Quando os Correios eram das pessoas

Ontem falava com a minha Mãe sobre a alteração do sistema de saúde para os antigos trabalhadores dos CTT.

A minha Mãe grande parte da sua vida trabalhou ali. Lembro-me muito bem de sair da escola e ir para a estação de Correios de Santa Maria da Feira. O chefe, que já me conhecia, deixava-me andar livremente por ali.

Até hoje recordo perfeitamente o som dos carimbos, que eram pesados, de madeira (o punho parecia uma lágrima gigante e a minha Mãe queixava-se das dores que lhe provocava carimbar tantas cartas), as pessoas que acorriam à estação que não parecia uma loja de esquina onde se vende de tudo.

Mas a minha parte preferida (além de brincar nas cabines telefónicas da estação) era descer as escadas até à cave e ficar ao pé dos carteiros. Caixotes e caixotes vermelhos cheinhos de envelopes. No tempo em que se escreviam cartas aos amigos, aos “pen friends”, postais de aniversário, de natal. Onde os carteiros eram os mesmos (e não precários) e toda a gente os conhecia. Chegavam a todo o lado nas Zundapp em vez de andarem a pé ou de autocarro como agora. As máquinas a contar cartas, o cheiro do papel, a azáfama dos carteiros que saíam e entravam a toda a hora, sacos e sacos (que pareciam de batatas) cheios de cartas sempre a chegar. Às vezes, enquanto jogávamos à bola cá fora, os filhos dos trabalhadores, lá tínhamos que fugir porque vinha um camião gigante cheio de cartas na descida.

O senhor Cesário, que foi carteiro toda a vida, era o carteiro da minha rua. Às vezes era a Glória, que o substituía naquele “giro” quando ele estava de férias.

A dona Celeste, a dona Olga estavam cá em cima, no atendimento.

Em dias de pagamento de pensões ou de contas, era o caos total naquela estação. Um ano a minha mãe chegou a casa e falou da remodelação dos Correios, mas iria ser apenas visual. As fardas iam ser desenhadas pela Ana Salazar e iam condizer com o design da estação. Eram horríveis.

Todos os anos, recebíamos uma prenda de natal dos Correios. A regra é que a da minha irmã era sempre, mas sempre melhor do que a minha. Era mesmo assim. A dos mais velhos era sempre mais fixe. A pior que recebi foi uma boneca de porcelana. Sempre odiei o raio da boneca.

Sempre que ia ao médico, levava uma guia verde. Ia ao dentista frequentemente. Se me sentisse mal (adoecia várias vezes com problemas na garganta), tinha médico garantido, incluindo visitas ao domicílio. Eu e a minha irmã quando nascemos, a minha Mãe foi muito bem acompanhada, contava-me ontem. Inclusive quando eu quase lhe provoquei a morte ao nascer.

Lembro-me que a minha Mãe tinha sempre um horário fixo, que mudava nas férias ou doença das colegas e às vezes entrava às 6 da manhã (e levantava-se muito cedo para fazer as nossas tranças). Ia a pé. Sustentava sozinha as duas filhas. Tinha comparticipação em medicamentos. Tinha sistema de saúde, a par do SNS. Era sindicalizada e nunca teve problemas com isso. Tinha abono para falhas. Os colegas de trabalho eram amigos de toda uma vida. Tinha horário. Tinha contrato. Tinha um posto de trabalho. Tinha protecção social.

E ontem, enquanto falávamos, parecia tudo tão distante.

Hoje decorre uma greve dos CTT. Às 23h de ontem, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP esteve na estação de Cabo Ruivo a prestar solidariedade a todos os trabalhadores horas que estarão em contestação à privatização dos CTT e à destruição do Serviço Público Postal, bem como ao roubo dos direitos e garantias dos trabalhadores.

Porque todas as conquistas, todos os direitos, sempre foram conseguidos com a luta. E o serviço público postal é a garantia de que na aldeia mais recôndita todos acedem à informação, aos serviços, aos pagamentos da luz e da água, à comunicação com a família. Muitas vezes, o carteiro, é a única pessoa com quem se fala durante um dia. E é urgente recuperar os direitos destruídos e o direito a ter direitos. A viver feliz. Com dignidade.

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70 respostas a Quando os Correios eram das pessoas

  1. Dezperado diz:

    “Porque todas as conquistas, todos os direitos, sempre foram conseguidos com a luta. E o serviço público postal é a garantia de que na aldeia mais recôndita todos acedem à informação, aos serviços, aos pagamentos da luz e da água, à comunicação com a família. Muitas vezes, o carteiro, é a única pessoa com quem se fala durante um dia. E é urgente recuperar os direitos destruídos e o direito a ter direitos. A viver feliz. Com dignidade”

    Mas ha alguma garantia que depois de privatizarem os CTT, as cartas deixaram de ser entregues, deixará de ser possivel pagar a agua, luz e gas nos correios? Os carteiros irão ser subsituidos por robots?

    Eu tambem me lembro bem quando a PT era do Estado…..pagava 3 mil escudos só para ter o telefone em casa, acrescido das chamadas, isto porque nao havia concorrencia. A PT foi privatizada, apareceu a concorrencia e hoje pago zero pelo telefone fixo e tenho algumas chamadas de borla.

    • Lúcia Gomes diz:

      Quais carteiros e em quais estações?

      • Dezperado diz:

        Lucia, sinceramente não percebi a sua questão.

        Mas já agora deixo-lhe outra questão, só para tentar enquadrar a epoca da história que conta, de que quando era pequena ficava a brincar nos CTT é antes do 25 de Abril certo?

        • Lúcia Gomes diz:

          A minha questão prende-se com a quantidade de estações que, entretanto, já encerraram, carteiros despedidos e contratados através de contratos de trabalho temporário, o ataque brutal que tem sido feito para justificar a privatização.

          E não, foi na década de 90.

        • De diz:

          Errado.
          E bem errado.Era bem depois das portas que Abril abriu.

          Mas ainda bem que se fala do antes de 1974.
          É que estes criminosos neoliberais que nos governam vão ainda mais longe do que no tempo do fascismo em que os CTT eram públicos.
          Mais longe do que Salazar.A fúria privatizadora atinge não apenas as empresas nacionalizadas em 1975 mas também as empresas públicas no tempo do fascismo

          Mas há mais: Até nos EUA é público:
          The United States Postal Service (USPS), also known as the Post Office and U.S. Mail, is an independent agency of the United States federal government responsible for providing postal service in the United States. It is one of the few government agencies explicitly authorized by the United States Constitution.
          (wikipedia)
          Tirar uma foto a um edifício dos correios nos EUA é crime já que se está a fotografar um edifício federal

    • De diz:

      O neoliberalismo não tem vergonha.
      A rapina do estado e o desvio para o bolso dos privados é um dos seus grandes objectivos.As privatizações sempre foram um dos seus grandes objectivos:transformar o que é de todos num negocio de uns poucos.O banquete servido aos chacais, enquanto se tenta impingir a treta de”melhores e mais baratos serviços”.
      Iremos aos factos,já que o que esta malta pretende é irem-nos ainda mais aos bolsos, em proveito dos tubarões habituais

    • Rita Governo diz:

      Não consegui não responder. Quero pensar que isto é só ingenuidade e que não é nenhuma psicopatologia de corrente masoquista. Antes de mais, gostava de lhe explicar que, na verdade, paga o telefone. Lá que venha incluído no pacote da tv e da net, é uma coisa. Mas paga-o, não se iluda. É a mesma coisa que o pingo doce quando disse “não vai pagar o aumento do IVA”. Também achou que estavam a ser bonzinhos? É que nos últimos dias de Dezembro aumentaram os preços, portanto, pagou o IVA. Normalmente essas empresas de gente esperta têm jeito para enganar as pessoas… é só preciso estar um bocadinho atento. É uma falta de transparência e honestidade a que a privatização das empresas nos leva.

