Que a maré se vai levantar

Este texto de Pacheco Pereira é de uma enorme inteligência. Não pelo que diagnostica, mas por ser publicado exactamente na véspera da manifestação de amanhã. Misturando factos com opiniões e posicionando-se, aparentemente, do lado de um sindicalismo feito de “feios, porcos e maus”, Pacheco procura criar a fractura entre quem luta do mesmo lado.
Pacheco Pereira só elogia o velho operário para alimentar o ódio de classe para com o seu filho que tem mestrado e vai ganhando experiência em estágios não remunerados.
O que Pacheco sabe, e já escreveu, é que só quando os dois se juntarem é que vamos ter maré alta.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.

15 respostas a Que a maré se vai levantar

  1. RML diz:

    O link está a dar para um outro artigo, também do Pacheco Pereira, que também usa essa expressão dos «feios, porcos e maus» mas depois refere que essa luta da CGTP é de licenciados, pós-graduados e doutorados, operários e enfermeiros, professores e mecânicos, etc.

  2. Bilioso diz:

    Pacheco Pereira é um dos principais ideólogos do regime – no sentido em que é especialista na construção duma mundivisão mitológica de direita. Trabalha nisso afincadamente há anos, dando-se ares de cientista social e académico. O texto dele aqui em referência é um recado «para dentro».
    Quem vai às manifestações da CGTP e outras sabe que, verdade, verdadinha, a par do operariado, dos estivadores e dos faxineiros, lá encontra professores de liceu e universitários, designers e artistas, investigadores científicos, bolseiros, e até um ou outro chef de alta cozinha. Se fizéssemos um inquérito de campo, aposto que descobriríamos a pólvora: essas pessoas (as que estão fora da sua classificação de «feias, porcas e más») devem constituir nas manifestações aproximadamente a mesma proporção que constituem na nossa sociedade. É claro que dificilmente encontraríamos administradores, governantes, mestres-de-obra, vendedores de armas, gerentes de hospitais privados, lavadores de dinheiro, marchants d’art e grandes negociantes de droga.
    A liturgia de Pacheco Pereira serve, há anos a fio, para sossegar as hostes da direita e dar-lhes a impressão de que contam com pessoas muito inteligentes nas suas fileiras. É um exercício de mitologia; uma representação fantasiosa do mundo.
    O referido texto não foi escrito a pensar em convencer as pessoas que vão às manifestações, porque essas sabem perfeitamente quem lá encontram de facto.

    • De diz:

      Um muito bom post do Tiago complementado por este comentário de Bilioso

    • proletkult diz:

      Precisamente, um recado interno. Na visão de Pacheco Pereira, a (pouca) cobertura negativa mediática aos problemas e lutas do mundo do trabalho em Portugal, as saídas ridículas do Portas e por aí fora são coisas “perigosas”. Isto é, na sua visão, essa cobertura negativa é, à partida, proporcional à intensificação das formas de luta. Ou seja, com cobertura positiva, os trabalhadores “acalmam”. Lembro-me de, creio que já neste governo, ter lido uma entrevista com ele em que dizia algo como “eu costumo aconselhar os meus amigos que estão nos governos a terem o cuidado de não picar e subestimar o PCP e a CGTP”.

      Pacheco Pereira, e os da sua classe, respiram fundo a cada marcha da CGTP, ou a cada greve fracassada. A diferença é que os trauliteiros e tecnocratas vêm festejar às claras. O Pacheco, como é um fulano de CIências Sociais e conhecedor do Marxismo e das dinâmicas históricas, vê um bocado mais longe. Não o considero um ideólogo do regime, antes um ancião conselheiro.

      • De diz:

        Respiram fundo?
        Como a classe burguesa respira fundo a cada comentário significativo do proletkult em que ele lança o seu ódio de classe quanto aos trabalhaores organizados.
        Não o considero um ideólogo da direita.Considero-o antes outra coisa..

        Ele também costuma aconselhar os seus amigos.Ele também é um fulano de ciências sociais(!!!) e das dinâmicas históricas(!!!9 e como tal vê mais longe

        Ahahah

  3. Bento diz:

    A Malta “terrivelmente revolucionária” que passa aqui o tempo a criticar a inter e o PCP parece que não gostou. Mas o facto é que nada do que esta escrito aqui pelo Pacheco Pereira é mentira.
    Essa é que é essa!

  4. huy diz:

    Logo , o Pacheco Pereira vai amanhã à manif. Lógico?????’

