Carta aberta da Joana Lamas ao Arménio Carlos

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Caro Arménio Carlos,

Parto do princípio que a direcção da CGTP tem consciência de que as políticas de austeridade não são uma tentativa de resolução da crise da dívida pública, mas integram uma tendência de governação que tem como objectivo o empobrecimento geral dos trabalhadores e a contínua transferência da riqueza comum do Estado Social para o benefício de uma trupe de privados; que esta sociedade em construção, onde os trabalhadores são vilipendiados como preguiçosos e piegas enquanto o valor que geram pela força da sua vida é apropriado pelos detentores do capital, o patronato das grandes empresas e pela banca, é uma ideia de sociedade que não interessa à vida dos trabalhadores. Se a direcção da CGTP tem tal consciência política e essa visão do mundo, a vossa decisão de cancelar a manifestação de dia 19, nos termos em que estava convocada, só pode ser entendida como uma decisão política consciente, uma decisão contra os anseios reais dos trabalhadores e contra o terrível esforço das suas lutas.

Como é possível, explique-me, caro Arménio, porque não consigo entender, como é que, tendo a CGTP a possibilidade de liderar uma manifestação com forte expressão de luta e podendo resistir esplendidamente a uma decisão ministerial ilegal (Ver “Se a CGTP tem a obrigação de conhecer os termos da lei, porque age como se a desconhecesse?”) tenha optado por recuar na sua decisão?

Nos últimos dias, graças à aparente posição de força da CGTP, os trabalhadores estavam mais animados e até se sentia crescer, nos locais de trabalho, o desejo de uma resistência libertadora do calvário em que se transformaram as relações laborais em Portugal. Ontem, tínhamos a certeza que Miguel Macedo suava de ansiedade e isso dava-nos alguma sensação de força… e hoje? Após a vossa cobarde retirada, como é que acha que foi ir para o trabalho? Como é que acha que se sentiram os trabalhadores do metropolitano que viram a sua greve condicionadíssima ao ponto de perder expressividade? E os estivadores, que estão a travar uma luta tão difícil? E os enfermeiros? E os professores? E os trabalhadores dos CTT? Ou qualquer trabalhador, reformado, desempregado ou activista que lute contra as politicas de austeridade? Como é que acha que essas pessoas se estão a sentir hoje com a vossa opção política? Certamente Miguel Macedo, Passos Coelho e os restantes comissários do poder económico que formam o governo de Portugal, estão bastante aliviados, satisfeitos, orgulhosos. Se ontem achava que quem estava em risco de demissão era Miguel Macedo, hoje, caro Arménio, hoje, acho que era o senhor que se devia demitir. Porque, das duas uma, ou não tem qualquer noção de estratégia política e desejo de mudança, ou a sua estratégia é a de, mantendo uma aparência de luta, compactuar com os poderes governantes de Portugal.

Quando o povo não se consegue ouvir, como se não tivesse sequer possibilidade de inscrição na realidade do poder, a CGTP decide tomar esta posição política e toma-a precisamente no dia da apresentação do Orçamento de Estado, transformado em espectáculo mediático de uma farsa política, em horário nobre: a suposta vanguarda é uma força de retranca!

Ocorre-me perguntar-lhe: a CGTP é uma central sindical que tem como objectivo a luta pelos direitos dos trabalhadores, ou é uma instituição que visa a manutenção da Ordem e da segurança acima de qualquer outro valor, e que, na prática, serve para controlar o descontentamento dos trabalhadores, os movimentos sindicais e as suas lutas?

A vossa decisão de recuo na luta parece não deixar margem para dúvidas.

Finalmente, caro Arménio Carlos, devo dizer-lhe que carros não marcham! Dentro dos carros não nos vemos uns aos outros, não temos força nem expressão popular, não conseguimos conversar, comunicar uns com os outros, nem que fosse para distribuir flyers e divulgar a manifestação de 26 de Outubro que tão  censurada está a ser pela comunicação social. Estratégias sindicais que se submetem a decisões ilegais, alicerçadas numa suposta manutenção da segurança acima de qualquer outro valor, não são pacíficas, geram violência, desespero e revolta, são estratégias que geram insegurança e que dão cabo do tecido social: e isso não é paz, é submissão.

Atentamente,

Joana Lamas

Via Rubra.

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52 respostas a Carta aberta da Joana Lamas ao Arménio Carlos

  1. CR diz:

    Quem é a Joana Lamas?

  2. Marco diz:

    Cada um tem direito à sua opinião. O lamento e desilusão face ao abandono de um percurso cujo significado politico e simbólico é indiscutível, são reações naturais e inatacáveis.

    No entanto, seria relevante que esta leva de revolucionários “verdadeiros” apresentasse uma declaração de interesses.

    Assim por alto, seria importante saber duas ou três coisas:

    – À cabeça, quantos são sindicalizados em sindicatos da CGTP?

    – Quantos estavam mobilizados para colaborar na logística da iniciativa?

    – Quantos estariam dispostos à “hedionda” “tarefa” de “controlar” o acesso de manifestantes a áreas inseguras da infraestrutura?

