Melancias

Há muitos anos, acabada de chegar a Coimbra, entrei numa Assembleia Magna. Sentei-me para assistir, tinha chegado há dias. De repente ouço gritos e uma pessoa, segurada dos lados por dois rapazes, trazia uma melancia que atirou aos que estavam na primeira fila do TAGV, visando acertar num rapaz que era, à data, presidente da AAC, chamado Tó Silva (percebi depois). Não acertou. Ele baixou-se e levou com a melancia o estudante da fila atrás.

Os gritos continuaram, os estudantes soltaram gargalhadas e a magna continuou. Sem que se percebesse aquele aparato no meio da gritaria dos três entretainers.

Parece-me quase uma carta aberta.

Ocorre-me perguntar-lhe: a CGTP é uma central sindical que tem como objectivo a luta pelos direitos dos trabalhadores, ou é uma instituição que visa a manutenção da Ordem e da segurança acima de qualquer outro valor, e que, na prática, serve para controlar o descontentamento dos trabalhadores, os movimentos sindicais e as suas lutas?

Muitos têm sido os que expressam justamente o seu descontentamento com a decisão da CGTP. Ainda bem. Faltam dois dias para a manifestação. Até às três podem ainda comunicar às câmaras que vão marchar a pé sobre a ponte. Organizem-se, mobilizem todos os trabalhadores e avancem sobre a ponte. 

Creio que não precisam de nenhum Arménio Carlos (partindo, claro, sempre do pressuposto que a decisão é de apenas uma pessoa, o que não deixa de ser interessante) para orientar o povo ou os trabalhadores. Até lá, podem aproveitar e fazer cartazes a dizer mal da CGTP e do PCP – por exemplo: podem dizer que são todos covardes e que é assim que se faz a luta. Se se sentem traídos, desobedeçam, façam ouvir a vossa voz na rua, fora dos blogues, junto dos reformados, dos trabalhadores, dos precários, dos desempregados, dos trabalhadores do metro e da rtp!

Bolas, indignai-vos!!!!! Levantem-se contra o capital!!! Tomem as pontes e as ruas que são nossas!

E mostrem à CGTP como é que é.

No fim, se quiserem, podem também dizer qualquer coisa sobre o Orçamento do Estado ou o Governo. 

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38 respostas a Melancias

  1. subcarvalho diz:

    os dois rapazes que o seguravam, devem ser agora seguranças controleiros da cgtp…

    • Lúcia Gomes diz:

      A seguravam. Não. Iam do lado dela a apoiar. E continuam do mesmo lado. Sempre contra a CGTP.

      • imbondeiro diz:

        O seguravam. O rapaz (o homem) que atirou, falhando o alvo pretendido, a melancia, chamava-se (e continua a chamar-se) José Luís Nobre (um homem de quem tenho o prazer de ser amigo) e é hoje formado em Engenharia Geológica. Se bem que já não o veja há algum tempo e que, entretanto, possa ter mudado as suas afinidades políticas, era sobejamente conhecida a sua militância no PCTP – MRPP.
        Quanto ao “post”: tenha calma – ainda aí virão dias em que clamará pela acção moderadora da CGTP e de Arménio Carlos ou de um seu outro Secretário – Geral qualquer. Não tenha pressa em entrar na mais inenarrável explosão social: ela virá inexoravelmente e terá os seus inevitáveis mortos. E a mortandade não deve ser desejada de ânimo leve, sobretudo quando se substantiva na morte dos outros. Aqui chegados, a pergunta que lhe faço é simples e directa: uma vez atingida essa explosão, estará a senhora na vanguarda da manifestação, pronta a servir de frágil muralha ao chumbo que inevitavelmente e abundantemente choverá ou isso é só coragem de garganta?

        • Lúcia Gomes diz:

          A minha coragem não é medida em blogues. Quando esse dia chegar veremos quem lá está.
          Entretanto espero que enquanto chega e não chega quem tanto o apregoa esteja também nas lutas e não me refiro apenas às manifestações.