  5. “Os santos vão para o inferno” e os “revolucionários puros” mandam para o inferno as verdades saídas de bocas impuras… Ignoram que as revoluções nunca se fazem só com as “vanguardas esclarecidas”. São uns impecilhos, enfim, no esforço de juntar peso ao prato esquerdo da balança.

  6. josé sequeira diz:

    O texto de PP é inteiramente verdadeiro, o post excelente e os comentários adequados e complementares.
    Apenas um pequeno parágrafo: Após a retumbante e aparentemente surpreendente vitória do Cavaco em 91(a maior maioria absoluta de sempre de um só partido), especialmente depois do amasso que levou nas autárquicas e europeias anteriores e sujeito “às maiores manifestações e greves de sempre” por parte da CGTP/Intersindical, Pacheco Pereira escreveu um texto semelhante a este mas terminando com uma conclusão: Depois de tudo isso, de terem levado com os mesmos epítetos que agora, foram secretamente votar Cavaco, muitos mentindo às próprias famílias, companheiros de partido e amigos.

  7. m. diz:

    O seu post é excelente, como todos os outros. Muito obrigada.

    Detestei a expressão aparentemente inconsequente de «racismo de classe» no texto de Pacheco Pereira. Diz muito sobre a «raça» de Pacheco Pereira e da «classe» a que pertence. Para mim, Pacheco Pereira é um «banqueiro social cheio de racismo de classe».

    Admito não ser muito inteligente, mas se a inteligência serve para ainda para criar mais «di-visões» entre as pessoas no nosso país, passo sem ela, muito obrigada.

    • m. diz:

      Enganei-me e peço desculpa a quem leu o que escrevi. Pacheco Pereira não escreveu «racismo de classe», mas antes «racismo social». Para dizer a verdade, retive a ideia errada de «racismo de classe» porque, para mim, o «racismo social» porque é ainda mais difuso e ambíguo, se torna ainda mais abusivo e violento: jogar na ambiguidade é desonesto e pretender que se é honesto ainda mais desonesto é.

  8. João. diz:

    O autor do post não deve ler o que “os intelectuais de esquerda” do blog escrevem por aqui sobre a CGTP. Pacheco Pereira nesse caso tem razão.

  9. Victor Nogueira diz:

    No tempo em que Pinto Balsemão foi 1º Ministro o seu “Expresso” criticava o governo do “Patrão”, o que fazia pasar a mensagem de “independente” a um semanário que hoje é uma rasteirice pouco menos que abjecta. Na hora da verdaade, o semanário de “reverência” tomava claramente partido, como o fazem pretensos críticos independentes dos dis de hoje, compo Marques Mendes, Maecelo ou Ferreira Leite, para além de Manuel Alegre, Mário Soares ou o putativo líder da direita por este apadrinhado, como Pepe Sócrates, este curiosamente apadrinhado por Pinto Balsemão e por Miguel Relvas.

    O mesmo se passa com Pacheco Pereiira, o grilo falante da direita. Assim como em tempos Mário Soares/Alegre foram os líderes da chamada classe média/almofada contra os “excessos” do 25 de Abril e do que chamavam a “Comuna” “gonçalvista” de Lisboa (e Setúbal) na defesa dum “socialismo em Liberdade” que conduziu inevitavelmente ao actual Estado “Súcial”, também Pacheco Pereira por trás dos seus escritos e das suas análises “isentas” revela e alerta para o perigo que seria para a classe dominante a junção dos rios, que aliás bem expressou noutro artigo noutro jornal de “reverência” que é Público” de Belmiro de Azevedo.

    Nisto revelando talvez mais inteligência e lucidez do que muitos que pretendem-se à esquerda pura e dura. Puros e duros como outrora se apresentavam maoístas super estalnistas como os dos “ML”, da “revolução a todo o vapor”, que pretendendo o derrube do Governo e a erradicação do capitalismo, no fundo e objectivamente defendem a manutenção do sistema, para alguns revestido dum rosto humano de Estado Social, que nunca teve nem terá porque se situa dentro da lógica do modo de produção capitalista..

  10. A CGTP peca por realçar a ideia de ao patrão o que é do patrão, a ideia de que só queremos melhores condições de trabalho já que dos patrões e do seu empreendedorismo carecemos!

    • João. diz:

      “queremos melhores condições de trabalho”

      – Esse é o objectivo dos sindicatos. Julgaria que soubesse isso.

Os comentários estão fechados.