Para quem não está realmente disposto a lutar, os combates dos outros serão sempre derrotas.

Não sei se já havia esquerdistas e social-democratas entre as maçãs do paraíso mas sei o que diriam os que bebem macieiras nas tabernas operárias do meu bairro: “não fode nem sai de cima”. Certamente, onde há maçãs há vermes e, para além de serpentes, não faltariam parasitas entre Adão e Eva. Lembro-me de ser puto, de ter ganho alguma consciência política e de querer participar na transformação social do meu país. Na altura, dediquei-me a ler alguns materiais sobre o Bloco de Esquerda e sobre o Partido Comunista Português. De facto, tive de destapar a linguagem moderna e contestatária para perceber que os bloquistas não só não apoiavam nenhum país socialista como se apropriavam de figuras revolucionárias que não tiveram qualquer pejo em afirmar-se ao lado desses países. O Che Guevara, figurava que me fascinava, ondeava nesses tempos em bandeiras nos comícios de um partido que nunca esteve ao lado de Cuba. Pior. Eu que me tinha habituado a olhar admirado para as experiências na América Latina e via na consigna ‘patria, socialismo o muerte, venceremos!’ um grito contra o imperialismo e o capitalismo, sentia-me intrigado por haver um partido que se dizia de esquerda que não só atacava tudo o que cá cheirasse a luta anti-imperialista – e, portanto, patriótica – como se desmanchava em amores por tudo o que viesse da ‘esquerda moderna’ que embandeirava a União Europeia.

Muitos dos que hoje querem aparecer como os mais radicais activistas à esquerda, participaram nos anos em que era fácil ser-se do BE. Apesar das minhas profundas divergências com o partido de Catarina Martins e de João Semedo, não consigo compreender quem saiu daquela organização porque defendia uma aliança com o PCP e que passa agora o tempo todo a atacar ambos os partidos, com mais incidência sobre os comunistas porque já lhes vem no gene político. No fundo, não querem a unidade. O que querem é viver da intriga e do parasitismo. Já se sabe. Se é uma manifestação, devia ter sido uma greve. Se é uma greve parcial, devia ter sido geral. Se é geral, devia ter sido de vários dias. E assim sucessivamente até à exaustão enquanto se atrelam indefinidamente a todas as acções convocadas e dirigidas pela maior central sindical portuguesa. Não se atrevem a fazê-lo sozinhos porque sabem que vivem isolados do resto das pessoas na sua redoma elitista onde debatem incessantemente uns poucos sobre como devia ser a luta de todos e para a qual raramente contribuem.

Enquanto combaterem os comunistas e as organizações de trabalhadores, terão sempre algo em comum com a direita. Mas, de facto, existirem é o sintoma de que se agudiza a luta de classes no nosso país e de que há mais espaço para o oportunismo. Qualquer erro ou aposta contrária à desta gente por parte da classe trabalhadora organizada será alvo imediato dos franco-atiradores. Mas nunca, nunca ouviremos um elogio claro e sincero às vitórias de quem luta todos os dias nos locais de trabalho e nas ruas. E com todo o respeito que tenho pela luta, coragem e pela decisão dos trabalhadores portuários, o que teriam dito alguns sobre os estivadores que optaram por não alinhar no bloqueio do Porto de Lisboa se estes fossem da CGTP?

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40 respostas a Para quem não está realmente disposto a lutar, os combates dos outros serão sempre derrotas.

  1. Argala diz:

    Bruno,

    Este texto está muito mau. Lavandaria e ad hominem puro e duro: “quem critica as formas de luta da CGTP foi ou é militante do BE e não faz um caralho para ajudar”.

    Ou queres discutir as formas de luta, ou queres esconder-te em anátemas e analisar percursos de pessoas. Isso é de baixa extracção e não é forma de discutir entre camaradas. E começar o debate da seguinte forma: “muitos dos que no passado militavam no PCP e na JCP, são hoje quadros dos principais partidos do arco da governação, logo..” ?!?

