A troika é fixe! O povo que se lixe!

Há quatro anos, um grupo de independentistas bascos convocou, através de um site, uma manifestação para Arralde, uma localidade apenas existente numa telenovela transmitida pelo canal regional. De imediato, uma associação espanhola exigiu que os tribunais proibissem a mobilização e a polícia desdobrou-se em esforços para descobrir onde ficava, afinal, Arralde. No dia da manifestação, centenas de agentes espanhóis subiam esbaforidos as encostas do único sítio que se chamava Arralde, um monte perdido entre as montanhas bascas, absolutamente vazio de gente. As capas dos jornais foram a humilhação das forças de segurança. Os independentistas rebolavam de riso ante a inutilidade do Estado espanhol, dentro da sua perseguição cega a quem luta pela liberdade, em perceber que aquela convocatória era falsa.

Depois de semanas de silêncio sobre a manifestação convocada pelo Que se lixe a troika – apoiada por mais de 800 subscritores – a comunicação social portuguesa teve a sua Arralde. A maioria dos jornalistas esperava genuinamente pela chegada de portugueses declaradamente apoiantes da troika e do governo. Dentro do espaço que na agenda não se pôde dar ao Que se lixe a troika, havia muito espaço para os amigos dos banqueiros e dos grandes grupos económicos. A acção daquele colectivo é genial por dois motivos: porque rompe com a censura dos media atraindo-os para uma armadilha e porque ao mesmo tempo atesta o imbatível facto de que o apoio activo à troika e ao governo é tão residual que teve de ser gente do outro lado da barricada a fazê-lo.

Não é novidade, e já o sabíamos, mas soube bem ver televisões, rádios e jornais correr para os pés de quem se fingia ser amigo dos banqueiros e dos grandes grupos económicos. E, no fundo, quem é jornalista convicto soube que mais do que mentira se tratava de verdade. Da verdade que os seus patrões não querem que se saiba. Da mentira que banqueiros e grandes grupos económicos querem que se saiba. Porque, no fundo, são esses os donos das televisões, jornais e rádios. E do PS, PSD e CDS-PP.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 5dias. ligação permanente.