meus comentários.

        • João Santos diz:

          ” já me informei e a dívida que Portugal é constituída por 75% dos privados, só que é contabilizada como dívida pública que estou a pagar e não devo um tostão a ninguém”

          Raquel Varela School of Economics indeed.

          • m. diz:

            Não conheço a Sra. Raquel Varela de parte nenhuma. Nem preciso de conhecer absolutamente ninguém para fazer contas. Li foi alguns livros que lhe falta ler sobre a dívida da República Portuguesa.

          • Metendo a colherada…
            Não sei qual é a percentagem exacta da dívida privada que foi (ou vai sendo) «nacionalizada» e por conseguinte convertida em dívida pública.
            Mas os exemplos desse processo são mais do que muitos.
            E nisso Portugal não tem nada de original. Tem sido assim em todos os países intervencionados pelo FMI ao longo dos últimos trinta e tal anos.
            No capítulo 8º do livro «O Escândalo da Dívida e o Sistema Mundial Offshore» (COMPETITIVIDADE FISCAL, SISTEMA «OFFSHORE» E DÍVIDA PÚBLICA) explico esse processo com detalhe quanto baste.

          • De diz:

            Cara m.:
            Fonseca-Statter sabe mais disto a dormir do que eu acordado.
            (Estou até a tentar ver se arranjo um pretexto para colocar aqui um texto dele que chama ao debate uma questão que tem sido abandonada pelas esquerdas em geral: O do tempo de trabalho mercantil)

            Mas o que quero agora é deixar um link sobre a questão da dívida privada e a pública:
            http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1564674.html

          • De diz:

            E já agora :
            “É cada vez mais claro que se tem estado a tentar resolver a crise da dívida privada à custa da dívida pública passando a factura aos contribuintes
            Mas a crise não é da dívida privada , nem da dívida pública, nem do sistema monetário internacional. Sim há estas crises , mas estas são os” efeitos colaterais” da crise do capitalismo.”

        • m. diz:

          Dirijo-me ao comentarista hibridista jgmenos, como é óbvio. Enganei-me foi no sítio para escrever.

  6. m. diz:

    Muito obrigada ao Sr. Fonseca-Statter e a De pelas explicações sobre a dívida pública.

    Não votei neste Governo. Quando este Governo foi eleito, ouvi alguns amigos meus que tenho em muito boa conta, a dizerem-me repetidamente: não pagamos a privados! Isto foi em 2011. Eu que andava ocupada com as coisas que normalmente as pessoas se ocupam, fiquei a pensar e decidi que estava muito mal informada. Já nessa altura não tinha os bancos em boa conta. Confesso que não percebi nada, na altura, sobre o que aconteceu sobre o BPN, BPP, etc. Percebi, isso sim, que tinham jogado na Bolsa e nós tínhamos de pagar a conta (agora percebo por causa dos swaps, PPPs, etc.). Ao longo do tempo, tentei informar-me porque não podia acreditar que os cartéis de bancos se tinham organizado para literalmente roubar os portugueses juntamente com os políticos que nos governam e os seus acólitos advogados.

    Eu não podia acreditar que os banqueiros portugueses juntamente com os políticos que nos têm andado a governar, tivessem culpado os portugueses pelo desfalque que fizeram ao país e aos portugueses. As ditas “elites” portuguesas, nunca tive em boa conta porque o meu pai, emigrante, sempre nos avisou que não eram sérias e que o povo português morria invisivelmente e tristemente por falta de cuidados médicos e não tinha propositadamente acesso à educação, enfim, a uma vida decente.

    Depois de ler muito jornal, andar muito na net, ler alguns livros cheguei à conclusão que sim. Que somos um país alvo de especulação financeira. Demorei algum tempo a perceber o que significava a especulação financeira com um país, neste caso, Portugal. Uma coisa é eu apostar na bolsa e perder por conta própria. A especulação financeira de Portugal são os bancos (o dito sector financeiro) a apostar nos ditos «futuros» de Portugal – apostar nos «futuros» parece-me quase uma bola de cristal, ou seja, apostar quanto é que os portugueses vão produzir daqui a 20/30/40 anos – e depois adoptar critérios contabilísticos que são obscuros para mascarar o roubo feito aos portugueses culpando-os de gastarem acima da média. O que não é verdade.

    Bem vistas as coisas e é esse o meu ponto de vista, sinto que os portugueses sérios foram enganados descaradamente. E isso não se faz ao povo português, que passou por um regime fascista com contornos absolutamente terríveis e monstruosos, que os vulnerabilizou, e que heróicamente tentou recuperar de um período terrível da sua história, inclusive da guerra nas colónias, salvo erro, a partir dos anos 60. (Em minha casa sempre fomos contra o colonialismo).

    Chegados a 2011, tendo atravessado décadas de fascismo que terminou com o 25 de Abril, culpa-se a classe trabalhadora pelo desfalque nos bancos? Famílias inteiras que quiseram dar uma Educação aos filhos decente, trataram da Saúde dos filhos com os poucos recursos que tinham. Eu vi porque trabalhei cá depois do 25 de Abril e presenciei o esforço tremendo dos meus e minhas colegas para terem uma casa fora de Lisboa, terem filhos, deixar e ir buscar os filhos à ama, ir ao pediatra, atravessarem para o outro lado de barco, andarem com roupa dada, ir à terra ver os pais, enfim, tudo isto implicou um esforço absolutamente heróico por parte do povo português. Os pais nessa altura fizeram tudo o que podiam pelos filhos para terem uma família equilibrada, do que eu me apercebi e com quem trabalhei. Que eu saiba, um país é um conjunto de famílias que formam uma sociedade que tem uma identidade ancorada numa cultura que, neste caso, é a portuguesa e que tem um terrítório.

    Os políticos que nos andaram e andam a governar, os banqueiros, escritórios de advogados que fazem leis para privilegiar os seus negócios parece-me que não tem fim à vista. Quer dizer, isto não me entra na cabeça e muito menos que tudo isto passe sem haver culpados. Ora, se isto é assim, os governantes que nos andaram a governar não gostam do povo português. E não gostam mesmo porque andam deslumbrados com os banqueiros e com os mercados financeiros que é aí, segundo percebi, onde se joga o futuro dos países e de uma população que não é tida em consideração para absolutamente nada.

    Deixo aqui um link que por acasoi já tinha visto, mas que apareceu legendado, se o Ivo não se importar, sobre a dívida pública e os bancos. (tem a marca de um outro blogue)

    Quando a Europa salva os bancos, quem paga?

    • Obrigado pelo apontador para este video. Não o tinha visto antes… A reportagem está muito bem feita, ainda que se foque apenas na «camada superficial» do funcionamento do sistema.
      Já partihei no «facebook».

      • m. diz:

        Eu é que lhe agradeço. Sim, também me pareceu «ligeiramente» superficial do ponto de vista da cartelização dos bancos e da globalização dos ditos «mercados» financeiros, sob a «máscara» de nomenclaturas várias, tais como, o FMI, BCE, FED, BM, etc. Muito obrigada.

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