Bloco de Esquerda: reorganizar a iniciativa partidária anticapitalista

Milhares de pessoas protestam na Avenida da Liberdade em Lisboa

O Bloco de Esquerda é no panorama político nacional a única força partidária de esquerda que assume uma natureza claramente anticapitalista, e que ao mesmo tempo rejeita com igual veemência – do ponto de vista programático – a herança histórica da degenerescência dos processos de construção dos chamados regimes “socialistas”.

Havendo muita discussão e muita diferença, não há no Bloco quem deixe de criticar desassombradamente e com clareza os regimes Chinês, Norte Coreano, Angolano ou até Cubano, por razões históricas de alinhamento político-ideológico.

Essa é para mim, no plano das ideias, a principal novidade deste movimento/partido: a libertação do lastro de conivência com o tremendo rol de crimes e injustiças em que a tentativa de construir sociedades alternativas ao capitalismo quase sempre se transformou, igualando-se assim ao pior que aquele sistema representou e representa.

Essa coragem, a de denunciar as injustiças de onde quer que elas venham (como dizia Che Guevara a propósito do que entendia ser a principal característica de um revolucionário), é uma condição essencial de “arejamento ideológico” para a construção de uma verdadeira alternativa moderna ao sistema capitalista. E dos partidos de esquerda anticapitalista com representação eleitoral, só o Bloco de Esquerda a cumpre.

O BE surgiu e implantou-se na sociedade portuguesa somando à importante novidade do seu posicionamento político à esquerda (referido acima), a originalidade de incorporar na luta política do campo anticapitalista o que os comentadores de serviço chamaram de “causas fraturantes”. Em particular, para além de um novo vigor emprestado à luta pelos direitos das mulheres (defendendo designadamente a discriminação positiva pela adoção de cotas) e pela despenalização da IVG, o Bloco assumiu também desde muito cedo, e sem quaisquer preconceitos, a luta contra a descriminação em função da orientação sexual, incorporando claramente no seu rol programático de reivindicações o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esta nova postura à esquerda fez o Bloco crescer, projetou-o em termos mediáticos, e fez sedimentar uma base social de apoio relativamente sofisticada, essencialmente urbana, representada por jovens intelectuais, professores, quadros médios, jornalistas, ativistas sociais, etc.

Ora justamente, no atual período de ofensiva capitalista/neoliberal, depois de alcançados muitos dos desígnios ligados às “causas fraturantes” (em si mesmo importantíssimas vitórias da esquerda), e depois da erosão de um certo efeito de moda, o Bloco confronta-se com uma dificuldade fundamental que a meu ver contribuiu para a importante derrota eleitoral sofrida nas últimas eleições autárquicas. Essa é a contradição entre o discurso político claramente anticapitalista, anti troika, ligado à defesa do estado social e dos direitos básicos fundamentais das pessoas, e a sua base social/eleitoral de apoio.

O problema (ou ao menos parte dele) está em que para organizar a resposta a uma tal ofensiva é necessário um instrumento partidário muitíssimo mais enraizado na sociedade, é necessário um aparelho, células ou núcleos de base nos partidos, funcionários, ligação e implantação geográfica (pelo menos nos grandes centros urbanos), ligação – ou ao menos capacidade de comunicação recorrente e de muito maior proximidade – com diferentes grupos socioprofissionais (professores, estudantes, trabalhadores da função pública, etc.).

Em vez disso o BE tem uma implantação importante (sociologicamente enraizada e muito longe de desaparecer), mas caracterizada por uma certa difusidade nos meios intelectuais e urbanos, como alguma ligação a sectores do mundo do trabalho, mas muito longe de uma influência sindical significativa. Conta com um conjunto de excelentes quadros e ativistas (a começar pelos atuais dirigentes), mas com uma atividade necessariamente centrada no trabalho parlamentar, sem capacidade para desmultiplicar o seu contributo (frequentemente de grande qualidade) ao nível do trabalho de maior proximidade, mais diretamente ligado às pessoas e às lutas de cariz sindical, associativo ou outras, do seu dia-a-dia.

Defendo portanto que uma tarefa urgente do campo da esquerda anticapitalista, ligada à necessidade de reorganizar e relançar a iniciativa no âmbito partidário, passa pelo desafio de recuperar um certo sentido Leninista de organização partidária. A enorme dificuldade que isso comporta não está só relacionada com a óbvia constatação de que não basta decretá-lo para que esse desígnio se cumpra, mas fundamentalmente com o desafio de recuperar uma disciplina e modo de organização que tome como prioridade a implantação do partido junto das pessoas, sem incorrer nos mesmos erros de fundamentalismo intolerante e sectarismo burocratizado que historicamente se conhecem.

A principal razão pela qual considero uma tal reorganização prioritária para o campo da esquerda anticapitalista, tem no entanto menos que ver com tacticismo partidário e mais com a urgência política do tempo corrente: penso que uma verdadeira unidade à esquerda, candidata ao exercício do poder governativo em Portugal com um programa frentista – mínimo denominador comum da defesa do estado social – só é possível, se for o Bloco a propô-la. Nem o PS nem o PCP, por diferentes razões históricas e de conjuntura, verdadeiramente a desejam (mas sobre isso escreverei noutra oportunidade).

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Sobre Filipe M. Rosas

Geólogo, Professor Universitário
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47 respostas a Bloco de Esquerda: reorganizar a iniciativa partidária anticapitalista

  1. No dia em que terminarem os verbos começados por “Re” o BE acaba.

    Tantas voltas de 360º. O Congresso das Alternativas serviu para quê? Vamos re-organizar a re-re-organização?

    Relerei o seu texto.
    Abraço

  2. José António Jardim diz:

    O ideal era abrirem o espaço aéreo da Siria á nato como abriram na Libia. Nisso sim !o be foi um verdadeiro partido de eskerda!

  3. Nuno Rodrigues diz:

    “O Bloco de Esquerda é no panorama político nacional a única força partidária de esquerda que assume uma natureza claramente anti-capitalista, e que ao mesmo tempo rejeita com igual veemência – do ponto de vista programático – a herança histórica da degenerescência dos processos de construção dos chamados regimes “socialistas”.: Não é. É sim o único a separar processos inseparáveis, não percebendo o erro dai advindo. E dando até graves apoios a extermínios capitalistas, como acontece na Síria, na Líbia e adiante (e vi até muitos apoiarem Hollande. Por sua vez, insere.se em projectos de direita, com muitos dos seus militantes a comungarem posições com a JS ou a JSD em AE’s, comissões de trabalhadores e movimentos de massas, como se fosse uma coisa viável. O último exemplo residiu na madeira e naquele movimento decrépito.

  4. Argala diz:

    Dois pontos importantes neste texto: a crítica ao “socialismo real” e as causas fracturantes, como base para o aparecimento de um outro partido institucional à esquerda do PS.

    “a herança histórica da degenerescência dos processos de construção dos chamados regimes “socialistas”.”