    Vamos lá pôr o tico e o teco a funcionar, assim de forma esquelética para ninguém se perder:

    1. Qual o objectivo mais imediato da “luta”? No mínimo, será pelo menos expulsar a troika e travar esta barbárie. No mínimo..
    2. As formas de luta até agora utilizadas têm-se revelado suficientes para alcançar esse objectivo? Não.
    3. Desta forma, parece óbvia a conclusão de que será necessário subir a pressão e acrescentar outras formas de luta.

    Qual foi exactamente a parte que não entendeste?

    Cumprimentos

    • Bruno Carvalho diz:

      Em nenhum momento disse que quem critica as formas de luta da CGTP foi ou é militante do BE. Aliás, tenho sido bastante claro em que nem todos os que criticam algumas decisões da CGTP são esquerdistas ou oportunistas. Mas há um grupo de gente que vive para isto. Para criticar, independentemente de haver ou não razões para tal. De resto, tu dizes que são meus camaradas e eu digo-te que discuto dentro das minhas organizações, com os meus camaradas, o que tiver de discutir. Não vou é continuar a estar calado enquanto há gente que chega ao ridículo de dizer que 26 foi assim porque 19 foi assado. Quanto à insuficiência da luta e à necessidade de se radicalizar o protesto não há dúvida. Mas também não há dúvida de que os treinadores de bancada não metem a mão na massa e que quando metem – caso do Porto de Lisboa – não só não têm sucesso como se calam bem caladinhos a ver se passa (mas continuam a disparar contra a CGTP). Se te parece que essa é a forma de agir, pois bem, se calhar entendemos a luta de classes de forma distinta.

      • Francisco diz:

        “Quanto à insuficiência da luta e à necessidade de se radicalizar o protesto não há dúvida.”

        Bruno, que tal então sugerires tácticas e estratégias para superar o actual estágio da luta em vez de mandares bordoadas a não se sabe bem quem? Não seria bem mais produtivo do que fazeres textos com acusações genéricas e vagas a todos quanto não pensam exactamente como tu?

        “Aliás, tenho sido bastante claro em que nem todos os que criticam algumas decisões da CGTP são esquerdistas ou oportunistas.”

        Essa clareza não se encontra no texto que escreves-te. Que tal apresentares uma análise do que achas que correu bem (e algumas coisas correram) e do que correu mal nos últimos anos da luta social em Portugal em vez de atacares, sem mencionares destinatários (ou fazendo-o de uma forma super vaga), quem critica algumas das decisões tomadas nos últimos protestos?

        “Não vou é continuar a estar calado enquanto há gente que chega ao ridículo de dizer que 26 foi assim porque 19 foi assado.”

        Então não achas que o protesto na sua dimensão e natureza do dia 26 foi influenciado pelo que aconteceu a 19???? Também deves achar que o protesto da CGTP que encheu o Terreiro do Paço não teve nada a ver com o 15 de Setembro que teve lugar duas semanas antes… Já ouvis-te falar duma coisa chamada “materialismo dialéctico”?,

        Sinceramente, acho que um dos requisitos, longe de ser o único, para superar a insuficiência da luta travada até agora e a radicalizar é que todos quantos estão envolvidos nos protestos, indivíduos e sobretudo organizações (CGTP, qslt, BE, PCP, forças extra parlamentares, etc…) fazerem uma profunda autocrítica e balanço da sua acção.
        Ou achas que todas as decisões tomadas até agora, por exemplo pela CGTP, foram correctas?