      Depois queria-lhe dizer que, por coincidência ou não, esse discurso que teve eu já o ouvi, por exemplo, quanto ao meu hospital. Quando passou a ser uma “parceria público-privada” (que é o mesmo que dizer: quando a administração passa a poder comprar agulhas de baixa qualidade para os doentes e carros topo de gama para si) também todos me diziam que isso não tinha nada a ver e se eu já tinha entrado num hospital privado e blá blá blá pardais ao ninho. Nada ia fechar, ia ser muito melhor que isto da gestão pública só faz é asneira.

      Gostava de lhe dizer quantos serviços já fecharam no meu hospital mas foram tantos que, tristemente, só me consigo recordar dos que ainda lá resistem: cardiologia, pneumologia, nefrologia e pediatria. Sim, o meu hospital não tem coisas básicas como medicina interna, por exemplo. O serviço de obstetrícia em que nasci também há muito se foi. Se partir um pé pode ir a correr ao pé coxinho 35km que é o sítio mais perto onde o podem atender. E etc, etc, etc…

      Se houvesse uma privatização dos CTT (porque eu sei que a luta nos traz frutos e vamos ter confiança que isto há-de dar a volta!), não se engane… O cenário não ia ser diferente. “Ah porque aquela estação servia poucas pessoas e não era rentável” – é a diferença entre o público e o privado: pessoas e números não se confundem, direitos e lucro também não.

      • Dezperado diz:

        “Não consegui não responder. Quero pensar que isto é só ingenuidade e que não é nenhuma psicopatologia de corrente masoquista”

        Rita esteja à vontade para responder sempre que achar necessario, não precisa é que começar logo a falar como se fosse a dona da razão. Não é assim que se debate um qualquer assunto.

        “Antes de mais, gostava de lhe explicar que, na verdade, paga o telefone. Lá que venha incluído no pacote da tv e da net, é uma coisa. Mas paga-o, não se iluda.”

        A PT cobrava 15 euros só para lhe por um telefone em casa, acrescido das chamadas….e chamadas para um familiar no estrangeiro eram pagas a peso de ouro….a conta do telefone rondava no minimo os 30 euros…..hoje pagor 30 euros e tenho televisao, internet e telefone, se acha que é igual esta no seu direito.

        Em relação ao que o Pingo Doce faz ou deixa de fazer, não ligo muito, como ha concorrencia, faço as compras na merceeria da minha rua.

        “quanto ao meu hospital. Quando passou a ser uma “parceria público-privada” (que é o mesmo que dizer: quando a administração passa a poder comprar agulhas de baixa qualidade para os doentes e carros topo de gama para si)”

        Quer que eu acredite que quando a gestão era simplesmente publica, os gestores do hospital transportavam-se em renault clios??????

        Acredito que tenham fechado alguns serviços, mas visto que esta mais por dentro da situação, diga-me se hoje em dia ha mais ou menos desperdicios???? Será que ainda se compram aos milhoes de vacinas para a gripe A que depois sao deitadas fora? Será que os médicos ainda usam e abusam das horas extras que por vezes nem fazem? Será que os médicos ainda fazem o seu trabalho no publico e depois vão a correr para o seu consultorio privado para ganharem mais uns “trocos”. Será que hoje se cumpre mais o orçamento que antigamente, onde os orçamentos serviam para ingles ver, porque depois durante o ano, pediam mais 3 ou 4 orçamentos retificativos? É que os gestores publicos, pensam que os orçamentos nao tem fundo….e ha de sempre pingar mais qualquer coisa.

        ““Ah porque aquela estação servia poucas pessoas e não era rentável” – é a diferença entre o público e o privado: pessoas e números não se confundem, direitos e lucro também não.”

        Dou-lhe razão neste paragrafo, mas sabe, o ideal era num raio de 2km haver um centro de saude, uns CTT, um tribunal, um hospital publico, uma escola publica, uma junta de freguesia, mas tudo isto tem custos…

        • De diz:

          Como?
          Cito:”Rita esteja à vontade para responder sempre que achar necessário, não precisa é que começar logo a falar como se fosse a dona da razão”

          A demagogia ( e algo mais) encalha logo neste primeiro parágrafo.Porque quem o escreveu é o mesmo que tem a suprema lata de acabar o seu discuros com esta pérola:
          :”o ideal era num raio de 2km haver um centro de saude, uns CTT, um tribunal, um hospital publico, uma escola publica, uma junta de freguesia, mas tudo isto tem custos…”

          Ideal?
          Num raio de 2 Km?
          Mas até onde vai a desfaçatez de se encobrir aquilo que se passa no país?
          2 Km?
          Mas o que vem a ser isto?
          Que nojice é esta?

        • De diz:

          «Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
          José Saramago – Cadernos de Lanzarote – Diário III – pag. 148

          (Alexandre de Sousa Carvalho tem um post exemplar exactamente com este comentário de Saramago….e assaz revelador)

        • De diz:

          Gestores públicos?
          Os gestores públicos,boys da direita e fervorosos adeptos do neoliberalismo pensam que.

          Eles são lá postos para isso na generalidade dos casos.Alguns transitam directamente da função de gestor público para a função de administrador privado.

          Encaremos os factos de frente.
          Os tais gestores públicos são da responsabilidade do poder político.E o poder político é esta choldra miserável de direita neoliberal e/ ou pesporrenta.
          Basta de coinversa da treta opara entreter o pagode
          Lembram-se do ultra-neoliberal ferreira do amaral?

      • imbondeiro diz:

        Excelente!

      • Rafael Ortega diz:

        O Dezperado disse que “pagava 3 mil escudos só para ter o telefone em casa”.

        Isso são 15€. Hoje em dia por 25€ tem o telefone, a net e a televisão.
        Claramente Net+Televisão não custam só 10€.

        Nem precisando de meter ao barulho a inflação, percebe-se que depois da privatização da PT e da abertura do mercado à concorrência, o cliente paga menos por melhores serviços.

        Só por isso já valeu a pena.

        • De diz:

          É ler Marx e Fonseca-Slatter aí em baixo

          Vale a pena e desmonta os mitos do “só por isso já valeu a pena”
          Mas há mais

    • De diz:

      “CTT com lucros de 45,2 milhões em vésperas de privatização”

      Eis o que os faz mover.
      Sem escrúpulos e sem vergonha

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Nos nossos dias a única maneira de os Correios voltarem a ser do povo seria pela criação de uma empresa intermunicipal em que os Correios ficassem instalados nas Juntas de Freguesia, com pessoal dessas mesmas Juntas. Teríamos menos luxo nas instalações, mas teríamos os Correios junto das populações, com distribuição diária do correio e todos os serviços financeiros básicos de que as populações precisam. Fazê-lo ou não está nas mãos das autarquias. Quererão as autarquias da CDU dar o pontapé de saída?…

    • Lúcia Gomes diz:

      Não creio que o caminho seja a municipalização do serviço postal. As telecomunicações e o serviço postal devem estar a cargo do Estado (central) e a sua defesa deve ser feita através da manutenção dos CTT na esfera pública.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Socialização não significa centralização. Eis a grande diferença entre uma marxista-leninista e um socialista libertário. Aquela procura o poder do centro, este procura o poder da perifieria. Aquela precisa da autoridade, este precisa da liberdade. Vai ser dificil encontrarmo-nos nas propostas, mas talvez que consigamos colaborar na destruição do que está…