    Assim, por alto…

    • Eduardo diz:

      Quando são provas desportivas que consistencia tem o povo com o objectivo? ( roubar roupas, beber e vender cerveja) alguem se atira para zonas não seguras? Quantos estavam mobilizados? Será talvez uma amostragem do controle da massa crítica da população? uma forma de deprimir junto com o orçamento aprovado?

    • um anarco-ciclista diz:

      Marco… curte lá o meu lamento!

      a) Estou sindicalizado e pago quotas numa estrutura afecta à CGTP
      b) foi-me anunciado um corte de 8,6% no salário
      c) tinha-me inscrito para ir à acção da ponte
      d) Ai agora há “áreas inseguras da infraestrutura”…?!?!

      Foda-se! Agora a sério: És estúpido ou és o Macedo?

    • Rui Candido diz:

      Caro Marco,
      Com estas atitudes por parte da CGTP acha que vou me sindicalizar? a quantas manifestações já assistimos que foram simplesmente de submissão por parte dos sindicatos mostrando uma luta que não era verdadeira, era simplesmente uma farsa?
      A questão aqui não era por ser uma manifestação com um percurso diferente, era simplesmente ganhar força perante os trabalhadores, devido ao braço de ferro existente entre governo e sindicatos. Isto sim era uma luta pela qual, e de alguns dias a esta data, a CGTP estava a ganhar maior consideração.

    • proletkult diz:

      Incrível este jogo de cintura. Deplorável mesmo. Então agora a GCTP não garante a segurança, através do seu próprio serviço? Andaram 15 dias com isso, dizem (e fazem) isso há quase 40 anos. E agora vêm com essa desculpa. É mau demais.

  3. antoniocarlos diz:

    Toda esta discussão radica num equívoco.
    A CGTP é uma instituição da sociedade portuguesa (sindicato) que “opera” dentro dos limites da lei, enquadrada por ela (tem estatutos legais, …) e que procura defender os interesses dos seus associados (trabalhadores) dentro do quadro legal (“dentro do sistema”).
    Não é expectável (não faz sentido exigir) que uma instituição nestas condições responda a ou represente interesses de grupos de pessoas que não se revêem no sistema actual e que o procuram “revolucionar”. Não é uma questão de acharmos que esses interesses e vontades são ou não correctas. Simplesmente, quem defende e procura “a revolução”, “a subversão deste sistema”, … não pode esperar que seja uma instituição “desse sistema”, ainda que defendendo alguns valores e objectivos comuns, a actual fora do quadro “desse sistema”. É um equívoco, e nesse sentido as palavras dos dirigentes da CGTP, num determinado momento, pareceram indicar e alimentaram a esperança de alguns que a CGTP ia actual “fora do sistema”, alimentando dessa forma o equívoco. O que se passou foi que a CGTP compreendeu, gorando assim algumas expectativas, que estava efectivamente a “sair fora do sistema no qual está inserida”. E de alguma forma recuou (do ponto de vista de quem esperava uma actuação “fora do sistema”).

    • Gambino diz:

      Isso levanta questões porventura ainda mais sérias e, decididamente, mais problemáticas para a CGTP. Em que medida a CGTP pode servir os interesses dos trabalhadores quando está comprometida com “esse sistema”? Perante a deriva neoliberal em curso, qual a necessidade de uma Central Sindical que está comprometida com “o sistema”? Um Sindicato serve para defender intransigentemente os trabalhadores, mesmo que isso a obrigue a actuar “fora do sistema”, ou então não serve para nada…

    • paula santos diz:

      ora bem
      curto e grosso
      muita gente queria aproveitar a Manif pra fazer m****
      façam -na sozinhos por iniciativa pp e não a coberto dum manif. pacifica .

      • proletkult diz:

        Curta e grossa foi a questão levantada pelo Gambino, que faço questão de reproduzir:

        “Em que medida a CGTP pode servir os interesses dos trabalhadores quando está comprometida com “esse sistema”? Perante a deriva neoliberal em curso, qual a necessidade de uma Central Sindical que está comprometida com “o sistema”? Um Sindicato serve para defender intransigentemente os trabalhadores, mesmo que isso a obrigue a actuar “fora do sistema”, ou então não serve para nada…”

        Aqui é que está a polpa.

  4. Avelino Couto diz:

    A decisão da CGTP de recusar a provocação do governo, que proibindo a marcha pela ponte, acima de tudo pretendia a confrontação violenta e a prisão de dirigentes por desobediência, e de muitos outros manifestantes, numa forma orquestrada como “noutros tempos”, e aproveitavam para em nome da ordem e da lei, avançarem ainda mais com a ditadura! Só quem nao Lê a historia é que nao sabe como os fascistas funcionam! Percebendo isso, fizeram aquilo que a inteligencia obriga! A única coisa que posso criticar, é a forma como abandonaram “a ponte a pé”, sem um esclarecimento capaz do conhecimento das intenções dos fascistas do governo!

    • É, tudo se resume a um problema de comunicação. O Poiares Maduro diz o mesmo sobre as políticas do governo…

    • subcarvalho diz:

      só quem não lê a história, ainda acredita que os fascistas se derrubam cumprindo a lei que eles próprios criam.