        • João. diz:

          “Também deves achar que o protesto da CGTP que encheu o Terreiro do Paço não teve nada a ver com o 15 de Setembro que teve lugar duas semanas antes…”

          A CGTP já encheu praças várias vezes. Outros é que tendo tido uma enchente nunca mais a conseguiram reproduzir. Talvez tenha acontecido que essa enchente se deu não só devido aos organizadores mas também apesar deles. A dimensão das manifestações posteriores desses mesmos organizadores parece indicar que a grande maioria dos que estiveram no 15 de Setembro o fez apesar deles, mas enfim falo de aparências, talvez haja outros modos de ver a coisa.

          Então, já que fala de dialéctica, explique lá porque razão, a seu ver, nunca mais conseguiram repetir alguma coisa parecida com o 15 de Setembro? Mas tente não culpar logo a CGTP porque isso é fácil – a direita já o faz desde que a sindical foi criada.

          • Natália Santos diz:

            No 15 de Setembro eu e familiares sentimos como uma urgência o ir à manifestação. Acho que foram aquelas propostas malucas e provocadoras sobre as contribuições da seg.social, mas não foi só isso. E não ligámos muito, passe a ingratidão, aos organizadores, é um facto. Era qualquer coisa não “apesar deles”! mas para” além deles.”
            Desde essa data para cá,os cortes, injustiças, provocações, foram constantes . E lamento dizer, nunca mais senti aquela febre de estar numa manifestação. Pode-se dizer que isto são estados de alma pequeno-burgueses, que não interessam nada a revolucionários. Mas interessam porque as mudanças têm que ser feitas com o maior número possível de pessoas.

            De que é que eu então, estou à espera ? De grandes movimentos de massas em pequenas coisas, de colaborar com organizações que permitam encurralar por meios legais quem nos tolhe.

          • iceland diz:

            porque é que os criticos não apresentam propostas também ao invés de estarem sempre a exigi-las? é que criticar quem apresenta é fácil, dificil é apresentar também.

            santa hipocrisia. puros sangue-sugas do regabofe.

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    O PCP sempre teve dificuldades com a ideia de que há quem pense pela própria cabeça: Pensar pela própria cabeça não significa pensar melhor – como não significa pensar pior -, significa apenas não pensar pela cabeça alheia. Mas os vanguardistas compulsivos acham que só eles podem ter razão, pelo que apodam os que não se conformam com serem tutelados, de esquerdistas ou de social-democratas. Ora não são estes que impedem a unidade, mesmo se costumam ser críticos e às vezes críticos em excesso. Quem impede a unidade é quem acha que tem sempre razão e quem ostraciza sistematicamente os heterodoxos. O BE vai pelo caminho errado, mas há nele uns restos suficientes de amor à liberdade para que seja possível vê-lo arrepiar caminho e tornar-se na força anti-capitalista libertária que muito da esquerda desejaria ver. Pelo contrário, o que não se vislumbra é um PCP capaz de dialogar com quem não partilha da sua cartilha centenária, na procura de soluções válidas e consensuais. Transformado numa espécie de IURD marxista-leninista o PCP é, infelizmente, mais parte do problema do que da solução.

    • A.Silva diz:

      Nada de novo neste comentário a não ser o repetir de frases comuns de quem sobre o PCP só conhece o que vê nas televisões

    • JP diz:

      Eu voto PCP.
      Quer isso dizer que penso menos pela minha cabeça que o meu amigo?
      Acha que estou à espera de indicações da Soeiro P. Gomes para vir aqui comentar?
      Esclareça-me lá, sff.

      Para quem ainda não percebeu porque razão os vossos “movimentos” nunca vão a lado nenhum, talvez fosse bom começar por analisar estas alarvidades e a arrogância intelectual que lhes está subjacente.

    • João. diz:

      Você deve ser algum Mandrake. Consegue estar na cabeça dos outros e falar das cabeças que pensam por si e das que pensam por outras cabeças.

      Mas eu acho interessante explorar isto um pouco: quem estuda, quem se dedica a estudar os que melhor pensaram sobre um tema e até aborda esse tema a partir dos conceitos destes autores também pensa pela cabeça dos outros?