    • Dezperado diz:

      Nuno

      Hoje quando estava a ler este post da Lucia, lembrei-me desta forma de englobar os correios nas juntas de freguesia. Lembrei-me de ler algo do genero ha uns tempos atras, pelos vistos num comentario seu. O que ja se faz em Inglaterra. Tenho pena que nunca tenham posto esta como uma das hipoteses para debate.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Obrigado pelo comentário. Como os donos do 5dias não têm querido proporcionar-me um espaço no seu blogue – e não têm obrigação de o fazer – vou-me servindo dos comentários para ir lançando ideias, na esperança de que alguém as ache interessantes. Porque, ao contrário do que se vai dizendo, o que não faltam são alternativas. Falta é vontade para as reconhecer ou até para possibilitar a sua divulgação, exactamente para manter a ficção de que as políticas podem ser más mas não há outras. Eu, como sou professor universitário e me pagam para reflectir, sei que até não seria difícil encontrar outras vias para sair da crise. Mas ninguém quer considerar sequer essa hipótese. Outro dia até escrevi uma cartinha ao Paulo Portas (!?!…) para lhe dizer como se conseguia, sem grande dificuldade mas com alguma coragem, reduzir drasticamente as taxas de juro usurárias que nos são impostas. É claro, o bicho nem se dignou acusar a recepção da missiva. É que a destruição do Estado de direito passa por um aprofundamento da crise que nos leve ao desespero. Qualquer coisa que pudesse resolver os principais problemas da crise será posta de lado, para não ferir os objectivos da oligarquia. Mas não podemos desistir. Mais dia menos dia surgirá uma qualquer circunstância que ponha isto tudo de pantanas, e talvez se consiga mudar o essencial.

        • Lúcia Gomes diz:

          Verdade que não podemos desistir.
          A reflexão que cada um de nós faz merece ser discutida e ouvida, designadamente pelos representantes precisamente por ser isso que lá estão a fazer, representar-nos.
          A ideia da municipalização é perigosa neste contexto dado que os serviços públicos estão todos a ser municipalizados, nomeadamente a escola pública.
          A transferência de competências da gestão de pessoal não docente tornou-os “pau para toda a obra”, traz-lhes salários miseráveis e trabalho à jorna. São contratados três a quatro horas por semana e por dois ou três meses. Recebem mal e muitas vezes são chamados não para a sua função de acompanhamento nas escolas mas para fazer o que o município entender.
          Fazer o mesmo a outros serviços – finanças, correios, etc – será enveredar pelo mesmo caminho. As autarquias não têm dinheiro para pagar a novos trabalhadores nem para assegurar qualquer serviço.
          Portanto, entendo que a melhor defesa do serviço público é a exigência de que este seja um dever do Estado e que se transfiram as verbas necessárias para a sua prestação.
          Entendo que ao avançar com esta ideia, não estava a referir-se, claro, ao quadro actual (talvez estivesse a propor num quadro ideal em que os municípios tivessem orçamento), mas essa ideia foi avançada pelo anterior executivo PS, e aí começou o fim dos CTT.

    • Rafael Ortega diz:

      É uma ideia interessante.

  3. moby diz:

    então agora que se estão a acabar com esses privilégios de uma elite social e nivelar o funcionário público e privado é que vêm para a rua mandar postas de pescada??? sempre julguei que a esquerda lutasse por uma sociedade justa e equilibrada e não pela manutenção de certas elites sociais!

    • Lúcia Gomes diz:

      Os trabalhadores dos CTT são uma elite social?
      E onde anda que não tem lido os meus textos? 🙂

      • moby diz:

        todo o funcionário público faz parte de uma elite social em Portugal. Desde o tempo dos “retornados” das ex-colónias.

    • De diz:

      Privilégios de uma elite social?
      Estar-se-á a falar dos borges, dos cavacos, dos belmiros, dos espíritos santo,não?

      É uma velha arma da direita pesporrenta e ou da direita neoliberal tentar dividir os trabalhadores.Empurrar uns contras os outros,colocar quem trabalha contra quem trabalha.

      A invenção das “elites ” entre os que trabalham e os que também trabalham,a divisão entre o que é publico e o que é privado , a divisão entre os que trabalham na terra e os que trabalham nas cidades sempre fez parte do discurso de quem explora outrém.Precisamente porque o interesse é este:dividir para reinar. Para que tudo fique na mesma

      Por exemplo este estudo exemplar de Eugénio Rosa deita por terra algumas das alarvidades propaladas pelos media ao serviço dessas mesmas elites

      • De diz:

        O estudo é este e põe a nu os métodos sem vergonha e sem escrúpulos de quem nos governa e rouba sem escrúpulos e sem vergonha
        http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2013/12-2013-Estudo-MERCER-remuneracoes-F.pdf

      • moby diz:

        então porque nunca se deram os mesmos privilégios aos trabalhadores privados? Só no sistema de saúde, por exemplo, já existe uma diferença aberrante. O lobby público em Portugal sempre foi o mais poderoso de todos, de quem trabalha no público e de quem faz negócios com ele. Por que é que acham que o estado português levou Portugal à falência? Ou vão insistir que foi o sector privado?

        • De diz:

          Lobby publico?
          E já agora lobby privado?
          Eis a forma mais concreta e objectiva de se tentarem dividir os trabalhadores. Entre o púiblico e o privado

          O estado português levou Portugal à falência?
          Isso é apenas ignorância ,má fé, ultraneoliberalismo idiota ou apenas resquícios de?

          Quem governou foi a direita pesporrenta e/ou neoliberal.O estado português não é uma entidade abstracta que este moby está a tentar fazer passar.
          O saque dividido pelos comensais que partilham o bolo entre si e que exploram quem trabalha: os melos e os espírito santo e os belmiros e os comparsas cavaco,sócrates, dias loureiro,borges, ministra-swap e tutti-quanti.
          E esta coisa nem sabe que a maior componente da dívida provém de onde?

          Uma tristeza de comentário

    • imbondeiro diz:

      Ele é ver os carteiros a empanturrarem-se de lagosta suada no “Tavares Rico”. Ele é vê-los, no fim da sua distributiva função postal, feita a cavalo numa reles motoreta e apanhando a chuva e o sol que a boa mãe Natureza lhes prodigaliza todo o ano, correrem, embevecidos, para os seus potentes Porches, Audi, Mercedes e outras magníficas máquinas de alto rendimento velocista. Ele é vê-los, mais as suas respectivas e muito sorridentes famílias, uma vez chegadas as extensas férias de Verão, fazerem longas filas na Portela, num antecipado gozo de magníficos veraneios nos mais variegados e exclusivos destinos exóticos, tudo isto na certeza de que os escolhos do futuro não afundarão as sólidas naus das suas vivenciais rotas biográficas, uma vez que elas se escoram no sólido salva-vidas de uma multimilionária conta num qualquer paraíso fiscal. E estou certo que esses bons homens e mulheres, umas vez chegados aos seus paradisíacos destinos, e enquanto fumam um belo e genuíno cubano e bebericam dos seus refinados cocktails, pensarão, do alto dos seus orgásmicos êxtases: “- Com é agradável pertencer a uma elite social!!!”

      • imbondeiro diz:

        Errata: “Como” e não “Com”.

        • moby diz:

          A sua resposta só denota que não percebe minimamente as diferenças de privilégios entre trabalhadores públicos e privados. Ou então faz parte desse grande lobby em Portugal que é o público.