          • imbondeiro diz:

            Se a sua coragem se não mede em blogues, a minha por eles muito menos se mede. Se esse “quem o apregoa” a mim se refere, eu só o entendo pela razão de, obviamente, a senhora não me conhecer: ainda a senhora era uma recém chegada a Coimbra e frequentava a sua primeiríssima Assembleia Magna, e já eu tinha anos e anos de activismo académico nos órgãos directivos estudantis da Lusa Atenas. Com muita manifestação e Corpo de intervenção a distribuir pancada à mistura.
            Quanto ao seu “veremos quem lá está”, o seu único problema é o pouco pessoal e anonimamente muito abrangente “quem”. Se eu respondesse a tal pergunta (àquela que eu próprio lhe fiz), a única resposta lúcida e completamente honesta que lhe poderia dar seria um “Eu não sei”: é que o medo ( neste específico caso, da morte) é algo inerente a qualquer ser humano – quem o não tem ( ou diz não ter) ou é um inconsciente (na primeira hipótese) ou é um fanfarrão (na segunda das hipóteses). E, aqui, é o “Eu” e as suas muito humanas circunstâncias que interessam. E a lucidez, sempre, mas mesmo sempre, a lucidez. E, minha cara Lúcia Gomes, eu, desde que me conheço, não faço outra coisa que seja lutar – constantemente e em todo o lado. Esses conselhos de estar na luta, dê-os a senhora àqueles que só abriram os olhos e a boca, àqueles que só levantaram a voz e os braços, àqueles que só alinhavaram um arremedo de consciência política e social, quando a injustiça e a exploração lhes tocou à porta do sossegado, prazenteiro e burguês domcílio. E são esses, precisamente esses, aqueles que, como todos os convertidos de última hora, se mostram mais radicais nos seus corajosos gritos de “mata e esfola”. Mas não nos deixemos entusiasmar: serão esses mesmos instantâneos e vulcânicos radicais a abandonar a luta uma vez conseguidos os seus mesquinhos e egoístas objectivos de bem-estar pessoal e instransmissível Nunca foi esse o meu caso.
            Os meus mais cordiais cumprimentos.

          • Lúcia Gomes diz:

            Não tenho qualquer interesse em sindicar pessoalmente quem estará ou não como não o questionei sobre o que faz ou deixa de fazer (até porque o anonimato o não permite).
            Assim sendo, seja quem for, mesmo quem só saiu à rua quando sentiu pessoalmente os efeitos da crise, serão sempre a somar.
            Isso de medir tempos (ainda eu estava na minha primeira magna) pois ainda bem que todos os tempos são de quem luta e se não ficam por mim ou por si.

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    E eu que julgava que o PCP e a CGTP reclamavam ser a vanguarda do povo… Quando a vanguarda foge é natural que as “massas” fiquem pelo menos perturbadas. Como querem que, em dois dias, essas “massas” supostamente necessitadas de uma vanguarda que as dirija, consigam levar para a frente uma acção com a dimensão da que se tinha proposto? À cobardia agora junta-se a hipocrisia… Estamos mais do que conversados.

    • Lúcia Gomes diz:

      Perdão? A tese que tenho lido é de que as massas não estão devidamente representadas. E a dimensão das acções é de quem as faz, não de quem as propõe. E mesmo sem a comunicação prévia. Avante!
      Consigam levar? Então? Que conversa de capitulação é essa?

    • A.Silva diz:

      Ó ridiculo nuno, devias estar mas é a trabalhar na tal organização sindical à maneira de que falas no post do Tiago em vez de estar aqui na conversa, assim os trabalhadores nunca mais têm uma organização de jeito pá.