      É que parece-me que sim.

      Ou seja, quanto mais se estudar menos se pensa por sua cabeça o que parece indicar que pensar por sua cabeça exige que se seja um perfeito idiota. Até porque na origem idiota refere-se aos que valorizam apenas a sua particularidade.

      Eu prefiro pensar pela cabeça de outros quando reconheço nesses outros capacidades superiores às minhas na lide com temas do meu interesse. Espero nunca perder esta capacidade pois não me parece que haja grandes frutos em fetichizar os meus pensamentos particulares como se não houvesse neste mundo nada melhor que eles.

    • De diz:

      Uma tristeza pegada
      A falta de um espelho que se ponha à frente de Cardoso da Silva dá nisto.

      Quem pensa Cardoso da Silva que é para se arrogar a invectivar os demais sobre o “pensar ou não pela sua própria cabeça?

      A que altura vai a confabulação de Cardoso da Silva
      ?

    • proletkult diz:

      “O BE vai pelo caminho errado, mas há nele uns restos suficientes de amor à liberdade para que seja possível vê-lo arrepiar caminho e tornar-se na força anti-capitalista libertária que muito da esquerda desejaria ver.”

      Se o PC é uma IURD, isto então é digno de uma daquelas seitas de lunáticos evangelistas.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Mentes mais esclarecidas teriam percebido que a minha crítica teve origem nas acusações desregradas a “esquerdistas” e “social-democratas” ou seja, na linguagem cavernícola do PCP, todos aqueles que não alinham pelo seu modo de pensar. O que implica a obrigatoriedade, para os militantes e simpatizantes do PCP, de se limitarem à cassete do partido, restringindo qualquer opinião divergente. Por isso esperneiem o que quiserem, mas a vossa liberdade intelectual só existe enquanto se não exprimir em voz alta. E todos os que não afinam pelo vosso diapasão são inmigos dos trabalhadores, cúmplices da direita, aliados objectivos do capitalismo. Admito que no segredo das vossas reuniões de célula algo se possa dizer, mas assim que as cúpulas puxam a trela e se engata o centralismo “democrático”, lá se vai a possibilidade de emitir opiniões diversas. Prefiro ser “esquerdista” a sujeitar-me a esse tipo de tutelas. E continuarei a lutar por mudanças estruturais com ou sem o vosso acordo.

      • JP diz:

        A sua resposta teve um enorme benefício… ao menos já sabemos quem é o idiota na sala…

      • proletkult diz:

        Não é por nada, mas a tua linguagem não fica nada atrás da do PC. Sempre a mesma choraminguice sobre as “vanguardas”, “a cassete”, a “liberdade” e por aí fora. Isto sim, é linguagem cavernícola e baseada em conceitos e “cartilhas centenárias” que a História varreu para o caixote de lixo. Os anarquistas, nisto, são a pior facção que eu conheço.
        E enquanto não vens com a choradeira anarca do costume, sobre o Estaline e a Catalunha, já vamos com sorte.

      • De diz:

        Um espelho .Por favor um espelho.
        Cardoso da Silva arroga-se o descaramento de pensar que só ele pensa pela sua própria cabeça.Quer ele dizer na sua linguagem peculiar que os outros são o rebanho..
        Define um carácter?É evidente que não.
        Mas depois as atoardas em desfilada do pobre Cardoso da Silva, qual cavaleiro errante dum “esquerdismo” (não,não é para rir) que reivindica mudanças com ou sem o “nosso” acordo (não, não é para rir,é apenas ridículo) ajudam a completar um pouco o quadro.

        Francamente Cardoso da Silva vossa exª já pensou em oferecer os seus préstimos aqui no 5 dias ou ao ministro portas?
        Talvez alguém sem ser o MRPP o leve um pouco mais a sério.Porque o seu retrato já o fez Eça há um ror de anos.
        O Acácio, esse mesmo. O conselheiro Acácio. E esse, tal como o senhor, tinha toda a liberdade para “continuar a lutar pelas mudanças estruturais” etc e tal, tal e etc

  3. m. diz:

    Finalmente encontrei um post para agradecer a todas as pessoas que organizaram e trabalharam para que ocorresse a manifestação do QSLT do passado sábado.