          • imbondeiro diz:

            Sim, o senhor tem toda a razão: do assunto eu nada sei. E, já que estou em maré de confindências, devo confessar-lhe que eu nada sei acerca de coisa alguma que seja. E, tendo eu encontrado em si um generoso e paciente leitor dos meus menos que sofríveis comentários, aqui vai uma terceira confidência: é precisamente por nada saber que eu leio aqui o blogue, na esperança (certamente por culpa própria infundada) de aprender com as vastas capacidades intelectuais e as profundas e agudíssimas análises sócio-políticas de muito boa gente – como estou certo ser o caso das de Vossa Excelência – explanadas em comentários de uma qualidade literária digna de antologia.
            Mas, sendo eu homem de poucas letras e de ainda mais modestos recursos intelectuais, ainda assim, li, na minha já longínqua infância, uma fabulazita de Esopo, posteriormente recriada por La Fontaine, a qual explica, mais que não seja psicanaliticamente, esse seu ácido ressabiamento em relação aos funcionários públicos: intitulava-se a fabulazita, se a memória me não atraiçoa, “A Raposa e as Uvas”. Que passe Vossa Excelência muito bem, são os mais sinceros desejos deste seu criado.

        • moby diz:

          bla bla bla bla bla! Mas em relação aos privilégios dos funcionários públicos relativamente aos privados, nada!! Tipicamente tuga, muito embrulho mas pouco conteúdo.

          • De diz:

            Como?
            Privilégios?
            Ainda insiste na cartilha do patronato para dividir e para reinar?

            Com?
            Nem sequer lê o que se coloca à frente do nariz?
            Por preguiça ou por desonestidade intelectual?

            Com um pedido de desculpas volto a repor o link:

            http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2013/12-2013-Estudo-MERCER-remuneracoes-F.pdf

            O silêncio ensurdecer do moby moby

          • imbondeiro diz:

            Não tendo Vossa Excelência entendido o que anteriormente pacientemente lhe redigi, vou fazer-lhe um desenho: acho que o Paulinho das Feiras teve em atenção essa sua alergia aos funcionários públicos e já está a tratar do assunto. Para maior comodidade de Vossa Senhoria, o sábio líder do PP mai-lo seu guião vão pô-lo a milhas de qualquer médico, a milhas de qualquer enfermeiro e, estou em crer, a milhas dos muito poucos polícias que sobrarem no final da poda. Assim, quando a miséria produzir os seus resultados e Vossa Excelência for aliviado da carteira em plena via pública, com direito à respectiva carga de porrada, bem poderá clamar “Ó da guarda!”, porque guarda não virá, e ou terá dinheiro para que lhe voltem a pôr os ossos no sítio ou irá desta para pior. É que no privado reina a velha máxima ianque: “No money, no clown”. Mas Vossa Senhoria não se poderá, então, queixar: afinal de contas, não foi esse o perfeito mundo com que sempre sonhou?

    • Tofes diz:

      Mais um tacanho que pretende nivelar tudo pela miséria. Por posições destas esfregam os governantes as mãos de contentes.

  4. Irene Sá diz:

    Hoje pagamos o mesmo para ter telefone fixo e precisamos ainda de um telemóvel que anda à volta do mesmo custo mensal, ou seja: basicamente pagamos o dobro em comunicações. E não ganhamos o dobro do salário.

    • Dezperado diz:

      “Hoje pagamos o mesmo para ter telefone fixo ”

      Irene, se paga o mesmo para ter telefone fixo, aconselho-a a mudar de operadora porque esta simplesmente a ser roubada.

      “e precisamos ainda de um telemóvel que anda à volta do mesmo custo mensal”

      Antigamente, e visto que o custo era tão alto, nas aldeias quase que só uma pessoa tinha telefone da PT e os outros iam a casa desta quando queriam telefonar para os familiares. Hoje em dia ja tem a possibilidade (visto o custo ser muito mais baixo) de ter um telemovel e assim estarem sempre “comunicaveis”, caso precisem.

      • De diz:

        Ver o excelente aparte de Fonseca-Statter que desmonta esta tese do “antigamente” e do hoje é que é.

  5. CausasPerdidas diz:

    CTT, e fala de telefones… Certo, lembremos os “CTT/TLP”: quem tinha telefone em casa em 1974? Quantos quilómetros de rede de cobre foram montados ainda sem “apoio da CEE” e com que dinheiro acha que tal ocorreu? Com apoio de tarifas mais caras, claro – tal como nos outros países, até a edificação das infraestruturas não ter uma percentagem de leão no custo de exploração. Isto é, hoje paga menos porque o parque de linhas já estava edificado “publicamente” quando as telecomunicações foram privatizadas. Por outro lado, convém não esquecer quendo se fazem comparações, que as inovações tecnológicas ocorridas no entretanto fizeram tornar mais “leves” as comunicações. Não tem de estender toneladas de cobre pelo pais, basta-lhe oferecer dinheiro a um condomínio para que aceite a antena sobre o prédio. Aqui excluo a percentagem política, não de exploração, influenciada pelo Estado para obter capital com outros fins que não o da empresa.
    Olhe, a EDP contriu empréstimos que foram directamente para o Estado e ficaram na dívida da empresa pública, sabia disto? Pois não, não lhe contaram. Sobre o preço da tarifa eléctrica privatizada não tem nada a dizer? Uma pista: a produção de energia electrica hoje é mais barata hoje do que quando tínhamos que importar toneladas de fuelóleo para queimar nas centrais térmicas… sabe quanto paga só para as centrais privadas estarem de disponibilidade, paradas, sem produzir energia? É privado, milhões e catrogas a circular já é bom… apesar muita gente com a luz cortada. Nunca reparou nisso? Olhe que não é só nos “bairros sociais”.
    Quanto aos CTT, ainda me lembro de que mandar uma carta (não havia email), apesar de tudo, não era caro. E chegava quase sempre a horas. E não havia nem correio azul ou de outras cores. E, ainda, quando os carteiros dos CTT tinham zonas distribuídas que lhe permitiam fazer o trabalho sem um “fogute no rabo”, deslocavam-se a pé pelo meu bairro, chegavam a ler as cartas aos velhos iletrados. Hoje têm uma área bem maior e parte deles, dá-me a ideia, já nem pretencem à empresa. São precários sem direitos.
    Como é que uma empresa rentável que dá dividendos ao Estado pode ser entregue aos “bichos” que a comprarão com dinheiro que provavelmente virá de um empréstimo cujos juros será você e eu a pagar… A única “vantagem”: quase completado o verdadeiro programa do governo, estamos mais próximos de se demitirem. Deixarão os seus patrões satisfeitos e um deserto em vez de um país.

    • De diz:

      O silêncio perante este excelente comentário é ensurdecedor.

    • Tofes diz:

      Excelente comentário. A malta vai adormecendo com a treta de que o privado é que é bom, que dá lucro, que presta melhor serviço, etc.etc. Há algum capitalista que invista dinheiro para beneficio dos cidadãos? em lado algum isso existe! se há coisas que não estão bem nas empresas públicas ( de todos nós) que se corrijam, que se responsabilizem as pessoas que cometem erros, mas isso não interessa ao poder porque o objectivo é denegrir a imagem dessas empresas e serviços para mais facilmente os privatizar.

