A escalada das provocações

Desta vez Paulo Portas tem razão. Ontem os mais pobres não se manifestaram. A teia que está montada transforma os mais pobres em homens, mulheres e crianças sem direitos, dependentes da caridade. Muitos não terão sabido da manifestação, muitos terão ficado nas zonas em que há distribuição de comida. Muitos a viver fora de Lisboa ou do Porto não terão tido dinheiro para se deslocarem, a maioria dos mais pobres já não se considera cidadão de plenos direitos.
Nas manifestações das Ferreira Vasconcelos que hão-de vir, também não se verá qualquer pobre, a menos que os vão buscar em autocarros aos abrigos e àquelas instituições de caridade às quais o governo paga refeições de marisco que chegam aos pratos transformadas em arroz e feijão.
Hoje, mais do que nunca, importa construir grandes manifestações no próximo dia 26. A convocatória já foi subscrita por mais de 800 pessoas. Neste momento já há convocatórias para 11 cidades:

Aveiro
Braga
Coimbra
Faro
Funchal
Horta, Faial
Lisboa
Portimão
Porto
Setúbal
Viana do Castelo
Vila Real
Viseu

Adere e divulga. Temos seis dias para romper o bloqueio da informação.

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6 respostas a A escalada das provocações

  1. De diz:

    Romper o silêncio é preciso.
    Custe o que custar

  2. C Vidal diz:

    E como é que achas que se deve responder às provocações??
    Flower power? Um post?
    Com a manif de 26, evidentemente.
    E mais?
    Entretanto, julgas mesmo que vai haver alguma trampa de alguma Vasconcelos?
    Reunirá, se sair a trampa para a rua, 20 pessoas? O Paulo Portas aparecerá?
    Há muito a dizer……… Mas não publicites muito a Vasconcelos ou lá o que é a coisa.

  3. josé sequeira diz:

    Peço desculpa pela dúvida. Não se poderá colocar a questão da seguinte forma? Os mais pobres já perceberam que estes eventos não levam a nada e apenas vão servir para satisfazer o ego dos profissionais do sindicalismo político. Por isso antes querem continuar no biscate ou no desenrasca, que é o que lhes dá de comer. Já são pobres há muito tempo e já perceberam que “ninguém dá nada a ninguém”. Pelo contrário, os que até agora tinham todas as regalias, muitas vezes dando pouco em troca, e que se sentem ameaçados nesse patamar de vida, vêm para a rua protestar. É normal.

  4. josé sequeira diz:

    Não subestimemos essa gente. No final de 74, a manife da maioria silenciosa foi afastada com meia dúzia de pedradas e algumas correrias. Um ano depois PS/PSD/CDS + toda a extrema direita encheram a Alameda na que foi provavelmente a maior manifestação de sempre em Portugal. Podemos dizer que as duas manifestações tinham pouco em comum. É verdade mas ambas foram tratadas da mesma maneira pela esquerda.

  5. Tá de chuva diz:

    Vasconcelos?!
    Medo…

  6. antifa diz:

    A verdade é que basta olhar para o Rio de Janeiro para ver como e porque é que pela primeira vez as pessoas das comunidades, favelas e periferia se juntaram a um protesto de massas. Isso apenas aconteceu devido ao caracter combativo de uma parte dos manifestantes, parte essa que foi aumentando e aumentando com cada vez mais gente a identificar-se com essa verdadeira postura de luta.
    É curioso como apenas no momento em que é formado um primeiro “black bloc” (com todas as contradições e confusões ideologicas que ele tem no RJ) as pessoas descem dos morros e vêm da periferia para se juntar a quem protesta, tal como eles dizem “lá em cima as balas são reais, aqui são de borracha” e o momento é de luta, luta a séro, feita pelas proprias mãos e não por intersposta pessoa em marchas ou passeatas com caracter partidário ou sindical.

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