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Vê-se que perdura a memória das Jornadas de Maio de 1937, na Catalunha, quando as forças estalinistas se dedicaram a combater os anarco-sindicalistas em vez de combater as forças de Franco. Mas não te assustes. Não há uma tradição muito profunda anarco-sindicalista em Portugal pelo que não será tão cedo que os descendentes do estalinismo perderão entre nós o controlo dos sindicatos. Os sindicatos terão é cada vez menos associados, graças às brilhantes estratégias da CGTP…

  3. Luís Marques diz:

    Ir à manif com a cartazes a dizer mal da CGTP e do PCP? E não sou linchado?

  4. Bento diz:

    Esta gente é “terrivelmente revolucionária”!

  5. Rita Governo diz:

    Ai é tão isso. Obrigada, Lúcia.

  6. um anarco-ciclista diz:

    Este texto é pura demagogia!!!

    Caso a irmã Lúcia não saiba, 226 tentaram na última Greve Geral atravessar a ponte: foram cercados, ameaçados e detidos pla bófia durante horas. Do Tio Arménio escutámos nada, zerinhos, que isto da solidariedade é muito giro mas nunca prós “esquerdistas”.

    Depois, o “povo em geral” não tem o tempo de antena, as quotizações sindicais, as sedes e a “máquina” que a CGTP acumulou nos últimos 40 anos. A sério: o teu “então façam vocês é mesmo cretino!”

    • Lúcia Gomes diz:

      A irmã Lúcia sabe. A irmã Lúcia é solidária. A irmã Lúcia recebeu logo telefonemas depois de estar de directa porque a irmã Lúcia esteve nos piquetes e foi agredida pelo Corpo de Intervenção. A irmã Lúcia ficou com o braço todo negro. Não obstante a irmã Lúcia foi advogada de cerca de 20 dos 226.A irmã Lúcia está sempre disponível e até está a tentar juntar um grupo de advogados e juristas que estejam sempre de piquete para estas situações. Porque a irmã Lúcia defende, efectivamente a liberdade de manifestação venha de onde vier. A irmã Lúcia estará sempre do lado de quem luta seja anarquista, comunista, bloquista, sindicalista, ciclista.
      Isto da solidariedade é muito bonito, mas é para os comunistas. A irmã Lúcia até esteve de plantão no Monsanto quando foram detidos manifestantes na Greve Geral.
      A irmã Lúcia até se junta aos que marchem sobre a ponte sem rodas se for preciso.
      Cretino é andar a dizer mal da CGTP e depois não se fazer nada se a CGTP não estiver. Porque não se tem “a máquina”.
      A luta, como disse, é de quem a faz. Um, dez, dois mil, um milhão. Quem não luta perde sempre.

  7. Arménia em Choque diz:

    A CGTP como central sindical não me parece que deva de algum modo controlar o descontentamento dos trabalhadores, mas quando faz o jogo do governo, convocando uma manifestação com eventuais repercussões e evidentemente simbólicas, face à política e autoridade de estado, vindo a desconvocar a mesma, nos moldes inicialmente anunciados está óbviamente a controlar e manipular todas as pessoas que fazendo fé nas expectativas investiram tempo, participação e empenho nesta contestação.
    O facto de ser uma central sindical tem como funções defender os seus sindicalizados, mas a imagem pública que reflecte, o posicionamento discursivo (não necessariamente prático) contra a política do governo, tornam a mesma sujeita ser criticada publicamente e contestada como é óbvio. Como é a igreja quando persegue se posiciona contra o uso de preservativo ou métodos contraceptivos, por exemplo, embora só fale para os seus seguidores fiéis. É que quem é sindicalizado tem os mesmos problemas de quem não é.
    O facto de muita gente criticar a CGTP, por um lado não significa que essas pessoas sejam automaticamente consideradas como não-sindicalizadas (a não ser que exista algum pacto de silêncio entre os sindicalizados da CGTP). E o facto de criticarem a CGTP, não impede que se façam outras acções, aliás o lado direito deste blog anuncia uma outra acção em Alcântara. Tal como não impede que se critique ou impugne o orçamento de estado (aliás se a CGTP não tivesse desviado a atenção com esta palhaçada, talvez essa crítica estivesse mais visível, e sábado as forças estivessem totalmente concentradas no orçamento e no governo antidemocrático – não se sabe).
    O que é no mínimo arrogante é avaliar moralmente a incapacidade de pessoas individuais, pessoas que actuam em pequenos grupos não-formais, pessoas que não estão integradas em comités de partidos ou de sindicados para mobilizar massas, e ainda por cima comparar essa incapacidade com a capacidade de mobilização da central sindical.
    (ao nível do, vamos medir forças para verem como perdem?).
    E eu que julgava que o PCP tinha como lema, não importam os números, mas as ideias, pelo menos foi sempre isso que afirmaram, quando as eleições lhes saíram goradas.