  6. André diz:

    Em tempos não muito distantes, em aldeias e vilas o carteiro era uma amigo, trazia-nos as boas e as más noticias, conhecia velhos e novos, era respeitado, sabia sempre se havia alguém doente, e se fosse o caso comunicava à familia, ou ia buscar os medicamentos, enfim era um amigo, como o médico de familia, sabia quem morava e onde, íamos ao Posto e éramos recebidos com um sorriso de quem nos conhecia! Hoje não conhecemos o carteiro, atrasos na entrega de correspondência são frequentes, trabalho precário, há aldeias que perderam o posto dos correios (antes foi a escola) e as juntas de freguesia! Corre-se o risco com a suposta privatização que tb se perca o posto dos correios em muitas vilas (e mesmo cidades de todo o país) e depois como será? Já me levaram a PT (agora é uma loja franshizada), a EDP (loja franchizada, tentam fechar o Hospital, reduzem o Tribunal, as primárias das aldeias (e da cidade) são todos os anos ameaçadas, as juntas de freguesia mal resistem depois do ataque que levaram este ano e depois? Ficamos com o quê? Quero e exigo uns CTT públicos, e de qualidade! E não, mais um negócio para os amigos do costume! Como me ensinou o grande mestre Aleixo “primeiro venderam os anéis, agora começaram a cortar os dedos”!

  7. Cada experiência pessoal vale o que vale…
    Mas a minha experiência de cliente MUITO frequente da Amazon (tenho o «vício» do livros…) é a de que quando os livros vêm pelos CTT, nunca (repito NUNCA) tive problemas. Quando os livros vêm por «prestadores privados» (algo que acontece de vez em quando), «é só chatices»…
    «Que eu não estava em casa», «que tenho que ir buscar a encomenda “não sei aonde” – já andei à voltas por bairos que nem conhecia nos arredores de Lisboa, já me perguntaram à posterioir, de Madrid, se «eu estava satisfeito» ou «se eu podia estar em casa no dia tal»… etc. etc…
    Mas está bem, por milagre da transformação dos pães, quando os CTT forem privados vão ser ainda mais eficientes.
    Como é que esta empresa pública (dizem) dá lucro,?…

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Tenho tido exactamente a mesma experiência. Mas já consegui “domesticar” os estafetas da Amazon para me telefonarem primeiro, para saber quando estou em casa…

      • De diz:

        Eis a que estamos reduzidos.A uma tentativa de “domesticar” os estafetas….
        Entretanto o pagode segue em frente e os chacais rodeiam os correios com a esperança de lhes ficar com o bocado.

  8. As pessoas que procuram comparar os «preços» que pagavam (ou deixavam de pagar) por telefone fixo e chamadas telefónicas há trinta ou quarenta anos atrás, com os «preços» que pagam (ou deixam de pagar) por serviços equivalentes (?…) hoje em dia, deviam também pensar na gigantesca evolução tecnológica que entretanto ocorreu.
    Como se explica em vários textos teóricos (a começar em «O Capital»), o valor das coisas (e por conseguinte o seu preço) tende a reduzir-se (cada vez mais e de forma cada vez mais crescente) com o progresso tecnológico e a acumulação de capital material. Ou seja, os serviços todos de telecomunicações que hoje se disponibilizam – em rigor, deviam ser «de borla» (ou quase…) pagando-se apenas a fracção correspondente aos custo dos «serviços de manutenção».
    Quanto à fantasia da concorrência (fazer descer os preços), aconselha-se a leitura de qualquer texto sobre «price leadership», oligopólios e outros temas do género.
    Numa consulta «Google» aparecem «dezenas» de explicações.
    Hoje os preços que se pagam às PT’s deste planeta (e outros oligopólios) são RENDAS, mascaradas de «lucro empresarial»…
    Qualquer estudante de MBA ou de «mestrado» em economia sabe disso.

    • Dezperado diz:

      Fonseca-Statter

      Tem toda a razão…..com a evolução tecnologica, os preços tendem a ficar mais baratos.

      Mas então explique-me uma coisa, para eu perceber qual é a vantagem de ter empresas estatais, sem ter em conta aquela ideologia de esquerda em que tudo tem de ser estatal.

      A EDP era estatal, pagavamos das contas de electricidade mais altas da europa, a empresa dava mil milhoes de lucro…..
      A TAP é estatal, as viagens nas companhias concorrentes sao muito mais baratas.
      A RTP é estatal, precisam de ter 2000 mil empregados, quando a SIC e TVI fazem o mesmo trabalho com 800 pessoas.
      A CGD é estatal, vai ter de reconhecer imparidades de alguns mil milhoes de euros como vão os bancos privados (julgava que só os privados é que podiam entrar nessas loucuras)

      A minha questão é, se as empresas são estatais, não garantem ao cidadão, preços mais baixos, tirando aquela ideologia que tudo tem de ser estatal, o que eu como cidadão ganho em que as empresas continuem do Estado????

      • De diz:

        Eis um comentário próprio de um ideólogo neoliberal ( medíocre) a tentar esconder a sua ideologia que tudo tem que ser privado

        Como qualquer neoliberal o sue objectivo máximo é o lucro.O resto não interessa.E a poeira atirada para os olhos e tão a jeito

        Quem disse que a canga dos neoliberais estão dispostos a vender tudo ,incluindo até a própria mãe está repleto de razão.

      • De diz:

        Fonseca-Statter tem toda a razão.
        Infelizmente desperado chuta para o lado
        Será que desperado percebeu o que aquele disse?

        Que vergonha …

      • De diz:

        Mas falou-se em EDP?
        Atente-se neste magnífico trabalho sobre essa tal questão da EDP e dos contribuintes.
        http://foicebook.blogspot.pt/2013/07/os-contribuintes-isto-e-os.htmlem-se os factos com

        e compare-se com a vulgata neoliberal mentirosa e fraudulenta

      • De diz:

        Ora bem ,mas continuemos a falar na EDP e na electricidade mais barata depois da privatização.

        Em Março de 2011 António Mexia, antigo ministro das Obras Públicas do Governo de Santana Lopes e actual Presidente do Conselho de Administração da EDP, em entrevista ao caderno de Economia do Expresso avisa os portugueses de acabou a era da electricidade barata.

        Há muito que os portugueses sentem isso na sua conta da electricidade não precisava de se incomodar ao afirmá-lo.

        Se há coisa que não se pode dizer da sua gestão é que tenha apostado numa politica tarifária que tenha salvaguardado o poder de compra dos portugueses.

        Desde que assumiu a presidência da EDP em 2006, os preços da electricidade para os consumidores domésticos (famílias) subiram 19.2% ( até Março de 2011) enquanto a inflação acumulada foi de 9,1%, logo a subida da electricidade foi superior à inflação em 9,3%. Em termos reais a electricidade está mais cara 9,3%, do que quando este Sr. António Mexia foi nomeado Presidente da EDP.

        Em contrapartida os lucros líquidos da EDP nos últimos 5 anos foram de 6 339,5 milhões de euros, isto é, 1 267,9 milhões de euros por ano.8Mais uma vez reportando-nos até Março de 2011)

        Percebe-se que os accionistas da EDP estejam satisfeitos com a sua gestão e em especial os investidores estrangeiros, que representam já cerca de 50% do capital da Empresa, da mesma forma que facilmente se entende que as famílias portuguesas se insurjam contra a politica tarifária da EDP.

        Percebem agora cada vez mais as famílias portuguesas porque é que o PCP sempre se bateu contra a privatização desta empresa e ainda hoje defende a sua nacionalização.

        Enquanto os sectores fundamentais da economia, entre os quais o sector electrico, não estiverem nacionalizados, o papel de Mexias e quejandos é sacar o máximo que puderem do bolso das famílias, para engrossarem os lucros dos seus accionista nacionais e estrangeiros, sejam eles grupos financeiros, fundos de investimento, fundos de pensões ou outras empresas do sector que espreitam as melhores oportunidades de negócio e que se estão nas tintas para a importância crescente do serviço público de fornecimento de electricidade na qualidade de vida das populações.