    • Eduardo diz:

      A inteligencia recorre à estratégia quando o adversário é claro, foi um erro! ( ou não foi… ) era mesmo para deprimir e desorientar a massa critica que sutenta o feudalismo mediaticamente?

  5. Bento diz:

    Como dizia Lenin aos esquerdistas , sempre fiéis no anticomunismo e aliados da direita, esta gente é “terrivelmente revolucionária”.

    “Os comunistas devem consagrar todos os seus esforços para orientar o movimento operária e o desenvolvimento social em geral no sentido do caminho mais reto e rápido para a vitória mundial do Poder Soviético e da ditadura do proletariado. Trata-se de uma verdade indiscutível. Mas basta dar um pequeno passo além – ainda que pareça um passo dado na mesma direção – para que essa verdade se transforme em erro. Basta dizer, como dizem os comunistas de esquerda alemães e ingleses, que não aceitamos senão um caminho, o caminho reto, que não admitimos manobras, acordos e compromissos, para que isso se torne um erro que pode causar, e em parte já causou e continua causando, os mais sérios prejuízos ao comunismo. O doutrinarismo de direita obstinou-se em não admitir senão as formas antigas e fracassou do modo mais completo por não ter percebido o novo conteúdo. O doutrinarismo de esquerda obstina-se em repelir incondicionalmente certas formas antigas, sem ver que o novo conteúdo abre seu caminho através de todas as espécies de formas e que nosso dever de comunistas consiste em dominá-las todas, em aprender a completar umas com as outras e a substituir umas por outras com a máxima rapidez, em adaptar a nossa tática a qualquer modificação dessa natureza, causada por uma classe que não seja a nossa ou por esforços que não sejam os nossos. ” lenin em o Esquerdismo doenca infantil……..

    • Argala diz:

      Caro,

      Vá dar lições de leninismo à sua mãezinha. Isso tem barbas – pode resultar nas escolinhas da JCP, mas cautela, porque deve haver gente mais crescida a ler isto. Aos anos que toda a capitulação vem justificada com citações de Lenine.
      O que é que não rejeitar acordos e compromissos tem a ver com capitular, baixar a grimpa e evirar, sistematicamente, qualquer laivo de confronto com o Estado Burguês?!?!?

      Por exemplo, e leia Lenine como deve ser, participar nas eleições burguesas é também um compromisso, de carácter transitório, subordinado às possibilidades de fazer a luta revolucionária. Para o PCP, é ao contrário. As eleições burguesas são a única forma que o PCP concebe para chegar ao poder.

      E querem ver que o PCP é o fiel depositário do pensamento e obra de Lenine.. onde é que isso já vai. Um partido que eliminou do programa a Ditadura do Proletariado e a Tomada do Poder pela via revolucionária.

      E juízo?! Há algum juízo?!

      • Bento diz:

        Camarada ” terrivelmente revolucionário” aqui vai masi uma citação de quem passou a vida a capitular nas prisões fascistas e a escrever em blogues:

        « No papel é fácil escrever e ao microfone é fácil gritar:” Chegou a hora do assalto final”, não basta escrever ou gritar.É preciso além das condições objectivas, que exista uma força material, a força organizada, para se lançar ao assalto, ou seja, um exército político ligado às massas e as massas radicalizadas, dispostas e preparadas para a luta pelo poder, para a insurreição[…] Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.» In (Radicalismo pequeno-burguês de fachada Socialista, 1970)

        • Argala diz:

          Sim camarada. É por isso que o PCP anda a há décadas radicalizar as massas e a prepará-las para a guerra de classes. É a velha infinita: “não há condições subjectivas” e depois “não há condições subjectivas para preparar as condições subjectivas”.

          Essa citação do Cunhal resume-se numa frase: pedir o impossível para evitar fazer o possível. Pensamento mecânico e estúpido. Entre o assalto final e a abertura de um processo insurrecional, medeiam muitas fases. Fases onde, precisamente, o assalto final se prepara. Por mero exemplo, Mao escreveu sobre isto, procurando descrever três fases: guerra assimétrica; equilíbrio estratégico e guerra convencional. É complicado teres capacidade para o assalto final sem passar por todas estas fases. Logo, é óbvio que nunca haverão condições para passar de um partido institucional para um partido preparado para a guerra convencional. Pede-se o impossível..

          Mas, claro, uma boa maneira de radicalizar as massas e prepará-las para a guerra de classes é obedecer às ordens – ainda por cima ilegais -, do governo. Isso sim, ajuda imenso.

          Como lhe disse, isso só resulta na JCP.

          Cumprimentos

        • proletkult diz:

          O “Esquerdismo” do Lenine tornou-se, com o tempo, no catecismo dos revisionistas. A qualquer coisinha que apareça a fugir aos ditames deles, lá vêm as bombas saídas dessas páginas. A questão é que, para além da descontextalização subjectiva da obra, os revisionistas fazem questão de equiparar as críticas pós-estalinistas de que são alvo (maoístas, m-l’s etc) às posições dos “esquerdistas” de 1920. E é desse anacronismo propositado que vai nascer o catecismo dos revisionistas indígenas, o tal “Radicalismo pequeno-burguês” do titã do revisionismo. A questão é que o “Esquerdismo” de Lenin foi um panfleto contextual, num determinado momento e numa determinada discussão no movimento Comunista. O “Radicalismo” do Cunhal é uma obra de fundo, que pauta a estratégia revisionista do PCP e que terá o seu auge no PREC.