    Primeiro problema. A crítica do BE às experiências socialistas é feita pela direita, com liguagem liberal.
    Procurem nas páginas do BE por um único, um único, documento ou dossier onde se fale, com detalhe, da restauração do capitalismo em Cuba, na China e noutros países, onde a tónica de crítica aos regimes socialistas seja, precisamente, o abandono do socialismo, da economia planificada, o fim do apoio a processos revolucionários, o alinhamento com as teses capitulacionistas do PCUS. Nada.

    E isso pode e deve ser feito, sem tropeçar em mentiras e até recorrendo à própria informação dada pelos orgãos de informação desses países. Eis um exemplo prático daquilo que estou a afirmar:

    http://www.esquerda.net/artigo/governo-coreano-preferiu-m%C3%ADssil-alimentar-popula%C3%A7%C3%A3o/22748

    O BE socorre-se da propaganda imperialista, participando na chantagem moral sobre a RPDC: ou desarmam, ou continua o cerco e o bloqueio alimentar. Magnífico. Portanto para o BE a crítica à RPDC é o facto de não se render.

    Quanto às questões sobre racismo, LGBT, direitos dos animais, feminismo, aborto, educação sexual e quejandos, foram sem dúvida muito importantes para catapultar mediaticamente o BE, e pô-lo no parlamento. O BE aproveitou e bem um espaço deixado vago pelo matarruanismo do PCP, que amarrado à ruralidade da sua base militante, reproduz nas suas posições essa consciência atrasada. O voto do PCP relativamente à adopção de crianças por casais do mesmo sexo é disso paradigmático.

    Contudo, o crescimento do BE assentava num lastro muito fraquinho. E o resultado eleitoral está à vista.

    Por último, não posso deixar de sorrir ao ver essa proposta frentista como solução institucional para a superação da crise capitalista. O BE, crítico da degenerescência das experiências socialistas, copia precisamente as estratégias que ajudaram a levar o socialismo à degenerescência. O BE critica-se a si próprio, mas com 80 anos de diferença.

    Cumprimentos

  5. NL diz:

    sois uns puros. por absurdo, um governo bloco de esquerda romperia relações com china, angola, cuba? abraçar a mais vil retórica anticomunista, atualmente hegemónica, propagada pela direita, nada tem de progressita ou revolucionário. é tempo de olhar para a(s) última(s) década(s) perdida(s) dos movimentos “anticapitalistas E anticomunistas” e RE-tirar as devidas ilações. (essa proposta de «recuperar um certo sentido leninista de organização partidária» é um começo; felizmente, o pcp nunca o perdeu e nunca embarcou em «fundamentalismo intolerante e sectarismo burocratizado» — o exemplo das expulsões do partido não vale, está nos estatutos, à vista de todos; ou vais dizer-me que no bloco não há vozes dissonantes que, embora não expulsas, são votadas ao mais puro ostracismo?)

    • pppp diz:

      Não me parece que um governo bloco de esquerda romperia relações com china, angola ou cuba – da mesma forma que um governo pcp não romperia relações com os estados unidos da américa.
      Mas provavelmente baixava o nível de hipocrisia e nojo diplomático que se vê hoje em dia, perante governos demasiado criminosos no trato dos seus povos e nas polícitas internacionais (sejam bélicas ou económicas) – que tem sido a tónica dos sucessivos governos de ps/psd/cds
      Acho que o pcp iria ter diálogos mais sérios e contundentes – fugindo à pasmacenta vassalagem normal -, e pondo diplomáticamente dedos nas feridas dos crimes sociais, políticos ou económicos com os representantes norte-americanos, e o be o mesmo com china, angola ou cuba – o pcp também deveria fazer o mesmo com os regimes dictatoriais destes países.

  6. Jgmenos diz:

    No meio da miséria geral há todo um bando de lírico-idiotas que vê a salvação no socialismo!
    Como pode um pais dependente de ajuda e comércio externos montar um sistema socialialista que não seja uma nova Coreia? Até Cuba já percebeu isso!!!!
    É só ruído de gente que se entretem em jogos de luzes, sombras e birrinhas de grupelhos!
    E agarram-se a livros bolorentos para, citando-os, darem-se ares de estarem actualizados.. Ridículo!!!!

    • tuna diz:

      30 milhões de escravos,na india capitalista-rgime da liberdade.Pq não vai numas férias p a libia,siria,iraque-ou a libertaria arabia saudita,essa democracia florescente-ah! e leve uma biblia e ma cruz!Vai lá vai……. 🙂

    • De diz:

      (Um passo em frente o facto de menos reconhecer que o capitalismo nos conduziu a esta miséria geral.)

      Ridículo!
      Com ou sem pontos de exclamação é a quase histeria dum pobre cangalho ideológico do outro lado da barricada, a tentar fazer crer na “modernidade perene” desta sociedade podre e em cacos.
      Daí as invectivas ao “bando de lírico-idiotas”

      A fazer o seu mister,qual portas a fazer o seu, e o grupelho provocador a convocar uma manifestação de apoio à troika.

      Mas não passarão. Mais tarde ou mais cedo,com menor ou menor estridor.
      Como o fascismo em 74
      .

      • JgMenos diz:

        Vá lá que a insegurança na afirmação levou a pô-la em parêntesis.
        A miséria geral é o resultado seguro de um capitalismo gerido por treteiros socialistas.
        Herdaram do capitalismo a ambição e o gosto pelo consumo, e puseram-no a trabalhar na lógica paradisíaca de um socialismo lírico-parvo, em que todo o esforço é drama, toda a necessidade é direito e todo o salário é roubo.

        • De diz:

          (A insegurança na afirmação?
          Qual carapuça.O facto sublinhado de Menos se ter descaído desta forma tão primaria.
          Com a consequente tentativa de correcção frustrada do dito
          🙂
          )
          Treteiro será então Menos mais os seus maneirismos peculiares acerca da governação do capitalismo por “socialistas”

          Menos, sorry mas estamos em pleno capitalismo.gerido pelo capital e pela sua classe possidente.
          Contra factos não há argumentos.Só os extremistas e os ideólogos do regime à cata de, é que negam tal facto

          (E basta deste babar contínuo sobre o “drama do esforço” a imitar o “piegas”do canalha do chefe.)

  7. Gambino diz:

    1- Um Socialista Cientifico que defenda uma monarquia hereditária (Coreia do Norte), uma oligarquia feudal (Angola) ou um regime capitalista típico da revolução industrial (China) só pode ser um idiota. Se Marx ressuscitasse, iria cuspir nestes regimes e nos idiotas do PC que os defendem.
    2- A condenação do Bloco a estes regimes é feita através de um discurso liberal. A forma que o BE encontrou para não ter que debater o tema verdadeiramente pertinente de combinar a socialização da economia com a democracia é utilizar um discurso marxista em matérias económicas e liberal na esfera política, sem tentar sequer combinar ambas as vertentes num modelo de sociedade.
    3- O BE tem na sua génese um partido marxista ramo albanês. É bastante complicado defender hoje o estalinismo, mas defender a versão Enver Hoxa é comparável a defender o paludismo.
    4- Acho muita piada à forma como algumas franjas do Bloco se afirmam Trotskistas, omitindo que esta é uma ideologia revolucionário e que olha para o capitalismo da mesma forma que o Leninismo e o Estalinismo. O BE consegue a proeza de ter um programa social-democrata que Trotsky desprezaria e, simultaneamente, invocar a herança trotskista.
    5- A razão para o BE não ter qualquer implantação local deve-se a tiques de classe, algo a que o modelo de organização leninista tentou sempre resistir, mesmo quando grande parte dos seus militantes era originária da burguesia. Não basta escrever em jornais ou comentar em televisões para estar perto das aspirações da população, é preciso organizar acções, eventos e sessões de esclarecimento nos locais em que as pessoas habitam. Porém, o Bloco prefere as reuniões magnas de sábios em anfiteatros!