        Mas há mais

  9. Dezperado,
    Deixo apenas algumas notas avulsas e em jeito de «explicação» do que penso sobre o assunto:
    Valem o que valem…
    Uma empresa – estatal ou não-estatal – não tem que existir para «garantir preços mais baixos».
    O objectivo primordial de uma qualquer empresa, normalmente, é o lucro.
    Este lucro, por sua vez, é que pode reverter para o Estado ou para os seus proprietários privados.
    Uma empresa, pelo facto de ser estatal, não tem necessariamente que ser mal gerida. A técnica da «gestão por objectivos» (e respectivos prémios e incentivos) não é (ou não tem que ser) exclusiva das empresas privadas.
    No caso de os lucros irem para o Estado, melhor para todos os contribuintes. Sempre pode ser que alivie alguma coisa na carga fiscal. No caso dos lucros irem para os privados, melhor para a sua acumulação de capital e compra de outras empresas mais pequenas (como têm feito as empresas que foram privatizadas) e sobretudo melhor para os chorudos «prémios de gestão» dos seus executivos de topo. Neste caso particular (da remuneração dos quadros de gestão) no caso de empresas públicas, o Estado ainda pode exercer algum controle e «contenção». Mais, nesse caso, o accionista-Estado pode (e deve) promover o papel fiscalizador das comissões de trabalhadores.
    Ainda no caso do «destino» que é dado aos lucros, temos sido todos nós consumidores quem tem estado a financiar os «planos de expaqnsão» das grandes empresas que foram privatizadas, justamente à conta dos preços de oligopólio que todas praticam.
    Apesar da «concorrência», ainda hoje os custos de telecomunicações e de electricidade em Portugal são dos mais elevados da Europa.
    Nos casos que apresenta relativamente à TAP, lamento mas não é essa a minha experiência pessoal de muitos anos de voos… Há diferenças de preços (quase nunca significativas…) mas também há diferenças de serviços e respectiva qualidade… No caso particular dos transportes aéreos não penso que seja aí – na diferença de preços das viagens – que está a verdadeira questão. Aqui há dois meses paguei (ou pagaram por mim) por uma ida a Marselha (com a Lufthansa), mais do que o preço de uma ida e volta ao Rio de Janeiro.
    No caso da RTP em relação à SIC e TVI (por exemplo) a coisa é MUITO mais complicada do que a questão do número de empregados. Digo isto com a tranquilidade de quem já esteve durante quatro anos a fazer uma rádio (música clássica, jazz e cinema) que servia a Grande Lisboa, tendo apenas 3 (três) colaboradores, todos em «tempo parcial»…
    Nunca me passou pela cabeça investigar quantos empregados tinha ou tem a Antena 2.
    A questão aí passa pelo serviço público que queira prestar ou não.
    Uma outra reflexão final:
    Eu pessoalmente não sou sistematicamente a favor de que estas empresas sejam «todas» estatais. Quanto a mim, a banca (por exemplo) deveria ser quase toda (excepto as cooperativas) nacionalizada, mas não estatizada. Já tenho defendido esta «solução» (e explicado a diferença e vantagens…) em algumas discussões públicas em que isso vem à baila.

    • Dezperado diz:

      Fonseca Statter

      Antes de mais agradeço-lhe a resposta.
      Tenho uma visão ligeiramente diferente da sua em relação ao objectivo de uma empresa. De uma empresa privada sim, o objectivo será o lucro, para uma empresa do estado, o objectivo deverá passar por oferecer preços mais baixos do serviço que presta ou até gratuitamente. Como é obvio se ainda conseguir algum lucro, melhor, é dinheiro que entra no Estado, mas o que por vezes acontece é o contrário, são milhões de prejuízos que se vão acumulando, caso dos transportes.

      Por exemplo, a EDP era do estado, do que vale ter lucros de mil milhões, se continuávamos a pagar a electricidade das mais cara da europa.
      Em relação à TAP, como empresa do Estado, não é estranho, se eu quiser viajar para a Madeira pago menos pela easyjet do que pela TAP…..concordo que os serviços são ligeiramente diferentes, mas em viagens tão curtas, não se nota quase a diferença.

      Concordo consigo quando diz que as empresas estatais não tem de ser mal geridas, sou da opinião que deviam respeitar mais os orçamentos, e não ir sugando mais dinheiro durante o resto do ano, teria de haver uma maior responsabilidade, um maior controlo.

      Para concluir, discordo totalmente da banca ser toda nacionalizada, prefiro sim que o Banco de Portugal faça um trabalho (muito) melhor no que diz respeito à supervisão (alias acho que um dos grandes problemas de Portugal, é que tudo o que é órgão de supervisão não funciona, ou não deixam funcionar).

      • De diz:

        Falso quanto ao preço da electricidade antes e depois da privatização da EDP e do consulado do homem de mão dos grandes interesses económicos, ex-governante do PSD e conhecido militante do neoliberalismo mais desbragado.Parece que já houve anos em que ganhou apenas 2 900 000 euros.
        Para isso a EDP tem que dar lucro.Tirado do bolso de todos nós.

        Confundir os sectores é uma velha manha do argumentario usado por alguns.Repare-se como se salta dos CTT para a EDP e agora como se tenta saltar para os transportes.
        Uma espécie de trampolim perpétuo que impede qualquer discussão séria e que serve sobretudo de caminho de fuga.

      • De diz:

        Por exemplo a EDP.Já foi indicado o site do foicebook onde se colocaram três videos que desmascaram a triste figura das privatizações e o conluio aberto entre este governo e o capital.
        Mais uma vez se repete o site na esperança que seja desta que desperado leia:
        http://foicebook.blogspot.pt/2013/07/os-contribuintes-isto-e-os.html

        E o que mostram os videos?
        1º video
        AGORA FICA MAIS CLARO PORQUE A EDP CONTRATOU VÁRIOS EX MINISTROS E LHES PAGA MILHÕES DE EUROS POR ANO?
        AGORA JÁ SABEM PORQUE TANTOS JOTINHAS LUTAM PARA CHEGAR AO POLEIRO?
        Veja este video… onde o Secretário de Estado da Energia demitido, acha que as rendas da EDP são ilegítimas, e ilegais. A Troika mandou cortar as rendas. Mas até a troika cedeu e desistiu.
        O cenário já vinha do anterior governo, pois foram eles que atribuíram as rendas excessivas à EDP.
        Todos sabem que as rendas são abusivas.
        Para o entrevistado, o Ministro Álvaro Santos Pereira, é um homem sério e competente, e não foi o ministério da economia, que cedeu ao loby da EDP. Ele próprio, o entrevistado, também quis enfrentar a EDP, mas teve que se demitir.
        Isto é um escândalo. Os portugueses têm que perceber que isto é o cumulo, o próprio governo trava quem tenta defender o interesse nacional. Os portugueses têm que deixar de viver na ignorância, é urgente que todos estejam informados, alertas.

      • De diz:

        No segundo video Henrique Gomes revela que o relatório de interesse nacional sobre os cortes que deveriam ser feitos à EDP, foi desviado por alguém e 1 hora depois de estar feito, já estava nas mãos da EDP.
        O relatório denunciava que os portugueses irão pagar 4 mil milhões de rendas excessivas à EDP. Os cortes foram impedidos de avançar pela EDP, o ministério das finanças opôs-se, ao ministério da economia, e Passos Coelho “afastou-se”. As finanças foram determinantes no processo, ou seja, Vitor Gaspar, foi quem não apoiou ou permitiu que este senhor, defendesse o interesse nacional.
        Afirma ainda que o governo para embolsar 250 milhões a mais nas privatizações, acabou por obrigar os portugueses a pagar 4 mil milhões à EDP… a EDP sabe negociar muito bem. O governo sabe trair muito bem?