          O maior enterro a Lenine que o PC faz é em 74/75. Numa situação de crise revolucionária em Portugal, com uma dinâmica operária brutal, com a existência de poder dual nas relações de trabalho, com parte das armas do lado da revolução, etc etc. Que situação e contexto mais favorável a uma tomada do poder violenta pelos trabalhadores, ao início da expropriação da burguesia e castigo dos fascistas podia haver? Nenhum PC europeu terá tido tamanha chance desde 1917. E o que fez o PCP? Vacilou, aliou-se (ou tentou) sempre à direita, denegriu e boicotou tudo o que, bem ou mal, mexia à sua esquerda e entregou a revolução à burguesia a troco de uma Constituição “socialista” e da hegemonia no proletariado. Tudo “rumo à vitória”. Tivesse o KKE, em 45-46, metade da oportunidade que o PCP teve… Mesmo assim, pegaram em armas e lançaram-se numa guerra contra o imperialismo, derrotada pela traição de Estaline e pela sabotagem de Tito.

    • Curioso que opte por fazer uma citação, salvo erro da parte do “compromisso” e não o capítulo sobre os “sindicatos”, em que se Lenin caracteriza a consciência sindical como a mais elementar e atrasada. O esquerdismo segundo Lenin é uma consequência do oportunismo e da burocracia sindical, um “mal” muito mais facilmente combatível do que o contrário. mas tirar citações do contexto é a prática a que o estalinismo habituou o movimento operário

  6. Dezperado diz:

    “Parto do princípio que a direcção da CGTP tem consciência de que as políticas de austeridade não são uma tentativa de resolução da crise da dívida pública, mas integram uma tendência de governação que tem como objectivo o empobrecimento geral dos trabalhadores e a contínua transferência da riqueza comum do Estado Social para o benefício de uma trupe de privados;”

    A Joana tem jeito para o photoshop….mas nao percebe nada de economia!!!! É daquelas que pensa que o dinheiro cresce das arvores….ou aparece só porque sim….Será dificil perceber que tudo o que tivemos de aumentos em educação, saude….etc….foi com dinheiro emprestado??? Algum dia teriamos de pagar…..só o fugitivo de paris é que achava que as dividas nao sao para serem pagas….é coisa de crianças!!!!

    Em relação ao ataque à CGTP…..é facil perceber que ninguem quer ser responsavel pela manif sobre a ponte. Não será estranho que desta vez não ouvimos nem do BE nem do PCP nenhuma posição sobre a manif?

    O Armenio teve azar na estrategia que usou……criou a polemica com o governo (para ouvirmos aqueles manifestantes dizerem: “se o governo nao quer, entao mais uma razao para estramos lá)…mas teve azar……como recuou…..a estrategia virou-se contra si.

    Mas isto serve para perceberem melhor o que faz a CGTP…..

    • Manel diz:

      “A Joana tem jeito para o photoshop….mas nao percebe nada de economia!!!! É daquelas que pensa que o dinheiro cresce das arvores….ou aparece só porque sim….Será dificil perceber que tudo o que tivemos de aumentos em educação, saude….etc….foi com dinheiro emprestado??? Algum dia teriamos de pagar…..só o fugitivo de paris é que achava que as dividas nao sao para serem pagas….é coisa de crianças!!!!”

      O meu caro, como ser evoluído que é, já reparou que o dinheiro não nasce nas árvores (o que é de louvar). Será que do alto do seu inquestionável saber económico conseguirá explicar então porque é que nós (povo português) servimos de árvore onde nasce o dinheiro que alimenta as pps? Será que o dinheiro que nos emprestaram serviu só para melhorarmos a educação, saúde, etc? Terá cada euro emprestado um rasto possível de seguir para sabermos onde foi de facto usado? Numa obra que no projecto custa x e depois na realidade custa x mais uns “pozinhos”, quem acha que paga isso? Quem são os responsáveis por todos os “pozinhos” que nos aparecem nos custos finais dos projectos? Alguém ganha com isso ou na realidade só temos projectistas e engenheiros incompetentes?

      As dívidas devem ser pagas por todos nós?-SIM, contudo somente aquelas que resultam do esforço do estado em melhorar as condições de vida do seu povo. Todas as outras dívidas, ao serem consideradas, deverão ser ou casos de polícia ou então crime ambiental, uma vez que estão a secar a floresta de onde pelos vistos nasce dinheiro.

      • Dezperado diz:

        “As dívidas devem ser pagas por todos nós?-SIM, contudo somente aquelas que resultam do esforço do estado em melhorar as condições de vida do seu povo. Todas as outras dívidas, ao serem consideradas, deverão ser ou casos de polícia ou então crime ambiental, uma vez que estão a secar a floresta de onde pelos vistos nasce dinheiro.”

        Dou-lhe toda a razão neste paragrafo.