    • Argala diz:

      “Um Socialista Cientifico que defenda uma monarquia hereditária (Coreia do Norte)”

      Monarquia hereditária é um pleonasmo, e eu acho que a RPDC faz parte do nosso campo e deve ser, por um lado defendida dos nossos inimigos, e por outro criticada construtivamente. As duas coisas são a expressão uma da outra, que é aquilo que os seguidistas nunca perceberam.
      Abandonar um país fundado pelas guerrilhas comunistas que derrotaram a ocupação japonesa, que resistiram ao bombardeamento do império, o único país do mundo que ainda tem uma economia planificada de direcção central, onde não há burguesia, dos poucos países de pequena dimensão que, sozinho e sem a ajuda de ninguém, conseguiu construir a sua dissuasão militar contra o império, o seu programa nuclear e espacial. Vamos abandonar todo este património, todas estas vitórias, por causa de picuininhes e preocupações de tipo liberal?!? Sim, a estrutura de poder na RPDC assenta no exército e no Partido, e depois? Os meninos coitadinhos encontraram um pintelho e mandaram esvaziar a piscina?

      • Gambino diz:

        Um regime em que o poder passa de pais para filhas é por definição uma monarquia hereditária. Mesmo que tenha sido fundado por uma guerrilha comunista, não tenha burguesia ou possua uma economia planificada. Á semelhança de Marx e Lenine, que de liberal não têm nada, nenhum comunista pode ter o menor respeito por monarquias hereditárias.

        • proletkult diz:

          Cá está, as críticas feitas à Coreia pela tal “esquerda” são sempre de direita. Eu, tal como o Argala, não tenho as menores dúvidas de que a Coreia está no nosso lado da barricada. Se assim não fosse, não seria satanizada pelo Ocidente, naquelas campanhas de pânico moral de massas sobre o “perigo nuclear” e etc’s. Para a tal “esquerda” (normalmente com background trotskista), o mal da RPD da Coreia reside no único ponto com o qual todos deveríamos estar de acordo: a resistência exemplar ao imperialismo de Washington e ao chauvinismo do estado-pária a sul e do Japão.

          Existe uma corrente à “esquerda”, forte no BE mas também existente no PCP, que acha que para haver autoridade moral para a condenação aos crimes do imperialismo, tem que se condenar igualmente os “crimes” dos governos anti-imperialistas. Mas isto não faz sentido, é uma escapatória hipócrita. Podemos comparar invasões e agressões criminosas a estados soberanos com actos de defesa e resistência de outros estados-soberanos, normalmente cercados económica e políticamente? Criticar o programa nuclear Coreano e as suas demonstrações de força é alinhar com a pressão mediática internacional do imperialismo. Independentemente das considerações que possamos fazer sobre o funcionamente interno dos governos em causa.

          • Gambino diz:

            Se queres ter uma monarquia hereditária ao teu lado nas barricadas, não há grandes dúvidas de que lado da Revolução Francesa ou da Revolução Russa é que tu estás. Se o critério para entrar na tua barricada é ser satanizado pelo ocidente, então chama também os Jihadistas. Já agora, aproveito para te perguntar o que faz um esquerdista numa barricada com monárquicos e teocráticos?

        • Argala diz:

          Meu caro,

          O poder não está nas mãos de Kim Jong-Un, como não estava nas mãos de Kim Jong-Il. Ambos foram escolhidos pelo Partido e pelas cúpulas do Exército para sinalizar a continuidade do projecto. O Kim Jong-Un tem 28 anos, leva os discursos escritos e lê-os. Cumpre a digníssima função de porta-voz.

          É óbvio que isto merece discussão, mas ver nisto a razão para esvaziar a piscina apenas revela infantilidade. Eu estou preocupado com coisas mais substantivas. Não em saber quem é que discursa, corta as fitas e faz revista às tropas.

          Isto é o problema dos partidos eleiçoeiros. Não resistem à guerra mediática. Precisam que a imprensa burguesa lhes passe constantes medalhas de bom comportamento para aguentarem o barco. Tudo tem que soar bem e parecer bem no mundo do espetáculo que os outros encenam: “Somos gente de esquerda, moderna, europeia e arejada.. Só reivindicamos as experiências históricas que nunca existiram!!!”.

          Parabéns, não tens telhados de vidro, mas também nunca terás nada.

          Cumprimentos

          • proletkult diz:

            Os “jihadistas” são peças do xadrez imperialista, mas em certos contextos podem estar do nosso lado. Não são os Talibans Afegãos ou os Tribunais Islâmicos Somalis forças de resistência às agressões imperialistas? Não é o Hamas e a Jihad Islâmica Palestiniana uma força que podemos, e devemos, apoiar na luta contra o nazi-sionismo? E o que dizer do Hezbollah, que não sendo jihadista será pelo menos religioso, que é actualmente a maior e mais eficaz guerrilha do Mundo, e um exemplo de resistência popular?

            Eu não sou esquerdista, eu sou comunista. E como comunista aceito uma série de alianças vantajosas na luta contra o imperialismo.

            Quanto à Coreia, vejo que depois de esvaziados todos os argumentos, só resta o detalhe de quem assume o poder. Fiquemos por aqui então.

          • Gambino diz:

            A ideia de porta-voz e de poder simbólico que estás a descrever é característica das Monarquias Orientais, especialmente do Japão, mas também da China. Não é característica dos regimes Marxistas de inspiração soviética ou mesmo maoista. O culto da personalidade de Estaline, que exerceu o poder de facto, contrastou com a subtileza dos secretários gerais posteriores, que se assumiam como funcionários do Partido e do Povo. Não sou de esquerda moderna, europeia ou mesmo arejada, pelo que não me sinto na obrigação de carregar às costas uma experiência que tem mais semelhanças com a Monarquia no Extremo-Oriente que com o socialismo.

          • Argala diz:

            “A ideia de porta-voz e de poder simbólico que estás a descrever é característica das Monarquias Orientais, especialmente do Japão, mas também da China.”

            É verdade. Já disse, aqui e em muitos outros espaços de debate, que isso é exactamente assim. Até existe um representante diplomático da Coreia do Norte que costuma ir para as televisões dizer que o povo coreano quer um pai. O pai entretanto morreu, deixou filhos, os filhos deixaram netos e o cargo de presidente ficou vago para a eternidade.