      • De diz:

        No terceiro video, Álvaro Santos Pereira conta como a EDP festejou, o facto de ter vencido a batalha contra os portugueses e contra o ministério da economia. O relatório do ME foi desviado por alguém e 1 hora depois de estar feito, já estava nas mãos da EDP.
        O entrevistado conta ainda que o ministro não queria que se fizesse um determinado discurso onde se fazia referencia ás das ditas rendas e aos valores, situação que foi a gota de água para a demissão de Henrique Gomes. (O Governo devia querer ocultar aos portugueses o saque da EDP.)

        Ainda nesta mesma entrevista, denuncia-se que a EDP obriga os portugueses a financiar electricidade aos espanhóis… aos milhões!!?? No final do video, fica a explicação do porquê a EDP deter tanto poder no governo, a EDP é um descarado albergue de Boys de vários partidos. Veja aqui o video…
        Por último, a parte do video onde se denunciam os lucros abusivos da EDP.

        Tudo no site atrás indicado

      • De diz:

        A rapina do dinheiro que o estado podia arrecadar em prol dos privados é o melhor argumento da política selvagem praticada pelos liberias.
        Arruínam as receitas próprias do estado em sectores económicos-chave, para benefício do lucro desmesurado dos privados.E não olham a meios nem a escrúpulos

        Vejamos:
        “Entre 1987 e 2008 as privatizações deram ao Estado receitas de €28 mil milhões
        – Mas a Divida Pública no mesmo período aumentou 5,8 vezes mais!
        No passado, os governos do PSD e do PS utilizaram diversas razões para justificar, perante a opinião pública, a privatização de empresas públicas. A experiencia depois mostrou que essas razões não eram válidas. Neste momento, o governo defende a privatização de mais empresas públicas, com o argumento de que isso é necessário para reduzir a divida pública. No entanto, a experiência e a análise objectiva mostram que não é com a venda de empresas públicas que se consegue reduzir a divida. Muito contrário, até se agrava como se prova neste estudo.

        Entre 1987 e 2008, os governos de Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso e Sócrates, procederam à privatização maciça de inúmeras empresas públicas, obtendo uma receita de 28.039,6 milhões de euros a preços nominais. No entanto, no mesmo período, a Divida Pública passou de 19.049,4 milhões de euros para 110.346,6 milhões de euros, ou seja, aumentou 5,8 vezes (+ 91.297,2 milhões de euros). Até 2013, o actual governo tenciona privatizar totalmente cinco empresas (INAPA, Edisoft, EID, Empordef, Sociedade Portuguesa de Empreendimentos) e parcialmente sete empresas (GALP, EDP, TAP, CTT, ANA, Companhia de Seguros Fidelidade-Mundial e Império-Bonança, e EMEF), e arrecadar desta forma cerca de 6.000 milhões de euros. No entanto, em 2013, o governo prevê no PEC: 2010-2013 que a Divida Pública atinja 89,8% do PIB o que corresponde a cerca de 163.860 milhões de euros, ou seja, mais 53.513,5 milhões de euros do que em 2008, e mais 144.811 milhões de euros do que em 1987. É claro o fracasso desta politica de venda de empresas públicas para resolver o problema do aumento rápido da divida pública.

        Ao vender empresas públicas o Estado perde uma importante fonte de receitas para o Orçamento do Estado. Só no período compreendido entre 2004 e 2008, o Estado recebeu das empresas com capitais públicos que ainda escaparam à fúria das privatizações dos governos PSD, PSD/CDS e PS, de dividendos e de remunerações de capital, 2.251,1 milhões de euros. É uma parcela significativa desta fonte de lucros que o governo de Sócrates pretende a gora vender aos grandes grupos económicos. É evidente que, se o Estado abdicar desta fonte importante de receitas, o défice orçamental e a divida pública certamente aumentarão.

        Muitas das empresas privatizadas eram uma fonte muito importante de receitas para o Estado. Apenas três – a GALP, EDP e PT – obtiveram lucros líquidos no período 2004-2009 que somados atingiram 13.384,9 milhões de euros. E estas três empresas valiam, em 12 de Abril, com base no valor de cotação de bolsa, 30.620,2 milhões de euros. Entre 2004 e 2008, oito grupos económicos privados, quatro deles estrangeiros, que controlam já 43% do capital da Portugal Telecom receberam desta empresa 1.330,8 milhões de euros de dividendos. Na EDP, oito grupos privados que controlam 32,96% do capital da EDP receberam 864,6 milhões de euros de dividendos. Na GALP, também entre 2004 e 2009, dois grupos económico, um parcialmente estrangeiro (Amorim energia) e outro totalmente estrangeiro (a italiana ENI), que controlam 66,68% do capital desta empresa, receberam, de dividendos, 1017,4 milhões de euros.

        Face a estes números retirados dos relatórios e contas publicados por estas empresas, as quais representam apenas uma pequena amostra das empresas privatizadas, conclui-se que as privatizações têm representado um fabuloso negócio para os grandes grupos económicos, incluindo estrangeiros, e um mau negócio para o Estado que perdeu assim uma importante fonte de receitas que poderia aliviar as dificuldades orçamentais e reduzir o défice orçamental.

        Alex Jilbeto e Barbara Hogenboom mencionam na obra colectiva Big Business and Economic Development que se assistiu nas décadas 80 e 90 do séc. XX, em muitos países a um gigantesco movimento de privatizações maciças de empresas públicas, de desregulamentação e de liberalização, iniciado nos EUA de Reagan e na Inglaterra de Tatcher que depois se estendeu a muitos países com o apoio do FMI e do Banco Mundial que deixou o Estado fragilizado, submetido ao poder económico, incapaz de promover o desenvolvimento e o crescimento sustentado, e que conduziu o mundo à primeira grande crise global. Portugal também não escapou àquele movimento, e o actual governo parece não ter aprendido nada com essa experiencia e com a actual crise pois tenciona continuar a politica de privatização de empresas públicas.”

        O estudo está aqui e já foi referido:
        http://resistir.info/e_rosa/privatizacoes_14abr10.html

      • De diz:

        A forma ligeira como desperado coloca os seus argumentos quanto às questões das nacionalizações continua a ocultar o que parece óbvio: é que as administrações são nomeadas pelo poder político que é o mesmo que quis privatizar.São os padrinhos uns dos outros e não há verniz militante que possa esconder tal facto .Mexia foi figura graúda do PSD e governante do mesmo partido.Foi para onde foi depois de fazer o “trabalhinho” devido.Ferreira do Amaral outro expoente máximo do modus operandi da direita mais ou menos neoliberal mais ou menos pesporrenta.

        Quanto á supervisão do Banco de Portugal a desfaçatez é a mesma.O governo nomeia os boys e os bois.E depois querem uma supervisao eficiente.Mas estúpido não é o capitalismo a funcionar?