    • Lúcia Gomes diz:

      E continuo a afirmar isso mesmo e subscrevo tudo o que disse, Arménia em Choque. A decisão tomada não é fácil de entender, pelo menos para mim, dado todo o processo. Quem se diz incapaz de fazer a luta, seja ela pequena ou grande, é quem está a criticar a CGTP. Afirmam não terem a máquina ou o tempo de antena.
      A CGTP sempre fez lutas sem tempos de antena. Ninguém filmou as operárias da Rohde enquanto estas dormiam à porta da fábrica nem os operários corticeiros nas vigílias e marchas pelo pagamento dos salários.
      Quem está a medir forças é que, legitimamente criticando a CGTP se fica por aí.
      Eu não avalia moralmente a capacidade ou incapacidade de pessoas individuais. Eu actuo em pequenos grupos não organizados e não sou sindicalizada por impedimento da minha profissão.
      O preconceito e o juízo moral, cara Arménia, está do seu lado, não do meu.
      Não emiti qualquer juízo sobre a capacidade de mobilização, apelei a essa mobilização.
      Tal como não emiti qualquer juízo sobre a decisão da CGTP. Esse cabe aos trabalhadores que a central representa. Eu já tomei a minha decisão. Estou a 19, estou a 26 e estarei onde estiver a luta. Seja ela de 5 pessoas, duas ou um milhão.

      • Não sei quem é Lúcia Gomes, mas por vezes estou e estive em reuniões do PCP extremamente acaloradas onde nunca se procura justificar o injustificável. É que a CGTP, mesmo sendo “pacífica”, podia manter a manifestação na margem sul. Na Praça da Portagem ou noutro lugar qualquer. Mas estávamos lá, percebeu?? Não percebeu, é pena: vai escrever mais quantos posts a justificar o injustificável?

        • Lúcia Gomes diz:

          Bom, ainda bem que nos encontramos aqui para que o carlos vidal me explique o que eu, pobre de mim, não consigo compreender.

  8. JgMenos diz:

    Ser ‘revolucionário de letra’ é das mais difundidas e apreciadas reputações para quem nada mais faz que dizer que é!
    Eventualmente juntam-se aos molhos para caminhadas, gritarias e, se o ambiente é propício, atirar umsa pedras e incendiar uns contentores de lixo.
    Trabalho revolucionário é suor e cansaço, como todo o trabalho.

    Imaginem-me apoiante da CGTP!
    Mas respeite-se quem trabalha!

    • Herberto diz:

      Não te imagino, mas descubro-te como autor do blog “A Chispa”. Vais ter de ir ao médico, porque a tua pancada não é pequena.