            Se eu quisesse ser tão picuinhas como você, responder-lhe-ia de forma técnica e burocrática: na RPDC existe uma Assembleia Popular Suprema, eleita de cinco em cinco anos. Nas listas do Partido do Trabalho da Coreia estava Kim Jong-Un, que foi eleito. Como tal, está legalmente apto para ser escolhido pela Assembleia para liderar o executivo. E foi isso que aconteceu. E como tal, tecnicamente, não é uma monarquia. Era isto que queria ler?

            Como referi, isto é uma resposta picuínhas a uma picuinhice, porque não é Kim Jong-Un que está no poder. No poder está uma estrutura de poder que assenta no Exército e no Partido. Tal como não é Pedro Passos Coelho que está no poder. Quem manda aqui é a burguesia, a classe detentora dos meios de produção (e já nem apenas dos nossos). Os traços do regime que quer ver discutidos são a superfície, são a superestrutura. Devem ser discutidos de forma construtiva entre camaradas, são importantes, mas não são decisivos na hora de fazer alianças, não definem quem é opressor e o oprimido, não definem quem é aliado e quem é inimigo.

            Não reivindicar a luta do povo coreano pela reunificação e pelo socialismo por causa disto parece cobardia face à guerra mediática.

            Procure este tipo de debates com um jurista ou um constitucionalista.

            Passemos a coisas sérias..

            Cumprimentos

      • Daniel Marques diz:

        De facto. Criticar a Coreia do Norte por picuinhiches como o povo nao ter pao… que comam manju *.
        * nao há croissants na Coreia.

        • Argala diz:

          O calibre deste comentário ilustra precisamente o que queria explicar.

          • proletkult diz:

            Caro Gambino, vejo que continua a insistir nesse pormenor do “poder” na RPD Coreana. Fique lá com a bicicleta da monarquia, já que o carro de combate do anti-imperialismo lhe faz tanta confusão.

            Quanto ao “culto da personalidade”, e se lhe faz tanta confusão o Zé dos Bigodes (mas os Kruschev’s e os Brejnev’s desta vida já eram meros e humildes funcionários do PCUS ao serviço do povo), aconselho-o a ler biografias de Estaline de insuspeitos anti-comunistas como Robert Service, Isaac Don Levine ou Eugene Lyons e opiniões de outros indíviduos hostis a Estaline como Arvo Tuominem e…Lev Trotsky sobre esse assunto. Todos eles são unânimes na asserção de que Estaline recusava e rejeitava esse estatuto de semi-deus dado por muitos fulaninhos dentro do PCUS. E saberá, porventura, o caro Gambino quem eram os campeões desse bajulamento patético a Estaline, quase o oficializando em política do PCUS? Pois bem, davam pelo nome de Karl Radek, Anastas Mikoyan (dois mártires do anti-estalinismo) e um humilde e dedicado funcionário do PCUS e do povo chamado Nikita Krutschev. Sabe que termo Krutschev introduziu nas narrativas oficiais da imprensa soviética daqueles tempos, para se referir a Estaline (e um termo que o próprio Estaline sempre renegou, tendo exigido o fim da sua utilização)? Pois nada menos do que “Vozhd”, o equivalente russo para Führer. Leia as transcrições dos julgamentos de Kamenev e Zinoviev e poderá ter algumas surpresas.

        • Khe Sanh diz:

          E o que recomenda que comam os milhões de famintos das Filipinas. Olhe que são bem mais que toda a população Norte Coreana.

    • De diz:

      A leviandade de algumas afirmações contrasta com outras.
      Mas nem isso justifica “o idiota” e as as certezas sobre o comportamento de Marx
      Quanto a Angola só alguém muito distraído faz afirmações que aqui raiam o desonesto.
      E aí perde algum interesse o continuar da discussão

  8. Bilioso diz:

    Incomoda-me a pesporrência de arvorar o BE em campeão indisputado (e sem concorrentes, o que facilita imenso a disputa…) da luta anticapitalista e pelas causas «fracturantes». Além de pesporrente, é ofensivo e chauvinista.

    Incomoda-me a pesporrência de glorificar o BE como o campeão e inventor da crítica aos regimes estalinistas (opto por esta fórmula consagrada para não ter de reproduzir os desnecessários circunlóquios usados no texto). Fico sem saber se uma tal afirmação releva de desonestidade intelectual ou de simples ignorância. E, mais uma vez, é ofensivo e chauvinista.

    Incomoda-me a confusão teórica e semântica à volta da ideia de «frentismo» – cheira a «velho marreta». Sei que partilham desta confusão muitas correntes de esquerda, reduzindo a ideia de «frente» à clássica «frente popular» – mas ainda assim é sempre triste assistir a tanta ignorância sobre a experiência variada da luta política frentista (nomeadamente a unitária, não eleitoralista) em todo o mundo. Aconselho um pouco mais de reflexão e estudo mais além dos marretas do Comintern.

    Incomoda-me a afirmação de que o BE tem um conjunto de «excelentes quadros dirigentes» – porque me aborrece toda a mistificação da realidade. E creio (apesar de desconhecer internamente o BE), com base no que posso ver, que existe uma razoável percentagem de militantes do BE bem radicados e actuantes na base das lutas sociais, ao contrário do que o texto parece sugerir (ou menosprezar). O que eles podem não ter, precisamente… é uma direcção/proposta política eficaz.

    Por fim, aproveito para saudar todos os militantes do BE e o seu contributo esforçado (seja qual for o seu resultado objectivo) na a luta anticapitalista.

  9. Bilioso diz:

    Uma nota a propósito da «importante derrota eleitoral sofrida nas últimas eleições autárquicas» pelo BE:
    Esta frase deixa no ar a suspeita (a confirmar) de que o autor considera que houve em 2013 uma alteração no apoio eleitoral e que globalmente o BE até à data teria tido vitórias ou pelo menos não-derrotas nas autárquicas (idem para a esquerda em geral). Essa ideia vai ao arrepio da realidade nua e crua. Sff ver http://bilioso.blogspot.com/2013/10/mudancas-do-paradigma-eleitoral-em-2013.html para compreender o que de facto se passa há 24 anos no que diz respeito ao apoio do eleitorado.
    (Nota: por favor não extrapolar as conclusões do referido estudo para o plano das eleições nacionais, que constituem uma realidade diversa das autárquicas.)

  10. Nuno Cardoso da Silva diz:

    A esquerda tem de ter, como base, um conjunto radical de princípios. Não um receituário ideológico muitas vezes escrito ou pensado em épocas muito diferentes da nossa, com problemas muito distintos. Mas é necessário que as políticas que venham a ser propostas se baseiem nesses princípios, sem oportunismos de espécie alguma embora com realismo.

