Pleno emprego e segurança social

Ouvi nesta noite, na TVI, uma peça onde a jornalista afirmava que a segurança social vai entrar em ruptura dentro de 7 anos por causa o desemprego. E tem muita razão. Pode até ser daqui a menos anos. Estivemos um ano a trabalhar – um grupo de 18 investigadores – para provar que não há nenhum problema com o aumento da esperança média de vida em Portugal, tese que até aqui era dominante. Mas há um problema sim, e muito grave, se não se constrói uma sociedade de pleno emprego. A paternidade desta conclusão é dos autores de A Segurança Social é Sustentável e deve ser-lhes atribuída, não a mim como coordenadora, mas ao conjunto de todos os que trabalharam horas e noites a fio num trabalho essencialmente voluntário porque a venda de livros num país pequeno com baixos salários, não paga, obviamente, o trabalho de ninguém. Ficamos porém com a riqueza de ter provado que navegávamos até aqui num embuste – o de que havia velhos a mais para poucos jovens. Ninguém sério pode voltar a afirmá-lo.

A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal

Prefácio. Marcel van der Linden

Introdução. Raquel Varela

A “eugenização da força de trabalho” e o fim do pacto social. Notas para a história do trabalho, da segurança social e do Estado em Portugal. Raquel Varela

E se houvesse pleno emprego? A sustentabilidade da segurança social e o desemprego. Renato Guedes e Rui Viana Pereira

O futuro da protecção social em Portugal e a sustentabilidade da Segurança Social e da CGA. Eugénio Rosa

Segurança social: fundo universal de solidariedade ou mercado privado de capitais? Entrevista com Sara Granemann. Entrevista de João Jordão, Raquel Varela e Rui Viana Pereira

Ensaio sobre a falsa panaceia dos “sistemas de capitalização” ou fundos de pensões. Miguel Madeira

A força de trabalho em Portugal 2010-2011. Breve descrição. Ana Rajado

A crise e as crises do sindicalismo: há uma revitalização possível? Alan Stoleroff

Pobreza, exclusão social e desigualdade. Manuel Carlos Silva

Ser pobre, ser-se pobre. Reflexão crítica sobre os números da pobreza. Maria João Berhan

Superexploração: uma categoria explicativa do trabalho precário. Ana Elizabete Mota

Rendimento de facto mínimo? Estado, assistência e questão social. Cleusa Santos

A classe trabalhadora hoje e a nova morfologia do trabalho: informalidade, infoproletariado, (i)materialidade e valor. Ricardo Antunes

Os limites da estabilidade social. Até quando irá a sociedade «aguentar» «o estado a que isto chegou» ? Entrevista com o historiador Valério Arcary. Entrevista de Raquel Varela e Luísa Barbosa Pereira.

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9 respostas a Pleno emprego e segurança social

  1. menvp diz:

    SISTEMA DE PENSÕES PÚBLICO E PRIVADO
    .
    .
    1.SISTEMA DE PENSÕES PRIVADO
    -» Aqui não existam correcções/ajustamentos… vai tudo numa boa… até (veja-se o Lehman Brothers)… abrir falência duma semana para a outra!
    .
    2. SISTEMA DE PENSÕES PÚBLICO
    -» Aqui existem correcções/ajustamentos… leia-se: importante importante mesmo é ABRIR O DEBATE!…
    -» Ora, de facto, Portugal não precisa de políticos que querem contraír mais dívida… mas sim, de POLÍTICOS DISPONÍVEIS PARA DISCUTIR INTENSAMENTE A GESTÃO DOS RECURSOS DISPONÍVEIS!…
    -» Resumindo: os lobbys poderão negociar normalmente com os governos… só que… depois… a coisa terá que passar pelo ‘crivo’ do contribuinte: “O Direito ao Veto de quem paga” (vulgo contribuinte) – ver blog ‘fim-da-cidadania-infantil’ (Democracia Semi-Directa).

  2. Caetano diz:

    Corrija o link por favor.

  3. Para quando a luta consolidada, persistente e generalizada, «nas ruas» e nos «locais de trabalho», PELA REDUÇÃO DRÁSTICA DOS TEMPOS DE TRABALHO?????
    A pergunta que faço sempre que «palestro» e costumava fazer na «abertura das minhas aulas» ( de “Economia Política”) é basicamente esta:
    «Quando as máquinas fizerem quase tudo, o que farão “eles” com as pessoas»?…
    Chiça, que até um dos meus netos já percebeu!
    Ah, já me esquecia; os economistas de aviário vêm logo com a conversa da «fallacy of the lump sum of labor»…
    Já não tenho idade para «isto»…

    • Raquel Varela diz:

      Guilherme, concordo! E contínuo sem entender (sarcasmo…) porque isso não é a campanha essencial e central de todos os partidos e sindicatos como aliás foi na década de 70…O que é «fallacy of the lump sum of labor»?

      • A «lump of labour fallacy» (tem tambémoutros nomes…) é a ideia – supostamente falaciosa (dizem eles…) – de que haveria (e no mundo concreto em que vivemos acaba por haver) uma quantidade «mais ou menos» fixa de trabalhos/tarefas a executar.
        Nesse contexto teórico (mas com implicações empíricas) se o total de trabalho a executar (“trabalho economicamente relevante”!…) for uma quantidade fixa (por exemplo 10 mil milhões de horas) então para acabar com a praga do desemprego, bastaria dividiri esses 10 mil milhões de horas por todos os adultos disponíveis.
        Eles dizem que isso é uma falácia (e só em certa medida é que é assim…), mas com isso da «falácia» DESCARTAM LOGO À PARTIDA TODA E QUALQUER REFLEXÃO SOBRE O ASSUNTO….
        http://en.wikipedia.org/wiki/Lump_of_labour_fallacy

    • Rafael Ortega diz:

      As pessoas farão outra coisa qualquer.
      Se não fosse assim ainda estava 90% da população com uma foice nos campos.

      • Claro que «as pessoas farão outra coisa qualquer»…
        Desde Arte, Lazer, Desporto, Família, ou a «tratar do meio ambiente», e passando também por «discussões filosóficas» sobre o que fazer «com avida»…
        «Coisas para fazer» de facto não faltam, mas eu estava a falar – no contexto destas conversas todas parecia-me óbvio – de «coisas MERCANTIS», mercadorias (para «os mercados»…).
        Já há muita gente nos gabinetes das Nações Unidas a reflectir e a estudar o problema de «o que fazer» com as centenas de milhões de camponeses, quando a produção de alimentos (para toda a população mundial prevista lá para 2050) já está – cada vez mais – a ser processada (desde a “sementeira” até à entrega ao processamento fabril propriamente dito) por «máquinas» e umas centenas de milhares de engenheiros…
        O Rafael Ortega já ouviu certamente falar da máquina «Curiosity» que anda a «fazer coisas» no planeta Marte, EM MODO AUTÓNOMO.
        Acha que o «Sistema Humano» (social, ciêntífico, tecnológico, económico…) como um todo vai ficar por aqui?…
        Eu não.

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