        Mas lembro-lhe o seguinte…..em 35 anos de democracia, tivemos sempre deficit nas contas…..não acha estranho….viver hà 35 anos a gastar mais do que podemos? Porque é que todos os partidos (incluindo os de esquerda) não querem pôr na constituição um limite ao endividamento???? estranho não? Quando o fugitivo de paris aumentou o endividamento de 80 para 160 mil milhoes, durante esses anos, não vi quase nenhuma manifestação…sabe porquê??? porque não nos tocava no bolso…..e assim ainda dava aumentos à função publica…..e assim conseguiu garantir a sua reeleição.

        Sabe, tenho pena de nunca ter visto um ataque serio, em manifs, em blogues, em jornais…ao nosso mercado paralelo……representa 40 mil milhoes em Portugal….valor que passa ao largo da tributação…..ja viu….só aqui podiamos ir buscar 11 mil milhoes sem ter de cortar em nada. Ainda mais estranho, foi quando o gasparzinho pediu aos cidadão para começarem a pedir factura de tudo o que comprassem, a resposta do povo foi que não eram inspectores das finanças…..mentalidades!!!!!

        • Manel diz:

          Apesar de não ser economista, parece-me ser um mal menor termos um déficit nas contas há 35 anos (se bem que acho que o nosso déficit é um facto histórico com muitos mais anos). O que acho realmente mau é esse mesmo déficit ter crescido de modo incontrolável nos últimos anos (10, 12 anos talvez), o que me faz ainda mais acreditar que boa parte da nossa dívida externa (à banca, FMI, etc) se deve porque em boa parte temos uma dívida interna (que se traduz em rendas) para com uma dúzia de entidades criadas com objectivos dúbios. Cronologicamente bate certo!!

          Essa dívida NÂO deve ser paga pelo povo!

          Quanto ao mercado paralelo, tem toda a razão!
          Apesar de também não ser sociólogo ou antropólogo e não querer desculpar alguém, sinto no meu dia-a-dia que as pessoas que não pedem facturas e fogem aos impostos o fazem, primeiro, porque culturalmente somos assim: é muito mais sexy arranjar maneira de enganar o estado do que pagar tudo certinho, segundo, porque há anos que somos bombardeados com trafulhices e ninguém é responsabilizado. Depois o povo pensa: se eles podem nós iremos fazer igual ou pior. Aí se vêm as mentalidades de que falou.
          Os políticos que temos são no fundo o reflexo do povo que temos e vice-versa. Isto é um ciclo muito complicado de quebrar sem o estado dar um exemplo visível de justiça!

          Referiu mexer na constituição para travar o endividamento: CONCORDO, mas sabe o quanto difícil é fazer uma alteração numa constituição arquitectada (em parte) pelos partidos políticos? É quase utópico pedir a quem “pôs” a constituição a jeito de servir certos interesses, que agora faça emendas que os prejudiquem a eles ou a alguém da matilha. Além disso teria que haver um consenso (decência) político como nunca houve antes (tirando as situações em que esses mesmo políticos ficam a ganhar, subvençoes, regalias, pensoes, etc etc) uma vez que (se não estou errado) serão precisos 2/3 do parlamento para fazer passar qualquer alteração constitucional.

          PS- não tenho côr política, pago os impostos (mesmo que não quisesse, não podia fugir) e abomino essa espécie de gente que nos tem governado, apesar de reconher que ainda há pessoas de bem dentro da política e que a esperança não morre enquanto houver um político honesto e com o real objectivo de fazer o bem pelo povo. Haja coragem!

        • Nascimento diz:

          Ó meu jumento de que mentalidades falas? Vai até França ou mesmo á Alemanha, não para as grandes metrópoles, enfia o rabo numa cadeira ou mete gasóleo em bombas de baixo custo ,ou bebe umas cervejas ,ou compra o pão e umas tartes , e vais ver se te dão algum talão ou fatura. É que a maltinha fala, e dá exemplos, que depois quem viajar e percorre esta merda da Europa civilizada, repara que a REALIDADE é outra!!!
          No fim se vê que somos mais papistas que o papa….é como o caso das vacas loucas ,aqueles que fizeram merda safaram-se, e nós ficamos anos (mais de 10 )a penar.
          Um dia, alguém la da outra Europa nos disse que já não estávamos debaixo de nenhuma sanção!!!Dass ,que é sempre o mesmo: – Ó SALOIO OLHA O BALÃO!!!_
          Coragem, que talvez o Passos ,ou a Maria ,te venham a dar um chupa ou um penico de barro…..tão feliz contemplado….

          • Dezperado diz:

            “Vai até França ou mesmo á Alemanha, não para as grandes metrópoles,”

            pois nas grandes metropeles não, tem de ir la para as aldeias atras da montanha e verá que ninguem lhe passa factura….

            Nao lhe chamo jumento para não ofender os burros que são animais mais inteligentes que voce.

          • Manel diz:

            Oh Nascimento, tu é que me saiste um grande jumento! Não percebeste nada do que escrevi. Vai lá beber um cafezinho e tenta outra vez sim?