        A banda de facto deve ser nacionalizada.Toda.Não se pode permitir que um sector chave da nossa economia, esteja nas mãos destes bandalhos.
        De que este é apenas um pequeno exemplo:
        “A apresentação dos resultados do Banco Espírito Santo o seu presidente respondendo a um jornalista afirmou com voz pesarosa : o chumbo do Tribunal Constitucional levaria a um segundo resgate e isso seria o pior que nos poderia acontecer….
        Mais um a fazer pressão sobre o Tribunal Constitucional numa postura de aparente consternação e neutralidade. O mesmo que se esqueceu pela terceira vez de declarar rendimentos no IRS… Que candura de criatura !
        Aqui:http://foicebook.blogspot.pt/2013/10/que-candura.html?utm_source=BP_recent

      • De diz:

        Saramago já foi aqui citado a propósito de uma sua magistral afirmação.
        Tal mereceu de Alexandre de Sousa Carvalho um post oportuno:
        https://5dias.wordpress.com/2013/08/06/quando-o-liberalismo-nao-rima-com-capitalismo-o-corporativismo-da-uma-ajuda/#comments

        Nesse post está também o motivo da intransigência perante alguns. A desonestidade ( e no caso vertente não se trata só disso, infelizmente) não pode passar impune

  10. De diz:

    “O sector da energia é estratégico em qualquer país, em termos de desenvolvimento e de
    independência nacional. Os governos, desde que tenham um mínimo de dignidade nacional e se
    preocupem verdadeiramente com o desenvolvimento do país, procuram sempre preservar este
    sector vital do controlo do capital estrangeiro. Em Portugal, infelizmente, tem-se verificado
    precisamente o contrário desde Cavaco Silva, que iniciou as privatizações, hipotecando-se, desta
    forma, também o futuro do pais. O actual governo, e o seu ministro das Finanças, cegos pela
    ideologia ultraliberal professada pelos “boys” da “Universidade de Chicago” e do FMI tudo fazem
    para entregar o controlo deste sector a grupos económicos estrangeiros, com a falsa justificação
    de que assim se aumentará a concorrência e o investimento estrangeiro.”

    Assim começa um excelente estudo de Eugénio Rosa em Janeiro de 2012
    http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2011/1-2012-EDP-DOMINADA-ESTRANGEIROS.pdf

    Percebe-se o que quer a direita, os neoliberais,o governo, a troika e os bandalhos de bandulho enorme

  11. De diz:

    Vejamos as consequências da “liberalização” ( na realidade uma privatização) do sector energético na Grã-Bretanha:

    “Tal como nos caminhos-de-ferro, a Grã-Bretanha foi o laboratório da chamada liberalização, na realidade uma privatização do sector energético. Consequências: alta dos preços, precariedade energética, sub-investimento e lucros recordes.

    Em 1989, o Electricity Act, a “liberalização” do sector da energia, eufemismo para caracterizar a quebra do monopólio público da British Gas sobre a electricidade e o gás, sua privatização e a abertura à concorrência dos monopólios privados britânicos e sobretudo europeus.

    Vinte e cinco anos depois, as promessas estão longe. Em Outubro de 2013, a British Gas anunciou uma nova alta das tarifas: 10,4% para a electricidade e 8,4% para o gás. Ou seja, em média uma alta de 160€ da factura energética de cada família.

    Desde 2011, a British Gas aumentou suas tarifas de gás em 50% e as de electricidade em 40%. Elas afectarão mais de 20 milhões de clientes que permaneceram fiéis ao antigo monopólio.

    E a concorrência? Criada de raiz após a privatização da British Gas, ela reduz-se hoje a seis monopólios (o “Big six”) que controlam 99% do mercado.

    São os monopólios britânicos SSE e Scottish Power, privatizados após 1989, e os monopólios europeus: os alemães E.ON e RWE e o francês EDF. Contrariando o mito de que a concorrência esmaga os preços, a entente entre os monopólios conduz à alta geral dos preços.

    Desde 2011, a alta média das tarifas da energia é de 21% para a RWE e EDF, de 25% para a Scottish Power e E.ON, de 30% para a SSE. O argumento avançado pelas companhias, a alta das cotações de matérias-primas e do custo dos investimentos, cai por terra face aos resultados anunciados.

    Uma nova alta de 10% dos lucros do primeiro semestre para a British Gas e a Scottish Power multiplicou por dois os seus lucros do ano passado (de 450 para 900 milhões de euros) ao passo que a EDF quadruplicou seus lucros entre 2011 e 2013, de 1 para 4 mil milhões de euros.

    Se se examina a Centrica, proprietária da British Gas, 61% dos seus lucros são revertidos em dividendos para os accionistas. Seus “investimentos” consistem na compra de infraestruturas, de blocos de exploração no estrangeiro.

    As últimas operações até à data, a compra (em parceria com o Qatar) por mil milhões de dólares dos activos da Suncor no Oeste do Canadá, após a do principal operador no Leste americano, a Hess, por 800 milhões de dólares. Finalmente, a aquisição à Total das suas infraestruturas e da sua carteira no Mar do Norte por 300 milhões de dólares.

    Em um ano, 2 mil milhões de dólares de investimentos no estrangeiro, com o objectivo exclusivo da rentabilidade, ao invés de investir na renovação da envelhecida rede britânica.

    Para os britânicos, as consequências são desastrosas. Cada vez mais famílias têm de fazer uma opção entre aquecer-se e comer: 23% dos britânicos segundo um inquérito da campanha “Energy bill revolution”.
    Continua aqui:
    http://resistir.info/energia/gas_electr_gb.html

  12. Rita Catita diz:

    A minha mãe apaixonou-se pelo carteiro e com ele se casou, mas nunca conheci o meu pai na qualidade de carteiro, pois ele trocou a profissão por outra, na antevéspera do meu nascimento, no penúltimo mês de 1980!
    Em criança, durante toda a década de 80 e inicio da década de 90, tenho boas memórias da estação de correios da minha terra. Forrada a madeira, de balcão alto… Cheiro a cola como seria de esperar. O carimbo de que falas, “batia” e ecoava pelo edifício… E claro, a D.ª Lurdes, chefe da estação, sempre simpática, sorridente e com uma palavra amiga para mim.
    Eu adorava passar lá o tempo de cada vez que o meu pai lá ia.
    Mais tarde, já nos finais da década de 90, inicio de 2000, foram centenas as vezes que, na corrida do autocarro (depois da escola), para casa, me abriguei da chuva e do frio, dentro daquele edifício. Via, nessa altura, que as cores quentes e confortáveis das madeiras de outrora, deram lugar ao frio dos metais cinzentos e vermelhos… Já não era o mesmo espaço “quente” e acolhedor, mas continuava a ser confortável… No piso térreo permanecia a estação de correios. No primeiro andar a residência da D.ª Lurdes, chefe da estação, e sua família!

    No início deste ano, apesar das inúmeras manifestações e vigílias (agradeço ao camarada Pedro Ventura os seus esforços incansáveis, porém, inglórios), a estação fechou e ficou apenas um posto que, por muito boa vontade que tivéssemos, não cumpre o propósito!
    Hoje de manhã, passei pela antiga estação e partiu-se-me o coração. O edifício, nestes meses, degradou-se imenso sem que ninguém desse conta… As portadas foram caindo, os vidros foram perdendo o brilho, a porta, pintada para que não se veja o interior, cada vez mais frágil…
    Tudo o que restava, já era. Há uns dias, retiraram o que restava lá dentro.
    A demolição será, certamente, o fim daquele edifício lindo, dos anos 50…
    Tenho medo de lá passar novamente…

    Pouco sentido faz, voltar aqui tanto tempo depois da publicação do texto mas hoje, devido ao acontecimento que aqui relatei, achei que fazia sentido.

  13. «O edifício, nestes meses, degradou-se imenso sem que ninguém desse conta… As portadas foram caindo, os vidros foram perdendo o brilho, a porta, pintada para que não se veja o interior, cada vez mais frágil…»
    Agora multiplique essa imagem por uns milhares e terá a fotografia de algumas cidades (antigamente) industriais dos Estados Unidos…
    É a «transformação estrutural do capitalismo» dizem eles.
    É a crise sistémica, digo eu.

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