Miséria e Riqueza da Comunicação Social

Pode alguém dizer o que lhe apetece? Pode. Não deve. Pode um editor/director de jornal publicar o que lhe apetece só porque alguém o disse? Não, não pode.

Eu pensei que o caso do divórcio de C&B era um caso da vida privada. Os últimos acontecimentos, porém, transformam-no num caso sério colectivo que é a reflexão urgente sobre «os limites da comunicação social», porque com a suposta defesa da liberdade de imprensa violam a dignidade e o respeito elementar da pessoa em causa, mas também a de todos nós, que não podemos continuar a ser obrigados a assistir a este espectáculo que editores sem escrúpulos nos dão.

Eu bem sei que gostamos de nos recordar do mau, mas quero hoje recordar gente decente. Há editores de jornais, sobretudo na rádio, que se recusaram a publicar ou fazer referência às inenarráveis declarações de um homem que vem a público dizer que a mulher foi violada pelo padrasto. Há sempre alguém que resiste com dignidade a esta barbárie -e é com esses que devemos remar.

Tenho dúvidas acerca de sobre quem devem recair os processos judiciais – se só sobre o ex-ministro da Cultura (pasme-se, da cultura!) ou se também sobre os editores que acharam normal publicar tais declarações. Não tenho dúvidas, porém, quanto a sobre quem deve recair a nossa repulsa enquanto sociedade: sobre ambos.

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4 respostas a Miséria e Riqueza da Comunicação Social

  1. Tiago Filipe diz:

    E que dizer da jornalista que á frente dos filhos da BG, lhe perguntou se tinha sido violada pelo pai?

  2. um anarco-ciclista diz:

    A Bárbara e o Carrilho são dois vampiros do espaço mediático sempre a sugar protagonismo. Eles são a fonte de todas as fugas de informação, têm gáudio, chegam-se à frente, põem-se em bicos dos pés para sacar a próxima manchete!

    Quero que se fodam e estou a gozar o prato de toda esta roupa suja lavada em público por este casal de socialites. ABAIXO A CENSURA! e VIVA O CIRCO!

  3. De diz:

    Concordando com tudo o que é dito neste post, até sobre o silenciamento propositado dos nomes dos envolvidos, acho todavia que era inútil referir o conteúdo das inenarráveis declarações do homem em causa

  4. Niet diz:

    O ” filósofo ” Carrilho é uma vitima do sistema. Paradoxalmente, tentou há anos minar o imaginário violento do sistema capitalista que se traduz pela subversão, se bem se recordam, dos ítens repressivos ligados ao Estado, à Familia e à Propriedade Privada! Traduziu com a Joana Morais Varela- que dá hoje uma entrevista mirabolante ao DN-o livro de todas as subversões à potência-n, ” O Anti-Édipo “, de Deleuze e Guattari, que foi uma verdadeira ” bomba ” na Europa, dobrando tudo o que Reich e Marcuse nos tinham querido ensinar, e que era admirável e anunciador de prazer e desejo! Anos mais tarde, com o virus pedagogico lusitano,ie,repressivo, Carrilho” rende-se ” ao reformismo e entra no PS, onde tenta os impossiveis para dar volume a uma pose e agressividade funestas…que não iludia uma insaciável e abrupta vontade de sedução, mais ou menos oculta e disfarçada pelo rigor do apocaliptico teórico em crescente queda. Claro, os jornais portugueses vivem uma crise iniludivel e muito dramática, que a Net acentuou e torna dilacerante, cada vez mais. Salut! Niet

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