  7. artur almeida diz:

    Quando alguém é provocado o melhor será não responder a provocações. Mais a mais estando o “Anjo da Guarda” à espera disso. Os idosos não merecem levar com cassetetes, porque muitos já levaram noutros tempos.

    • subcarvalho diz:

      “Os idosos não merecem levar com cassetetes, porque muitos já levaram noutros tempos”…devem ter levado noutros tempos porque provavelmente acatavam que nem cordeirinhos as leis injustas da “venha senhora”…ou terá sido ao contrário?…ai que tou muito confuso da mona…expliquem-me lá melhor esta problemática toda!!

  8. tenho vergonha do Pais em que vivo trabalho desde os meus 6 anos ajudando os meus pais com muita fome á mistura aos 14 anos empreguei -me tenho no lombo 46 anos de trabalho 37 a descontar para a segurança social . hoje estou com algumas maselas de tanto trabalhar nunca pensei que no seculo 21 tivesse de passar fome e quando a saude ja não ajuda bem dizer que tenho de trabalhar até aos 66 anos . estas leis são feitas por quem nunca fez nada e não lhe falta nada há mesa infelismente na minha falta sempre trabalhei nunca vivi há custa de nimgue estou como muitos Portugueses a pagar casa em 1989 comprei dentro do meu poder iconomico para que eu não faltasse aos mues compremissos nunca pensei que mais tarde um governo me tira-se parte do salario esta muito dificil honrar os mueos compromissos tanto trbalhei para têr na velhisse qualidade de vida ainda não la chegue e ja estou a passar mal por culpa dos governantes que têm afundado o nosso Pais e agora bem aprsentar uma fatura pesada a quem sempre trabalhou e por aqui me fico só tenho pena que não haja um novo 25 de abril para acabar com muitos malandros que vive há custa dos mais velhos.

  9. AF diz:

    há por ai uns poucos que dizem que ficámos todos órfãos após a decisão da CGTP. esses, se alguma vez foram filhos de alguma coisa, não foi da luta certamente! com tantos sindicalistas como estes que se apresentam neste blog com os dentes de fora, epa, convoquem vocês uma manifestação, vá, vão lá. Mas não se esqueçam, quando olharem para trás, pode ser que alguém vos dê um copo de leite..é que o cheiro das vossas fraldas tresanda!

  10. RP diz:

    Este texto tem tanto de ridículo como o Arménio Carlos e a CGTP têm de hipocrisia. No estado rescinde-se, na CGTP extingue-se o posto de trabalho.

  11. Nascimento diz:

    Ó Manel estás espicaçado? A conversa nem era contigo, portanto vê la se deixas o álcool ,e passas ao chá, e já agora vê se metes umas ferraduras ,ok?… quanto ao outro totó, se ele acha que a região da Bretanha ou da Flandres, ou Baixa-Saxónia,é atras do sol posto, então está bem…TADITOS.

  12. João. diz:

    A CGTP não deve fidelidade aos radicais pequeno-burgueses mas às condições de vida dos trabalhadores. É isso que importa. Entre desagradar aos radicais pequeno-burgueses e executar o que a vontade maioritária dos seus associados, levando em conta as lutas mais amplas que assumem, determina, a CGTP não tem que gastar um segundo a considerar as reclamações dos radicais pequeno-burgueses. Até porque já se percebeu uma coisa: os radicais pequeno-burgueses não perdem uma oportunidade para criticar a CGTP e portanto a Sindical nada deve a estes seus inimigos.

    Viva o PCP.

    • Argala diz:

      radicais pequeno-burgueses nha nha nha nha radicais pequeno-burgueses nha nha nha nha radicais pequeno-burgueses nha nha nha nha radicais pequeno-burgueses nha nha nha radicais pequeno-burgueses nha nha nha

      Escolinha da JCP. Transformar o sonho da social-democracia em vida.

    • proletkult diz:

      Sempre a mesma treta, sempre o mesmo anátema dos “pequeno-burgueses” (o que vindo de um partido burguês e proprietário de inúmeros imóveis é anedótico). Mas há aqui um dado dialéctico interessante, neste comentário de João: a CGTP não aceita as críticas que lhe são dirigidas porque não reconhece os autores das mesmas. O mesmo raciocínio aplica-se ao PC, naturalmente. Em vez de debater (esse verbo inexistente para os sociais-democratas cunhalistas), cola-se ao autor das críticas um rótulo criado pelo rei-sol do revisionismo português. E assim lá vão eles, em direcção à “democracia avançada”, às “conquistas de abril”, mas com jeitinho, nada de “aventuras” e “provocações” porque só o “lucro obsceno” é que é mau.

      Em relação à “vontade maioritária”, eu não me lembro de alguém ter votado sobre a decisão de recuar nesta manifestação. Como também não me lembro de terem sido votadas as datas ridículas das greves gerais para depois da aprovação dos OE’s (ou em Novembro de 2010, quando se marcou uma greve geral para depois da cimeira da NATO e não para essa semana). Não me lembro de ver discutidas (e votadas) formas de luta básicas e históricas do movimento operário, como sejam ocupações de empresas, greves de solidariedade, fundos de greve ou sabotagem táctica nas greves gerais. A “vontade maioritária” da CGTP é a proibição do direito de tendência, da maior revogabilidade dos mandatos dos dirigentes e delegados sindicais, a estigmatização do “vandalismo” (o Arménio até sabe que na Grécia aquilo era tudo nazis e bófias, esquecendo-se do cerco ao parlamento feito pela PAME) e, a cereja, as amenas cavaqueiras com as personagens da troika no Terreiro do Paço, ao invés de uma mobilização em massa para lá.