    A todos eles os meus parabéns e muito obrigada.

  4. JP diz:

    Grande Post. Eu estive na de dia 19. Não estive na de 26.

    Estou com quem está ao meu lado todos os dias. Que leva pancada nas empresas e nos locais de trabalho. Estou com quem conhece a minha profissão como eu e que defende há anos o meu posto de trabalho. Estou com quem não embarca em modas ideológicas e não se arvora em portador da verdade. Estou com quem trata os trabalhadores e suas famílias de forma responsável não os arrastando para protestos radicalizados que só prejudicam os fins últimos da luta. Estou com aqueles que ao longo dos anos pela sua atitude responsável souberam conquistar o respeito dos trabalhadores e, por isso, se tornaram na maior central sindical portuguesa.
    Não estou com quem apenas faz política entre o Agito e o Camões. Não estou com quem perde tempo a discutir a forma e não o conteúdo. Não estou com quem perde tempo com “causas fraturantes”. Não estou com quem convoca manifestações com programas em branco. Não estou com quem acha que os outros são todos carneiros fora de moda. Não estou com quem arranja desculpas esfarrapadas para os seus fracassos. Não estou com a “esquerda moderna e fresca”. Não estou com quem, sendo um riacho, se recusa a juntar-se ao rio que lhe passa ao lado.

    Querem mudar isto. Juntem-se a nós!
    Querem continuar com a masturbação intelectual. Saiam da frente!

    • Fernando Lacerda diz:

      Foi o que fez o Bernardino, mal chegou ao poder.

      • Bruno Carvalho diz:

        Hum?

        “1. Tal como é prática habitual do PCP e da CDU, sendo força maioritária (mas sem maioria absoluta), o PCP ofereceu pelouro na CM Loures a todas as restantes forças partidárias (PS e PSD). O PS não aceitou os pelouros e o PSD aceitou.

        2. Na Assembleia Municipal de Loures, o PCP convidou o PS para 1º Secretário da Mesa e o PSD para 2º Secretário. O PS não aceitou e o PSD aceitou.

        3. O PCP tem uma postura de valorizar o pluripartidarismo nos órgãos autárquicos, postura aliás traduzida também na defesa que faz do poder local contra a ofensiva PS e PSD que querem executivos monocolores.

        4. O PS, em Lisboa, por exemplo, chamou apenas o PSD para a Mesa da AM, sem sequer convidar ou comunicar o PCP.

        Recomenda-se, portanto, aos assanhados partidários da traição socialista, calma na manipulação anti-comunista porque onde não há coerência há sempre o risco de voltar a vós a ofensa como um boomerang.”

        • 5ª Coluna diz:

          Falta o 5º ponto, que foi o representante do BE votar a favor da coligação PCP/PSD. O PCP podia governar sozinho com o apoio da Assembleia, mas não quis.

        • João Pedro diz:

          Uma lições de história, da prática do PCP no Poder Local, só lhes pode fazer bem, Bruno. E também, já agora, sobre coerência, consistência, consequência. Que é material inexistente …por outros lados.

          Um abraço,

          João Pedro

        • Caríssimo
          Em clima de guerra civil – e os do governo só não usam as armas para solidificarem as suas “ideias” por que não podem ou não as têm – não faz muito sentido estas práticas ou regras de boa convivência e/ou pragmatismo. Mas cada um sabe de si.

  5. João diz:

    Saiam da frente? Eu também votei PCP. Tenho de sair se não estiver de acordo – e não estou – com parte substancial do que escreveu?

