o tabu da desobediência à lei e a moral da desobediência

Depois de acesas discussões desde sábado na UNIVERSIDADE FEMINISTA sobre que fazer agora, como continuar a lutar, faço minhas estas palavras:

“A desobediência à lei é um terreno tabu para as instituições do poder democrático – sejam elas os partidos, parlamentos, governos, presidentes, sindicatos ou tribunais. A razão do tabu é simples, em democracia as leis são justas porque são produto da deliberação, da negociação, dos consensos possíveis. Logo, não faz sentido desobedecer às leis, não há moral na desobediência. Mas o protesto em democracia existe e a desobediência acontece quando tem de acontecer – o que é o mesmo que dizer que quando há injustiça há protesto e que quando se retira margem de mudança há desobediência.

Como refere Douzinas no seu recente livro Philosophy and Resistance in the Crisis, é a percepção de extrema injustiça, radicada numa série de humilhações sucessivas, que exaure a tolerância moral de uma sociedade e leva à desobediência.

Pois, como bem sabemos, as humilhações também podem ser sociais, ao radicar nas leis, e não apenas nos comportamentos individuais.

Sabemos que nas sociedades democráticas os conflitos entre moral e lei são normalmente resolvidos em favor da lei.

Mas o dever de obedecer à lei é absoluto apenas quando acompanhado pelo livre pensamento de que a lei é moralmente correcta e democraticamente legítima.

A moralidade e a legalidade são duas faces da mesma moeda.

Quando a lei coloca em causa a nossa concepção de bem é a nossa própria autonomia que é colocada em causa e a desobediência à lei torna-se moral.”

Gustavo Cardoso

excelente artigo do Gustavo Cardoso, pode-se ler aqui a continuação.

http://www.publico.pt/politica/noticia/a-moral-da-desobediencia-1605712

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Sobre raquel freire

www.raquelfreire.com
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5 respostas a o tabu da desobediência à lei e a moral da desobediência

  1. Argala diz:

    Cristo.. quando é que se depura novamente este blog?

    • quer uma purga? quer-me expulsar? olhe que já fui censurada pelo governo na antena 1, o meu programa sobre movimentos sociais foi censurado, por isso se está a propor que me censurem aqui terá que ir falar com o relvas. aposto que terão muito em comum.
      quanto ao cristo, deixe lá o cristo em paz, que ele já sofreu que baste.

      • Argala diz:

        Raquel,

        Corro o risco de estar a antecipar os planos de alguém, mas sim, quero uma purga e como não creio que o Relvas me possa ajudar, limito-me a fazer o pedido na caixa de comentários: não quer desopilar do blog e levar o Labrincha consigo?

        Na antena 1 – eu sei e simpatizo -, a Raquel foi expulsa por más razões. Mas desta vez a seria expulsa pela melhor das razões. É que está completamente fora de tempo e de contexto, ainda que muito bem intencionada.

        Mas que raio de discussão foi essa na universidade feminista?

        Os termos em que coloca a questão da desobediência dão dores de cabeça e deprimem os trabalhadores. Os seus textos fazem mal à saúde.

        A Raquel quer que as pessoas fiquem com problemas de consciência por estarem a desobedecer a leis que foram votadas num parlamento, que por sua vez é composto por partidos que foram sufragados nas urnas? Já viu o problema que isto é? Com esses pressupostos, a defesa da desobediência está derrotada à partida e só pode ser defendida com base em subjectividades.

        A nostalgia da democracia perdida ficou sem campo. O que equivale a dizer que o discurso da Raquel ficou sem campo, e esse é o excelente motivo pelo qual a Raquel deve ser purgada.

        Cumprimentos

    • ESCREVE argala: “A nostalgia da democracia perdida ficou sem campo. O que equivale a dizer que o discurso da Raquel ficou sem campo, e esse é o excelente motivo pelo qual a Raquel deve ser purgada.” ou seja, eu devo ser purgada, porque a democracia está fora de moda. get over it.

      • Argala diz:

        Sim Raquel, é isso mesmo. Essa nostalgia da democracia liberal burguesa, desse “Estado de Direito” que os banqueiros destruíram, está fora de campo e é reaccionária.
        A democracia que interessa, e pela qual os trabalhadores devem lutar, é a democracia nas relações de produção.

        Cumprimentos

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