      E é esta a realidade da CGTP, espelhada nestes comentários cheios de arrogância vindos da “esquerda patriótica”.

      • João. diz:

        Para os comunistas a violência sem o apoio das massas populares é terrorismo. O PCP e a CGTP, a meu ver bem, não vêm no terrorismo uma saída para a promoção de uma política de esquerda. Se não entendes isto, então não sabes sequer do que falas. É fácil falar mais difícil fazer e aqui fazer é conquistar representatividade popular. Você, vocês não têm nada, nenhuma, são uns gajos quaisquer a reclamar acções violentas quando o povo português na sua maioria, mesmo contra o governo, as reprova.

        • Argala diz:

          “Para os comunistas a violência sem o apoio das massas populares é terrorismo.”

          Para os comunistas não, para os social-democratas como você talvez. Para os comunistas, a violência, tal como vem no manifesto, é uma necessidade revolucionária, independentemente do que pensem sobre isso as “massas populares”.
          Primeiro ŧemos vários problemas conceptuais: o que é “terrorismo”? E o que são “massas populares”? E se o que isto quer dizer é que as tarefas revolucionárias ficam congeladas enquanto a marketest ou a católica não realizem sondagens favoráveis, então você está apresentado. “Representatividade popular”?! O glorioso partido marxista-“leninista” quer então transformar a Revolução num concurso da miss universo.. numa patética situação em que se invertiam os papeis na relação da vanguarda com a sua base, que pareceria uma conversa de surdos deste estilo:
          – Então o que é nós fazemos agora?
          – Depende, o que quereis vós fazer?
          – Nós não queremos fazer nada por aí além. Vamos deixar andar até às próximas legislativas.
          – Então é isso.

          E é melhor antecipar com alguma literatura, mais uma citação fulminante do radicalismo pequeno-burguês. Ora segue:

          http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1919/dec/16.htm
          http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/miliprog/

          Cumprimentos

          • João. diz:

            Violência sem o apoio das massas populares é a definição de Lenin para terrorismo. Lenin distinguiu a violência durante um levantamento das massas populares daquela outra de grupos isolados sem ligação com as massas.

  13. proletkult diz:

    Não percebo de onde vem isso agora, porque eu não defendi nada parecido com “terrorismo”. Mas se para ti ocupar uma empresa ou furar os pneus dos autocarros da Carris nas primeiras horas de uma greve geral é terrorismo, então não temos o mesmo conceito de luta. Dou-te um exemplo: na Grécia, quando a troika decidiu subir exponencialmente os preços da electricidade, o sindicato dos electricistas da PAME (próximo do KKE, portanto), tomou a iniciativa de mostrar ao povo, em vários bairros, como é que se fazem puxadas de cabos para obter a electricidade grátis. Isto é terrorismo?

    Não sei se o “povo português” as reprova ou não. Historicamente, somos um povo com um carácter pouco pacífico. Mas é impossível debater isto. É que as duas organizações mais importantes na classe trabalhadora portuguesa, que parecem considerar uma marcha LEGAL na ponte 25 de Abril como “terrorismo”, nunca seguiram uma estratégia política e ideológica para que “o povo” apoiasse uma intensificação da luta. Bem pelo contrário. Logo, a questão do apoio, ou não, dos trabalhadores portugueses ao combate mais duro é uma não-questão.
    E, além do mais, se estivéssemos sob a sombra da “representatividade popular” à espera do apoio “do povo” a acções violentas, França ainda hoje tinha um Capeto qualquer sentado em Versalhes.

    • João. diz:

      Não importa o que eu acho. O que importa são os efeitos sobre a massa da população portuguesa – não interessa organizar um grupo de fieis, mesmo que sejam 5000 ou até 10000 de radicais esquerdistas se depois os resto da população passa a repudiar a esquerda e a preferir deslocar-se mais para a direita. São essas coisas que se têm de considerar a não ser que se reúna força para tomar o poder independentemente da inclinação popular do momento. Mas se não, então é preciso cuidar para não desbaratar numa manifestação o pouco que até agora se conseguiu – porque é pouco, é verdade, mas em todo o caso é melhor que nada.

      • proletkult diz:

        Por acaso o que achas importa, porque não fui eu quem apareceu com o carimbo de “terrorismo”. Mas adiante.
        Os “efeitos sobre a massa” não podem ser medidos a montante. E muito menos poderia haver uma aferição objectiva quando, repito, as organizações legitimamente responsáveis pela luta do trabalho em Portugal não fazem, nunca fizeram, nada para que “as massas” possam apoiar (ou não) acções mais, digamos, aguerridas. E repara que nem sequer estou a falar de luta armada, que é uma fase posterior da luta revolucionária. Repito, falo de formas de luta que considero normais e básicas (além de serem tradicionais no movimento operário mundial), como as que explicitei acima. Mas a questão é que isso nem discutido é. Ora assim muito obrigado, claro que “as massas” nunca vão apoiar algo que não é feito nem tão pouco proposto. Daí a tal não-questão que eu falava acima.