    • JP diz:

      O João faz o que entender.
      Agora, ficar a um canto amuado e a dizer mal dos outros meninos só porque eles não quiseram jogar pelas suas regras…

  6. Argala diz:

    “Quanto à insuficiência da luta e à necessidade de se radicalizar o protesto não há dúvida.”

    Pronto, era isto que eu queria ler.
    Se não há dúvida, então temos aqui vários problemas para resolver, para que todo o processo de “luta” não encalhe: a CGTP-IN e os partidos de esquerda institucionais não estão preparados para subir o próximo degrau no confronto social. Não só não estão preparados em termos orgânicos, porque não têm estruturas de combate, como (des)educaram as bases no sentido de rejeitar o confronto social. Fizeram-no de formas diferentes ainda assim. O BE limitou-se a reproduzir o discurso liberal do “estado democrático”. O PCP fê-lo de forma diferente, alicerçando o reformismo em tresleituras dos clássicos, e embrulhando-o também com palavreado técnico.

    E isto gerou o seguinte problema: o reformismo tem a casca grossa. Como esperas que se confronte este problema evitando a hostilização das lideranças? Os militantes e sindicalizados ainda são avessos ao aumento da confrontação como consequência. Há uma cultura de paz social, que as lideranças ajudaram a cimentar, e com a qual é preciso romper.

    Eu só vejo uma solução: organizar os instrumentos de combate por fora disto tudo.

    Cumprimentos

    • João. diz:

      “Eu só vejo uma solução: organizar os instrumentos de combate por fora disto tudo.”

      Só não esqueça que isso já foi tentado antes na Europa.

      Por exemplo, Baader-Meinhof e Brigate Rosse. Volte agora a esses países e pergunte a si mesmo: where the fuck are the communists?

      • Argala diz:

        Caro João,

        Finalmente vejo-o discutir qualquer coisa.
        Sim, eu acho que devemos a estudar todas as experiências de luta armada na Europa (RAF, BR, ETA, FRAP, GRAPO, PCE(r), FP-25, IRA e por aí fora), para evitar esse julgamento que acaba de fazer.
        Qual é o argumento que utiliza para excluir a luta armada do leque de instrumentos ao nosso dispôr? O que é que você quer meter às costas das Brigadas Vermelhas? O definhamento do movimento comunista em Itália?

        Cumprimentos

        • De diz:

          Pois eu pensava que o que queria meter ás costas do PC era o partido comunista italiano

          Tal como há dias queria meter o carrillo às costas do Álvaro.

          E já agora para colocar a conversa em dia.Nenhum instrumento deve ser excluído à partida.
          Mas a questão não passa por estas conversas da treta à boca de cena para “inglês” ver

      • proletkult diz:

        Essas organizações não eram instrumentos de combate dos trabalhadores, além de estarem muito distantes dos próprios trabalhadores (mesmo as BR, que vinham das fábricas, estavam completamente fora da dinâmica operária). Mais, nem sequer os considero comunistas.

        Apesar de terem feito alguns golpes interessantes – as execuções de figurões do imperialismo, pela RAF no pós Baader-Meinhoff foram do melhor que a Europa viu desde a vaga da “propaganda by the deed” dos anarquistas e similares no início do século passado – essas acções não tiveram efeitos práticos no ascenço da luta do proletariado europeu. Isto porque a luta revolucionária só é consequente se já houver preparação ideológica, política e organizativa dos trabalhadores para essa empreitada. E para haver essa preparação, é preciso haver quem a dê, que são os PC’s e as centrais sindicais. E aqui é que são elas. A cada sinal de intensificação da luta, os PC’s europeus respondem com guinadas à direita. É assim desde, pelo menos, 1935. E é assim com todos, sem excepção (aqui refiro-me aos PC’s “oficiais”, que são os que interessam para aqui). De resto, porque razão o operariado mais antigo, com maior tradição de luta e organização, é também o menos esclarecido e mais atrasado ideológicamente do Mundo? A Europa ocidental nunca teve uma única revolução proletária. O mais aproximado que conseguiu foi um processo conduzido…pelos anarquistas. E é aqui que é preciso fazer as críticas e auto-críticas.