    O BE é anticapitalista mas não sabe como construir um sistema não capitalista. O que tira credibilidade ao seu discurso anti-capitalista. Muitos no BE não perceberam ainda – e provavelmente nunca irão perceber – que a abordagem libertária é a única que pode liquidar o capitalismo sem introduzir a ineficiência nos processos produtivos. A empresa cooperativa, auto-gerida, é a única que pode entregar aos trabalhadores a totalidade das mais-valias do seu trabalho sem destruir o recurso aos mecanismos de mercado, essenciais na comunicação entre produtores e consumidores. O capitalismo destroi-se pela fusão do capital com o trabalho, próprio das cooperativas, eliminando a exploração classista sem eliminar a iniciativa e o empreendedorismo. Mas é preciso perceber que a transição para a empresa cooperativa não pode ser feita sem ferir os interesses dos capitalistas. É pela expropriação, pela ocupação das empresas pelos seus trabalhadores, que o modelo cooperativo libertário pode ser imposto. E eu não vejo o BE a ser capaz de abertamente declarar que o capital tem de ser expropriado e socializado no âmbito da empresa. O BE não quer ferir susceptibilidades atacando a sério o capital. Dá assim a impressão de que está disponível para pactuar com um sistema iníquo, fazendo de conta que quer corrigir os abusos sem destruir o sistema que os causa.

    Os militantes e dirigentes do BE podem ser de esquerda, mas criaram um partido que não consegue aparecer como se o fosse.

    • Khe Sanh diz:

      Nuno Cardoso da Silva.

      Gonçalves Correia (pessoa que conheci e muito admiro) chegou mais longe com menos paleio (melhor ; sem fazer uso de caganças inopinadas).

      • proletkult diz:

        Fico com a sensação de que Nuno Cardoso da Silva propõe que o BE passe a ser uma organização anarquista ou autonomista, pelo menos. Tendo em conta que ambas as correntes rejeitam as organizações partidárias e as formas de luta, de organização, de conceptualização política etc que um partido tem sempre que ter, creio que está aí uma bota muito grande para o pé das abordagens libertárias à luta pela destruição do sistema capitalista.

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          É verdade que os anarquistas mais ortodoxos (uma contradição conceptual?) rejeitam as organizações partidárias, mas eu, que sou muito heterodoxo, não penso assim. O que é preciso é que as estruturas partidárias funcionem de baixo para cima e não o contrário. O anarquismo não rejeita as organizações por si, mas apenas as que são autoritárias e hierarquizadas. O BE, pelo menos teoricamente, podia aderir a concepções libertárias anti-capitalistas sem perder a sua capacidade de partido Teria era que substituir os cordenadores por porta-vozes, que transmitissem para fora as decisões tomadas a nível das bases. Bases essas que podiam assumir uma estrutura federativa, como é considerado desejável pelos libertários. O problema é que o BE não tem raízes libertárias, tem raízes leninistas… É um funil como os outros, mas enfeitado com grafitis…

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Há quem aprecie o anarquismo lírico… Não é o meu caso. O paraíso na Terra não existe, e eu já me contento com deitar água no inferno para tornar o calor mais suportável…

  11. JP diz:

    Epá sai do sol que isso passa!

  12. Khe Sanh diz:

    Enquanto o BE não clarificar a sua posição acerca da luta de classes não pode e nem deve merecer a confiança da parte dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos.

    Definam-se de uma vez por todas.

    Quanto às posições tomadas por o BE referentes aos países mencionados por o autor deste artigo. Entristece-me encontrar a mesma coincidência de opiniões naquilo que dizem os dirigentes do BE e o que escreve o jornal O Diabo.
    É lamentável , mas é assim mesmo.

    Quanto à China. Não me perturba muito o poder económico que o capitalismo detém. Preocupa-me se no futuro o capitalismo também passar a controlar o poder politico.

    É esse o grande objetivo do imperialismo (yanque em particular) e nesse aspeto o BE comporta-se como uma verdadeira caixa de ressonância das forças mais retrogradas ao serviço da burguesia.

    Tal como acontece na Índia e na maioria dos países do mundo onde o capitalismo tem o controle total. No entanto aí o BE resguarda-se numa posição de silencio vergonhoso.

    Como é também vergonhoso o silencio dos dirigentes do BE que apoiaram publicamente a agressão à Libia por parte da OTAN.

    Por cobardia (não encontro outro adjetivo) hoje não são capazes de denunciar o caos em que a Líbia está mergulhada.

    Quanto à Coreia do Norte aconselho alguns dirigentes Bloquistas dedicarem algum tempo a estudar geoestratégia.

    Podem começar por Halford Mackinder, Samuel Hutington, Alexandre del Valle, Brzezinski, Ziuganov, Pezarat Correia também tem dois livros muito interessantes sobre o assunto.
    Sei lá se não seria útil recuar alguns séculos e ler também a história de Portugal e as ações de controlo dos pontos estratégicos do Médio Oriente e da Ásia por parte de Afonso de Albuquerque.

    No entanto tenho duvidas que o problema dos dirigentes do BE seja falta de informação.
    O problema parece residir noutro lado. Gostam de cavalgar na onda mediática.

    Por isso em determinadas situações a linguagem que usam em nada difere da usada por as forças mais retrogradas e reacionárias ao serviço do capitalismo.

    Cuba, China, Coreia do Norte, inclusivamente Chavez, e mais recentemente Líbia e Siria comprovam-no muito bem.

    • proletkult diz:

      “Quanto à China. Não me perturba muito o poder económico que o capitalismo detém. Preocupa-me se no futuro o capitalismo também passar a controlar o poder politico.”
      Para quem começa um comentário a aconselhar outros a clarificar a “posição sobre a luta de classes”, é, no mínimo, bizarro que atire um parágrafo com tamanha dose de ignorância sobre…a luta de classes. É a típica lengalenga que se ouve no PCP: “os camaradas chineses estão na sua via para o socialismo”, “a constituição da China prevê o socialismo”, “os camaradas chineses optaram pela acumulação capitalista como forma de passar ao socialismo sem destruir a macro-estrutura económica” ou “a economia é capitalista mas o poder político é socialista”. O que me espanta é que isto vem de gente que, supostamente, leu Marx e Lenine. E que o digam a sério, sem se rirem no fim das frases.

      Ainda em relação ao BE, gostaria de dizer o seguinte: não acho que seja merecedor da confiança dos trabalhadores um partido que se auto-proclama de “anti-capitalista”. Para começar porque isso vai confundir conceitos filosóficos e dialécticos, mas nem entremos por aí. A carga do “anti” é sempre negativa, parece que o que interessa é “destruir o capital” e não construir alguma coisa em seu lugar. Aqui, uma vez mais, o BE perde para o PCP e para o MRPP, que nunca precisaram de se anunciar “anticapitalistas” para apresentar programas e soluções (ainda que a meu ver erradas, reformistas e burguesas) de efectiva contribuição para a defesa dos trabalhadores e melhoria das suas condições de vida.
      Além do mais, é importante definir o que é o “capitalismo” antes de proclamar o “anticapitalismo”. E algo me diz que o BE ainda está muito, muito longe de o fazer.