        Só mais duas notas: esse pavor a perder “a população” para o lado burguês é uma manipulação desonesta da luta de classes. Porque nem “a população” apoia, nem nunca apoiará, por maioria um programa revolucionário nem essa é uma questão que deva passar pela cabeça dos revolucionários. Nenhuma revolução foi feita com a maioria “da população” do lado dos revolucionários. Basta olhar para os resultados eleitorais das eleições parlamentares de novembro de 1917. Ora, pela lógica do teu discurso, os Bolcheviques deviam ter recuado, pedido desculpas ao pessoal e entregue o poder. É por isso que o marxismo-leninismo se baseia no princípio do partido revolucionário de vanguarda da classe trabalhadora, e não no conceito revisionista do partido de massas, “de todo o povo” etc.

        A outra nota é que é preciso ter cuidado nessas definições do que Lenine “disse”. Não só porque o conceito de “levantamento das massas” não é a mesma coisa que a revolução proletária pela qual Lenine batalhou, mas também porque Lenine fez sempre questão de apoiar a violência de carácter revolucionário (portanto legítima) mesmo quando os Bolcheviques eram um partido ultra-minoritário. Basta ver que aquando do golpe falhado de Kornilov em Agosto de 1917, Lenine apelou ao Soviete de Petrogrado para que este tomasse o poder e os Bolcheviques quase não tinham expressão naquele órgão. De resto ficaram, isolados nesse apelo, sendo que todos os outros grupos de esquerda apelavam à formação de um governo de coligação. E qual foi a resposta “das massas” a este apelo, aparentemente radical (pequeno-burguês?) e “desfasado das condições subjectivas oferecidas pela correlação de forças”? Dar a maioria aos Bolcheviques no Soviete de Petrogrado, assim como em Moscovo, Kiev e outras cidades. Daí a Outubro foram 2 meses.
        O que Lenine criticava e classificava de “terrorismo” e de violência contra-producente eram os actos individuais, desesperados até, dos anarquistas e dos niilistas, correntes que tinham uma grande tradição na luta política Russa desde meados do século XIX e que eram, objectivamente, rivais dos Bolcheviques. De resto, o próprio Lenine sabia bem os poucos resultados práticos desse tipo de violênca, já que o seu irmão tinha sido executado por causa de uma brincadeira dessas.

        • João. diz:

          O que é importante é que se comece por não reforçar o poder das forças reaccionárias. O resto, peço desculpa, são fantasias – isto em Portugal, que é do que falo. Digo-lhe até que neste momento acredito que se o regime actual se desintegrasse era mais certa uma ditadura de tipo salazarista do que um governo revolucionário. Toda a direita, mais boa parte do PS prefeririam isso..

    • João. diz:

      “É que as duas organizações mais importantes na classe trabalhadora portuguesa, que parecem considerar uma marcha LEGAL na ponte 25 de Abril como “terrorismo””

      – atenção que eu não disse nada disso e eu não falo pela CGTP. Longe disso. Do que eu falo é da relação com a lei. Alguns de vocês parecem querer propor que se desconsidere a lei e se faça o que se julgar melhor fazer. É neste aspecto que eu falei do conceito leninista de terrorismo. Eu falo de uma luta com desobediência sistemática à lei. É aqui que se tem de pensar bem as coisas. Não se trata de coisas no momento, ou até de acções pontuais trata-se de formar organizações que agem à margem da lei. Estas organizações podem ser populares, podem representar o descontentamento de muita gente ou podem gerar repulsa na população e aumentar a popularidade do governo ou das forças que se querem combater.

      • proletkult diz:

        Vou ter que me repetir: enquanto isso – formas de luta à margem da lei – não for tentado ou, no mínimo, debatido, é claro que esse argumento de que “a população” passa a apoiar o governo (como se a maioria da população não apoiasse, à partida, os governos burgueses) vai prevalecer sempre. Ora isso de “perder a população” é uma escapatória retórica engraçada para cobrir as deficiências ideológicas das organizações reformistas, além de que é o exacto oposto da famosa frase Lenine “Sem teoria revolucionária não há prática revolucionária”. Pois se não se formam os militantes na luta revolucionária consequente, deixando-os convencidos de que a “representatividade popular” é uma saída viável para alcançar o socialismo, é claro que nunca haverá luta revolucionária.

        Isso da “legalidade” é palha. A própria ideia de “luta” pressupõe um desvio à lei. E é óbvio que o quadro legal nunca é favorável à intensificação da luta dos trabalhadores, dado que vivemos em estados burgueses. Mesmo num país com a tal “constituição socialista” a realidade não difere.

        Para terminar, ninguém falou em “formar organizações”. As organizações são os partidos comunistas (ou assim designados) e os sindicatos. São estas organizações que têm de assumir e guiar a luta do trabalho contra o capital.

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