        Veja-se o caso do PCP. Tem um desvio de direita acentuadíssimo há décadas. Mesmo não alinhando, em teoria, no “eurocomunismo”, as opções estratégicas foram sempre semelhantes ao PCI, ao PCE ou ao PCF. A diferença estava na retórica pró-soviética. E essa retórica iludiu, ilude e iludirá gerações de trabalhadores, que se convencem que, por exemplo, é possível chegar ao poder por via eleitoral. Ou que, um dia na História futura, o PS fará jus ao “S” da sigla. E por aí fora, num sem-fim de ilusões reformistas. Enquanto esse tumor do revisionismo não for retirado, nunca se vai sair disto. E é aqui que entra o confronto com as direcções dos PC’s e das centrais sindicais.

    • De diz:

      O paleio escondido do “reformismo” agora trazido `à tona pelo argala (1)?

      ” o reformismo em tresleituras dos clássicos, e embrulhando-o também com palavreado técnico.”…eis a leitura de argala sobre a presente situação.Pelo meio fala no “reformismo que tem a casca grossa e mais mimos semelhantes”. E na necessidade de “organizar os instrumentos de combate por fora disto tudo”.

      Geração espontânea?Sob os mandamentos de argala e as suas citações a la carte?

      Tudo já requentado.Já o disse,por onde terá andado argala para se mostrar tão ignorante sobre as discussões tidas por aqui?Onde estava argala para vir replicar o mesmo discurso de barroso com 35 anos de atraso? A novidader é o “palavreado técnico” forma expedita de tentar fugir quando necessário

      Como é possível que alguém ouse comparar Álvaro Cunhal com Santiago Carrillo como argala o faz?
      “Perante a ofensiva da direita, ninguém arreda pé!” Álvaro Cunhal
      Posted on Outubro 24, 2013 por Bruno Carvalho

      Já não é só desconhecimento da realidade do nosso país nos últimos 50 anos, é o desconhecimento absurdo sobre o movimento comunista internacional.

      O que mostra ou a ignorãncia de argala perante a realidade nacional ou outra coisa bem pior.

  7. Argala diz:

    Só uma adenda ao que escrevi:

    “Estou com quem trata os trabalhadores e suas famílias de forma responsável não os arrastando para protestos radicalizados que só prejudicam os fins últimos da luta.” JP

    Este comentário do JP reflecte a tal cultura reformista que vem de cima. E é complicado evitar o confronto com isto. São as ideias do JP que mandam nas estruturas. Que fazer?

    • De diz:

      A cultura reformista que vem de cima?
      Mas depois a afirmação que são as ideias do JP que mandam nas estruturas?
      Então ficamos em quê?
      Na cultura reformista de cima ou nas ideias do JP que mandam de baixo?
      Será que as ideias de JP mandam nas estruturas antes de serem ideias do JP?

      Basta escarafunchar um pouco e o que sobra é mesmo muito pouco.

      Que fazer?
      A resposta segue dentro de momentos

  8. proletkult diz:

    Um ponto importante no teu texto, Bruno, é a questão dos alinhamentos internacionais. A tua crítica ao BE tem toneladas de razão e legitimidade mas, ao mesmo tempo, o PCP pode ser acusado do mesmo. Não foi o PCP quem alinhou com a parvoíce da “coexistência pacífica”, atacando ferozmente a China (a tal que hoje, afinal, já está “no caminho do socialismo”) e a Albânia? Não foi o PCP quem se fechou sempre em copas acerca das lutas populares na Índia, no Nepal, nas Filipinas ou no Perú? E há mais exemplos, como o “voto de crítica”, no parlamento, ao governo Cubano aquando da condenação à morte de uns quantos terroristas de Miami, há uns anos atrás. Ou a triste figura aquando da morte do fascista Fraga Iribarne. E etc, etc etc.