      • Khe Sanh diz:

        “proletkult diz:

        “É a típica lengalenga que se ouve no PCP: “os camaradas chineses estão na sua via para o socialismo”,

        Ora aqui está um epitáfio eloquente de quem aspira ver o socialismo enterrado de vez. A burguesia agradece.

        Preocupa-o aquilo que se passa na China e não o incomoda as condições sociais e laborais deploráveis na Índia e noutros países da região? No Bangladesh onde o ordenado mínimo é de 28 € com horários de 12 horas e mais.

        Com esquerdas destas o imperialismo não tem que se preocupar em fazer mais guerras de agressão, eles fazem o servicinho de borla minando os movimentos laborais por dentro.

        Essa pseudoesquerda folclórica de casaca vermelha escondendo camisas castanhas já por diversas vezes mostrou de que lado está da barricada.

        Comportam-se como autênticos porta vozes da burguesia.

        Continuam a usar a mesma ladainha asquerosa acerca da URSS sem os incomodar as condições miseráveis terceiro mundista em que o capitalismo mergulhou a maioria dessas populações.
        Foi assim com o Irão, sem os perturbar as monarco ditaduras medievais do Golfo.
        Com a Venezuela de Chavez, Cuba, Líbia, Zimbabué, Síria, Bielorrussia.

        Onde o imperialismo ferra o dente eles vão atrás feitos cãezinhos a latir.

        Vocês não o fazem por ignorância. Fazem-no tanto como o Barroso o fez e a outra camarilha esquerdoide que hoje está colada à direita.

        Sabem muito bem as linhas com que se cozem. Porque o vosso alvo é sempre tudo o que cheire a esquerda.
        Será que o capitalismo tudo quanto fez foi no sentido do bem?

        Qualquer comunista ou progressista honesto consciente do lugar que tem a defender na sociedade, sabe muito bem as escolhas que deve fazer em cada momento da história.

        Com que sentido se deve atacar gratuitamente aquilo que se passa na China, sem denunciar primeiro as condições sociais miseráveis e as escravatura laboral a que estão sujeitos centenas de milhões de Indianos, incluindo a escravatura infantil?

        São situações incomparáveis. E vocês sabem-no bem.
        E porque não denunciam da mesma forma?

        Porque o vosso objetivo é não é esse. Vocês vivem da desinformação, espalhando a mentira grosseira.

        Tal como com a Coreia do Norte. Se o povo Coreano vivesse submetido a condições de pobreza extrema como vive uma parte significativa da população Filipina (incluindo na capital Manilla) não se cansavam de espargir infernos e demónios. Se agora é o que se sabe.

        • Argala diz:

          Meu caro,

          Você não está a debater à direita, está a debater à esquerda. Essa réplica é para quando estiver a debater com o Daniel Oliveira.
          A China é liderada por traidores que reconstruíram o capitalismo, ponto final parágrafo. O PCC não está no nosso lado da barricada, a não ser aquando de eventuais alianças tácticas para o combate anti-imperialista. Percebido?

          Nota importante acerca disto. Quando a China era socialista, e o Partido Comunista Chinês se demarcou corajosamente das teses liquidacionistas do XX Congresso do PCUS, onde se passou a defender o eleitoralismo, a via pacífica para o socialismo, a coexistência pacífica e outras parvoíces, onde estava o PCP?!?! O PCP nem queria ouvir falar da China. Agora que o Partido Comunista Chinês restaurou o capitalismo, os partidos já podem ter relações. Eis tudo. O algodão não engana.

          E mais. A China aprovou no CSNU as sádicas sanções à RPDC. Sanções essas que, entre outras coisas, importação de alimentos e medicamentos. A China mandou fechar o banco que a RPDC usava para o comércio externo.

          Tenha juízo e estude mais.

          Cumprimentos

          • proletkult diz:

            As réplicas do exército do partido “patriótico e internacionalista” são sempre iguais, sejam à direita ou à esquerda.
            Mas já que tanto insistiu na Índia, eu pergunto onde é que o PCP apoia, ou refere sequer, a insurreição Naxalita no Leste da Índia, que dura há quase 50 anos? Está bem alberto, vamos mas é apoiar o PCI (marxista), esse grande “partido de massas” que, nestes quase 50 anos de guerra popular prolongada, tem sido muitas vezes governo em Bengala Ocidental (por maioria ou em coligação), precisamente o estado onde o conflito entre guerrilha e forças governamentais é mais agudo. Mas os Naxalitas também não devem estar a lutar contra o sistema feudal da Índia, são agentes do imperialismo. E já que estamos nas lutas populares asiáticas, o que dizer dos “camaradas chineses” depois de retirarem o apoio à luta armada do PCU (maoísta) do Nepal? Estes guerrilheiros Nepaleses também faziam, objectivamente, o “jogo do capital”. Tal como eram marionetas da NATO os maoístas presos em Zhengzhou em 2005, por denunciarem a actual liderança Chinesa como revisionista e imperialista. O mesmo em relação ao Bo Xilai, proponente do modelo de Chongqing e do regresso à cultura vermelha no PCC, recentemente condenado a prisão perpétua num julgamento claramente político.

            Como observou o Argala, é no mínimo duvidoso que o PCP só se tenha lembrado do “socialismo” da China depois da chegada de Deng Xiaoping, e da sua camarilha reaccionária e capitalista, à liderança do PCC, o mais vergonhoso golpe interno anti-comunista da história das experiências socialistas.

          • Khe Sanh diz:

            Caro amigo.
            Vamos lá a ver se conseguimos clarificar as coisas sem nos flagelar-mos muito , até porque e se não me engano, se não partilhamos a mesma posição estamos próximo.

            Desculpe dizer-lhe mas errou com a catalogação que me colocou acerca dos meus conhecimentos sobre o comportamento dos dirigentes Chineses.

            Sei o que estão fazendo com a Coreia do Norte e porque o fazem. Sei da traição que têm cometido aos progressistas do Nepal e do Laos. Das pretensões anexionistas do território Vietnamita. Do virar as costas à Birmânia (mas aí iam-se entalando).

            Se leu com atenção aquilo que escrevi , não encontra lá qualquer apologia ao sistema politico Chinês atual.
            Escrevi + – isto; ” por enquanto o capital tem todo o poder na China, mas ainda não controla o poder politico”.

            Esta foi a resposta mais adequada que encontrei para dar a alguém que se identifica com a direita.

            Porque se fosse para si muito honestamente ia mais além daquilo com que me confrontou. Desabafava a opinião que tenho acerca da “coisa”.

            D. Losurdo publicou um livro muito esclarecedor, sobre o melhor e o pior do sistema, onde está e em que sentido pode caminhar. Mas isso é uma incógnita.
            Os mais otimistas vaticinam que o que está em curso é uma NEP gigantesca. Duvido!

            A questão aqui é outra. E já que antecipou o nome de alguém (D O ) que participa muito ativa e conscientemente nesse logro. Desejo sucintamente deixar a minha opinião sobre o assunto.

            Não posso tolerar e ainda menos assistir silenciosamente a campanhas de desinformação que têm por objetivo obter dividendos políticos desacreditando uma ideologia que nada tem a ver com aquilo que vigora na China.