  9. Maria Gantes diz:

    Parabéns. Dizes muitas das coisas que me têm ocorrido por estes dias.
    Apesar de estar disposta a marchar sobre a ponte, compreendo que nesta luta devemos evitar voluntarismo desnecessários que no fim, nos façam andar muitos passos atrás…uma coisa é um grupo informal de pessoas avançar sobre a ponte desobedecendo mesmo que a uma ilegalidade, outra coisa é uma organização sindical ou um partido politico, avançar da mesma forma ,se e quando houver problemas são estas organizações responsabilizadas dos mesmos, mesmo que a desobediência tenha surgido de outro grupo qualquer que integrou a manifestação entretanto. Porque é que esses movimentos de contestação, tipo Precários inflexiveis, ou QSLT não encabeçam a contestação a pé em cima da ponte? se não conseguem para 19 têm o 26 de Outubro….

  10. Francisco diz:

    Lúcia, para maximizar a hipótese da luta contra este governo, a Troika e a ofensiva neoliberal, é mais importante a CGTP efectuar uma profunda auto-crítica da capitulação na Ponte e daí tirar consequências para futuras acções, do que apagar o que se passou com a desculpa de que o piqnic de sábado tem de ser um sucesso.
    Claro que o ideal é Sábado ser um sucesso (e já agora, como é que se mede isso?) e a CGTP fazer uma profunda autocrítica.
    Mas se tiver de escolher, parece-me óbvio que por mais piqnics e procissões “bem sucedidas” que a CGTP organize este governo não será beliscado, já se existir uma auto-crítica e se se fizerem greves como a dos profes aos exames, ou protestos como seria o da ponte, então aí sim, a CGTP pode ter um papel a jogar no derrube deste governo.

    Ou achas que fingindo que a capitulação que ocorreu é irrelevante e simplesmente organizando mais protestos inócuos e puramente simbólicos e todos eles “bem sucedidos” é que se vai lá?

    • Lúcia Gomes diz:

      Não, não acho. Acho que a autocrítica é imprescindível, bem como a crítica e que tudo deve ser analisado.
      Contando com as reacções de quem se disponibilizou desde o primeiro minuto a ir para a ponte e enfrentar o que viesse. Quem estava com a CGTP e a unidade que se criou.
      E o que provocou esta decisão no sentimento colectivo criado, independentemente do resultado (nr de pessoas, etc) de sábado.
      Mas também acho que o “fogo amigo” não ajuda ao que realmente importa.

  11. Augusto diz:

    Tal como não emiti qualquer juizo , sobre a decisão da CGTP…

    Penso que ao escrever isto, a Lúcia Gomes se define,

  12. tio arménio e irmã lúcia diz:

    Os senhores têm tanto tempo livre…
    Destaco a frase “Porque a irmã Lúcia defende, efetivamente a liberdade de manifestação venha de onde vier”. Ora, de facto, quando se começa a manifestar só pelo direito à manifestação perde-se a noção do verdadeiro móbil que levou um dia a pensar-se no direito à manifestação. Discordo, mas respeito, a opinião. Receio apenas que, mais uma vez, a manifestação sindical perca o seu foco e se (self)centre na pessoa x ou y, seja o tio arménio ou a irmã lúcia, e não vá – com segurança, porque não defendo a manifestação só pela manifestação – para a rua de forma verdadeiramente livre e entregue a uma causa. Isso acabou.

    • Lúcia Gomes diz:

      Sim, foi isso que eu disse.

      • Com uma militante destas (não sei se é se não é) não conseguiríamos dar nenhum nem fazer aprovar nenhum contributo ou alteração para o programa do Partido (o que nos foi pedido) antes do Congresso. Seriam horas e horas a bater numa pedra. Ainda bem que não tive de passar por isto.

        • Lúcia Gomes diz:

          Ainda bem, Carlos. Ainda bem. E ainda bem que o diz assim em público sem me conhecer ou nunca sequer ter discutido (mas à séria…) comigo. Garanto-lhe que se algum dia nos cruzarmos nalguma discussão (ao que parece só discute as teses) terei todo o gosto em participar nessa discussão de horas e horas com toda a artilharia. Para percebermos quem explica o quê a quem.
          Muito gosto e as minhas cyber conversas consigo dão-se por findas.