    E isto vai dar em linha recta a uma outra questão, a tal de aparecer “responsável” aos olhos da burguesia. E se o BE sempre fez por isso, o PCP fá-lo há 80 anos. A luta contra o “esquerdismo” e outros epípetos é estrutural no PCP. A razão é de estratégia, para que se façam alianças com a burguesia. Ora vejamos: Frente Popular nos anos 30, MUD e Humberto Delgado nos anos 50, Frente Patriótica nos anos 60, MFA no PREC, os apelos ao PS para a “Maioria de esquerda” no pós-PREC, o Eanismo nos anos 80. E para o sucesso destas campanhas o PCP faz de tudo, desde que seja para mostrar a classe operária como “responsável” aos olhos do patronato “honrado” e dos burgueses “anti-monopolistas”. A retirada da expressão “ditadura do proletariado” e da linguagem revolucionária do programa, o pavor ao “esquerdismo”, o discurso sobre o “capital estrangeiro” e sobre o “lucro obsceno” etc etc. Isto não merece ser atacado?

    • De diz:

      Por agora só uma frase lapidar:
      “isto não merece ser atacado”?

      Claro que merece.É a direita, a esquerda dita florida, e os espanholitos chegados de espamnha a tentarem passar-se por “esquerdistas”.Tudo ao molho e fé em deus

      Há mais.Fica para depois

  9. anarkoid diz:

    Para quem não está realmente disposto a pensar, as críticas dos outros serão sempre ataques infames. Ficou tudo dito no primeiro comentário: ad hominem e sectarismo. “Se quem critica não tem o pedigree que eu estabeleço aqui mesmo, então essas apreciações não valem um chavo”. Todo um programa.

  10. J. diz:

    A primeira coisa a fazer é criar movimentos sociais onde não participem com qualquer funçao atribuída funcionários partidários. Os funcíonários de partidos não estão, como é bem de ver, privados dos seus direitos de partcipação cívica, mas a sua participaçã com funções de organização em movimentos sociais acarreta demasiados riscos, o primeito é a impossibilidade de qualquer actrivista que não viva profissionalmentr dessa actividade,acompanhar em tempo e disponibilidade, a participação de alguém cuja actividade é essa maioritariamente. O segundo, que decorre do primeiro é a distorção dos discursos e acções aconchegando-se de alguma forma aos programas e formas que caracterizam essas estruturas partidárias. A terceira é o afastamento de todos os activistas ou pessoas disponíveis para o ser mal sentem que estão a servir de verbo de encher. Se os sindicatos fossem espaços de representação dos trabalhadores muito mais que hordas de funcionários que há décadas não desempenham outro trabalho que não o de delegado ou representante sindical a música que dancávamos seria outra. Ideias, não originais, mas actuais.

    • De diz:

      Tem razão.Ideias nada mesmo originais.
      E não faltaria sequer o controlador tipo pidesco a inquirir os pensamentos, acções,simpatias e o diabo a sete a quem quisesse fazer parte de movimentos sociais.
      Agora até corrompidos pelos “funcionários”…de partidos, veja-se bem. Mas a quem se referirá este J?

      É forte esta.Só ultrapassada pelas “hordas de funcionários de há décadas nos sindicatos”. Mas porque motivo a música a dançar não é dançada só pelo facto de existirem tais hordas desde há décadas? Os malandros terão sido nomeados para os cargos e nunca terá havido eleições sindicais?

  11. moby diz:

    não será a luta um pretexto para auto-promoção de muitos que, de outra forma. passariam anónimos pela estrutura?

    • De diz:

      Não será então não será?

      Então o anonimato tem que ser combatido pela luta como forma de pretexto para..
      Viva a estrutura

      Um igNobel para o moby

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