            Porque a esses nada interessa as condições de trabalho esclavagista que podem ser submetidos os trabalhadores Chineses,. A finalidade deles é desacreditar os dogmas e princípios filosóficos em que os atuais dirigentes da China se escudam para dominar a população. Ou seja o comunismo e o socialismo.

            Porque tal como aconteceu na União Soviética aqueles que oprimiam o povo em nome do socialismo, são os mesmos que se passaram serenamente para o outro lado roubando tudo o que puderam e hoje sãos os mesmos que continuam a governar, explorando esse mesmo povo mantendo a maioria na mais profunda miséria e desolação.

            Na Rússia de hoje 0,000 2% de ricaços controlam cerca de 40% da economia do país, sem que isso incomode aqueles que continuem fazendo criticas verrinosas contra a União Soviética e o socialismo.

            Não é o que Estaline supostamente fez ou deixou de fazer que os aflige, não é o pseudo socialismo Chinês que os perturba.

            Isso serve apenas como pretexto para satisfazer o seu apetite canino de devorar o legado de Marx .

            A propaganda deles não é dirigida a defender os direitos dos explorados e oprimidos mas sim, enfraquecer a luta de classes desmobilizando os trabalhadores. Confundindo os menos esclarecidos.

            Há uma Senhora formada e muito bem informada que frequenta este espaço, onde quer que apareça, fale ou mete os dedos, é só China, China.
            Como esta advertência a um tal Martim na televisão. Queres que os trabalhadores Portugueses ganhem o mesmo que ganham na China?

            Porra; e não a preocupa as condições laborais deploráveis e a miséria que vivem submersos os trabalhadores Indianos do Bangladesh e de muitos outros países?

            São estas contradições que tento desmistificar.

            . Esta pseudo “solidariedade” com os trabalhadores Chineses é uma retórica de mais refinada demagogia.

          • Khe Sanh diz:

            “Você não está a debater à direita, está a debater à esquerda. Essa réplica é para quando estiver a debater com o Daniel Oliveira”

            E qual de nós se tem enrolado em sinestesias, procurando estar dos dois lados sem estar em lado nenhum?

            O seu discurso no caso presente (China) afina no mesmo tom que o do Daniel de Oliveira.

            Por favor não tergiverse o assunto em questão.

            Admite ou não que a exploração laboral na Índia é mais desumana e atinge mais trabalhadores que na China?
            Aceita ou não que a escravatura infantil na Índia é de dimensões gigantescas sem que as autoridades nada façam?

            Acredita ou não que na Índia a miséria e a exclusão é de maiores proporções que na China?

            É isto que desejo que tenha a coragem de assumir.

            Responda. Não se esconda atrás de paleio balofo.

            Vc é aquilo que já respondi noutro lado. É um esquedoide de casaca vermelha escondendo uma camisa castanha.

            Está preparado para fazer aquilo que Enrique Lister dizia dos extremistas na guerra civil de Espanha. “Quando começar a fuzilaria sei muito bem para qual a trincheira que saltam”.

            Julga que está mais bem informado em relação à China e à Índia que eu?

            Portanto é escusado tentar exibir-se com retoricas sapientes sem base nem fundamentos, não estou interessado discutir paranoias politiqueiras.

            Interessa-me mais discutir aquilo que a história já provou que melhores condições oferece para o desenvolvimento do ser humano.

            E nesse aspeto a China é o país do mundo que mais pessoas tirou da miséria, mais jovens obtém cursos universitários.
            Além de ser já o maior produtor mundial de cereais. Portanto lá ninguém sofre de subnutrição ou morre de fome.

            É interessante o vosso dogmatismo. Encostam-se à Coreia do Norte para alvejar a China. Escudam-se na China para flagelar a União Soviética.

            Depois acocoram-se em todos os buracos que encontram para massacrar o PCP.

            Pois se eu tenho falta de estudar Vsa Excia prova que sabe demais.

          • Argala diz:

            Caro Khe Sanh,

            Você continua em réplica com um liberal imaginário, que espero não ser eu.

            O meu argumento é substantivo e a nossa divergência está aqui: ” por enquanto o capital tem todo o poder na China, mas ainda não controla o poder politico”. Lamento informá-lo do contrário. A China esteve do nosso lado da barricada, e agora já não está, ao contrário da RPDC. Pontuais alianças com a China, só com objectivos tácticos como a expulsão dos EUA daquela zona. Eu também apoio, de forma táctica, o chamado Eixo da Resistência no Médio Oriente, com base nos mesmos pressupostos. Mas não confundo os planos, a República Árabe da Síria é um Estado Burguês, que terá que ser derrubado depois da derrota do imperialismo.

            Eu quero lá saber se as condições de trabalho são piores no Bangladesh que na Índia, e piores na Índia do que na China. São, em todos estes países, relações de produção de tipo capitalista, e eu quero derrubá-las por isso. Qual é a sua dúvida? Na Noruega oferecem-se as melhores condições para o trabalho, e eu também estou interessado em derrubar as relações de produção aí existentes.

            E como assinalou o camarada prolekult, porque não estão os nossos PC’s a apoiar, por mero exemplo, os processos de guerra popular abertos na Índia e nas Filipinas?

            Sim, continuarei a criticar o PCP e todos os PC’s traidores, que abandonaram o campo da Revolução e abraçaram o reformismo, porque denunciar e desmascarar o reformismo é uma das tarefas necessárias à construção de um Partido Comunista.

            “Não posso tolerar e ainda menos assistir silenciosamente a campanhas de desinformação que têm por objetivo obter dividendos políticos desacreditando uma ideologia que nada tem a ver com aquilo que vigora na China.”

            Mas isso é exactamente o que você está a fazer.
            Na China existem relações de produção capitalistas, e é apenas isso que tem de ser dito – não para receber uma medalha de bom comportamento da burguesia, mas porque isso é um facto. Quem está a passar um atestado de camaradagem a um partido que ataca processos revolucionários, mete comunistas na choldra e ajuda a cercar a RPDC é você, não sou eu.

            Sem ensejo de parecer paternalista: você aparenta estar um pouco confuso. Pare um pouco para pensar e prepare uma réplica com mais tempo. E se quer continuar um debate nesses termos, clique aqui.

            Cumprimentos

  13. Don Luka diz:

    O BE está morto: morreu envenenado com o apoio a Manuel Alegre. O caixão descerá para debaixo da terra nas próximas legislativas. Se ficar com algum deputado, pode usá-lo para redefinir o conceito de assombração.

    • Augusti diz:

      As Cassandra que a cada eleição dão o BLOCO morto, acabam por sofrer cada desilusão.

      Veremos o que se vai passar na Camara de Oeiras, quem terá a falta de vergonha de se aliar ao Paulo Vistas perdão…..Isaltino Morais .