  13. A decisão da direcção da CGTP na minha opinião é compreensível.
    É sabido que a polícia usa o “agente provocador”, e fê-lo eficazmente na manifestação ao parlamento. Eficaz porque atingiu o objectivo de inibir a frequência, envergadura e os ânimos de futuras manifestações.
    Fosse essa direcção em frente com a marcha prevista, haveria grande probabilidade do “agente provocador” voltar. Se a polícia repetisse o teatro ali, a direcção seria crucificada pelo governo, pelos média (lamento, mas estão todos corrompidos), e pior ainda: arriscava-se a ser condenada pelas próprias pessoas que mobilizaram. Obviamente estariam desacreditas e em maus lençois.
    Claro que eu estive sempre a mencionar a direcção. Nada impede a marcha de acontecer como estava prevista à margem de qualquer decisão de qualquer central sindical. Nesse cenário a “culpa” ou mérito seria diluído, distribuido e anónimo.
    Força!

  14. josé sequeira diz:

    Acho que a direcção do PCP, ao mandar a direcção da CGTP desistir da travessia da ponte, assumiu um papel digno de apreciação pelo povo português. Em 2015 vai existir talvez o acto eleitoral mais importante desde o 25 de Abril e parece surgir a noção de que o PCP pretende vir a ser uma alternativa para que um governo de esquerda, com o PS na frente, (não pode ser de outra maneira) possa existir, sem o drama de ser minoritário mas também sem a soberba da maioria absoluta.
    Os eleitores ficaram a saber que o PCP também pode pertencer ao chamado arco da governação. Daí a imagem de respeito pelas decisões (ao fim e ao cabo soberanas) de um governo eleito.
    Para quem pertence ao povo que passa dificuldades mas ainda consegue ter trabalho, embora mal pago, esta semana foi histórica. Pela primeira vez foi possível quebrar uma greve selvagem dos transportes (neste caso do Metro de Lisboa), com uma decisão tão simples mas que nunca foi aplicada: a obrigatoriedade dos serviços mínimos.
    É que estas greves dos transportes não têm qualquer efeito prático positivo na situação dos trabalhadores dessas empresas. Com tantas greves e cada vez estão piores. Mas são um roubo aos utentes que pagam os seus títulos de transporte e não há um blogue, um advogado ou um Tribunal Constitucional, que coloque o problema e obrigue a indemnizações a quem paga e não pode usufruir do que pagou por intervenção de terceiros.
    Quando votei pela primeira vez no PCP (nestas últimas eleições) não sabia nem tinha o direito de pretender saber o que esse partido faria com o meu voto.
    Neste caso da ponte 25 de Abril estou satisfeito porque acho que o PCP está a trilhar o único caminho que pode ser benéfico para o povo Português.
    É evidente que a “manif” para bloquear o porto de Lisboa vai ser apenas folclore.

    Cumprimentos e, como diz o povo, para os que se dizem indignados, um conselho vindo directamente do reumático e dos cabelos brancos: abram a pestana.

    • proletkult diz:

      E não há dúvidas de que o seu voto ficou muito bem entregue. O espelho do partido da “democracia avançada”, do “patriotismo”, da “renegociação da dívida” e “contra o lucro obsceno”.

  15. Caetano diz:

    Desculpa que te dia mas neste tema fazes-me lembrar o Camilo Lourenço exactamente pelos mesmos motivos, quanto mais mexes no assunto e defendes o indefensável mais mal ele cheira. Chega, porra. Dia 19 todos a Alcântara e à ponte do Infante! Será assim tão difícil? Vê lá tu que até conseguiste por o Carlos Vidal a escrever aqui de novo, desta vez na caixa de comentários. Queres uma medalha?

  16. vasco diz:

    E a menina da Melancia era a grande revolucionária Raquel Varela. Estou certo? Isso é que é revolução, pá, atirar melancias.

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