  14. proletkult diz:

    (desde já peço desculpa pela óbvia confusão em relação à autoria do texto, facto que corrijo agora. saudações)

    Um texto charmoso. A questão aqui é que o BE, tanto quanto me lembro, porque nunca lá militei nem fui próximo, sempre se colocou à direita do PC. Seja no plano interno, seja no plano internacional. As análises que terá feito à herança das experiências socialistas do século passado, para além de muito pobres tiraram sempre conclusões de direita. Ao menos, o PCP ainda se esforça por dourar a pílula da URSS e aliados. Fá-lo erradamente, com análises coxas, mas assume a herança. De resto, qualquer Comunista carrega essa herança. O que Filipe Rosas propõe aqui é uma tabula-rasa à história do Movimento Comunista. Precisamente ao contrário daquilo que deve fazer um marxista. O mesmo pode ser dito em relação aos governos que ainda se reclamam do Socialismo, os quais o BE sempre criticou pela direita, alinhando no mesmo diapasão da burguesia. Portanto, essa medalha da “rejeição com veemência” das experiências socialistas é uma medalha de lata, e dada pela burguesia. Para concluir esta parte, gostava de referir que aquilo que os Comunistas têm de fazer não é “rejeitar as injustiças” dos tais “regimes” que diaboliza o autor. É concluir, em termos marxistas, porque razão as revoluções Russa, Chinesa, Albanesa ou Jugoslava, que marcaram para sempre a História da emancipação dos trabalhadores, redundaram em tamanhos abortos e caíram sem que um tiro tenha sido disparado em sua defesa.

    A título de simpatia, é óbvio que o BE teve mérito em colocar na praça pública questões como os direitos dos homossexuais e a despenalização das drogas. Se hoje um homossexual tem (quase) todos os direitos e garantias como qualquer outro cidadão, isso deve-se em grande parte ao BE. Se hoje um consumidor de drogas não é um criminoso, à luz da lei portuguesa, isso deve-se em grande parte ao BE. Mas não se estiquem muito na questão do aborto. Antes de haver BE já tinha havido um referendo, por exemplo. E o PCP já falava na despenalização do aborto há décadas.

    Quanto às muitas linhas para consumo interno dos membros do BE, vou escusar-me a comentar. Mas surge ali uma passagem que faz levantar sobrancelhas: “desafio de recuperar um certo sentido Leninista de organização partidária.” O que é isto? Limpar o BE dos elementos burgueses, reformistas, revisionistas? Pois, e sobra quem lá dentro? Transformar o BE numa vanguarda esclarecida do proletariado português, composta por um corpo de funcionários profissionais, com efectiva ligação às massas trabalhadoras? Está bem, mas para isso é preciso transformar a base de classe do BE. Ora mais vale decretar a dissolução, nesse caso. Começar a aliar teoria e prática revolucionárias, intruindo e formando os trabalhadores no sentido da violência de classe contra a ditadura burguesa? Pois muito bem, comecemos por contar as vezes em que Filipe Rosas emprega o termo “revolucionário” neste texto. Ah, Filipe Rosas deve referir-se à instauração do modelo de centralismo democrático, fazer do BE o verdadeiro “partido de novo tipo”. No partido das “tendências” e das “moções” isso transformar-se-ia num espectáculo deprimente, mais ainda do que as “convenções”. Mas acho que o próprio autor nos dá a resposta. O seu “certo sentido” de Leninismo será “uma verdadeira unidade à esquerda, candidata ao exercício do poder governativo em Portugal com um programa frentista – mínimo denominador comum da defesa do estado social”. Portanto, tomar o poder burguês pela via eleitoral, essa utopia dos revisionistas. Fazê-lo recorrendo à velha pseudo-táctica das “frentes”, que colocam as massas proletárias ao serviço dos interesses de classe da burguesia, que lhes dará as migalhas do “estado social”. Portanto nada de novo. Exactamente aquilo que o PCP faz desde os tempos de Bento Gonçalves. Exactamente aquilo que aniquilou o Movimento Comunista Internacional.

    Por fim uma questão: porquê esta “ofensiva de charme” agora, quando o BE está na sua agonia final e a seguir a uma decisão da CGTP que veio mostrar que há muito quem critique, pela esquerda, a estratégia das duas principais organizações (e praticamente as únicas) da esquerda em Portugal?

  15. imbondeiro diz:

    Já farta. Já farta tanta acesa disputa acerca de nada. E o BE é isso que é neste momento: um nada. O partido da gente progressista e chique da “esquerda” apostou nas causas fracturantes como forma de mobilizar o seu citadino eleitorado. Estavam na moda, as ditas causas, e permitiam a gente dada ao seu muito pessoal confortozinho “fazer a Revolução” sem sair do cómodo sofá, e sem abandonar os seus muito queridos e sofisticados “gadgets” electrónicos oferecidos pelos papás. Para dar um toque de cosmopolitismo à coisa, o BE, nos entremezes das suas nacionais “causas fracturantes”, foi poeticamente tangendo a lira do “libertarismo internacionalista”, colocando no saco sem fundo das “sanguinárias ditaduras” contextos tão similares como os da RPC, de Cuba, da Líbia, da Síria, conseguindo meter, até, nesse mesmo saco ( delírio dos delírios) o Governo democraticamente eleito da República de Angola. E é o que se vê: as “causas fracturantes”, num tempo actual em que o que é fracturante (mortalmente fracturante) é a fome e a miséria, foram chão que deu uvas; o “libertarismo internacionalista” deu as suas mais excelsas provas da mais imbecil obtusidade política no apoio a esse prelúdio de uma limpeza étnica que foi a intervenção assassina da NATO na Líbia ( diga-se, a talho de foice, que o cavaleiro andante do Bloco em questões angolanas, o mais do que politicamente duvidoso Rafael Marques, aceitou de bom grado o convite da pata imperialista da NATO em África – o AfriCom – para palestrar numa das suas mui libertárias conferências). Não aprendendo nada com as suas sucessivas argoladas, o BE, depois do banho das eleições autárquicas, fez aquilo que melhor sabe fazer: agitar descerebradamente as águas, confundindo agitação com acção, e criar, do nada, “causas fracturantes” – partindo da acertada crítica a Rui Machete, não resistiu a alongar-se em subtis considerandos sobre a política e a natureza institucional de uma nação independente, o que, para quem apoiou a destruição de um país soberano como a Líbia por forças invasoras estrangeiras, não está nada mal. As relações Portugal-Angola saíram claramente robustecidas com a litrada de gasolina sobre fogo dos sábios bloquistas e estou plenamente convencido que o BE terá encontrado nos 250.000 portugueses que hoje trabalham em Angola uma novel e sólida base eleitoral que o fará distanciar-se, a curtíssimo prazo, do seu único rival no político campeonato dos pequenitos – o CDS-PP. Só geniais ganhos estratégicos, portanto. Para concluir, devo acrescentar que contece hoje ao BE aquilo que faz aparentemente mover os cadáveres: o espasmo muscular. É que ele já está morto, mas ninguém teve a fineza de lho dizer. E quem com ele, doravante, pretender preocupar-se terá de, previamente, uma decisão tomar: deixar a análise política e enveredar pelo espiritismo

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